2008 junho | Hypercool
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Arquivo de junho, 2008

27/06/2008 - 21:07

Pode descansar em paz, YSL, Pilati garante

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A coleção mais bacana do primeiro dia de desfiles masculinos em Paris é, sem dúvida, a de YSL por Stefano Pilati. Se serve de consolo aos mais saudosistas, o mestre não corre o menor risco de revirar no caixão, pois a moda da maison está em ótimas mãos. Os outros desfiles foram corretos, com algumas boas propostas na Louis Vuitton e na Number (N)ine (cheia de boas sobreposições, de novo), mas o verão 2009 da YSL é novo, é fresco e é chic.

Pilati optou mais uma vez por apresentar a coleção em formato de vídeo (na verdade, são sete mínivídeos em um só), com o ator Jack Huston, inglês, neto do diretor John Huston e sobrinho de Anjelica Huston. Bem legal. Os looks foram fotografados durante uma apresentação em formato de show-room, como na estação passada e são, muito, muito elegantes. É uma nova elegância, mais desmontada, onde os códigos do vestuário masculino são subvertidos, onde os shapes flertam com um clássico retrô ao mesmo tempo em que são muito novos. Até o jogging aparece, em leitura comfort-chic. Sem falar que Pilati usou materiais muito “femininos”, como seda, gazar, organza e voil. O resultado, por incrível que pareça, é super masculino. Veja com seus próprios olhos.

Não subiram o vídeo no youtube ainda, mas aqui dá pra ver. Vale a pena.

Autor: admin - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/06/2008 - 21:54

Black Fever?

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A mais nova tendência da moda global são…os negros! Talvez por um inconsciente coletivo detonado pela iminente eleição de Barack Obama para a presidência dos EUA (se depender da torcida mundial, tá eleito)- que, por sua vez, pode ter acendido aquela velha chama adormecida nos ativistas raciais, que bradam o tempo inteiro a plenos pulmões contra uma suposta segregação no mundo da moda – ou talvez por puro oportunismo e/ou hipocrisia, o fato é que, subitamente, o mundo fashion parece ter caído de amores pelos negros.

Seja na Black Issue da Vogue Itália – publicada hoje, onde todos os editoriais (e a capa) foram clicados por Steven Meisel única e exclusivamente com modelos negros – ou na passarela da DSquared2 – cujo casting do desfile masculino de verão 2009, realizado esta semana em Milão, era composto em grande parte por modelos “de cor” -, nunca se viu tanto negro aparecendo ao mesmo tempo em vitrines tão relevantes dentro do mundo fashion.

Outra: A grife de P.Diddy, a Sean John, fez seu lookbook de inverno também só com modelos negros. Mais: Donatella Versace confirmou, num acesso de sinceridade, que escalou dois modelos negros para o show da Versace esta semana em homenagem a Obama.

A “homenagem” da DSquared é brochante. Inspirados na obra do fotógrafo Jemel Shabazz, que clicou gente como Malcolm X, Martin Luther King, Muhammad Ali e outros rappers, tudo o que fizeram foi passar para o negativo a estética de sauna gay em que apostam sempre. Pior: os looks são um amontoado de clichês, que caracterizam os pobres modelos como gangsters, rappers e esportistas.

Na Versace, a coisa é mais elegante e, não fosse a declaração de Donatella, passaria batido, já que os meninos são bonitos e poderiam naturalmente ter sido escolhidos apenas pela embalagem e profissionalismo. Mesmo caso da Gucci e da Etro, por exemplo.

Na Sean John, por mais que o pai da criança seja um African-American, soa também como artificial a opção por um casting inteirinho de negros para o lookbook de inverno 2008. Cadê os asiáticos, os ruivos banquelas ou os latinos bronzeados? O lance não é a tal diversidade na moda?



