Política fiscal poderá ser outra fonte de preocupação para inflação, diz Roberto Padovani
A política fiscal poderá ser outra fonte de preocupação para inflação, elevando as
dificuldades do governo para coordenar e ancorar suas expectativas, segundo análise do economista-chefe da Votorantim Corretora, Roberto Padovani.
Segundo ele, a gestão fiscal deverá manter a dívida controlada. A dívida líquida poderá oscilar ao redor de 39,5% do PIB este ano e em 2012. A dívida bruta poderá ter uma trajetória de ligeira alta, alcançando 60% em 2012. “Por mais paradoxal que pareça, este desempenho fiscal no Brasil acaba sendo ruim por retirar os incentivos para avanços institucionais”, diz Padovani.
O economista afirma que, apesar da busca do governo por uma política diferente, privilegiando o ajuste fiscal, uma mudança permanente no patamar da taxa de juros depende mais de avanços nas instituições fiscais que na gestão de curto prazo.
Por este aspecto, há dois problemas, diz ele. O primeiro é que há poucos incentivos políticos e/ou econômicos para avanços institucionais relevantes. O segundo problema é que parece pouco provável que o governo consiga alcançar as metas fiscais.
“Com a desaceleração econômica, a arrecadação de impostos tende a crescer a um ritmo menor. Nossa projeção é que a arrecadação cresça 24% esse ano e 12% em 2012. Como resultado, as receitas líquidas do governo (sem Petrobras) poderão também apresentar um desempenho mais modesto, saindo de uma alta de 12,5% este ano para um crescimento de 11,5% em”, afirma.
Do lado das despesas, o desempenho também preocupa o economista: o resultado sem Petrobras poderá voltar a crescer mais que o PIB, alcançando 18,2% como percentual do PIB este ano e 18,6% em 2012. “Com nossas hipóteses e projeções, o resultado primário pode alcançar, como percentual do PIB, 3,2% este ano e 2,0% em 2012.”
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