A medida coordenada pelos Bancos Centrais para socorrer a zona do euro, em linhas gerais, é positiva. No entanto, ela mostra que a contração do crédito na Europa é bem mais forte do que poderia parecer.
Um dos pontos frágeis da medida é que ela não resolve o financiamento em euro, já que o corte de juros é para operações com dólar.
Com isso, os Bancos Centrais jogam para o Banco Central Europeu (BCE) a pressão para que a autoridade monetária reduza a taxa de juros da zona do euro.
O BCE anuncia, na próxima quinta-feira, a taxa de juros local, atualmente em 1,25% ao ano.
Se o BCE não reduzir os juros, os problemas de liquidez seguirão por lá.
Outro problema é que, ao dar liquidez “ilimitada” em dólar, os bancos centrais tiram o incentivo para uma reforma mais significativa do sistema financeiro europeu.
Além disso, ao dar liquidez em dólar para os países da Europa, o Federal Reserve – o Banco Central norte-americano – passa a trazer para si o risco do euro, o que certamente desagradará aos republicanos.
Aliás, do ponto de vista político, a medida conjunta coloca sobre os bancos centrais toda a responsabilidade sobre uma resposta positiva da economia, o que pode dar dor de cabeça.
Por fim, o mercado ainda tem demonstrado preocupação com a economia chinesa.
O crescimento da China deve ficar mais próximo dos 6% neste ano, e não dos 7% como era esperado.
O corte de compulsório, anunciado ontem, pode não ser suficiente para estimular a economia.
O conservadorismo no afrouxo está ligado à preocupação com uma bolha no setor imobiliário chinês.
Enquanto seguram o avanço do setor no país, a China também se vê afetada por uma forte queda nas exportações para a Europa.
Ou seja, vem pressão interna e externa. Uma situação bem complicada.