06/11/2009 - 13:14
Acabou o Pense Moda. E, no último dia, as palestras realmente nos fizeram pensar. Primeiro o filósofo norueguês Lars Svendsen, careca, gordinho e com cara de bonachão, mas cheio de conteúdo. Levantou a bola sobre a real necessidade de uma crítica de moda fundamentada, sem melindres e com um bom equilíbrio entre objetivo e subjetivo. As meninas da Oficina de Estilo fizeram um post bem bacana a respeito, recomendo a leitura. Meu único porém na coisa toda é que a crítica idealizada por Svendson, a meu ver, é utópica. Explico.
A crítica de moda como a conhecemos caminha a passos largos para a pasteurização, onde interesses comerciais falam mais alto do que um bom texto, onde anunciantes são mais importantes do que os leitores. Isso já é uma realidade também em editoriais – o próprio Svendson falou a respeito, comparando uma revista de moda a um ambiente construído para atrair anúncios – e, na minha opinião, tende a piorar. Contam-se nos dedos de uma mão as críticas realmente negativas sobre uma ou outra coleção nas publicações estrangeiras. Ninguém fala mal de ninguém. E quando fala, é de forma mais lisa do que um harengue recém-saído do mar. Faz sentido. Se a Louis Vuitton, por exemplo, gasta milhões para embrulhar seu jornal em época de Fashion Week, qual crítico de moda daquele veículo se atreveria a atacar um fiasco de Marc Jacobs na temporada em questão? Se a Calvin Klein patrocina seu site, a tendência é que qualquer crítica negativa seja bem branda por ali. Com o mercado fashion muito mais maduro lá fora, isso já está enraizado. São fatos. Por aqui – e segundo opinião de Svendson -, talvez um bom início fosse uma baixada de bola no ego dos estilistas, que se afetam por qualquer linha torta que se escreva a respeito de suas sempre brilhantes criações. Nem vem ao caso citar nomes, mas existem casos célebres. Pensa que lá fora isso não acontece? Há pouco tempo, Cathy Horyn foi sumariamente excluída do sitting de Armani por ter falado mal de uma de suas coleções anteriores.
Nossa sorte é que tudo ainda engatinha por aqui. É tempo de mudar mentalidades, estudar e separar o joio do trigo. Mas se as projeções da moda brasileira se concretizarem – e a gente quer que isso aconteça! – e o País virar uma superpotência, eu acho que seguiremos o mesmo caminho dos europeus e americanos no que diz respeito à crítica de moda. Vai acabar sendo all about money. Parece pessimista? Talvez, mas não dá pra tapar o sol com a peneira e simplesmente comparar o mercado de moda com o de arte, de música ou de cinema. Galerias não anunciam em jornais de grande circulação, gravadoras tampouco e muito menos as produtoras de filmes. A moda é MUITO maior do que estes segmentos. Há muito mais coisa envolvida e o resultado de uma crítica ruim - e não apenas negativa, se é que me entendem – tem conseqüências infinitamente maiores. Por isso não se ouve muito falar de um pintor, banda ou diretor de cinema ofendidíssimo com uma resenha contrária ao seu último lançamento. Na moda é um escarcéu a cada vez que ocorre. Aqui muito mais do que lá. O estilista, claro, precisa aprender a aceitar críticas, crescer com elas e encará-la como part of the game, já dizia Lars Svendson, mas não acho que seja essa a salvação da crítica.
A meu ver, o formato da crítica é que precisa mudar. Mais do que dizer isso é bom, aquilo é ruim – o que só mexe com o nosso mundinho, sejamos realistas -, acho que o papel da crítica de moda para o grande público (contra-senso?) é o de informar, educar, mostrar o caminho a seguir e aquele a ser evitado. Assim, ela passa a ter valor não só para o estilista em busca de confete para seu último desfile, e sim para uma esfera maior de pessoas lá fora, consumidoras de moda na maior parte do tempo ignoradas. Se elas ligam para a crítica? Do jeito que está hoje, não mesmo. É a velha discussão do mundinho vs. mundão.
Bem, sobraram umas linhas para falar da delícia que foi a sabatina com o stylist Paulo Martinez. Eu sou fã, amigo, colega, portanto sou suspeito. O jeito franco e sem afetacão com que encara o mundo da moda vai na contramão da atitude de muita gente mais nova e sem a metade da experiência que Paulo tem. Em um papo com ele você aprende dando risada, tem coisa melhor? A mensagem que fica é: estudar, ter humildade e procurar sempre fazer a diferença, acreditando na paixão que nos move a todos, amantes da moda. Paulo é muito consciente, discreto, um old fashioned quase poético, romântico…rs. Mas está aí há tanto tempo, não é mesmo? E produzindo imagens sempre tão inspiradoras. Paulo, you rock. Beijos pra você!
Autor: justum - Categoria(s): moda
Tags: crítica de moda, Lars Svendsen, Paulo Martinez, Pense Moda, stylist
04/11/2009 - 16:25
Os dois nomões do primeiro dia do Pense Moda, o hair stylist David Mallet e a diretora da Visionaire, Cecilia Dean, fizeram ótimas palestras, estimulantes até. Mas, mais do que discutir o conteúdo delas aqui, eu gostaria de avaliar os looks escolhidos pela dupla para a noite. Bem, pra mim (e não é tão óbvio assim), David levou vantagem no quesito. Gostei da sobriedade do terno (era terno, e não costume, pois era composto de paletó, colete e calça) cinza, que ele usou de forma nonchalante, com os botões das mangas da camisa abertos e com a própria saindo um pouco pra fora da calça. Nada engomadinho. Já a elegantérrima Cecilia, bem, apesar de estar de Marc Jacobs, não me convenceu. Sua elegância natural parecia embrulhada para presente, ofuscada pelo excesso de brilho do vestido. Não gosto. A linha entre o chic e o cafona em que transita o tempo todo Marc Jacobs é uma armadilha e tanto. Nesse caso, FAIL.




