Juros devem ficar inalterados pelo menos até março, diz Octavio de Barros
Para o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, a decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros foi correta e a declaração divulgada sugere que é necessário um tempo mais longo para aferir a pertinência de aumento de juros em 2011.
“Acredito que o statement posterga no mínimo para março o exame da pertinência de se aumentar a taxa de juros no ano que vem. Até lá, pode ser que a inflação de alimentos esteja bem mais atenuada”, afirmou.
Segundo ele, o IPA agrícola pode ficar em torno de 0% já neste mês, e os efeitos das recentes medidas macroprudenciais sobre a atividade tenham tido reflexo relevante.
“Entendo que o mercado tenha subestimado o real impacto das medidas e possivelmente será necessário revisarmos para baixo o crescimento do PIB do primeiro trimestre de 2011 que, mais uma vez, poderá crescer abaixo do potencial”, disse o economista.
Barros acrescenta ainda que, caso o esforço fiscal seja realmente surpreendentemente positivo com a manutenção da regra do salário mínimo e com medidas de corte de custeio do governo, a tese de Selic inalterada deverá ganhar probabilidade de se concretizar.
O Departamento Econômico do Bradesco reafirma o seu cenário básico (60% de probabilidade) de manutenção da taxa de juros durante todo ano de 2011. O cenário alternativo implicaria decepção em relação ao esforço fiscal e uma deterioração permanente dos dados de inflação corrente. Nesse caso, o o Bradesco projetaria um aperto de 125 pontos básicos durante 2011, possivelmente começando em março.
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