Black Fever?

A mais nova tendência da moda global são…os negros! Talvez por um inconsciente coletivo detonado pela iminente eleição de Barack Obama para a presidência dos EUA (se depender da torcida mundial, tá eleito)- que, por sua vez, pode ter acendido aquela velha chama adormecida nos ativistas raciais, que bradam o tempo inteiro a plenos pulmões contra uma suposta segregação no mundo da moda – ou talvez por puro oportunismo e/ou hipocrisia, o fato é que, subitamente, o mundo fashion parece ter caído de amores pelos negros.
Seja na Black Issue da Vogue Itália – publicada hoje, onde todos os editoriais (e a capa) foram clicados por Steven Meisel única e exclusivamente com modelos negros – ou na passarela da DSquared2 – cujo casting do desfile masculino de verão 2009, realizado esta semana em Milão, era composto em grande parte por modelos “de cor” -, nunca se viu tanto negro aparecendo ao mesmo tempo em vitrines tão relevantes dentro do mundo fashion.
Outra: A grife de P.Diddy, a Sean John, fez seu lookbook de inverno também só com modelos negros. Mais: Donatella Versace confirmou, num acesso de sinceridade, que escalou dois modelos negros para o show da Versace esta semana em homenagem a Obama.
A “homenagem” da DSquared é brochante. Inspirados na obra do fotógrafo Jemel Shabazz, que clicou gente como Malcolm X, Martin Luther King, Muhammad Ali e outros rappers, tudo o que fizeram foi passar para o negativo a estética de sauna gay em que apostam sempre. Pior: os looks são um amontoado de clichês, que caracterizam os pobres modelos como gangsters, rappers e esportistas.

Na Versace, a coisa é mais elegante e, não fosse a declaração de Donatella, passaria batido, já que os meninos são bonitos e poderiam naturalmente ter sido escolhidos apenas pela embalagem e profissionalismo. Mesmo caso da Gucci e da Etro, por exemplo.

Na Sean John, por mais que o pai da criança seja um African-American, soa também como artificial a opção por um casting inteirinho de negros para o lookbook de inverno 2008. Cadê os asiáticos, os ruivos banquelas ou os latinos bronzeados? O lance não é a tal diversidade na moda?



(Steven Meisel)
E a Vogue Itália, hein? O país não prima pelo melhor tratamento a imigrantes e por lá também rola o mesmo zunzunzum por causa da ausência de negros nas revistas e nas passarelas. Aquela coisa que a Folha faz a cada temporada, de comparar o número de brancos e blacks nas passarelas daqui, parece que acontece igual. Minha opinião é que tanto o Sr. Meisel quanto a Sra. Sozzani (Franca, editora da revista) souberam captar o zeitgeist atual e mandaram ver num golpe de marketing certeiro que, como era de se esperar, resultou em fotos lindíssimas.
Tenho uma certa preguiça dessa forçação de barra, de mostrar que se é politicamente (bem apropriado) correto, de ter que dar uma resposta à sociedade, fazendo uma bela média e transformando em “cotas” a participação dos negros no mundo fashion. É como se dissessem: “Olha, os negros têm direito a uma edição por ano todinha pra eles. No resto do ano a gente põe as russas e as belgas (e as brasileiras, né?) na capa, ok?” Ora, ponham quem for lindo e bom no que faz e ponto. Idem para as passarelas (daqui e de lá). A (o) modelo é bom? É bonito (a)? Anda bem? Tem a ver com a coleção? Então bóra bookar pro desfile, independente da cor, religião ou opção sexual. Sem essa de “vamos colocar porque é verão, porque estamos no Brasil e pega mal”. Esses hypes momentâneos é que não podem acontecer. Acho válida a “descoberta” dos negros pela moda mundial, desde que não seja calcada em hipocrisia e oportunismo, como eu acho que vem acontecendo em certos casos.
Aqui tem um ótimo texto da Cathy Horyn sobre o assunto.
Autor: admin - Categoria(s): Sem categoria Tags:
A moda é racista sim, não tem como escamotear, nada é aparente, tudo é direto. Esse seria o primeiro passo pra resolver o problema, assumir o racismo, mas é preferível não assumí-lo em nome de uma idéia abstrata que escamoteia todo o preconceito. pergunte para nossos amigos negros se eles não acham a moda racista? ou serea que eles não contam nessa cota da moda?
o assunto é bom, vou continuar a polêmica no dus infernus
bjs
Oi Sylvain,
adoro seu blog e seus comentários. Sou uma das chatas ativistas e enxergo um outro lado nisso tudo, pq na verdade a segregação não é suposta, ela existe, é muito concreta e atinge um monte de modelos lindos(as) e muito bons(as) no que fazem…isso é tão lamentávelquanto os golpes certeiros de mkt que surgem no embalo de Obama. Nos desfiles, na edição da Vogue Itália e em tudo q vai rolar até sabermos quem asume a Casa Branca, surge espaço pra essa galera que fica tão a margem do mercado. eu acho que a segregação na moda é como a segregação em todas as outras áreas, só entende quem passa por ela….enfim, estudo modaxnegrosximagens há muito tempo e enxergo um super avanço na cultura de moda, o fato de estarmos discutindo essas questões em espaços tão nobres da mídia especializada. tomara que assim como vc, as pessoas lembrem das campanhas da benetton, e façam da valorização da diversidade um dos pilares deste novo momento da moda.
abs,
Acho seu texto agressivo e muitas vezes isso desvalorisa suas opinioes …
principalmente no Brasi onde arrogancia nao tem lados positivos, procure entender melhor a cultura em que vive…
Sylvain, ainda não vi essa edição da Vogue It. De qq forma é bacana a revista abordar esse assunto. Esse preconceito existe e é fortíssimo. Uma das maiores provas é que nossa Vogue só teve uma capa com negra que eu me lembre,dona Barraqueira-Campbell em fev de 2006. Por aqui temos negras lindas: Rojane,Patricia Jesus…e anos atras a Cris Cavalcante, Cris Ribeiro. Jogada de marketing ou não,adorei a ideia de Franca. Ponto pra ela,again.
Abç, Stuart
Sylvain, não sei se meu comentário anterior entrou… Enfim, vc viu os vídeos do McDean no Showstudio/ Fashion and Politics??? Se não viu, procura o Dennis Friedman falando,
acho que ele resolve bem a equação fashion/politics. De resto acho que é uma discussão sem fim: Se usar os negros vão falar. Se não usar vão falar tbem.
Bom era o tempo de Oliviero Toscani + Benneton.
Se for bom e bonito, não tem sexo nem côr.
Abs
PENSE MODA. mto bom. bjobjobjo
Oi Sylvain, bem bacana seu texto e reflexões. Tenho vindo sempre aqui. Este momento black guilt na moda tem cheiro de YSL, que sempre foi um incentivador de black models. Té mais, Jackson
Sylvain, Parabéns aih pela formatação de opinião!
Sou negro da cor da Naomi e nunca precisei de cota para subir na vida!
Sei que pela minha condição e pelas oportunidades que tive, não posso me comparar a grande maioria dos black`man e com o Obama, eh claro!
Mas acho hipocrisia a pior coisa, pq vc não vai saber se a pessoa esta no cargo(passarela/catálogo) pq merece e eh competente ou se esta por pena ou vontade de mídia de outras pessoas!
Vlw aih!
abraço