Sabe aquela fabulosa iniciativa de dar o leite tradicional de uma, eu disse uma, grande etapa da Indy ao vencedor do GP de São Paulo deste ano? Então. A caixa que recebeu o olhar de “What the fuck?” do Will Power foi posta a leilão pela fabricante depois de autografada pelo ótimo australiano.
Está neste site aqui. A descrição do objeto leiloado convida você a não perder essa chance de adquirir “uma peça única para o automobilismo brasileiro, que teria espaço em qualquer museu da velocidade, mas que pode muito bem entrar para sua coleção”. Uma beleza.
O dinheiro arrecadado será doado para um projeto de educação no trânsito, diz o texto. Mas, até agora, não é muito: passado um dia do início do leilão, foram apenas cinco lances — o maior deles, que levaria a caixa se o martelo fosse batido agora, em R$ 132,50. O lance inicial foi de R$ 120.
A Monange, fabricante de hidratantes, vai patrocinar Bia Figueiredo na etapa de São Paulo da Indy, neste fim de semana. Legal que a pilota esteja conseguindo atrair apoios pelo fato de ser mulher. Negócio é negócio, e aos poucos marcas brasileiras vão se interessando por Bia.
Tudo começou quando um usuário de um fórum norte-americano disse ter escrito um email para o diret0r-executivo da HER, energético que patrocinava Alex Lloyd até o ano passado — e coloria seus carros e macacões de rosa, já que o produto é voltado para as mulheres. Aparentemente, já que não encontrei o email enviado por ele — acho que não disponibilizou —, o torcedor pedia satisfações sobre o fim do apoio ao piloto britânico.
O cara, Brett Jacobson, supostamente respondeu. Digo supostamente porque há quem questione a autenticidade do email, publicado apenas em texto e com alguns erros de inglês. Brett reclamou do tom utilizado pelo fã, afirmou que não é apenas um patrocinador que mantém um carro na pista e lembrou o fato de que a Versus, detentora dos direitos de transmissão da categoria, tem pouca audiência. Ou seja, disse que a visibilidade de um produto em um carro da Indy é bem menor do que foi no passado. Como disse que o rapaz foi deselegante ao reclamar da empresa, ele retrucou dizendo que é por emails como aquele, reclamando do fim de um patrocínio, que as empresas fogem da IRL: falta, segundo o suposto Brett, lealdade dos torcedores da Indy às empresas que apoiam/apoiaram pilotos de lá.
Vamos, então, à questão mais relevante. Com a delicadeza habitual, Mr. Paul Tracy criticou o fato de, no treino de hoje da Indy em Barber, haver apenas quatro pilotos da América do Norte: Danica Patrick, Marco Andretti, Ryan-Hunter Reay e Sarah Fisher. “E caras como [Graham] Rahal, eu e [Buddy] Rice têm de ficar em casa assistindo. Se é isso que vocês, torcedores, querem, divirtam-se”, falou.
O rotundo canadense pediu aos fãs da Indy para que avisassem ao “novo caubói na cidade” [Randy Bernard, novo diretor-executivo da IRL, ex-chefe da liga americana de rodeio] o que eles querem da categoria. E disparou contra os pilotos pagantes, que, afinal, fazem a categoria — e quase todas as outras do mundo, diga-se. Tracy afirmou que a IRL precisa de pilotos com torcida, não de quem tem grana. E disse, mui singelamente: “Se você quer um sanduíche de merda, não espere que ele não tenha gosto de merda. Se você quer boas corridas, diga a eles que você quer os bons pilotos!”
E aí, finalmente, o gordinho chegou ao ponto que falávamos no início deste texto: “O diretor-executivo da HER desceu a porrada na IRL… Não posso concordar com ele sobre os torcedores não serem leais. Os fãs de fórmula foram tolamente leais pelos últimos 15 anos, já que as duas categorias [IRL e Champ Car] arrastaram o automobilismo de fórmula ao fundo do oceano. Mas já seguramos a respiração demais”, disse, antes de “implorar” para que cada torcedor tome o controle daquilo que “ama e quer da Indy”.
Tracy ganhou o apoio de Oriol Servià. Notório gozador, Nelson Philippe mandou um recado para o canadense. “Só fazendo um flashback… Lembra quando você tentou “matar” Bourdais em Cleveland/06? Bons tempos, bons tempos…”
Senti uma ironia aí.
O futuro da Indy está no meio dessas duas histórias. Para dizer a verdade, o futuro do automobilismo está no meio disso tudo: grana, negócios, visibilidade, interesses, patrocinadores… E, se houver espaço, talento. O que pensam vocês?