(Steven Meisel)

E a Vogue Itália, hein? O país não prima pelo melhor tratamento a imigrantes e por lá também rola o mesmo zunzunzum por causa da ausência de negros nas revistas e nas passarelas. Aquela coisa que a Folha faz a cada temporada, de comparar o número de brancos e blacks nas passarelas daqui, parece que acontece igual. Minha opinião é que tanto o Sr. Meisel quanto a Sra. Sozzani (Franca, editora da revista) souberam captar o zeitgeist atual e mandaram ver num golpe de marketing certeiro que, como era de se esperar, resultou em fotos lindíssimas.

Tenho uma certa preguiça dessa forçação de barra, de mostrar que se é politicamente (bem apropriado) correto, de ter que dar uma resposta à sociedade, fazendo uma bela média e transformando em “cotas” a participação dos negros no mundo fashion. É como se dissessem: “Olha, os negros têm direito a uma edição por ano todinha pra eles. No resto do ano a gente põe as russas e as belgas (e as brasileiras, né?) na capa, ok?” Ora, ponham quem for lindo e bom no que faz e ponto. Idem para as passarelas (daqui e de lá). A (o) modelo é bom? É bonito (a)? Anda bem? Tem a ver com a coleção? Então bóra bookar pro desfile, independente da cor, religião ou opção sexual. Sem essa de “vamos colocar porque é verão, porque estamos no Brasil e pega mal”. Esses hypes momentâneos é que não podem acontecer. Acho válida a “descoberta” dos negros pela moda mundial, desde que não seja calcada em hipocrisia e oportunismo, como eu acho que vem acontecendo em certos casos.

Aqui tem um ótimo texto da Cathy Horyn sobre o assunto.

Autor: admin - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/06/2008 - 13:57

Milan report

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Burberry Prorsum

A primeira etapa da temporada internacional, com os desfiles para o verão 2009, já rolou em Milão. Próxima parada: Paris, que começa hoje e sempre reserva boas novas para quem gosta de moda masculina de verdade. O line-up é tipo dos sonhos. Só hoje tem: Gaspard Yurkevich, Vuitton, Number (N)ine, Gaultier, Yamamoto e Dries Van Noten. Tá bom, né? Em Milão também teve coisa beeeem boa. Escolhi os 5 desfiles dos quais eu mais gostei entre os mais importantes para tecer breves comentários a respeito.

BURBERRY PRORSUM: Sou cada vez mais fã de Christopher Bailey. É impressionante o que ele faz com a roupa da vida real, que está nas ruas e ao alcance da maioria dos homens (com uma boa conta bancária, lógico). O que se vê na passarela é tudo roupa de verdade, com materiais nobres, corte bom e boas idéias de styling. Pronto. Está criada uma das imagens de moda mais frescas do planeta. Hellooo! Será que é tão difícil de entender o que nós, homens, esperamos das grifes de moda masculina?

Desta vez a historinha do desfile se passa no jardim (inglês, claro) de Dungeness, de propriedade do artista e cineasta Derek Jarman por isso, a pegada, apesar de ser coleção de verão, é sóbria e coberta, bem outerwear.

Muito caban, trench e cardigan, em tons orgânicos como os dos jardim (dã) e sobrepostos de forma muito, mas muito cool. Reparem que alguns cardigans vêm mais amplos, mais compridos. Pelo menos em Milão, é shape recorrente nas coleções de verão. Algumas peças já vêm amassadas, outras ganham estampas de pingos de chuva (Bailey é inglês, de chuva e tempo úmido ele entende) e de espirros de lama, ou seja, a roupa vive, é real e tem alma. Fora a aula de casting.

Muito bom! De novo!

GUCCI: Ultimamente, as coleções masculinas de Frida Giannini têm me conquistado mais do que as femininas. E não é só pela predileção pessoal. Sinto que tem um frescor e uma falta de compromisso positiva que fazem com que as melhores idéias surjam nas passarelas dos meninos. A coleção de inverno já tinha sido boa, cheia de referências folks poderosas, mas esta consegue ser ainda melhor.

Muitas cores (olha elas aí), cardigans e misturas (elas também!) em clima de balneário tropical. Os paletós são de dois botões e tem degradê para eles também (tendencinha milanesa). Coleção fresquinha, para degustar tomando um Mojito.

