Restarão só lembranças*
Foi bonito, o Racing Festival. Gostoso de cobrir, principalmente para mim, que estou caminhando ainda. Mas foi mais bonito ainda porque mostrou mais uma vez que, para se ter uma boa corrida em Jacarepaguá, meio autódromo é suficiente. Por mais mutilada que esteja, a pista do Rio ainda proporciona ótimas corridas.
Foi assim em todas as baterias de todas as categorias. Definição, mesmo, só na bandeirada. O público até compareceu em bom número, se levarmos em consideração o belíssimo domingão de sol que fez no Rio. Sim, eu sou carioca, e sei o quanto um domingo de sol é altamente tentador nessa cidade…
Mas voltemos para a corrida. A cada evento que se tem em Jacarepaguá, fica mais nítido que desativar o autódromo será um dos maiores lamentos da história do automobilismo nacional. Até mesmo o único piloto estrangeiro correndo aqui neste fim de semana, o argentino Roberto Curia Jr., de 17 anos, disse que a decisão das nossas autoridades era um verdadeiro equívoco, pois se tratava de um ótimo circuito.
Alguns, aliás, só ficaram sabendo que o que sobrou de Jacarepaguá vai ser transformado em complexos e mais complexos esportivos para as Olimpíadas de 2016 durante o fim de semana, e demonstraram muita insatisfação com a notícia. Insatisfação não só por saberem que será uma pista a menos no Brasil para eles correrem, mas por saberem que justamente a pista onde a maioria deles estreou nos monopostos vai simplesmente desaparecer.
Claro que alguns devem estar lendo e pensando “ah, já está todo ferrado mesmo, que acabe logo”. Também pensava assim, mas esse fim de semana me fez olhar com outros olhos para o autódromo da minha cidade, que guarda ótimas lembranças dos áureos anos 80 da F1, e marcou o primeiro passo dessa molecada que está sedenta por um lugar ao sol dentro de um esporte tão seletivo.
Mas não há muito que fazer, infelizmente. Mesmo que Deodoro saia do papel, o que eu du-vi-do, nada será como Jacarepaguá. Que fiquemos com as lembranças, então. E quem não conhece, que corra logo: sinto que este ano pode, de fato, ser o último.
Luana Marino
* Obrigada ao leitor que sinalizou o errinho de concordância no título. Valeu!