Quando saiu a primeira imagem do carro da Virgin, com Timo Glock, Lucas Di Grassi e Luiz Razia, quase me perguntei pelo Justin Wilson. É que a pintura da do VR-01 lembra bastante o carro da Dale Coyne que o piloto britânico usou na temporada 2009 da Indy. Vejam:
Mas há quem diga que o próprio carro em si, o design, lembra um carro de Indy. O que acham?
Não tinha visto, mas acho que muitos de vocês também não: a Fazzt, equipe que Alex Tagliani defenderá na temporada 2010 da Indy, lançou semana passada a pintura de seu carro, no Montreal International Auto Show. O toque de laranja-marrom (sei lá que cor é essa) quebra um pouco a sobriedade alvinegra.
E aí eu descobri que o capacete do Tagliani também tem esse maldito padrão tribal-espermatozóide. Acho confuso pacas. E de mau gosto. Eis:
A propósito, para quem não sabe, os donos da Fazzt são os empresários Jim Freudenberg, Andre Azzi e… O ator e ex-piloto Jason Priestley, conhecido no Brasil por trabalhar no seriado Barrados no Baile, nos anos 1990. Não lembra? Olha a foto dele aqui.
Seu ápice nas pistas foi a participação na temporada 2002 da Indy Pro Series, hoje Indy Lights. O norte-americano abandonou as pistas no ano seguinte, com a morte do amigo Tony Renna durante treinos de pós-temporada em Indianápolis.
Tava vendo uns sites estadunidenses essa semana, e havia algumas listinhas possíveis para o grid da Indy em 2010. Fiz um pequeno compêndio (pxxxx) e resolvi colocar aqui, pra gente discutir algumas coisas.
Ganassi | Dario Franchitti e Scott Dixon | Até porque nem faria sentido trocar um dos dois, alguns dos mais qualificados do grid. Penske | Helio Castroneves, Ryan Briscoe e Will Power | Mesma lógica. Mas o Briscoe… Se não for neste ano, hum… Andretti | Tony Kanaan, Danica Patrick, Marco Andretti e Ryan Hunter-Reay | O acordo com RHR, por ora, é só para as 500 Milhas, mas o norte-americano deve ser confirmado para a temporada inteira. Dreyer & Reinbold | Dizem que terá dois carros. Mas, como é naquele esquema de quem leva patrocínio, pode ser mais.
Dale Coyne | Justin Wilson | Mas existe rumor forte de que o time terá dois carros. Um deles seria de JR Hildebrand. Não acho assim provável. Panther | Dan Wheldon | Um segundo carro deve ter Giorgio Pantano, segundo o próprio. Mas aconteceu o mesmo no início de 2009, então… Vision | Ed Carpenter | Não foi anunciada sua renovação, mas seria burrice não mantê-lo. Luczo Dragon | Raphael Matos.
KV | Mario Moraes | Provavelmente, haverá um segundo carro. Foyt | Vitor Meira | Renovado. HVM | Robert Doornbos | E mais um. Que não será Ernesto Viso. Conquest | Ainda sem piloto, vai com apenas um carro.
Newman/Haas/Lanigan | Graham Rahal | Desde novembro se fala na equipe com três carros em 2010, com Alex Lloyd e Hideki Mutoh nos outros dois. Mas… Sarah Fisher | Sarah Fisher corre em sete ovais, incluindo as 500 Milhas, e em São Petersburgo e Alabama, mistos. Jay Howard, campeão da Lights em 2006, fará quatro corridas. Fazzt | Alex Tagliani | Não creio em segundo carro na temporada de estreia, mas há quem garanta isso. 3G | Só deus sabe. Rahal Letterman | O Curt Cavin, do IndyStar, acredita na volta do tradicional time. De Ferran | Enfrenta problemas. Desde o ano passado, negociações com Takuma Sato são citadas.
Continuando…
Para as vagas que restam para a temporada — e são muitas —, tem muita gente boa. Bia Figueiredo e Nelson Merlo negociam. E ainda tem Tomas Scheckter, Richard Antinucci, Mike Conway e vários outros, além daqueles que sempre aparecem em algumas corridas, como o Paul Tracy.
A Sam Schmidt, equipe da Indy Lights, anunciou a contratação de Pippa Mann para a temporada 2010. A inglesa vai substituir Bia Figueiredo, que correrá na Indy no ano que vem, embora não tenha ainda definido em que time.
