
Burberry Prorsum
A primeira etapa da temporada internacional, com os desfiles para o verão 2009, já rolou em Milão. Próxima parada: Paris, que começa hoje e sempre reserva boas novas para quem gosta de moda masculina de verdade. O line-up é tipo dos sonhos. Só hoje tem: Gaspard Yurkevich, Vuitton, Number (N)ine, Gaultier, Yamamoto e Dries Van Noten. Tá bom, né? Em Milão também teve coisa beeeem boa. Escolhi os 5 desfiles dos quais eu mais gostei entre os mais importantes para tecer breves comentários a respeito.

BURBERRY PRORSUM: Sou cada vez mais fã de Christopher Bailey. É impressionante o que ele faz com a roupa da vida real, que está nas ruas e ao alcance da maioria dos homens (com uma boa conta bancária, lógico). O que se vê na passarela é tudo roupa de verdade, com materiais nobres, corte bom e boas idéias de styling. Pronto. Está criada uma das imagens de moda mais frescas do planeta. Hellooo! Será que é tão difícil de entender o que nós, homens, esperamos das grifes de moda masculina?

Desta vez a historinha do desfile se passa no jardim (inglês, claro) de Dungeness, de propriedade do artista e cineasta Derek Jarman por isso, a pegada, apesar de ser coleção de verão, é sóbria e coberta, bem outerwear.

Muito caban, trench e cardigan, em tons orgânicos como os dos jardim (dã) e sobrepostos de forma muito, mas muito cool. Reparem que alguns cardigans vêm mais amplos, mais compridos. Pelo menos em Milão, é shape recorrente nas coleções de verão. Algumas peças já vêm amassadas, outras ganham estampas de pingos de chuva (Bailey é inglês, de chuva e tempo úmido ele entende) e de espirros de lama, ou seja, a roupa vive, é real e tem alma. Fora a aula de casting.

Muito bom! De novo!

GUCCI: Ultimamente, as coleções masculinas de Frida Giannini têm me conquistado mais do que as femininas. E não é só pela predileção pessoal. Sinto que tem um frescor e uma falta de compromisso positiva que fazem com que as melhores idéias surjam nas passarelas dos meninos. A coleção de inverno já tinha sido boa, cheia de referências folks poderosas, mas esta consegue ser ainda melhor.

Muitas cores (olha elas aí), cardigans e misturas (elas também!) em clima de balneário tropical. Os paletós são de dois botões e tem degradê para eles também (tendencinha milanesa). Coleção fresquinha, para degustar tomando um Mojito.

JIL SANDER: Pausa no mais é mais da moda para homens para um momento de (falso) minimalismo by Raf Simons. Esse é outro que consegue se aprimorar a cada estação que passa. Fiel à um certo padrão estético que, de certa forma, limita um pouco o fator surpresa que nos faz correr para o computador a cada temporada, Simons consegue, à sua maneira, fazer um verão muito fresco, novo e cheio de cor.


Nenhuma grande novidade na silhueta, que continua slim, mas são brilhantes os paletós bi e tricolores, de mangas curtas ou não, fechados por zíperes ou não, combinados com calças de uma alfaiataria impecável. Mais cardigans e paletós de dois botões se encarregam de sinalizar as peças-chave da temporada.

ALEXANDER MCQUEEN: Este aqui conseguiu deixar elegantes e très chics os anos setenta, mantendo um certo glamour disco em looks feitos para privilegiar o corpo masculino, com shape certinho e boas sacadas opticals e geométricas.


Também aposta em degradês e achou um meio termo bom no casting: são homens, sem deixarem de ser meninos, deu pra entender? Classudo. Ah! E teve mulher desfilando também aqui, de novo, como acessórios. Rá. (brincadeirinha)

BOTTEGA VENETA: Eu sempre acho simpáticas as coleções da BV. Gosto da assinatura do Tomas Maier e acho que ele faz parte do time que consegue fazer moda com o trivial, com aquela roupa que cria desejo porque é boa de usar, sem afetação. Confesso que gostei mais do desfile anterior, mas esse é meio que uma continuação.

O universo é meio anos 40, 50. A silhueta Charlie Chaplin continua, o abotoamento duplo dos jaquetões também e, novidade da temporada milanesa, tem um quê de moda pijama. Sleepwear as outerwear, diria a Vogue. Listras de todo tipo em calças de inspiração pijamescas. Vale dar uma olhada na Dolce & Gabbana para entender melhor. (Não está entre meus desfiles prediletos, por isso não consta aqui).

+1 (plagiando o Alcino, na Folha): NEIL BARRETT: não dava nada por esse moço, mas sua silhueta seca, quase minimalista, salpicada de cores fortes e espertas misturas, me conquistou. Cardigans mais amplos (tem na Missoni também), calças mais curtas -como é comum no verão- e abotoamentos duplos. Tudo com perfuminho esportivo. Honra ao mérito.
Minhas decepções: Marni e Prada. Apesar de uma sempre correta alfaiataria, achei as duas insossas demais.
Resumindo: Muito cardigan, paletós de um, dois botões e abotoamento duplo, calças de listras tipo pijama, cores fortes (muitas!) e um perfume esportivo no ar. A silhueta é seca, mas sem exageros, com uma amplitude aqui e ali. Questa è Milano. Volto com Paris.