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Arquivo de julho, 2008

10/07/2008 - 22:06

Pernas de fora

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Ivan Aguilar

Usar bermuda na cidade continua sendo um belo de um tabu para muito homem, não é mesmo? Logo no Brasil que, além de ser um país tropical, é descontraído e – supostamente – aberto a novidades. Tendência em alta e que já vem há tempos sendo martelada nas principais passarelas masculinas mundo afora, a bermuda urbana – usada com paletó, jaqueta ou só de camisa – nunca teve tantas variantes como agora. Na temporada – de verão, aqui e lá – recém terminada, as propostas se multiplicaram, algumas mais acertadas e condizentes com a realidade, outras menos. Mas a gente fica com as que têm alguma chance de ganhar as ruas, claro.

A verdade é que o brasileiro adora uma bermuda, sim, mas desde que seja nas suas horas de folga, de preferência sentado numa cadeira à beira-mar, enquanto contempla as gostosas de biquíni que vão e vem à sua frente. Fora deste cenário, existe o receio permanente de parecer moleque, passar pouca credibilidade e destoar da massa, coisa que, digam o que quiserem, apavora a maioria dos machos, preocupados demais também com sua masculinidade ou com medo de não serem bem aceitos na turma de amigos. O mais engraçado é que se a gente mostra alguns looks de passarela que vão por este caminho, muita gente acha simpático, mas não sabe se encararia na vida real (eu me incluo nessa, tá?). Por puro pré-conceito, pouca segurança ou falta de (boa) informação.

A Biti fez um post bem legal sobre o assunto, pedindo a bofes reais que dessem opinião sobre 3 looks pinçados na temporada nacional desfilada mês passado. Na minha opinião, as fotos depõem contra, pois mesmo os exemplos brazucas de como usar a dupla bermuda e paletó/jaqueta não tendo sido dos melhores nesta estação, tinha coisa melhor (numa boa, tá, Biti?). Acho que com o look certo, a coisa muda de figura.



Lanvin



Louis Vuitton



Fendi



Junya Watanabe

E a NyMag fez uma materinha bacana a respeito também, provando que o assunto rende. É uma espécie de guia da bermuda certa, com dicas de complementos para o look. Resumidamente, é isso aqui ó (mas vai lá pra ver a original):

- Sobre o shape: Pense na bermuda exatamente como você pensa nas suas calças: se prefere calças baggy, use bermudas baggy. Se gosta das skinnies, bermuda sequinha então. Mas não se deixe seduzir pelos garotões tipo Abercrombie, que vestem aquelas bermudas gigantes, tipo loose-fit. Eles são modelos, malhados e de pernas musculosas. Se você não tiver o corpo deles, suas pernas vão parecer dois gambitos ridículos nesse tipo de bermuda.

- Sobre o comprimento: Se for do tipo inseguro, prefira modelos mais compridos, na altura do joelho ou cobrindo parte dele. Mais comprido que isto, vira uma calça Capri (ou corsário, argh!). E cuidado com o comprimento oposto, curto demais. Meio da coxa, jamais!

- Sobre a camisa certa: Os modelos de mangas longas e dobradas são os mais corretos. Eu acho que isso se aplica a qualquer combinação, mesmo com calça comprida. Camisa de mangas curtas, só em raras ocasiões.

- Sobre o calçado: Quando estiver de bermuda, uma boa pedida são aquelas botinhas tipo London Fog, de camurça, que estão voltando com tudo, sabe? Opinião do hypercool: tênis flats e sapatos tipo derbies podem ser muito elegantes também.

-No trabalho: Depende de onde você trabalha. Se for condizente com o perfil da empresa, arrisque. Mas, se isso for te transformar num estranho no ninho, melhor não. Pra quê, não é mesmo?

Será, hein?

Autor: admin - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/07/2008 - 23:16

Les garçons de Paris

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Os lycéens de classe média alta de Paris retomaram as rédeas do estilo entre os jovens franceses. Ao contrário das décadas de 80 e 90, onde a periferia ditava regra, impulsionada pelo tsunami hip-hop, estudantes entre quinze e dezoito anos andam esbanjando atitude e elegância nos arredores de áreas nobres da capital francesa, como Saint-Germain e o jardim de Luxembourg. O movimento já vem de algum tempo, mas agora está legitimado e registrado em imagens. E com a assinatura poderosa de Hedi Slimane (que deve render muito assunto ainda em 2008).

Circulando pelas redondezas supracitadas, Slimane fez seu casting particular, selecionou ótimos exemplos dessa nova elegância teen (ou adô, como se diz por lá) e realizou um ensaio cheio de atitude com os meninos. Depois dos “Luxembourgeois”, a idéia é continuar com os ensaios, registrando outros grupos, pinçados em diferentes bairros de Paris, cada um com sua elegância própria.