JIL SANDER: Pausa no mais é mais da moda para homens para um momento de (falso) minimalismo by Raf Simons. Esse é outro que consegue se aprimorar a cada estação que passa. Fiel à um certo padrão estético que, de certa forma, limita um pouco o fator surpresa que nos faz correr para o computador a cada temporada, Simons consegue, à sua maneira, fazer um verão muito fresco, novo e cheio de cor.

Nenhuma grande novidade na silhueta, que continua slim, mas são brilhantes os paletós bi e tricolores, de mangas curtas ou não, fechados por zíperes ou não, combinados com calças de uma alfaiataria impecável. Mais cardigans e paletós de dois botões se encarregam de sinalizar as peças-chave da temporada.

ALEXANDER MCQUEEN: Este aqui conseguiu deixar elegantes e très chics os anos setenta, mantendo um certo glamour disco em looks feitos para privilegiar o corpo masculino, com shape certinho e boas sacadas opticals e geométricas.

Também aposta em degradês e achou um meio termo bom no casting: são homens, sem deixarem de ser meninos, deu pra entender? Classudo. Ah! E teve mulher desfilando também aqui, de novo, como acessórios. Rá. (brincadeirinha)

BOTTEGA VENETA: Eu sempre acho simpáticas as coleções da BV. Gosto da assinatura do Tomas Maier e acho que ele faz parte do time que consegue fazer moda com o trivial, com aquela roupa que cria desejo porque é boa de usar, sem afetação. Confesso que gostei mais do desfile anterior, mas esse é meio que uma continuação.

O universo é meio anos 40, 50. A silhueta Charlie Chaplin continua, o abotoamento duplo dos jaquetões também e, novidade da temporada milanesa, tem um quê de moda pijama. Sleepwear as outerwear, diria a Vogue. Listras de todo tipo em calças de inspiração pijamescas. Vale dar uma olhada na Dolce & Gabbana para entender melhor. (Não está entre meus desfiles prediletos, por isso não consta aqui).

+1 (plagiando o Alcino, na Folha): NEIL BARRETT: não dava nada por esse moço, mas sua silhueta seca, quase minimalista, salpicada de cores fortes e espertas misturas, me conquistou. Cardigans mais amplos (tem na Missoni também), calças mais curtas -como é comum no verão- e abotoamentos duplos. Tudo com perfuminho esportivo. Honra ao mérito.

Minhas decepções: Marni e Prada. Apesar de uma sempre correta alfaiataria, achei as duas insossas demais.

Resumindo: Muito cardigan, paletós de um, dois botões e abotoamento duplo, calças de listras tipo pijama, cores fortes (muitas!) e um perfume esportivo no ar. A silhueta é seca, mas sem exageros, com uma amplitude aqui e ali. Questa è Milano. Volto com Paris.

Autor: admin - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/06/2008 - 18:54

Fim do SPFW. Lá vem a temporada gringa!

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Uma noite finalmente bem dormida depois, cá estou eu para finalizar o assunto São Paulo Fashion Week, do ponto de vista de moda masculina e na tentativa de fazer um balanção do que vem por aí, de olho na temporada internacional que já está rolando em Milão.

Antes, pausa para comentar o simpático desfile da Reserva, ontem, que misturou dândis e Tim Maia para passar um recado otimista ao homem brasileiro: ponha mais cores em sua vida. Minha crítica para o lilianpacce.com.br:

“Na cabeça dos meninos da Reserva, a distância entre a lisergia desmedida de Tim Maia e o dandismo oriental e, sobretudo, o inglês, é bem curta. Ambos os universos tinham em comum a transgressão, um pela atitude, outro com seus códigos vanguardistas no vestir. No fundo, o clima dos dândis originais era bem austero. Na praia da grife carioca, não tem essa de menos é mais. A proposta de Rony Meisler, Fernando Sigal e Diogo Mariani é justamente oposta: a hora é do mais é mais na moda masculina. E no Brasil, o dândi tem sobrenome: Da Silva. Como a designer Vanessa da Silva, radicada em Londres, que assina a principal estampa da coleção, uma releitura psicodélica e multicolorida do pássaro que é símbolo da grife.