As fotos eu tirei do Chic e do RG Vogue. Tks, guys.
Autor: justum - Categoria(s): moda
Tags: Cecilia Dean, chic, David Mallett, Marc Jacobs, Pense Moda, RG Vogue
29/10/2009 - 12:30

Eu já falei por aqui da Stone Bonker, marca masculina de João Henrique Correia, que faz roupas deliciosas para homens de espírito jovem, cheia de informação de moda. Mas na medida certa, sem aqueles devaneios que afastam os mais conservadores sempre que se fala a palavra fashion. E a Stone Bonker é fashion sim, ainda mais agora, que passa a fazer parte do grupo Diesel do Brasil, de Esber Hajli e Mauricio Saade, ao lado da própria Diesel, DSquared2, Maison Martin Margiela, a carioca Thug 09 e parte do clube Royal. Deve vir loja própria em breve. A gente aguarda ansiosamente.

Pra comemorar a coisa toda, tem festinha hoje ali na penthouse da loja da Diesel, na Haddock Lobo, em São Paulo. O line-up é especial: o jornalista Daniel Marcusso, a PR Samantha Simon, a promoter Valentina Drummond, o fotógrafo Rodrigo Marques e eu! É, eu também vou lá botar umas músicas pro povo dançar. A idéia é se divertir mesmo, sem compromisso, mas com estilo, bem a la Stone Bonker. Quem puder, apareça!

Deixo vocês com a campanha de verão 2010, clicada por Gustavo Zylbersztajn, com styling de Felipe e Ricardo Bruno. Os modelos são Neto Batti e David Jensen, com Dior e Gucci na bagagem, tá?




Autor: justum - Categoria(s): moda
Tags: Daniel Marcusso, diesel, DSquared2, Esber Hajli, Felipe Bruno, Gustavo Zylbersztajn, João Henrique Correia, Maison Martin Margiela, Mauricio Saade, Ricardo Bruno, Rodrigo Marques, Royal, Samantha Simon, Stone Bonker, Thug 09, Valentina Drummond
23/10/2009 - 12:36


