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03/01/2009 - 11:25

SOMOS APÁTICOS À MERDA ALHEIA OU RIMOS DELA QUANDO VOA!

 

 

“PEQUENOS ASSASSINATOS” – (LITTLE MURDERS) 

Essa pérola de Jules Feiffer (1971) com Elliot Gould, Alan Arkin & Company faz a sinopse dessa “coisa” em que nos transformamos. Ah, sim! Escrevo isso no momento em que vejo as ground troops israelenses invadindo Gaza (mais uma vez). Mas quem pode tirar a razão de Israel de querer existir? Ao mesmo tempo eu berro “que merda tudo isso!”. Não, ainda não sou um ser apático.  

Little Muders” é a história da apatia, do “movimento pela apatia”: da neurose da psicose de se viver aprisionado. É a psicose da galinha olhando o ovo, estranhando o ovo que acabou de botar e MASSACRANDO aquela coisa estranha que comemos, que vira omelete ou objeto de Páscoa e que Colombo colocou em pé. Mas o apático fotógrafo (Elliot Gould), assim como uma galinha infértil,  só faz mesmo é fotografar “merda de cachorro”. Ah, e é espancado por gangs de NYC nos anos setenta enquanto sonha. Sonha. Sonha em querer sonhar como um quase Hamlet, um quase ham omelett. O resto, em sua volta, é muito barulho, muito barulho, e muitas balas voando, muita gente falando, muita gente no armário, muita classe média, o sonho americano ruindo nos anos setenta sob Nixon, muita gente se auto-flagelando e auto-baleando. 

Ah, mas tem o mais que brilhante filme Network também, de Lumet, com o Peter Finch. Lindo. Triste. Época de Gerald Ford já tendo perdoado Nixon pelas barbaridades. Quais? Pelas quais ele foi “pego”. Porque todos eles cometem, nao é? São humanos, não são? Network é a parte do grill à lenha, se o mundo é um fogão! É sobre a neurose de um âncora televisivo que não agüenta mais. Entra um dia no estúdio e não agüenta mais. Nao é uma crise existencial, mas uma crise CORPORATIVISTA, ou melhor, um surto psicótico corporativista-existencial e político. Ufa! Tá difícil! Trata-se de uma convulsão, uma psicose também, uma neurose sobre a psicose mais uma convulsão: resultado: o âncora se torna um “guru” que vai do fracasso ao sucesso porque pega de assalto o ponto fraco das pessoas. E qual o ponto fraco? A mentira na qual vivemos. “I’m mad as hell and I’m not going to take it anymore”. 

Ah, mas tem os “3 dias de Condor” (baseado em Six Days of the Condor, de James Grady: brilhante), em que vemos um lindíssimo Robert Redford fugindo de uma CIA (que massacra a ela mesma – uma divisão da CIA que acaba de assassinar – risos mórbidos – “pequenos assassinatos”), fugindo de sombras que carregam mistérios e mentiras e traem uns aos outros: assim é o mundo dos SPIES, dos espiões,  das  divisões políticas, das hegemonias, dos egos artísticos; assim é com autores de ficção, assim como na realidade quando estamos a um passo de sermos testemunhas de um massacre ou quando perdemos um amigo perdido nas montanhas alpinas da Suíça!  Em “3 dias de Condor” as ramificações chegam a ser poéticas porque um jovem e idealista Redford ainda quer “moralizar” o imoralizável, ou seja, quer limpar o sujo, a sujeira do mundo. Tadinho, mas está certo. Errado estamos nós que torcemos sempre para o coitadinho. Por que será? 

Assim como Elliot Gould fotografa merda em Pequenos Assassinatos, Faye Dunaway é uma fotógrafa do nada, do vazio, em “3 dias do Condor”.

E é no colo da linda e vazia Dunaway que Redford vai pegar refúgio enquanto quer provar que ALGUMA  COISA  PROVA  ALGUMA  COISA (ao  contrário do meu “nada prova nada”, Circo de Rins… ) tentando chegar ao chefe dos chefes da CIA tristemente localizado dentro do World Trade Center. Sim, eu disse tristemente aqui no ex WTC e não em Langley. 

