A mobilização das massas já havia ocorrido com grande auxílio da internet no Irã e na Tunísia meses antes de chegar ao Egito. Lá, provavelmente, o maior desafio dado ao tamanho do país, o maior do Oriente Médio.
E mais uma vez a internet se mostrou fundamental no processo de derrubada de um ditador, no caso Hosni Mubarak. Para o sociólogo Sérgio Abranches, a internet, principalmente via Facebook, atuou como um fator de aceleração do movimento e auxiliou na mobilização de milhares de pessoas, o que impediu com que as manifestações não perdessem força ao longo dos 18 dias de protestos.
“A mobilização começou a ser articulada nas redes sociais e depois foi para as ruas. E, quando ele vai para a rua, o fato de a imprensa internacional não ter se dado conta do tamanho do movimento e da imprensa local estar sob censura, a internet passou a ser um instrumento de divulgação aos egípcios”, analisou Abranches.
Segundo ele, a partir daí os celulares tiveram papel fundamental na continuidade dos protestos. “Os SMS [torpedos] alimentaram o contágio da população contra Mubarak, levando outros egípcios para as ruas”, disse.
Agora, com a renúncia de Mubarak, na opinião de Abranches, dois caminhos podem ser seguidos pelo governo militar. O primeiro é estabelecer um governo comandado pelo exército até que o movimento se enfraqueça. E, o segundo, é convocar eleições para que a transição para um governo democrático.
De qualquer maneira, disse o sociólogo, a troca de informações via internet ou celular será fundamental, inclusive, porque se existir alguma censura essa informação vai fluir pelas redes.