
Rodrigo Becerra (Foto: Divulgação)
A distância entre cidadão e governo no debate de questões sociais pode ser encurtada por plataformas tecnológicas. Segundo o diretor global de E-Government e Setor Público da Microsoft, Rodrigo Becerra, ferramentas como redes sociais podem ajudar o desenvolvimento das democracias modernas mundo afora.
“A interatividade entre o cidadão e o governo tem se mostrado um desafio constante”, diz. “Ultimamente, isso tem criado uma apatia generalizada entre os cidadãos ao redor do mundo, que sentem que seus governos não os ouvem.”
Para ele, embora ainda estejam em fase inicial, as plataformas tecnológicas “dão uma voz igual” a todos os usuários e aproxima os interlocutores oficiais do cidadão.
Becerra participará, no próximo dia 8, em São Paulo, do BrasilGov2.0, evento organizado pela Microsoft, com propósito de discutir políticas públicas aproximando internautas e governantes. O Brasil, conta ele, será o décimo país a receber o evento.
Confira os principais trechos da entrevista de Becerra ao iG:
iG: Quais são as expectativas para o BrasilGov2.0?
Rodrigo Becerra: O Brasil está em um momento da história cheio de dinamismo . Por isso, temos grandes expectativas. O Brasil é um país que se tornou um exemplo internacional em várias frentes ea utilização dos meios de comunicação social é um deles. Um estudo recente da Nielsen mostrou que, no Brasil, 86% dos usuários de internet usam regularmente sites de mídia social. Isso faz do Brasil um líder em usuários de mídia social no mundo.
Então, estamos esperançosos de ver um grande mix de cidadãos, funcionários públicos, políticos, estudantes e acadêmicos participando, compartilhando e debatendo as melhores ideias, com a esperança de ter recomendações concretas que serão usadas para aprendizagem futura não só para os participantes, mas para todos, da mesma forma que fizemos com os outros Gov Camps espalhados pelo mundo.
iG: Como esta iniciativa pode “encurtar” a distância entre cidadãos e governo no debate de questões públicas?
Rodrigo Becerra: A interatividade entre o cidadão e o governo tem se mostrado um desafio constante para o desenvolvimento das democracias modernas. Ultimamente, isso tem criado uma apatia generalizada entre os cidadãos ao redor do mundo, que sentem que os seus governos não os ouvem. Contudo, a tecnologia finalmente criou uma plataforma que pode começar a diminuir essa lacuna. Mesmo que a mídia social ainda esteja em suas etapas iniciais, essas plataformas já têm características muito positivas. Algumas dessas qualidades são a participação livre, o fácil acesso por meio de diversos dispositivos e a concessão de uma voz igual a todos os usuários. Portanto, esta iniciativa vai continuar ajudando a mostrar como podemos trazer os “interlocutores” mais próximos do cidadão.
iG: Os internautas brasileiros elegeram a lei de transparência como principal tema a ser debatido. O que isso representa para o BrasilGov2.0?
Rodrigo Becerra: A transparência é um dos principais pilares do Gov 2.0 e também foi um dos principais fatores que levou o surgimento de iniciativas de governo aberto no mundo, porque os cidadãos querem saber o que está acontecendo no processo de governança. Se você relacionar isso com os aspectos econômicos de um país há ainda uma pressão maior por parte dos cidadãos, que querem saber como os governos estão gastando o dinheiro dos impostos. Por isso, é natural que os cidadãos queiram ter a transparência como um núcleo.
Para o BrasilGov2.0, o debate pode servir como uma oportunidade de “crowdsourcing” de idéias em torno de como melhorar a transparência e partilhar exemplos de sucesso de todo o mundo, que podem ser aplicados ao ambiente local. Eu sou defensor de que as melhores práticas internacionais são apenas o começo. Cada país é único e cada solução tem de ser personalizada para as necessidades daquele país específico.
iG: Em outros países onde o evento foi realizado, quais foram os resultados mais significativos?
Rodrigo Becerra: Recebemos outros nove Gov Camps em todo o mundo, o Brasil será o décimo. A lista dos países onde liderarmos esta iniciativa tem Alemanha, México, Nova Zelândia, Canadá, Colômbia, Portugal, Singapura, Rússia e Índia.
Na Alemanha, após o Gov Camp, uma organização nacional de Gov 2.0 foi criada por muitos dos participantes e organizadores do evento. Eles agora fazem parte do debate público. No México, vários legisladores federais participaram e já introduziram uma lei no Congresso para promover a utilização dos dados debatidos como uma plataforma aberta.
Portugal utilizou o Gov Camp para unir o governo e os cidadãos no uso da tecnologia como um dos seus pilares fundamentais, no esforço para a recuperação econômica. Cingapura tem usado o Gov Camp para melhorar o Plano Nacional Tecnológico. Em todos os países, já seguruiam segunda e terceira versão dos Gov Camps.