
Arnt, Mendonça de Barros, Belluzzo e Eli da Veiga (Foto: Greg Salibian/iG)
Utilizar os recursos do pré-sal no desenvolvimento de novas tecnologias para a geração de energia, transportes e indústria. Esse será o caminho para o Brasil fazer a transição para uma economia de baixo carbono, segundo avaliação foi feita pelos economistas José Roberto Mendonça de Barros, José Eli da Veiga e Luiz Gonzaga Belluzzo.
Para o trio, os investimentos em educação devem ser a grande prioridade do governo na aplicação das receitas da exploração dos campos do pré-sal. Assim, o País terá capacidade para formar mão de obra qualificada e dar um salto na pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias.
“Toda a renda do pré-sal tem de ir para ciência e tecnologia. Isso significa ter educação científica de qualidade já no ensino fundamental, algo que infelizmente está fora do debate atual”, afirmou Eli da Veiga, professor da faculdade de economia e relações internacionais da USP.
Na mesma linha, Mendonça de Barros lembrou o modelo adotado pela Noruega, de forte incremento em tecnologia. “Hoje eles contam com robôs submarinos para auxiliar na retirada de petróleo, por exemplo”.
Já para Belluzzo, a questão vai além do pré-sal. “O ensino no Brasil está enviesado para a desumanidade”, disse, ao fazer uma referência ao fato de as melhores notas dos estudantes serem na área de humanas. “Passamos anos degradando a educação. Está na hora de investir em cultura, no sentido de dar instrumentos para que os jovens se situem melhor no mundo em que vivem”, acrescentou.
Os três economistas participaram do lançamento do livro “O que os economistas pensam sobre sustentabilidade”, do jornalista Ricardo Arnt, na terça-feira, em São Paulo.