A escolha de Pippa, entretanto, não parece ser exatamente por critérios de qualidade: seu campeonato em 2009, pela Panther, foi bem fraquinho, e, na verdade, a piloto nunca mostrou nada digno de atenção especial na Lights, na World Series e nas categorias de base da Renault pelas quais passou.
Os norte-americanos perceberam há algum tempo que ter uma mulher na equipe é interessante do ponto de vista midiático, sobretudo se for competitiva. E, desde 2005, só em um ano a Sam Schmidt não teve uma piloto, ainda que, em alguns casos, só em poucas corridas. Primeiro foi Sarah McCune, que, na temporada citada foi pole-position no GP de Nashville; em 2007, Leilani Münter correu em Kentucky e Chicago e, nas duas últimas temporadas, Bia mostrou que tinha talento para subir à Indy.
Entrevistei há pouco Bia Figueiredo. E a coisa que mais impressionou foi a confiança que ela demonstrou com relação à chance de correr na Indy 2010. Sem hesitar, a brasileira afirmou categoricamente que acredita 100% que estará na categoria no ano que vem.
De fato, a possibilidade é realmente grande. Bia estampa bons patrocínios e, apesar da temporada difícil neste ano, já provou que tem talento suficiente para correr na divisão principal. Mais que isso, na Indy, a chegada de mais uma mulher é sempre bem vista. A categoria sabe explorar o carisma das pilotos e é inegável que atrai público. Vide o sucesso de Danica Patrick.
Bia falou que negocia com quase todas as equipes, exceto a Andretti Green, agora Andretti Autosport. Ela mesma vê dificuldade uma vaga na equipe de Michael Andretti, exatamente por conta de outra mulher.
Mas é bem verdade que outros times procuram exatamente esse tipo de atrativo, até para alavancar patrocínios. Vale lembrar que neste ano a Bia venceu o prêmio de piloto mais popular da Indy Lights.
O Jackson Lopes, do Blog da Indy, ótima página para fãs da categoria, me alerta: neste dia 31 de outubro, completa-se dez anos da morte de Greg Moore. O piloto, que fez quase toda sua carreira pela Forsythe, era a cara do carro azul e branco da equipe, que tinha patrocínio da Player’s. (lembram?)
O canadense foi um dos meus primeiros ídolos. Conhecido pela pilotagem agressiva, Moore ganhou a temporada 1995 da Indy Lights, e quase completou quatro anos seguidos na Indy, não fosse o acidente fatal em Fontana, última etapa do campeonato de 1999.
Greg já tinha contrato assinado com a Penske. Foi talvez o acidente mais terrível que já vi em uma grande categoria de monopostos. Em seu lugar, acabou indo Helio Castroneves.
O piloto havia sofrido um acidente com sua moto na sexta anterior à corrida. Passeava pelo autódromo quando foi atingido por um carro. Levou mais de dez pontos na mão. Não deveria correr, mas acabou indo para a prova. Foi a segunda morte na Cart naquele ano. A outra foi de Gonzalo Rodríguez. Em meu blog, o Zeroforce, escrevi um texto falando sobre ele.
No fim do ano passado, Roberto Pupo Moreno contou a Victor Martins sua experiência daquele fim de semana, quando foi convocado para o lugar do canadense. Veja:
GP: Um fato curioso, se assim a gente pode dizer, é que em 1999 você foi chamado para disputar as 500 Milhas de Fontana no lugar do Greg Moore. RM: É, mas o Greg, na última hora, quis correr. Falou que ia aplicar uma injeção. Aí ele se acidentou.
GP: Sim, morreu instantaneamente. RM: Fiquei com pena. Se eu tivesse corrido no lugar dele, não teria acontecido com ele nem comigo.
Hoje, o site oficial do piloto, que sediou uma fundação no passado, exibe apenas um agradecimento de seu pai e a seguinte mensagem: “Para Greg, em amável memória. Vemos você lá na frente”.
Você se lembra de Greg? É só falar aí embaixo.
P.S.: Hoje, o canadense James Hinchcliffe, piloto da Indy Lights, declarou que Greg foi “um herói”. “Penso em Greg sempre que entro no carro. Minhas luvas vermelhas são iguais [às dele]. É uma homenagem sutil e um delicado lembrete. Ninguém passava melhor por fora.”
O espaço para os redatores do Grande Prêmio expressarem suas opiniões, além de repercutirem especulações, boatos e rumores, e darem pitacos sobre automobilismo e tudo mais. Evelyn Guimarães, Marcus Lellis, João Paulo Borgonove e Felipe Paranhos vão dar o ar da graça aqui todos os dias.