Para Michel Rochat, diretor geral da Ecole Hotêlière de Lausanne – escola na Suíça que é referência mundial em turismo – os problemas enfrentados pelo Brasil em infraestrutura para receber a Copa do Mundo e as Olimpíadas são na verdade grandes oportunidades.
Rochat esteve no Brasil para anunciar a parceria da Ecole Hotêlière de Lausanne com a faculdade Estácio de Sá em um novo campus em São Paulo e falou com exclusividade ao iG.
Estamos a pouco tempo de receber no Brasil a Copa do Mundo e as Olimpíadas, mas o País enfrenta sérios problemas em infraestrutura, como as questões com os aeroportos e falta de vagas em hotéis. Como o senhor vê isso?
Não há caminho de volta para o Brasil. A coisa está feita. Agora é fazer dar certo e vocês conseguirão resolver estas questões. Eu não vejo esses pontos como problemas, mas sim como grandes oportunidades.
Como resolver estas questões?
É preciso olhar para a frente e tentar projetar o País que vocês querem ser daqui a 20 anos. Diante deste quadro, é necessário criar uma política de desenvolvimento para o turismo, algo de que sinto falta por aqui. Feito isso, vocês só terão bons frutos a colher.
Mas estes são problemas estruturais…
Problemas existem em todos os lugares. Na Suíça, por exemplo, estamos enfrentando um crescimento anual da população na ordem de 10% devido à imigração. Com isso, não temos estradas suficientes. Se você quer chegar em um compromisso pontualmente – e nós somos conhecidos por sermos pontuais – você precisa sair com uma hora de antecedência.
É preciso estruturar melhor o setor no País?
As pessoas, os políticos não dão o devido valor à indústria do turismo. Eles se preocupam em desenvolver outras indústrias em seus países. Por que isso? O turismo é uma indústria tão importante como qualquer outra e pode ser muito rentável.
Por que escolheram o Brasil para uma parceria?
O Brasil tem um enorme mercado potencial para o turismo. Segundo o World Travel & Tourism Council (WTTC), em 2021, o turismo será responsável por 3,5 milhões de empregos diretos no País. O total de vagas nesta setor deve chegar a 9,7 milhões, o equivalente a 8,9% do total de empregos.