A loja-muito-legal-online The Corner.com vende, entre outros, Martin Margiela, Ann Demeulemeester, Helmut Lang e Raf Simons. E acaba de fechar com a japonesa Undercover. Para comemorar a chegada da coleção de inverno 2010 criada por Jun Takahashi, a The Corner botou no ar um vídeo/entrevista com o designer, explicando suas inspirações e sua visão do mercado de moda como um todo. Bem legal. E tem pencas de imagens de bastidores do último desfile, realizado durante a perna italiana da temporada de moda internacional.
Clicaí e assiste. (Por motivos #$%^&*#% técnicos, eu não estou conseguindo postar vídeos no blog, portanto me contento em fornecer o link, até segunda ordem, sorry)
Autor: justum - Categoria(s): moda
Tags: Ann Demeulemeester, Helmut Lang, Jun Takahashi, martin margiela, Raf Simons, The Corner.com, Undercover
19/10/2009 - 17:13
Para quem ainda não sabe, está para sair do forno um livro que faz um apanhado da carreira de Martin Margiela à frente da maison que leva seu nome. Também para quem ainda não sabe, a marca foi comprada pelo grupo de Renzo Rosso – da Diesel, que tem também a DSquared2 e Vivienne Westwood -, o Only the Brave, recentemente e o designer foi substituído. A coleção desfilada há poucos dias em Paris já não é obra do criador, o que é uma pena (mas eu gostei do que vi, mesmo assim). Traduzindo: o livro torna-se ainda mais obrigatório para aqueles, como eu, que admiraram – e ainda o fazem – a trajetória do estilista sem rosto. A previsão de saída é no final do mês, mas dá pra ter um gostinho com esse vídeo-teaser que anda circulando na internet. Eu quero!
Clicaí pra ver.
Autor: justum - Categoria(s): moda
Tags: DSquared2, martin margiela, Only the Brave, Vivienne Westwood
14/10/2009 - 18:58
Bom, passou a ressaca pós viagem, a adaptação ao nosso fuso está quase zerada e a vida vai voltando ao ritmo normal, ou seja, ritmo enlouquecedor! Minha ausência por estas bandas se deve também a isto. Muita coisa acumulada e aparecendo ao mesmo tempo. Mas eu consegui arrumar brechas para ler as revistas que trouxe de viagem e outras que estavam criando pó aqui em casa. Uma delas é a GQ de setembro, com o ecopolíticoapresentador francês Nicolas Hulot (pra quem não conhece, ele é um neo Jacques Cousteau com penchant para questões ambientais, que são debatidas na esfera parlamentar. Dizem que é nome forte pras próximas eleições presidenciais) na capa. E, como em cada edição da revista, eu sempre presto muita atenção na seção Style Academy, que dá dicas, tira dúvidas e faz revelações sobre estilo. Lá podemos saber de uma vez por todas se o cinto deve sempre combinar com a cor do sapato, por exemplo, ou quais botões do blazer/paletó devem ser deixados abertos, ou ainda qual bico de sapato escolher na hora de comprar um novo. Na edição em questão, me surpreendi com uma revelação sobre os onipresentes caderninhos Moleskine que eu, você e meio mundo temos (seja o original ou uma cópia).


Nem sei se eu é que estava mal informado mas, segundo a GQ, todo o pedigree atribuído ao Moleskine é falso. Sabe aquela história de que ele foi usado por Hemingway, Picasso e Sartre? Mentira. Segundo outra fonte, o site Rue 89 – criado por jornalistas do Libération -, esses nomes nunca usaram o caderno. Moleskine foi criado em 1998 pela Modo Modo, que inventou a história toda como ferramenta de marketing. Funcionou, mas o encanto corre o risco de se desfazer por inteiro, abrindo espaço para concorrentes como os cadernos Rhodia, clássicos que comemoram 75 anos. Para o aniversário, o estilista Paul Smith criou edição especial. Por quê Paul Smith? Porque ele é consumidor do cadernos Rhodia há anos. E de verdade.

Autor: justum - Categoria(s): Sem categoria
Tags: GQ, Hemingway, Libération, Modo Modo, Moleskine, Paul Smith, Picasso, Rhodia, Rue 89, Sartre
08/10/2009 - 14:22
Fazendo valer o lema de que uma imagem vale mais do que mil palavras, resolvi fazer meu último post europeu apenas com fotos tiradas ao longo da temporada. Tem Estocolmo, Paris, desfiles, rua, pessoas. Acho que dá pra vocês entrarem um pouco no que foram meus felizes 18 dias no Velho Continente. Embarco amanhã e logo, logo subo o primeiro post paulistano. Até já.


O hotel em Estocolmo e a bela capital sueca

Minha turma durante a semana sueca


Poste sueco e o streetstyle off de Estocolmo

Acreditem, é um porta-banana. Vitrine do Beyond Retro, maior brechó de Estocolmo


T-Shirt souvenir e, já em Paris, um dos quadros de Murakami


Desfile Issey Myiake e de Bernard Whilelm


Meus pés, brancos depois de um desfile no Jardin des Tuileries e a Uniqlo invadindo Paris


Desfile Vivienne Westwood e streetstyle no Jardin des Tuileries


Julia-ê laiá-Restoin-Roitfeld, na porta da Vuitton

Chanel

Au revoir!
Autor: justum - Categoria(s): moda
Tags: Bernard Whilelm, Beyond Retro, Chanel, Estocolmo, Julia Restoin-Roitfeld, Lanvin, Paris, Takashi Murakami, Uniqlo, Vivienne Westwood