Cores fortes também tingem os simpáticos cardigãs ( ótimo o de listras coloridas, com perfume Paul Smith ) que já vão virando marca dos meninos from Rio, agora feitos em tricô inteligente, que leva fio de aço e tem “memória”. As bermudas e calças alternam o shape sequinho com o confortável saruel da estação, lisas em cinza ou xadrezes utilitárias. A alfaiataria ainda precisa de ajustes na modelagem – como no costume cinza de debrum limão -, enquanto os cache-coeurs e as calças em moletom folgado remetem ao dandismo oriental, mas são a cara dos meninos do Rio. E do Brasil inteiro, se Deus quiser. Homens: Não precisa usar tudo que for flúor ao mesmo tempo. Experimentem uma coisa de cada vez e ponham mais cor em suas vidas. Faz bem pra alma e pode ser muito elegante. Welcome to São Paulo, Reserva.”

Coleção fresca, que traz o novo sem perder a identidade. É disso que o homem brasileiro precisa para abandonar os triviais cinza, marrom, cáquis e afins. Aliás, a mensagem de Rony Meisler é direta: “Queremos ver o homem ousar mais na hora de se vestir”. Ok, recado recebido em alto e bom som. Mãos à obra!

O saldo do SPFW para os homens -assim como de maneira geral- é positivo. Pondo de lado alguns equívocos como os da Rosa Chá e de Miguel Vieira, que privilegiam uma estética antiga e cafona meio gay, meio jet-setter (nada contra, só não é elegante) e o caso perdido de Mario Queiroz (surpreenda-me, Mario, supreenda-me), boas novas nos esperam no verão. Reserva, V.Rom -que precisa tomar cuidado para não virar refém de sua (boa) fórmula de crash de estampas-, Vide Bula, Osklen e Alexandre Herchcovitch parece que vão entendendo, de vez, as transformações do homem brasileiro. A Vide Bula, ok, foi super comercial, mas fez algo muito simpático com o arroz e feijão que a maioria de nós encontra nos shoppings Brasil afora, o que já é bacana. A imagem da Osklen é muito nova, desabada, requer mais esforço para uma boa assimilação, mas é tudo de bom. Já o Alê, se redime das duas coleções meio chochas que apresentou antes desta e anuncia, em desfile poderoso, cheio de ricos bordados, um verão rubro-negro para quem tiver alma de guerrilheiro pacífico.

Peças-chave: Cardigans (agora em cores menos ortodoxas), coletes (ainda), jaquetas militares, calças ou bermudas saruel e/ou com pegada utilitária, qualquer coisa em xadrez e qualquer coisa em branco. A lavagem dos jeans é clarinha, quase branca e, pra quem quiser arriscar um pouco mais, tem macacão pra todo lado. Muito mix de estampas e padronagens, tênis flats e até pregas nas calças, desde que seja num modelo de shape cenoura. Ponha um óculos modelo aviador no rosto e bom verão.

No próximo post, o assunto ainda serão as passarelas, só que as internacionais, que já estão fervendo com as coleções para o verão 2009 (deles).

Autor: admin - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/06/2008 - 18:23

Desisto do Mario Queiroz

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Juro que, a cada estação, eu entro na sala do desfile de Mario Queiroz com a maior boa vontade mas, quando acaba, é sempre a mesma sensação: não tem jeito, ele não vai acertar, é caso quase perdido. Por absoluta falta de tempo por conta da correria na Bienal, vou colar aqui minha crítica feita para o site de Lilian Pacce. Dá pra entender meu ponto de vista, espero.