Fugindo… todos os personagens desses filmes fogem porque ainda não existe a internet. Sim, ainda estamos nos anos 60 e setenta, uma era virtual, mas virtual de outra forma. Mais que isso, estamos sob pleno impacto colossal de Richard Nixon sobre a vida de todos. O desastre Nixon abalou tanto tudo que todos tudo tanto todo o TUDO que pum! Tudo PUM! Nixon, Watergate, os tapes, Erlichman, Halderman, Kissinger, G Gordon Liddy e PUM! E mais plumbers! Quer dizer bombeiros mecânicos. É isso: PUM! E Nixon ainda fazia o sinal da PAZ dos hippies DUPLO. É como se estivéssemos duplamente bêbados e sim, não havia a internet. Havia o ser humano olhando pro outro e… O quê?  Ele, Redford, descobre que conectou os pontos: PETRÓLEO. Uniu a Holanda com alguns livros árabes e Venezuela e PIMBA. E, por causa disso, PUM! Matam sua unidade. Psicóticos! Como vêem, jovens do mundo, o “oil embargo” e outros embargos pelo petróleo é vicio pior que heroína, coisa la dos Afghans, dos poppy seeds, papouuuula! 

Ah, e tem “Performance” com Mick Jagger e James Fox, de Nicholas Roeg.

Sim, psicose de identidade e psicodelismo de alta fidelidade, assim nós éramos. E como éramos! E o que somos? Uma alta elite do quê? 

Em “Performance” vemos um gangster cockney sendo esnobado pelo seus pares e vemos um performer da elite pop (Jagger) sendo esnobado pelos seus próprios conhecimentos “estranhos e exóticos” (Borges, por exemplo, que na Inglaterra da década de 60, ah… ninguém se importava, principalmente a minha turma. Queria-se Poe, dadaísmo, Trotsky  e muito rock). Performance é e não é o espelho às avessas e I’m mad as hell… , ou seja, ESTOU PUTO DA VIDA E NÃO VOU MAIS AGÜENTAR ESSA MERDA, porque se está todo mundo tripping, todo mundo drogado e num processo de introspecção por processo psicótico de auto-indução, a palavra “mad”, maluco, puto da vida, não se aplica. Ah, sim, cogumelo nasce na merda! O que se come em “Performance” é cogumelo. Da auto introspecção à merda total e pequenos assassinatos: um vira o outro por necessidade de roubo de identidade!!!! 

QUAL merda? A que Gould fotografa? A que os terroristas nos propõe no dia a dia de nossas vidas. As “Notas Oficias” que Finch é obrigado a ler e que continuam sendo a grande MASSA da MÍDIA? Ou será que a merda está no vazio das fotos, está no vazio dos discursos e nas máquinas que invadem por causa de petróleo agora, assim como era antes? E o direito de existir? 

Quem tem mais direito de existir? Árabe? Judeu? Rico, pobre? Quem tem mais direito de opinar sobre isso? Redford corre da mentira, Gould fotografa seus excrementos, Finch berra a respeito dela e Jagger canta “eu existo através do OUTRO”. Nós existimos através do outro! E somente através do outro.

Quem tem o direito de não existir? Você? Eu? Um? Dois? Será somente uma questão psicótica? Neurológica? Imaginária? Numérica? Somos muito pequenos? Valemos quanto? Quanto dinheiro? Quantas gramas ou quilos? Ou seremos pequenamente, lentamente,  assassinados?

 

Gerald Thomas

3 Janeiro 2009

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
09/09/2008 - 02:35

Vem aí o Inferno anual e o Império da Manipulação das Emoções. Quem sofre mesmo? Quem viveu DE FATO o 11 de setembro?

Contagem anual:  9, 10, 11… de setembro dos INFERNOS!!!!

E a cada ano fica pior. Eu achava, lá no inicio, digo, em 2002, 2003, que iria melhorar. Nada. Essa merda só piora! Vem mais um aí. A data está dobrando a esquina. E a lista de pedidos de entrevista são os mesmos ou um pouco diferentes, mas o martelo bate como se fosse o personagem Clov na cabeça de Hamm em “Fim de Jogo”, de Beckett. Som de lata! Sim, aquele dia foi um final de jogo, um fim de mundo, um final das contas, o holocausto ao vivo. O holocausto dentro dos EUA. Para aqueles que não estiveram em Kosovo, ou no Vietnam, ou em Sarajevo, Uganda, Ruanda, sim, esse aqui foi o que nos atingiu. Não me falem em Hiroshima, Nagasaki, Dresden, Auschwitz, Dachau, Buchenwald porque os ossos de meus parentes estão em cinzas lá. Sem lágrimas. Na boa!

Também vi Vigário Geral!

11 de setembro e as ruínas onde fui trabalhar e, ao voltar empoeirado, massacrado e sem fibra, escrevia meu depoimento para a “Folha”.

