Corte de R$ 50 bilhões representa começo do governo Dilma
O corte de R$ 50 bilhões anunciado ontem no orçamento foi interpretado como o marco zero do governo Dilma Rousseff.
Durante as discussões para a elaboração dos cortes, um dos ministros chegou a falar que o corte significava o começo do governo Dilma, tal o alcance das medidas.
Dilma quer se caracterizar pela austeridade e tem como um de seus principais objetivos a queda substancial da taxa de juros. Com esse corte, o governo acha que, num prazo de um ano ou pouco mais, pode começar a baixar os juros de forma significativa, mesmo que haja uma pequena alta agora para ajudar no combate à inflação.
Todo o governo está empenhado nisso. A Fazenda e o Banco Central agora falam a mesma língua.
Diferentemente do que acontecia em outras gestões, inclusive no governo Lula, não houve, dessa vez, contraponto às medidas. O corte foi aprovado sem contestação.
No governo Lula, por exemplo, a costura de um corte dessa natureza teria sido certamente muito mais complicada. A própria Dilma Rousseff, por exemplo, defendia uma linha muito mais desenvolvimentista do que fiscalista.
Agora, todos se mostraram fiscalistas, e Dilma hoje é a juíza, como Lula agia durante o seu governo. A diferença é que no governo Lula os embates eram maiores e dificilmente prevalecia apenas uma linha – ou fiscalista ou desenvolvimentista. As medidas acabavam sendo suavizadas.
Notas relacionadas:
Nenhum comentário, seja o primeiro.
Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!