O Sindicato da Indústria da Construção Pesada (Sinicesp) protocola hoje um ofício no Senado, destinado ao presidente da Casa, José Sarney, contra a aprovação do regime diferenciado de contratações públicas.
O documento é assinado pelo presidente do sindicato, Silvio Ciampaglia.
No ofício, a entidade diz que, com o novo regime, “os processos serão tumultuados, gerando longas pendências judiciais”.
“Espera-se uma ação coordenada de representantes do povo no Congresso e de entidades da sociedade civil no sentido de evitar uma mudança brusca de regras na Lei de Licitações”, completou o Sinicesp.
O sindicato questiona a aprovação da medida sem a realização de audiências públicas. No documento, Caiampaglia diz que não foram procuradas “ponderações do Tribunal de Contas da União, dos Conselhos Regionais de Engenharia e Arquitetura, das entidades da Engenharia nacional, dos sindicatos representativos da cadeia produtiva da construção, enfim, sem que a sociedade fosse ouvida”.
Confira a íntegra do ofício:
Exmo. Sr..
Senador José Sarney
Presidente do Senado
Senhor Presidente
Este Sindicato, que representa o setor econômico da construção pesada no Estado de São Paulo, ao longo de sua existência, sempre defendeu os princípios da livre concorrência, da absoluta transparência nos processos licitatórios e da segurança jurídica dos contratos entre poder público e iniciativa privada, conforme prescrito na Constituição Federal.
Agora, com a aprovação, na Câmara dos Deputados, do Regime Diferenciado de Contratações Públicas, estabelecendo sigilo para os licitantes e o público, o SINICESP não pode silenciar. Soma sua manifestação contrária à nova legislação às vozes de entidades, estudiosos e autoridades. A medida representa retrocesso na Lei de Licitações.
Manifestações expressas em comentários veiculados na mídia demonstram que “não será difícil prever a sombra de suspeições que tornará ainda menos transparente todo o processo de licitações nas três esferas de governo no Brasil, pois também abrangerá governos estaduais e municipais”.
Ainda segundo as opiniões a respeito do tema, “outra mudança, alarmante, enfraquecerá ao infinito a possibilidade de fiscalização de obras, o controle de qualidade e de seus custos. Isto porque o novo regime de concorrência elimina a necessidade da apresentação de projetos básicos para as obras licitadas e, evidentemente, de projetos executivos. Assim, cada uma das empresas concorrentes pode apresentar o seu projeto, propor as suas soluções. E o poder público poderá escolher aquele quem mais gostar, mesmo que o preço seja mais elevado.”
A Medida Provisória (MP) 527 foi votada e aprovada sem que fossem realizadas audiências públicas, sem que fossem ouvidas ponderações do Tribunal de Contas da União, dos Conselhos Regionais de Engenharia e Arquitetura, das entidades da Engenharia nacional, dos sindicatos representativos da cadeia produtiva da construção, enfim, sem que a sociedade fosse ouvida.
O ex-deputado federal Luis Roberto Ponte, que presidiu a Câmara Brasileira da Indústria da Construção – CBIC, e foi autor da Lei nº 8.666, que rege as licitações no País, afirma: “O Regime Diferenciado de Contratações (RDC) que acaba de ser aprovado na Câmara dos Deputados ressuscita dispositivos obscuros do Decreto-Lei 2.300”.
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção – CBIC, Paulo Simão, também manifestou preocupação com o modelo de lances sucessivos do processo de licitação estabelecido na Medida Provisória 527 por entender que há mais risco de paralisação dos empreendimentos e do uso de artifícios ilegais para o aumento dos preços contratados.
Diante do exposto, na defesa da moralidade e da transparência, o SINICESP manifesta sua preocupação com os rumos das futuras licitações. Em sua visão, os processos serão tumultuados gerando longas pendências judiciais. Assim, espera-se uma ação coordenada de representantes do povo no Congresso e de entidades da sociedade civil no sentido de evitar uma mudança brusca de regras na Lei de Licitações.
Respeitosamente
Silvio Ciampaglia