O grande debate no governo hoje é se devem ou não ser adotadas medidas para frear a queda dólar na economia.
Nos últimos dias, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem dado declarações a favor da adoção de medidas para conter esse processo, mas também não se esperava que ele dissesse o contrário.
Ontem, Luciano Coutinho, presidente do BNDES, também defendeu medidas nesse sentido.
Na verdade, o governo já vem adotando medidas no câmbio há pelo menos um ano, mas não tem obtido êxito. No curto prazo, até consegue um alívio, mas, logo depois, o dólar volta a despencar.
O Chile tentou adotar medidas mais severas para evitar a sobreapreciação da sua moeda, como ocorre no Brasil, mas não conseguiu. E, agora, parece ter desistido de vez de segurar o câmbio. A prioridade passou a ser a inflação. O custo no Chile pode ser o presidente do BC de lá não ter seu mandato renovado neste ano.
Diante da brutal liquidez hoje no mundo, países como Brasil, que têm juros altos e está com sua economia equilibrada, se tornam alvos principais desse dinheirão que percorre o planeta em busca de boas oportunidades.
Há muito pouco a se fazer numa economia com o câmbio flutuante.
O Banco Central e setores importantes da Fazenda defendem a tese de que, agora, a prioridade tem que ser mesmo o combate à inflação, o que significa que, no máximo, o que o governo tem que fazer é evitar um derretimento abrupto do dólar. O Banco Central tem feito isso no dia a dia.
Ou seja, cada vez mais prevalece na equipe econômica a tese de que qualquer tentativa hoje de tentar manipular o câmbio não só será inútil como também irá deixar de ajudar a reduzir a inflação.
A equipe econômica tem consciência de que o câmbio hoje é uma das principais ferramentas que o Banco Central conta para evitar uma elevação dos juros acima das expectativas.
O fato é que o governo não está convicto se deve ou não mexer no câmbio.
É incompatível ter câmbio fixo com regime de metas de inflação, como diz o economista José Márcio Camargo, da Opus Investimentos.
Ou, como também diz o ex-ministro Delfim Netto, o dólar só vai parar de cair no País no curto prazo quando os juros baixarem, o que não se imagina neste momento.
Por enquanto, a opção do governo parece ser a de esperar um pouco mais. Todos os países do mundo começaram a subir os juros preocupados com a inflação. Amanhã será a vez do Banco Central Europeu.
Só faltam os Estados Unidos, que deve demorar um pouco mais, mas, em algum momento, se espera que também interrompa esse longo período de afrouxo monetário e que é o principal responsável por essa brutal liquidez na economia global.
O movimento de elevação dos juros no mundo deve reduzir esse ingresso maciço de dinheiro no país e fazer com que o câmbio se equilibre.