Para a felicidade de prefeitos em todo País, foi desarquivada na Câmara a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 406/2009 que aumenta a participação dos municípios no ICMS. A matéria é de autoria do deputado Alfredo Kaefer (PSDB-PR).
O aumento é um pleito antigo dos chefes dos executivos municipais aos parlamentares – remonta à desoneração do IPI durante a crise de 2008 – e deverá voltar à tona na tradicional Marcha dos Prefeitos, que acontece no mês de maio, em Brasília.
O texto, que já obteve parecer positivo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), estabelece aumento de 25% para 30% da participação dos municípios no ICMS e de 21,5% para 24,5% de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Com a definição do novo presidente da comissão, o que pode ser fechado semana que vem, a CCJ determinará por quais outras comissões deverá passar a PEC. É muito provável que a matéria seja avaliada ainda pela Comissão Mista de Orçamento, por exemplo.
Segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), o repasse do FPM em 2010 atingiu um montante de R$ 53,3 bilhões.
Logo, o impacto caso a PEC seja aprovada, seria da ordem de bilhões. O governo, que acaba de anunciar um corte de R$ 50 bilhões no Orçamento de 2011, pode não gostar de ter de pagar a fatura.
Mas na avaliação de Erik Franklin Bezerra, professor do Ibmec-DF e advogado tributarista, o aumento não só é necessário, como possível. Para ele, fatores como a estabilidade da moeda, a criação de novas empresas e a possibilidade de mais capital estrangeiro entrando no País dão condições ao repasse maior.
“Em termos de justiça fiscal seria justo. A arrecadação do ISS é ridícula frente ao que se recebe do repasse de ICMS e FPM nos municípios. E o gestor só consegue fazer determinadas obras em virtude desse valor”, afirma o especialista. Por outro lado ele defende a fiscalização do Ministério Público e das controladorias sobre a aplicação dos recursos.
“Na época do fim da CPMF, todo mundo reclamou que o governo deixaria de investir R$ 10 bilhões. Com o aumento da arrecadação tributária, em dois meses a conta já estava equilibrada. O que tem que haver é o controle dos gastos públicos”, afirma.