A próxima reunião do Copom para decidir a taxa de juros só acontece no próximo dia 28, mas já se especula no mercado e no governo o tamanho do ajuste que o Banco Central irá fazer para frear a economia e conter a alta da inflação.
Há poucas semanas, o mercado apostava numa alta de 0,5 ponto da taxa básica de juros, hoje em 8,75% ao ano. Nos últimos dias, a aposta subiu para 0,75.
Agora, com os últimos números da economia, já se fala nas mesas de operações que a alta pode chegar a um ponto percentual. O mercado acredita que o ajuste pode ser de três ou até quatro pontos.
São vários os motivos que levam o mercado a acreditar numa alta mais forte dos juros nas próximas reuniões do Copom.
Em primeiro lugar, a economia cresce num ritmo bastante acelerado. Muitos economistas já começam a prever uma alta acima de 7% do PIB este ano.
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados hoje apontam para uma geração de 2,7 milhões de empregos formais este ano, o comércio varejista indica uma expansão elevada e os salários correm nesse mesmo ritmo.
Os números da inflação preocupam o governo e há consenso na equipe econômica da necessidade de subir os juros.
O que se discute, no entanto, é o tamanho dessa alta e se será feita a conta-gotas ou num prazo mais curto.
Hoje, a tendência é de o Banco Central fazer o ajuste num prazo mais curto, o que vai fazer, no entanto, com que a alta do juro seja maior nas próximas reuniões do Copom.
Além disso, uma parte importante do governo defende que esse ajuste seja feito logo para evitar aumento dos juros perto das eleições.
Pelo que tem dito o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sempre manifestando preocupação com os efeitos sobre a inflação desse ritmo acelerado de crescimento da economia, já se pode prever uma “paulada” no juro.