Fusão da Cosan com a Shell ocorre num momento de desnacionalização do setor
O anúncio feito hoje sobre a fusão da Cosan e da Shell na produção de etanol e na distribuição de combustíveis merece uma reflexão sobre o processo de consolidação pelos quais passam o setor sucro-alcooleiro e o da distribuição de combustíveis.
No setor sucro-alcooleiro observa-se um processo de consolidação através de certa desnacionalização do setor. Isso fica claro com a compra da Santa Elisa pela Dreyfus, a Moema pela Bunge e agora a entrada da Shell. A exceção é a compra da Brenco pela ETH.
A novidade é a entrada de uma grande major de petróleo no setor, dado que a consolidação estava ocorrendo através de empresas estrangeiras do segmento de alimentação. Com certeza esse movimento, reforçado agora com a entrada da Shell, dará mais força ao discurso da necessidade da Petrobras entrar com apetite no setor sucro-alcooleiro.
A consolidação do setor de combustíveis está ocorrendo na mão contrária, ou seja, o segmento se nacionalizou quase que inteiramente. Primeiro, foi a saída da Esso, comprada pela Cosan, depois a da Texaco comprada pela Ipiranga(Grupo Ultra) e agora a fusão Cosan e Shell. Com isso, ficam apenas quatro empresas com dimensão nacional: BR, Ipiranga, Cosan(Esso)/Shell e Ale.
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