O desmonte das medidas macroprudenciais
Está cada vez mais claro que a economia brasileira vai crescer menos neste ano. E isso tem preocupado o governo Dilma Rousseff.
Dados do Banco Central mostraram que, no terceiro trimestre, a economia caiu 0,3% e o governo já admite um crescimento menor do PIB neste ano, entre 3% e 3,5%.
No foco das preocupações está o agravamento da crise da Europa.
Com base nisso, o governo já vem tomando medidas para blindar a economia brasileira.
O processo começou com a queda dos juros, promovida pelo Banco Central, no dia 31 de agosto.
Além disso, medidas macroprudenciais adotadas no fim do ano passado para brecar a economia já começaram a ser revertidas.
A pergunta, agora, é: quais serão os próximos passos do governo?
Das medidas adotadas em dezembro de 2010, ainda restam à autoridade monetária duas opções: reduzir o depósito compulsório e tirar o IOF sobre o crédito.
O Banco Central avalia se deve adotar essas medidas e quando adotá-las.
Ainda há muita cautela por parte da autoridade monetária com relação à inflação.
Outra possibilidade seria retirar o IOF sobre a renda variável, mas essa hipótese é considerada mais difícil, porque o câmbio baixo ainda não acendeu o sinal de alerta para o governo nesta questão.
A única certeza é de que o governo não abrirá mão da meta de superávit primário. O aperto fiscal será mantido e está descartada a possibilidade de um afrouxamento no controle dos gastos.
Vale lembrar que este foi um dos principais fatores que levou a Standard & Poors a melhorar a nota de crédito do Brasil, ontem.
O governo está acompanhando com muita atenção a situação da Europa. O bloco europeu tem duas opções: ou desvaloriza a moeda ou faz um ajuste fiscal significativo.
Na avaliação de um investidor internacional, a desvalorização seria como se você pintasse a sua casa com um pincel. Já o ajuste fiscal seria como manter o pincel fixo e você girar a casa inteira para pintar as paredes.
Ou seja, a segunda opção é quase impossível.
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