Inflação deve cair para perto de zero em junho, diz Itaú
Após um início de ano pressionado, a inflação ao consumidor dará uma trégua temporária nos próximos meses, segundo Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú.
De acordo com a análise do economista, a redução do preço do álcool combustível, a deflação sazonal de alimentos, a redução também sazonal da inflação de vestuário e a ausência de novas pressões de alta devem levar a inflação para um patamar entre 0,0% e 0,1% em junho e julho.
Para maio, a previsão do economista é de uma inflação de 0,48%, depois de ter marcado 0,77% em abril.
Na avaliação do economista, o IPCA deve encerrar o ano dentro da meta estabelecida pelo governo, entre 6,3% e 6,5%.
Ao contrário do que espera o mercado, Goldfajn prevê que o BC faça apenas mais uma alta de 0,25 ponto percentual na Selic. Ele acredita que a taxa fecha o ano em 12,25%, enquanto o mercado prevê que ela encerre 2011 em 12,5%.
“Parte da redução da inflação que esperamos para junho e julho é apenas reflexo da reversão do impacto de alguns itens que pressionaram a inflação no primeiro trimestre e início do segundo trimestre, como tem sido o caso dos preços de combustíveis”, diz o economista.
De acordo com as previsões do Itaú, os preços tanto do álcool anidro como do hidratado devem retornar ao patamar observado em fevereiro deste ano. “Se confirmadas nossas projeções de recuo do preço do álcool combustível e da gasolina ao consumidor, o impacto no IPCA de junho e julho será de -0,4 p.p., compensando a maior parte da alta observada em março e abril”, afirma Goldfajn.
O economista explica que, normalmente, o determinante da inflação em julho é o reajuste de energia elétrica da Eletropaulo em São Paulo.
“Entretanto, este ano, a indefinição das novas regras para a revisão tarifária postergou o reajuste até que haja uma definição final. Sem este reajuste, a variação mensal esperada para o IPCA ex-combustíveis cai em junho e julho”, diz.
Por isso, segundo ele, a queda na inflação é resultado da falta de pressões de alta combinada com a sazonalidade favorável dos alimentos e do vestuário.
Considerando-se estes fatores, a projeção do Itaú é de que o IPCA deve registrar variação próxima a 0,04% em junho e 0,11% em julho.
Mas, segundo ele, a partir de agosto o IPCA deve voltar a subir.
“Com o fim da deflação de combustíveis e a inversão da sazonalidade de alimentos e vestuário, voltam a prevalecer os fundamentos que ainda são compatíveis com uma inflação mais elevada”, avalia Goldfajn.
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