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30/07/2008 - 16:07

Clube do Ricardo

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Ricardo Almeida adora reunir amigos, clientes e televisivos para lançar suas coleções. Foi assim enquanto participou do SPFW, está sendo assim desde que deixou o evento. Ontem, o auê foi no recém-(re)inaugurado Pandoro, point da elite paulistana desde 1953 (fechou em 2006 e reabriu este ano, repaginado por João Armentano), regado a muito caju-amigo, drink histórico da casa. Na “passarela”, dez modelos e doze convidados desfilaram impecáveis ternos da linha mais formal da coleção de verão 2009. Na “platéia”, de Sandy e Junior a Hebe Camargo, passando por Rico Mansur e mauricinhos equivalentes. Normal.

Em entrevista coletiva a um punhado de jornalistas mais interessados na moda do que no agito, Ricardo revelou que optou pela locação por um desejo de resgatar valores e boas maneiras de uma forma geral, olhando para o passado para reavaliar o presente. Reflexo desse pensamento foram os ternos completos (com direito a colete e lenço no bolso) em xadrezes variantes do príncipe de Gales vestidos pelos meninos, que também tinham os cabelos gomalinados bem à moda antiga, enquanto nas caixas de som ecoava uma bossa nova revisitada. A silhueta masculina relaxou no hemisfério norte e Ricardo seguiu a maré, sem perder o shape esguio ao qual é fiel e que, realmente, é o mais elegante quando se trata de alfaiataria.

Paletós de dois botões reinam na coleção, basicamente trabalhada em tons de cinza, pontuados por cores mais fortes nas gravatas. Tem ainda um certo mix de padronagens, com os xadrezes dos ternos, mixados com as listras e poás das camisas, além das estampas das gravatas. Enfim, tudo muito chique, bem cortado e clássico, com a assinatura do anfitrião da noite, que ainda revelou algumas curiosidades sobre sua visão de moda para homens no século 21.

Ricardo acredita no bespoke como futuro de consumo. Entenda por aí que a tendência entre os homens é a de querer algo cada vez mais personalizado e exclusivo, nem que para isso tenha que pagar mais caro. Isso tem a ver com o perfil masculino de compra que, apesar de mais interessado e bem informado, não consome tanto a moda em si, mas qualidade e estilo. Em suma, o cliente de Ricardo Almeida quer roupa boa e que dure. E isso ele tem. Nesse momento da entrevista, rolou ainda um momento saia-justa na resposta a Alcino, que perguntou se Zegna e Tom Ford seriam os maiores concorrentes e se os valores dos ternos seriam justos. Achei as respostas de Ricardo plausíveis, explicando que compra-se os materiais nobres da alfaiataria de todos, mas compra-se também a assinatura, que agrega valor ao produto final, que chega a custar R$ 14.000 no caso do Sr.Ford. Natural, tudo o que a gente já sabe. Valer tudo isso não vale mas, that’s fashion, honey.

Gostei também da explicação sobre o porquê de ignorar o jaquetão já que nas passarelas gringas eles dominaram: simplesmente porque é um tipo de abotoamento difícil, que só fica bem fechado e que, por causa do clima tropical, era pouco prático para o brasileiro, ao contrário de terras européias.

Três cajus e alguns acepipes depois, bati em retirada, contrariando a lei-seca. Foi por uma boa causa.

Autor: admin - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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3 comentários para “Clube do Ricardo”

  1. fernanda disse:

    gente, eu devo a você, a oli, a lula e a vitor a educação em moda masculina que estou tendo via blogs. juro, to adorando e me sentindo aluna: lendo, estudando imagens, relendo, espiando comentários e respostas de comentários. e AMEI a explicação das abas do terno de abotoamento duplo não servirem no BR e amei o finzinho do texto, mointo bom! =)

  2. Jeferson Ribeiro disse:

    Às vezes, é muito assustador ver uma pessoa com um terno de R$14 mil num contexto socioeconômico como o nosso, mesmo sabendo que ele é Tom Ford legítimo, com um corte impecável e material maravilhoso. Mas isso realmente é a moda, ou como queiram chamar de “costume”. A moda pressupõe a diferenciação e o status, logo usar um Sir. Ford é se diferenciar dos demais. Assim como faziam os reis e rainhas, que ostentavam seus costumes suntuosos, deixando a plebe boquiaberta, enlouquecida, querendo se assemelhar a eles. Isto é a moda! Criar o desejo, transpor a necessidade, obter status, se diferenciar. O real valor não é o que se gastou com a produção, mas a marca que a ele será dada. Se o século XX era de tal marca, como Chiclete ou Coca-cola, que substituíam o nome do produto; no XXI elas têm maiores poderes e são sinônimos de desejo de consumo. Ainda mais numa seara masculina, onde as alterações no vestir são parcimoniosas. Fica na plebe globalizada o sonho de quem sabe um dia usar um Zegna, Ford ou Dior Homme. E o contentamento de usar um nacional.

  3. Oliveros disse:

    No final das contas, gostei das roupas, mas não do desfile. Já tínhamos visto tudo, poderíamos ter pulado esta parte. Bom, que a companhias estavam ótimas!

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