Mas o que veio depois foi ainda pior: A política de Bush. Não posso acreditar que estou em 2008 escrevendo isso. Leiam o que quiserem e acreditem em quem quiserem, juro que não agüento mais discutir como estrelar um ovo. Você agüenta? Não, não agüenta. Tenho aqui na minha frente todos os livros de Woodward e o 9/11 Commission Report e o livro de George Tenet e o de Frank Rich e uma pilha de livros que nem eu mais agüento ver ou ler. Náusea. Não, nada a ver com o Sartre, não.

Não posso acreditar que estou em 2008 me vendo diante de John McCain e Sarah Palin e sua pequena vila pentecostal no Alasca. Essa radical quase fundamentalista que transborda “pecados” por todos os lados. Transborda? Como assim? Sim. Marido bêbado que é pego dirigindo “sob a influência”… “DUI”, chama-se isso aqui.

Deus quis”… Ai, meu deus! Qual deus? Qual deus? “Deus é o maior problema, não a solução”, dizia um grafiti numa calçada em Brooklyn, nos dias após os ataques.

Não. Esse jogo de novo, não. Sou de teatro, mas odeio a repetição!

Será que escrevo sobre os ingressos do show da Madonna na Argentina que esgotaram em questão de horas? Digo, a mesma Argentina que vaiava Madonna por interpretar Evita Perón na sacada da Casa Rosada… Não, não irei entrar nessa de falar sobre a Madonna. Vou tentar me distrair com a ótima entrevista concedida por Alec Baldwin ao ”60 Minutes” de domingo último, em que demonstrava ser  “outrageous”. Um cara de coragem singular por ter se “excluído” de Hollywood. Sim, e por quê? Porque sim! Porque George Bernard Shaw diria que ele seria um caso muito “peculiar” e que pertenceria ao equivalente a Fabian Society ou que ele atrairia muito mais atenção sendo um excluído! Faz sentido. Pouco. Tanto quanto Palin, Deus, Jews for Jesus ou campanha eleitoral onde VALE TUDO, ou seja, nada!

De volta a realidade, Gerald! Volta!  O ex-pastor, ministro, sei lá como se chama isso, da igreja de Sarah Palin (a Wasilla Assembly of God) falam em jivês, em gírias. Não, gírias, não. Falam como se fala no candomblé. Ou seja, quem é de fora não entende. É para não entender. É que nem o meu teatro. Epa! O ex-pastor de lá, o tal de Brickner, dos Jews for JESUS (Judeus por Jesus) acha que os ataques a Israel são justificados pelo seguinte: Ouçam bem: porque os judeus não procuraram por JESUS!!!

OLHEM o NÍVEL de loucura em que está metida a nossa potencial VICE presidente! E eu, tentando fazer o meu anual memorial sobre o 11 de setembro que vem sombrio, sóbrio, frio, estúpido, como todo setembro vem! ESTÚPIDO!

Olhem o potencial nível de loucura ao que chegou o Jihad propagandístico da políticaÉ um deus contra o outro.

O que eu vi da minha janela na Kent Avenue em Williamsburg, naquela terça-feira de manhã? Os aviões batendo no WTC, os prédios em chamas, os prédios caindo… muita gente morrendo e eu indo trabalhar em GROUND ZERO por VINTE E UM DIAS. Foi o que eu vi e vivi. Mas o que foi que aconteceu, por trás das paredes políticas dos que escrevem o DRAMA?

E, fora o petróleo, e a indústria bélica e a indústria do lucro, qual outra intenção? A de estabelecer uma nova ordem religiosa, a new religious RIGHT no mundo, usando Bin Laden (ex Cia nas Afghan mountains contra os russos)… Será? Não, estou sendo um Hamletzinho. Agora que o Musharaff nem “está” mais no Paquistão e o marido da Benazir pegou o poder… o que será? Caos total? A ordem é essa?

Para que liberassem um bando de mentiras?

E que construíssem uma CONSTITUIÇÃO paralela, mentirosa, ilegal… Não, não foi para isso que engoli kilos de asbestos, de amianto. Não foi para isso que segurei sapato com um pé dentro ou camisas… Chega!

Palin mudou de igreja, mas, como pergunta Larry King, “o que nós temos a ver com isso?” Por que isso determinaria o futuro do Commander-in-Chief? Desde quando isso é assunto? Agora ela freqüenta outra pentecostal , mais parecida com uma pipeline (oleoduto), a coisa mais cobiçada pelo estado do salmão, dos esquimós e do bacalhau negro!

