Quanto mais o BC sobe os juros, mais aumenta a inflação, diz Marcelo Odebrecht | Guilherme Barros

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terça-feira, 2 de março de 2010 Finanças | 12:00

Quanto mais o BC sobe os juros, mais aumenta a inflação, diz Marcelo Odebrecht

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Nos últimos dias, um debate tem ganhado corpo entre economistas e o governo. O da necessidade ou não de o Banco Central subir os juros para conter a a ameaça de alta da inflação. 

Para o empresário Marcelo Odebrecht, presidente do grupo Odebrecht, essa discussão peca por sua origem. A seu ver, o juro básico (a Selic) no Brasil não serve mais como instrumento de combate à inflação. 

O argumento de Marcelo Odebrecht é simples. Um aumento de um ponto percentual da Selic não afeta em nada as taxas pagas pelo consumidor, que pagam spreads muito altos. 

Enquanto a Selic está hoje em 8,75%, os juros para o consumidor chegam a casa de 30% a 40% ao ano. Não será portanto um aumento de um ponto que vai ter algum impacto sobre essas taxas. 

A Selic também não afeta as empresas. As pequenas já pagam juros muito elevados, e as grandes têm acesso ao mercado de crédito internacional e ao dinheiro de longo prazo do BNDES, cujos juros, em ambos os casos, são menores. 

Ou seja, segundo Marcelo Odebrecht, a taxa básica de juros no País só provoca uma alta na dívida pública, o que provocará indiretamente um aumento da inflação, já que o governo terá de cortar investimentos. 

Para compensar esse aumento na dívida pública, o governo terá que cortar despesas de custeio, que é mais difícil embora desejável, ou de investimento ou ainda aumentar tributo. O impacto, no caso do corte de investimento ou de aumento no tributo, será na inflação.

“Quanto mais o Banco Central aumenta os juros, mais contribui para o aumento da inflação”, diz Marcelo Odebrecht.

De acordo com Marcelo Odebrecht, o que o Brasil mais precisa hoje é de investimentos, principalmente em infraestrutura, para aumentar a capacidade de oferta e evitar qualquer pressão de demanda. A falta de investimentos é o maior combustível para a inflação. 

O empresário concorda que o aumento de juros do Banco Central pode até ter efeito sobre as expectativas, mas ele acha que esse argumento perde a lógica quando se analisa como a economia funciona na prática.

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Autor: Guilherme Barros Tags: ,

41 comentários | Comentar

  1. 11 Norival Luiz Duarte 02/03/2010 16:04

    O que nossos governates precisam em geral nas três esferas e diminuirem o ritmo de gastos com pessoal, muitas vezes exagerados, assim sobrará dinheiro para investimentos e até diminuição da carga tributária e assim não haveria tanta necessidade de arrecadação de impostos onerando assim as despesas das empresas em geral.

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  2. 10 joão carlos mangueira 02/03/2010 16:01

    Concordo com o que foi exposto, mas como resolver o problema da ganância humana; o governo alivia no compulsório e os banqueiros correm para a dívida pública ao invés de abastecer o mercado e aumentar a concorrência, o que talvez pudesse abaixar os juros para o consumidor final. O maior problema é que não interessa ao capital financeiro especulativo uma selic menor, pois a dívida do governo é lucro certo e gordo.

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  3. 9 Hamilton Foganholo 02/03/2010 15:57

    Também concordo com os srs. Marcelo Odebrecht e Sergio Mello. Na realidade, o Governo alega que aumentar os juros é para controlar a inflação, mas na minha opinião, é apenas para rolar a dívida interna, que ninguém do Governo comenta. Cada vez que tem algum vencimento de títulos do governo, os Bancos e as Grandes Empresas, seja de que segmento for, exigem juros mais altos para comprarem esses papéis. Essa dívida é impágavel, pois é quase do tamanho no nosso PIB. Se o PT ganhar a próxima eleição presidencial, essa dívida será empurrada de barriga, caso não ganhe, esse será grande problema para o novo presidente..

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  4. 8 Sérgio Melo 02/03/2010 15:47

    Concordo com o Marcelo

    Ademais o governo se sustenta no excesso de liquidez de moeda na mãos dos Banqueiros,- Então porque os bancos não oferecem dinheiro a juros menores, para favorecimento do mercado consumidor?

    O Governo fica incomodado porque o mercado esta dando resposta à necessidades do consumidor. Acho que o Governo deve sim oferecer e incentivar o crédito mais barato para as empresas e o comércio de um modo geral.

    Se diante de num catacrisma economico mundial o Brasil se se segurou, o que fará com tanta reserva acumulada, cadê a função do Governo no sentido de distribuir esta segurança nos investimentos, que ainda são capengas. em infra estruturas.

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  5. 7 Renato 02/03/2010 15:09

    SIMPLISMENTE PERFEITO!!! ATË QUE ENFIM UM COMENTÄRIO SENSATO SOBRE JUROS!!

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  6. 6 Carlos 02/03/2010 14:22

    Corretissimo o Marcelo!!! Essa politica ja serviu antes mas como o governo nao sabe fazer nada continua fazendo o que o governo anterior fazia, só que no começo foi bom hoje ja deu o que tinha que dar. o Serra tem insistido nisso e acredito que ele esteja certo.

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    • David Barros 02/03/2010 18:11

      Carlos esse governo sabe o que faz e o fez até agora com as próprias idéias, é só verificar como conseguimos superar a marolinha… em tempos de crise como foi a do México e a dos Tigres asiáticos o governo FHC simplesmente aniquilou nossa economia ao desestimular o consumo interno através do aumento da SELIC que encareceu o crédito…

  7. 5 Rui Pecoraro 02/03/2010 14:21

    Quem sabe……sabe!!!!!!!!!

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  8. 4 Marcos Paulo 02/03/2010 14:20

    Pena que o Henrique Meirelles não pense assim.

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  9. 3 João Salles Svolinski 02/03/2010 14:16

    Finalmente alguém com bom senso para contrapor esta teoria que não se sustenta. Penso que o controle da inflação através do aumento e/ou diminuição da SELIC é inócuo, necessário sim é controlar o spread bancário, que chega a ser obsceno, reduzir juros através da baixa no spread tornando o crédito mais barato esta sim é uma boa medida de controle inflacionário.

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  10. 2 Geraldo Jorge 02/03/2010 14:16

    O Senhor Marcelo esquece que, com selic abaixo de 10% os poupadores perdem o estimulo de poupar e começa a gastança desenfreada que por consequencia gera infração. portanto o eqilibrio nas taxas da Selic é sem dúvida o ideal para toda sociedfade. Geraldo

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