“A leitura do release, que anuncia a inspiração geométrica de Mario Queiroz, deixa apreensivo. Apostar na obra do artista plástico venezuelano Jesus Rafael Soto, considerado o pai da Optical Art, como fio condutor da coleção de verão cheira a armadilha. A moda masculina elegeu o mix de estampas como tendência da hora, fazendo com que cada estilista trate de adaptar isto ao seu universo de trabalho se quiser parecer trendy. No caso de Mario Queiroz, o exercício –que pode parecer brincadeira de criança, mas exige certa noção de proporção e estilo- derrapa justamente na hora da (des)combinação das linhas entre si, transformando o que poderia ser divertido e elegante em pura poluição visual. Explico: As estampas optical poderiam funcionar se combinadas com outras diferentes, evitando o total look que, repetido à exaustão durante o desfile, deixa no homem idealizado pelo estilista uma imagem de TV fora do ar.

Outro problema: O shape dos paletós e blazers continua quadrado, quando, no geral, a moda masculina classe A e B –e é essa que se espera há tempos de Mario Queiroz- já absorveu a silhueta ajustada, rente ao corpo. Os looks de blazer, colete e shortinho xadrezes, por exemplo, poderiam ter sido simpáticos se o corte fosse outro. Entre brilhos, listras e transparências, o estilista se sai melhor quando aposta em looks monocromáticos, como a combinação de camisa de tricoline e short cinza e o elegante look final em total white de Alex Schultz.”

Autor: admin - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/06/2008 - 14:55

Sobrou pra nós o bagaço da laranja…

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Amir Slama decidiu desfilar sua poderosa moda praia feminina apenas na semana de moda de Nova York, dando seqüência ao projeto cada vez mais bem sucedido de internacionalização da Rosa Chá. Para contentar o público brasileiro (e, claro, para expandir seus tentáculos além das areias tradicionais), resolveu lançar uma linha só para os homens e, melhor, estrear diante de nossos olhos em pleno São Paulo Fashion Week. Bom, não? Depende do ponto de vista.

Para um blog focado em moda masculina, era natural que uma expectativa fosse criada, movida pela oportunidade de presenciar ao vivo o nascimento, em desfile solo, da porção masculina de uma grande marca brasileira de beachwear, anunciado com pompa e expectativa pela imprensa afora. Mas nada poderia ser mais triste do que constatar o fiasco que foi a apresentação em si, calcada numa imagem antiga e de mau gosto, onde elegância e novidade passaram bem longe.

Vamos por partes: o que era o casting? Tirando dois ou três meninos o restante bem podia estar num concurso de halterofilismo -teve até o imortal Paulo Zulu!. Ou sacudindo os braços em movimento helicóptero em alguma dessas boates giga, focadas no público gay e onde a (péssima) música se resume à bateção de cabelo. Some-se a isto a constrangedora semelhança entre o show da Rosa Chá e os da grife milanesa DSquared2, que também adora um go-go boy. A desnecessária cena da ducha na abertura pode ter causado furor entre uma desavisada porção feminina (e, claro, a gay) da platéia, mas para a parte interessada em moda e não em apelação, foi deprimente.

“Fico tão deprimido quando vejo que essa imagem é associada à elegância masculina”. As palavras do stylist Paulo Martinez resumem bem como se sentiu qualquer homem com o mínimo de noção em moda masculina depois do desfile. Me dá até tristeza continuar com esse assunto aqui, por isso vou copiar e colar minha crítica do desfile publicada no lilianpacce.com.br. Enquanto NY se delicia com um ótimo exemplo do quão criativa pode ser nossa moda praia, sobrou pra nós brasileiros um esboço do que NÃO se deve fazer se quiser ser elegante a beira-mar.

“Amir Slama olha para a arte contemporânea brasileira de Vik Muniz e Gonçalo Ivo e realiza finalmente o primeiro desfile de moda praia totalmente masculino da Rosa Chá. E a coisa começa quente, com os gritos da platéia ouriçada pela chuveirada pós-banho de mar de Rodrigo Rothen que, de bumbum de fora, anuncia o caminho escolhido pela grife para uma estréia cheia de testosterona.

