FELIPE GIACOMELLI [@daewlz],
de Brasília
Felipe Nasr já deixou de ser uma promessa e se tornou uma realidade para o automobilismo brasileiro ao menos em se tratando de F3. Depois de quatro provas da F3 Inglesa, o brasiliense é o líder do campeonato, com 66 pontos, 21 a mais que Jazeman Jaafar, o segundo colocado.
Com o bom desempenho nas primeiras quatro corridas, quando Nasr venceu duas vezes e terminou em segundo nas outras duas, já é possível pensar em título para o piloto da Carlin. Os resultados pré-feriado de Páscoa, na rodada de Oulton, serviram para comprovar que o piloto de apenas 18 anos está no caminho certo para a conquista.
Não que o resultado em Monza não tenha sido impressionante. Mas as duas vitórias, além do segundo lugar, apenas reforçaram que Nasr é um piloto muito acima da média em pistas de alta velocidade, principalmente quando tem a disposição um equipamento de ponta como é o da Carlin.
Prova dessa superioridade vem da temporada 2010, quando o brasileiro estreou na categoria. Na ocasião, os dois melhores resultados de Felipe foram a vitória em Rockingham e o segundo lugar em Spa-Francorchamps. Pistas, essas, onde é possível acelerar.
Só que em autódromos mais travados, o desempenho de Nasr era irregular. No mesmo Oulton Park, em 2010, o brasileiro abandonou duas das três provas e terminou a outra apenas na 14ª colocação. A situação não melhorou muito durante a pré-temporada do atual campeonato. No único dia de treinos no local, o piloto da Carlin foi apenas o sétimo mais rápido, ficando 0s8 atrás do líder Scott Pye.
No entanto, Felipe parece ter conseguido dar a volta por cima e não só conseguiu a segunda colocação na corrida do sábado como também irá largar na pole-position no domingo. Mesmo que sair na frente não signifique vitória, para quem quer ser campeão, regularidade é algo extremamente importante.
Aliás, até o momento, o desempenho de Nasr é bastante parecido com o que lhe rendeu o título da F-BMW europeia em 2009. Na ocasião, o piloto terminou em primeiro ou segundo em todas as corridas, menos na rodada da Inglaterra (curioso não?) quando foi o oitavo depois de ter problemas no câmbio.
Se na F-BMW o brasileiro não teve um adversário direto na briga pelo título, já que viveu a expectativa de uma eventual desclassificação ou não de Michael Christensen, o então vice-líder, na F3 Inglesa parece que Felipe terá uma batalha doméstica. Isso porque, depois das quatro corridas, é Lucas Foresti quem se apresenta como principal rival.
O piloto da Fortec venceu em Oulton, foi segundo em Monza e só não teve outros bons resultados na Itália pois se envolveu em acidentes que comprometeram-lhe as corridas. Tomando como base a pré-temporada, é possível dizer que o desempenho de Lucas é surpreendente.
Aliás, surpreendente para quem acompanha a categoria a distância. Para Felipe, o rendimento do compatriota não deve ser novidade. Curiosamente, os dois se conhecem há muito tempo. Além de ambos terem nascido em Brasília, os dois foram contemporâneos no kart e estrearam juntos nos monopostos, na etapa de Interlagos da F-BMW Americas de 2008, correndo pela equipe de Amir Nasr.
Na ocasião, mesmo fazendo a primeira prova da carreira, Felipe conquistou um quinto e um terceiro lugares, impressionou e garantiu a temporada 2009 no certame europeu, quando viria a ser campeão. Lucas, por sua vez, terminou duas vezes na décima posição e seguiu na F3 Sul-americana antes de reencontrar o rival no campeonato britânico.