Sem recursos privados, o Brasil vai passar sufoco na defesa para deixar os principais aeroportos em condições de atender os usuários na Copa do Mundo de 2014. Levantamento da Infraero indica a necessidade de investimentos de R$ 5,5 bilhões até 2013. As exigências são de toda a ordem: reforma das pistas, ampliação do terminal de passageiros, do terminal de cargas, hangares, etc. As obras já estão atrasadas.
O modelo de concessão da infraestrutura aeroportuária, que está a cargo da Anac, ainda não chegou às mãos do presidente Lula. E o processo decisório não é simples, principalmente se for considerado que 2010 é ano de eleições e de provável confronto entre concepções de Estado do PT e do PSDB. Não é todo mundo no setor que acredita em concessões no próximo ano.
Pelo que a presidência da Infraero apresentou à Câmara dos Deputados nessa terça-feira, somente Salvador estaria em condições de atender a demanda estimada, exigindo investimentos de R$ 44,2 milhões. Os demais têm problemas. Guarulhos, o maior do País, não tem como expandir, devendo transferir uma boa quantidade de voos para Viracopos.
Contam-se nos dedos os aeroportos com espaço para o pernoite de aeronaves. Os problemas se estendem às companhias aéreas, que hoje não dariam conta do deslocamento médio de 30 mil pessoas interessadas em acompanhar os jogos da seleção de seu País. A Copa do Mundo é nossa. O ônus de sediá-la, também.