No caso desta primeira experiência, dá para perceber uma certa influência rocker, meio british até, mas com uma sofisticação mais discreta, mais…mais….mais cool. É isso. Essa turma aqui se preocupa com os detalhes, sim, mas de uma maneira tão low, que parece tudo muito natural. Tem um certo ar blasé (senão não seriam parisienses, certo?) e desafiador típico dos adolescentes de hoje, que buscam suas referências de estilo diretamente na net, nos blogs ou nos sites de streetstyle. É ali que nascem e amadurecem os modismos ou tendencinhas das ruas, antes até de irem para certas passarelas e, mesclados ao caldeirão de influências musicais e das revistas de moda que chegam até os jovens, dá no que dá. Ah, se todo adolescente fosse assim.

Ano passado eu tive uma amostrinha dessa nova geração enquanto andava pelos corredores do Bon Marché. O melhor de tudo é que eles se interessam por moda! Ainda lembro de dois meninos fuçando nas araras da Miu Miu e de Paul Smith, displicentemente elegantes com seus paletós sequinhos e camisas bem cortadas. Chic.

(Selecionei algumas imagens, só dos meninos, mas as meninas vão pelo mesmo caminho…)

Autor: admin - Categoria(s): Sem categoria Tags:
03/07/2008 - 23:39

Casting de verdade

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E a onda de “gente normal” que tomou conta das passarelas durante a temporada masculina internacional? Acho bem válido, quando o quesito elegância é mantido. Os senhores de Ann Demeulemeester são sensacionais, o amigo de Vivienne Westwood beira o grotesco, mas é engraçado. Veja abaixo quem mais apostou na “tendência”:



Ann Demeulemeester



Etro



Yohji Yamamoto



Martin Margiela



Vivienne Westwood

E no Brasil:



João Pimenta

Autor: admin - Categoria(s): Sem categoria Tags:
03/07/2008 - 23:26

Fala-se de:

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Rumores dão conta de que a Dior estaria atrás de Hedi Slimane para tê-lo de volta em sua linha masculina. O boato diz ainda que Kris Van Assche, assim como foi com Slimane, estaria de saco cheio da visão exageradamente “de empresa”, business, da maison, com toda a pressão que isso implica. Ao mesmo tempo, talvez eles estejam se dando conta de que o motivo pelo qual a grife era tão lucrativa sob a batuta de Slimane fosse o simples fato dele ser muito bom e não porque eles o mantinham na rédea curta. Hum…curioso pra saber se nisso tudo tem algum fundo de verdade. Seria bom tê-lo de volta à moda, já que a parceria dele com a Diesel não andou. Quem sabe ele mesmo não conta pra gente qualquer dia desses, né?

Autor: admin - Categoria(s): Sem categoria Tags:
02/07/2008 - 19:52

Quentinhas

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Reparou que a Eastpak vive se aliando a nomes fashion, no intuito de criar mais e melhores objetos de desejo na forma de bolsas e mochilas? Juliana Jabour, Vans, Eley Kishimoto e…Raf Simons, claro, são só alguns dos parceiros que toparam a empreitada. No caso de Simons, foi só sucesso (lembram dos mochilões no último desfile masculino?). Tanto que tem repeteco saindo do forno.

E dessa vez ainda mais cool. Eu tinha gostado médio das primeiras, mas aprovo totalmente essa nova leva. O melhor: não tem cara de mochila semi-adolescente como a maioria. Simons vem consolidando seu nome entre os mais interessantes estilistas de sua geração. Sua última coleção para a Jil Sander, desfilada em Milão, na semana passada, é genial. Gosto menos da sua coleção solo, mas é preciosismo meu, porque ele é bem bom sim. Bem que a nossa Eastpak podia fazer chegar por aqui essa linha, não?

Mais uma boa nova: a lúdica Tsumori Chisato começa a distribuir sua linha masculina para além do Oriente. Antes reservadas aos países asiáticos, principalmente o Japão – e vendidas unicamente nas butiques próprias -, suas peças para homens foram apresentadas pela primeira vez em Paris, em show-room, durante a semana de desfiles de verão 2009. Agora vão poder ser encontradas nas multimarcas francesas e gringas também. Isso inclui a Surface To Air, suponho. Karina e Séba, que tal trazer pra cá também, hein?

O masculino de Tsumori não é tão novo assim. Existe há mais de dez anos, mas estava guardado para poucos, por puro receio da japonesinha, que julgava que o mercado ainda não estava maduro para receber suas peças. “É um segmento complicado”, declarou ao site francês FashionMag.

A coleção é relativamente simples, composta por peças de corte básico mas com uma graça aqui ou ali. Algumas camisetas, calças, agasalhos e pólos ganham detalhes usados também na coleção feminina, como um trabalho em trompe l’ oeil que imita tinta escorrida também nas gravatas e na bolsa em couro (linda!). Menos colorida que a porção feminina, a bem vinda linha de menino da Tsumori é muito legal. Demorou.