Os comprimentos das bermudas, shorts e, sobretudo, das sungas, remetem aos anos 70, perdendo tamanho e ganhando ares por vezes exageradamente sexies, beirando o vulgar. O casting que privilegia garotos bombados também não ajuda, pois não há camiseta de algodão com frases de manifesto, sunga-tanga com cintinho, microshort five pockets e camisa de tricoline estampada que fique elegante num shape de halterofilista.

Posto isto, há que se destacar os pontos positivos da coleção que, se não traz nenhum oásis neste deserto que é a moda praia para homens, pelo menos acerta em algumas peças-chave, como as calças folgadas ultilitárias e as skinnies coloridas. Ué, mas não é desfile de moda praia? Nesta areia, os meninos podem ficar sossegados: os bermudões e as sungas mais largas, as de verdade, têm lugar garantido. E as meninas também, pois a Rosa Chá também botou na passarela seu time de angels: Isabeli Fontana, Michele Alves, Carol Ribeiro e Raica Oliveira ganharam looks mais comportados do que os deles, mas mesmo assim conseguiram ser mais elegantes.”

Quanto ao nosso primo lusitano Miguel Vieira, ok, reconheço que o cara gosta de um excesso, beirando o cafona na maior parte do tempo, mas podem falar o que quiserem, o shape de sua alfaiataria é bem bom, sim. Calças secas e paletós ajustados vestem seus jet-setters como uma luva e, quando não derrapa no over-gold (o mocassim em tressê dourado é surreal), não faz feio não para aqueles que vivem pulando de festa em festa. Sobretudo as black-tie. Eu sou bem chato com esse lance de corte da alfaiataria e tem muita gente por aqui que ainda não aprendeu, portanto, méritos para Miguel.

Autor: admin - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/06/2008 - 23:41

O futuro é aqui e agora

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Look do bloco células

Ok, não foi um desfile exclusivamente masculino, mas foi tããão legal, que eu não podia deixar de postar algo a respeito. Tô falando do show (e aqui, acredite, esse é o termo exato)do coletivo carioca OESTUDIO (assim mesmo, tudo junto e em maiúscula), pessoal bem moderno, que junta moda, design e video em propostas dignas de primeiro mundo.

O futuro é agora para esta intrépida trupe, que arma espetáculo sci-fi para apresentar a coleção de verão 2009 desenhada por Anne Gaul e sua equipe. Dispostos em uma arquibancada em formato de cinema, assistimos a um show tão cativante de efeitos visuais que quase nos esquecemos de olhar para as roupas, divididas em cinco blocos, cada um com sua estampa característica. Tem vídeo conceitual (e promocional) do coletivo, luz negra, paredes divisórias coloridas de acordo com cada família de roupas, música virtual, enfim, muita informação, mas também muita coesão. A sincronia entre a trilha e tudo o que acontece em volta, por exemplo, é espantosa. O som, eletrônico, é feito ao vivo por uma banda de Wii -o videogame ultramegaplus da Nintendo-, que toca instrumentos virtuais e troca de música à medida em que os blocos avançam e revelam um streetwear esperto, cheio de shapes folgados e mix de estampas.



A turma junto dos tocadores de Wii

A tecnologia fica mesmo para o visual, porque nas roupas, pasme, só algodão e fibras naturais. Os vestidos amplos e curtos, repuxados, pregueados e coloridos das meninas e as calças de gancho baixo com camisetas deles vão mudando de estampa a cada bloco – células e flores pixeladas são alguns dos desenhos temáticos desdobrados – e são combinados com lindos tênis de cano alto- must have total! .



Look do bloco institucional, que buscava definir a palavra saudade



Mochila de LCD nas costas!

É tudo tão moderno e fascinante, que poderia estar acontecendo em Tóquio, Berlin ou Nova York. Mas pode ter certeza de que, sim, essa odisséia toda acontece num espaço bem brasileiro, coisa que a palavra saudade explorada em um dos blocos e o samba virtual do fim do desfile tratam de deixar bem claro. Mór legal!



