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29/04/2008 - 18:44

Expo obrigatória (pra quem vai a NY)



Muhammad Ali, na célebre capa de Abril de 1968

Saiu hoje na Ilustrada uma matéria assinada pelo top jornalista Matinas Suzuki Jr (editor de Homem Vogue) sobre a recém-inaugurada exposição de capas da revista Esquire, no MoMa de Nova York. Muito bem escrito, o texto destrincha o que representa a publicação para o mercado editorial e para a sociedade como um todo, com suas sempre bem-sacadas mensagens embutidas nas fotos de capa. O lance é que o que está na mostra não são quaisquer capas, escolhidas aleatoriamente entre as publicadas em 75 anos de história. As capas expostas são as da década de 60, sob o comando criativo do famoso publicitário George Lois (ouvi falar muito dele na minha época de facul. Como sabem, me formei em publicidade e fui absorvido pela moda…).



Andy Warhol engolido por sua própria obra, em Maio de 69

Cheias de provocação e puro retrato de uma época, as capas criadas por Lois quase nunca vinham acompanhadas por textos e, freqüentemente, não tinham nenhuma relação com o conteúdo interno da Esquire. Através delas, o publicitário tomou partido em várias causas latentes da sociedade norte-americana na época, como o racismo, o feminismo e a guerra do Vietnã. Tudo isso com autonomia total. Nem mesmo o ousado editor Harold Hayes, que comandava a revista, podia intervir na criação das capas. Entre as mais famosas, estão a com Muhammad Ali caracterizado de São Sebastião (apesar de ter se convertido ao islamismo, ele topou), a de Andy Warhol sendo tragado por sua própria obra (no caso, uma lata de sopa Campbell) e a de alguém pintando lágrimas sobre uma foto de John Kennedy.



Sonny Liston, no Natal de 63

A capa publicada em dezembro de 63 com o lutador de boxe negro Sonny Liston vestido de Papai Noel, gerou muita polêmica e reza a lenda que o departamento comercial da publicação perdeu US$ 750 mil em contratos de publicidade cancelados (atitude típica dos EUA, ainda mais nos sixties).



A atriz Virna Lisi fazendo a barba, em Março de 65

Vale lembrar que a Esquire é uma bíblia do universo masculino, com 3/4 de século de bons serviços prestados ao jornalismo, assim como à cultura e à elegância nossa de cada dia. Guardo com carinho um exemplar do Big Black Book 2007 deles, espécie de guia de estilo, presente da minha amiga querida Ana Luiza, que traz mil dicas e regrinhas de moda masculina, passando por etiqueta e lifestyle. A expo traz 32 das 92 capas publicadas entre 1962 e 1972 e fica em cartaz até 31 de Março de 2009. Tem que ver (quem puder pegar a ponte aérea até NY, claro…). Mas dá pra ter uma palhinha no site da Esquire. Tem uma seção com todas as capas antigas. Vai lá.

Recadinho contra a guerra do Vietnã, em Outubro de 66

Autor: admin - Categoria(s): Sem categoria Tags:

2 comentários para “Expo obrigatória (pra quem vai a NY)”

  1. eu fui e é incrível! aliás, ótima época para passar uma tarde no MoMa, só exposições incríveis, uma melhor que a outra! Principalmente a Color Chart. Incrível!

  2. RenataSim disse:

    comprei a esquire esse mês só porque tem um remake ótimo da foto da virna lisi na capa

    *e mudei de casa virtual, tá?

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