Crédito para ‘gigantes’ brasileiras ficou mais arriscado no pós-crise, diz Serasa
Se muitos indicadores a economia brasileira olham para a crise mundial pelo retrovisor, o mesmo não pode se dizer do risco de crédito das grandes companhias. Levantamento realizado pela Serasa Experian mostra que, atualmente, 74% das maiores empresas brasileiras estão classificadas como baixo risco de crédito, patamar inferior aos 82% observados no período pré-crise.
O estudo analisou as notas de crédito (ratings) de 259 grandes empresas do segmento corporate, com faturamento total de aproximadamente R$ 800 bilhões. Entre as principais companhias brasileiras, 21% estão classificadas como médio risco de crédito, enquanto 5% estão no grupo de alto risco.
“Na medida em que menos empresas estão classificadas como baixo risco, a migração para médio risco causa um impacto direto nos juros. Podemos dizer que o acesso ao crédito ficou mais caro no pós-crise”, diz Márcio Torres, gerente de crédito da Serasa Experian e coordenador do estudo.
A situação mais complicada é observada nas companhias do setor industrial, que representa 83% da amostra da Serasa Experian. Na análise de março deste ano, 71% das indústrias foram classificadas como baixo risco de crédito, o pior percentual da pesquisa.
Dentre os segmentos mais penalizados destacam-se: siderurgia, química e petroquímica têxtil e vestuário.
No entanto, o resultado deste ano indica uma recuperação da análise de crédito do setor, já que, em abril de 2010, apenas 64% das indústrias estudadas estavam classificadas como baixo risco de crédito.
Entre as empresas do setor de serviços, 78% estão classificadas como baixo risco neste ano, contra 84% de junho de 2008. A queda é atribuída à desvalorização do real frente ao dólar, que perdurou até o primeiro trimestre de 2009 e afetou as empresas com dívidas em moeda estrangeira.
Já o comércio apresentou o melhor desempenho setorial na análise de crédito. O setor tem 72% das empresas classificadas como baixo nível de risco, em patamar próximo ao observado no pré-crise. O fortalecimento da demanda interna fez com que o setor ficasse “blindado” do choque externo e saísse da crise mais rapidamente.
(Klinger Portella)
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1 comentário | Comentar
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1 LUÍZ 23/05/2011 10:09
Por que essas informações não nos foram dadas antes das eleições???