Autor: admin - Categoria(s): Sem categoria Tags:
01/07/2008 - 20:23

Paris Report

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Dei uma abandonada no blog esses dias, eu sei. Motivos de trabalho maior, gente. Já até acabou a temporada parisiense de moda masculina, mas ainda dá pra comentar e fazer aquele rankingzinho dos meus cinco desfiles prediletos (e mais um) na Cidade Luz.

YVES ST.LAURENT: Melhor homenagem do que ter sua maison nas mãos de alguém competente e que só a enobrece não há. Monsieur St. Laurent deve estar olhando todo satisfeito lá de cima o belo trabalho que Stefano Pilati vem realizando à frente da YSL. Para o verão 2009 masculino, Pilati optou mais uma vez por mostrar a coleção em formato de vídeo (além, claro, das fotos de divulgação dos looks), trazendo para os anos 2000 toda a tradição da grife. E, fora da tela, a moda de Pilati é de um chic impressionante. É clássico e atual ao mesmo tempo. É elegante sem afetação e sem montação. É natural e não artificial, pronto. Acho que é isso. Minha imagem de elegância masculina, hoje em dia, tá quase toda nessa coleção. Aqui vai o link do filme pra quem ainda não viu.

LANVIN: Brincar com volumes numa coleção masculina não é pra qualquer um, e Lucas Ossendrijver conseguiu fazer isso de maneira muito suave e sem perder a elegância no verão da Lanvin. Assumindo o lugar da Prada no ato de questionar e repensar a moda masculina, soa quase como uma provocação de Lucas o shape de legging de algumas calças, repuxadas e nervuradas graças a tiras de elástico inseridas em sua estrutura. Idem para os paletós, de um e dois botões, desestruturados e amplos em alguns momentos, ajustados e curtinhos em outros. Uma cartela de cores certeira ajuda a fechar a conta de uma feliz (e nova) proposta de M-O-D-A (e não apenas do ato de vestir) para os homens de nossa época.

ANN DEMEULEMEESTER: Que bom que eu estou podendo colocar a Ann entre meus desfiles prediletos da temporada. Às vezes acho que não se fala muito dela, e é sempre (ou quase) tããão bom. Eu gosto dessa imagem sempre meio histórica que suas coleções têm (a feminina também), sempre com looks ricos em texturas e sobreposições, onde cada detalhe é pensado, sem se render a tendências efêmeras. Desta vez, a silhueta é ampla, desabada, elegantemente relax, como pede o momento atual da moda masculina (eu adoro). Tem as calças de pijama da estação, mas bem inseridas no contexto da coleção, inspirada no livro O Jogo das Contas de Vidro, do escritor alemão Hermann Hesse, tem deliciosos cardigans, listras, poás, muito preto (como sempre), tudo muito cool. E tem também um casting de senhores (Yohji e Etro também fizeram) bem elegantes para fechar o desfile.

JOHN GALLIANO: New Rave encontra o punk neste novo delírio gallianístico. Muita cor ácida, xadrez e combinações inusitadas, às vezes de difícil digestão, eu sei, mas é muito bem feito. Mais uma vez, tem de um tudo nos personagens do desfile: clubbers, ravers, guerrilheiros, heróis de mangá, e por aí vai…E tem que se esforçar pra limpar os looks e pinçar a peça que importa em cada um deles. Mas tem. Olha bem que tem. Puro Galliano. E a gente gosta.

LOUIS VUITTON: Já que é pra ser mais sóbrio, que seja com bons materiais, corte impecável, boas idéias e cartela de cores gostosa. Marc Jacobs acertou a mão no shape e apresentou a melhor opção para os homens mais tradicionais, com uma pitadinha de novo aqui e outro tanto de urbanidade ali. Tem calça mais ampla e tipo jogging, colete curtinho e paletós de um botão. Não me emociona, mas reconheço todos os méritos.

+1: GIVENCHY: Não gosto de tudo não, tem umas coisas bem ruins, aliás, mas quando é bom, é bem bom. Adoro os looks de bermuda de couro pregueada com legging por baixo, combinada com alfaiataria black-tie. Uma brincadeira de mundos opostos deliciosa. Vai para o trono.

Resuminho: paletós de um e dois botões, abotoamento duplo (parece que pegou), calças folgadas, tipo jogging e pijama, com pregas, cardigans e pinceladas de cores mais fortes. Meio que confirmou o que vimos em Milão, né? Agora é esperar pra ver o que confirma aqui e tentar aplicar isso tudo pra vida real. Eu acho que dá tranqüilo. É uma moda real, sem muitas piracões, num momento muito elegante da moda para homens. Eu tô adorando.

Autor: admin - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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