Alta das commodities pesa mais que diferencial de juros para o dólar, diz Rosenberg & Associados
Uma variação no preço das commodities metálicas e agrícolas tem um peso maior para a cotação do dólar que o diferencial de juros da economia brasileira.
O economista Rafael Bistafa, da Rosenberg e Associados, desenvolveu um modelo econômico que comparou as variáveis commodities agrícolas, commodities metálicas, “apetite de estrangeiros por ativos brasileiros”, cotação do dólar frente a outras seis moedas e o diferencial de juros brasileiros e americanos.
“As estimativas esvaziam o argumento de que o dólar se encontra apreciado devido exclusivamente ao nosso estrondoso diferencial de juros”, escreveu Bistafa.
No cálculo, o coeficiente da variável diferencial de juros foi de -0,27, igual ao das commodities metálicas e inferior ao das commodities agrícolas (-0,35).
“Portanto, um comportamento conjunto de metálicas e agrícolas de aumento de 1% teria um impacto bem maior sobre o câmbio que o aumento de diferencial de juros de 1%”, concluiu.
No mesmo modelo, o economista projetou a cotação do dólar se o governo não tivesse adotado as medidas para conter o avanço da moeda.
Bistafa destaca que o dólar estaria perto de R$ 1,40, “abaixo dos R$ 1,55, R$ 1,65 observado no período aposto a implantação das medidas.”
Ele alerta, por outro lado, que, embora tenham segurado a moeda no curto prazo, as medidas não são suficientes para conter a valorização do real. Novos mecanismos precisam ser anunciados.
“Sem a adoção de novas (e cada vez mais criativas) medidas, a tendência é de que o câmbio acabe convergindo para o patamar estimado pelo modelo”, completou.
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