Casa de Criadores: Ser ou não ser (comercial)?

Verão 08/09 da Der Metropol
Engraçado perceber que, num evento dito de vanguarda como a Casa de Criadores, o que salta aos olhos em termos de acertos na moda masculina sejam justamente as grifes que apostaram desavergonhadamente no comercial. ADD no primeiro dia e os Labs da Der Metropol, ontem, investiram em fórmulas simpáticas -pouco inovadoras, é bem verdade- e despretensiosas, que muitas vezes fazem mais sentido do que a experimentação pura e simples que não vai a lugar algum.
Nada é por acaso. Faisal Makhoul, apesar de estar num evento de jovens, tem anos de estrada e já entendeu que, com a roupa que faz, é muito mais honesto desfilar o comercial bonitinho que vai estar na loja -com styling certo e edição idem- do que pirar na batatinha apenas pra justificar a presença no caldeirão de modernidade do Frei Caneca. Os números das respectivas grifes não mentem.

Der Metropol
Mesma coisa para a Der Metropol, que ainda se permite exercícios mais rebuscados dentro de sua proposta de básico-com-informação que oferece aos meninos. Adorei os patchworks e o casting escolhido pela dupla Luciana Campos e Mario Francisco. Outra vez, não é à toa. Luciana trabalha na Maria Garcia e na Huis Clos, enquanto Mario passou pelo ateliê de Mareu Nitschke antes de virar professor no Senac.

Mais Der Metropol
Daí vocês vão me perguntar: mas esses nomes não estão no lugar errado, já que a Casa de Criadores é lugar para exercitar a criatividade, buscar conceito e dar espaço a quem não tem nada disso? Sim. Concordo. Mas também acho que a presença de nomes como a ADD e a Der Metropol (que, na próxima edição do evento com certeza não será mais Lab) é extremamente útil para os outros estiistas, que precisam entender que não basta arrumar o tecido mais vagabundo da paróquia e torcer, plissar e preguear o dito cujo. Moda é toda uma engrenagem, business, não é só imagem. Claro que a gente cobra diferente de quem está começando, não tem estrutura e nem grana, mas tem nomes que estão aí há séculos e que não saem do lugar. A junção de comercial com conceito é o cenário ideal, claro, mas difícil de ser atingido. E se estes novos nomes não assimilarem isto o quanto antes, serão inevitavelmente tragados pelo buraco negro do esquecimento fashion.
Ah! Contrariando a maioria, eu -de novo- não gostei do João Pimenta, sorry. Cai na mesma armadilha dos outros. Faz moda pra que homem mesmo? Pra metade da sala de desfiles do Frei Caneca? Se a ambição dele é esta, tudo certo. Mas, num país como o nosso, onde a luta para abrir a cabeça do homem com relação à moda é muito árdua, apostar no tipo de roupa em que Pimenta insiste em apostar só me deixa ver uma frágil chama no fim do túnel. Pra não dizer que sou azedo e que odiei tudo o que ele desfilou, pincei um look que achei bem bom (apesar de meio deslocado) no meio de seus jogadores de beisebol: Não sei se era homenagem a Yves Saint-Laurent, mas me lembrou muito a imagem clássica de homem chique do francês.


