Look do bloco flores pixeladas: tem estampa floral até no cyberespaço



Último bloco do desfile, onde o debrum das roupas acendia graças a um….guarda-chuva equipado com luz negra!

PS: Sei que não é o foco aqui, mas eu PRECISO comentar o primor que foi o desfile do Reinaldo Lourenço hoje de manhã. Sem dúvida o melhor da temporada e arrisco a dizer: um dos mais lindos da carreira dele. Leia mais a respeito nos endereços especializados do blogroll ao lado.

Autor: admin - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/06/2008 - 23:47

Guerra tá na moda, sabia?

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Pois é, a estética bélica e seus códigos indumentários invadiram o nosso mundinho (ou mundão?) fashion, principalmente o masculino -se bem que o que tem de guerreiras urbanas, amazonas e afins nas coleções femininas não tá no gibi. Lembram de Galliano na estação passada? E a V.Rom que usou a mesma imagem logo em seguida? Pois bem, desta vez foi a vez de Alexandre Herchcovitch dar a sua interpretação de como este universo tão carregado de conotações negativas pode ser super usável e criar imagens de moda muito fortes.

Antes que alguém ache um absurdo a moda fazer apologia à qualquer tipo de conflito, vamos deixar claro que a intenção do Alê foi fazer um alerta, fazendo uso de todo seu savoir-faire para protestar pela liberdade, pelo amor e pela igualdade de direitos (esse trecho eu li no release, mas é isso mesmo…). E deu certo.

Sua coleção de verão é forte, muito viril, pra macho de personalidade. Sim, porque precisa mesmo de muita para sair vestido com um hoodie vermelho coberto de vidrilhos que formam uma imagem folclórica de Bangladesh, o país mais pobre do mundo. Este foi o ponto alto do exagero, mas não precisa se assustar: a coleção é bem usável, sim.

Muito macacão (uniforme de guerra perfeito) e calça folgada com gancho baixo, uma camisaria maquinetada impecável, estampa de camuflagem sobreposta a outra de listras em bermudas e paletós, e as peças bordadas com desenhos do Leste europeu (meio folclóricos, étnicos, inspirados nas vestes locais) que são um primor. Lindos os tênis iate bicolores -tem muito preto e vermelho na coleção- e preciosos os óculos feitos de bambu. Em suma: Clap, clap, clap.

Teve homem desfilando moda praia na Blue Man mas,o que dá pra citar, além do blablabla do sungão e bermudão de sempre, são os tons em degradê, lindos e suaves, que vão dar mais charme aos nossos dias de verão passados, se tudo correr bem, em alguma praia linda do Nordeste.

À demain!

Autor: admin - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/06/2008 - 02:05

Viagem street

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Nem vou procurar assunto nos demais desfiles de hoje, pois no segundo dia de SPFW, moda masculina foi sinônimo de V.Rom. Até teve umas idéias simpáticas na Ellus, logo de manhã – bem bom o desfile -, uns básicos OKs na Uma – bem fraco esse, por sinal -, mas nada que valha o frescor de idéias e a técnica apurada de Igor de Barros. Em mais uma coleção cheia das misturas que já vão virando marca registrada de seu trabalho – com o tempo pode ficar repetitivo, mas por enquanto vale e muito – , Igor (com a ajuda providencial do styling de David Pollak, dessa vez muito preciso) destrinchou o filme “Viagem a Darjeeling”, de Wes Anderson, para contar a divertida e muito elegante jornada do homem ocidental pelo Oriente.

O verão da V.Rom vai ser muito florido, com perfume de incenso oriental, um pouco de vichy aqui, outro tanto de estampas de cashmere ali, que se juntam a outros elementos típicos da Índia – país onde se passa o enredo do filme de Anderson – para ambientar a jornada do homem ocidental rumo ao Oriente. Estão lá as referências animais como a pele de vaca – sagrada! – na mochilona e na ótima carteira combinada com look preto bem sequinho, além de delicados broches de madeira em forma de elefante, meio de transporte muito comum na terra de Ghandi.

A cartela de cores acompanha os tons das paisagens indianas e ganha suaves tons pastéis, colorindo boas bermudas de gancho folgado e até uma muito bem cortada linha de alfaiataria, feliz novidade que apareceu na forma de jaquetas militares – tendência forte -, paletós e coletes. Uma profusão de flores de todos os tamanhos estampa peças muito frescas feitas em seda e algodão, às vezes até em total look. As calças são irresistíveis, de shape cenoura, aquela mais folgada no quadril e justa nas pernas. Sempre muito relax, afinal “homem gosta mesmo é de roupa confortável”, já dizia Igor no backstage.

O menino mais tímido da moda brasileira acerta a mão mais uma vez com sua fórmula vencedora que alia conforto a uma espertíssima mistura de estampas e padronagens, sempre com pegada utilitária e esportiva, pero sin perder la elegáncia jamás. Puro streetwear 2000.

Autor: admin - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/06/2008 - 02:21

SPFW, dia 1: Na rua, na chuva, na fazenda.

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Primeiro dia de São Paulo Fashion Week e minhas expectativas em relação a um bom começo para os homens foram superadas. Sabia que tinha muitas chances de gostar da Osklen. Gostei. Achei que a 2nd Floor poderia ser simpática. Foi. Só não contava com o baile feminino do Marcelo Sommer, para a Do Estilista (dois homens só, Marcelo? Melhor nem pôr, né?), mas tudo bem, foi lindo de se ver. Se bem que eu acho que esse desfile merece uma discussão mais ampla sobre a relação entre comercial e visual. Achei tudo lindo, muito bem feito, mas sinto falta de roupa. Pensa bem: qual é a coleção de verão 2009 da Do Estilista? Sou um comprador, e aí? Compro o look da enfermeira ou o da chefe de cozinha? O cara tá no maior evento de moda da América Latina (business, hello!) e faz um desfile de fantasias? Pra quem? E ele já adiantou que nada vai ser produzido, so, whatafuck? Que fique bem claro: eu adoro o Marcelo e acho primoroso o trabalho que ele realizou hoje, só não entendi. Concordo que a moda precisa de respiros como esse, só estou tentando entender a relevância de fazer isto no SPFW! Enfim, parênteses Do Estilista feito. Voltemos à moda masculina.

Achei ótimo o evento abrir com o desfile da Osklen, assim a gente já começa animado. Como em todo verão brasileiro o que não falta é chuva, Oskar Metsavaht se inspirou nela para criar mais uma de suas elegantes coleções, sempre com aquele ar cool sem esforço que ele (e nós todos) tanto gosta (mos), manja? Lindos os tricôs metalizados e as peças em cinza com respingos de dourado. Não gosto de algumas espadrilles (a famosa Alpargatas, aquela de lona, sim, bem retrô) plastificadas nos pés e acho que o desfile podia ser mais enxuto. No fim, saldo positivo, claro. Abaixo, mais dois looks de que eu gosto muito (as calças são irresistíveis).

A 2nd. Floor é uma delícia. Rita Wainer viajou e misturou tudo – bom o styling da Lelê Toniazzo -, numa coleção acertadamente comercial – vai tudo pra loja! – com a pegada jovem e street que já é assinatura da filha da Ellus. O tema eram as viagens mesmo: da África ao sítio, da Inglaterra ao México, passando pelo Peru e por Nova York.

Os meninos da 2nd. Floor são vaidosos e não abrem mão da gravata por baixo dos paletós sequinhos, enquanto abusam do mix de estampas (coqueluche), juntando as listras do maxicardigan com as flores das camisas. Tudo bem confortável e divertido, cheio de pecinhas pra ter assim que forem pras araras da loja. Seja pra desfilar em Tókio ou na fazenda do amigo em Goiás (pra isso tem os looks safari!). Amanhã tem mais.

(Fotos: Charles Naseh/Chic)

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