Ah, a igreja agora é a outra, do outro lado da rua, e os pastores mudam de nome, vão de Tim McGraw até Larry Kroon, mas são todos a favor desse abominarrável Jews for Jesus, Jesus for Cheese, Cheese for Jesus, Jesus for Cristus, I for Isus, Pumpkins for Ravolis, Ricotas for Veal and so on, e assim por diante e com essa CARTA BRANCA se entra em qualquer país, se destrói, se desmonta, se mente em nome do santíssimo. E se sorri marotamente, assim como Madonna (olha o nome, que ironia!) sorria nos balcões da Casa Rosada com um sorriso amarelo quando a população portenha queria expulsá-la porque a sua santíssima Evita Perón havia sido manchada de um sangue impuro, assim como Brunhilde havia sido manchada com o sangue dos planetas e no desmanchar do castelo de Walhalla… E a Sarah Palin ainda vai me pertencer a uma organização obscura????? (sim, ela existe) Que acredita  QUE O MUNDO ESTÁ PERTO DO SEU FIM!!!! E QUE O ALASCA SERÁ O ÚNICO LUGAR SALVO PARA AQUELES QUE ACREDITAM EM JESUS. Caramba! Está uma coisa muito… o que mesmo?

Isso ultrapassou os limites de uma campanha presidencial. Isso aqui virou uma verdadeira AMEAÇA!

Gerald Thomas

Sobrevivente. Contagem regressiva e ainda sofrendo de Post Traumatic Shock Syndrome!

 

(Na edição: O Vampiro de Curitiba)

09/09/2008 – 23:29Enviado por: Tene ChebaGerald Thomas, sinceramente, o Iraque foi uma disponibilidade que não poderia ser dispensada, na minha opinião.Também para mim, foi um consenso político entre os Democratas e Republicanos, não se gasta o PIB do Chile por ano com uma alçada apenas.No meu ponto de vista,(coisa mais antiga, propaganda de ótica, Ponto de Vista, a melhor), o Iraque serviu para três coisas, desmobilizar um estado com tendências muito perigosas, criar uma barreira geográfica para proteger Israel, Arábia Saudita e menores laterais, vizualizar o Irã mais proximamente.Eu não acredito, que com as poderosas ferramentas disponíveis para tomar decisões, o despropósito ocorreu.A Jordânia vendia petróleo iraquiano, furando o bloqueio da ONU, Kofi Anan, este sim, através do seu filho, deitou os cabelos, e depois foi réu confesso.Não sei, alguém teria que alterar aquele absurdo, 5.000 curdos, mais os xiitas, um motivador e tanto. Gostei, só para variar, do seu texto, incrível que seus textos sempre nos desorganiza, ficamos atordoados, as quatro estações, rir, chorar, feliz e triste, perplexos, no parágrafo final, beijamos a lona. Você é demais.

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
24/07/2008 - 11:50

Sociedade dopada por Psicotropicos! Pequenas sociedades Secretas. Todo mundo dopado, dopa-minado!

Pequenas Sociedades Secretas

Me sinto estranho às vezes, ansioso, não sei o que fazer, quero espancar as paredes” – me diz um dos meus vizinhos, ex-editor da revista PRINT, Marty Fox. Com seus 76 anos bem vividos, esse editor e também autor de teatro, é um ser extremamente ansioso.

Marty, por que você não tenta tomar Rivotril ou um outro ‘benzo’ qualquer?” Ele não quer. Não quer saber de Valium ou Frontal, Lexotan ou esses que baixam a bola.

Mas Marty parece ser um caso único.

A sociedade moderna está dopada. Ou dopa-minada. Ou minada por total! Pior que isso: está psicotropicamente congestionada. Quem dera a palavra psico-trópico tivesse sua base aqui nos lindos balneáreos caribenhos ou brasileiros, movimentos tropicalistas, mas não: mais tem a ver com o famoso livro “Tristes Trópicos” de Claude Levi-Strauss, o mais famoso antropólogo do século XX.

Falo de experiência própria: faz uns dois meses encarei uma psiquiatra em Nova York. Tudo bem. Depois de uma hora e meia de “entrevista” ela anotava algumas coisas que eu não considerava de nenhuma relevância:

1- Você tem pânico quando esta no meio de pessoas?

2- Você tem pânico quando está abrindo a porta ao sair de casa?

A vontade era a de bocejar. Tendo passado por verdadeiros mestres Freudianos e Lacanianos e tomando um poderoso Topamax + Rivotril, desde que ví, da minha janela em Brooklyn, a queda do World Trade Center naquele dia trágico (e ainda tendo que trabalhar como ‘voluntário’ no buraco- ground zero – por 21 dias) eu estava um caco, um estilhaço. Quatro dias depois de 11 de setembro eu era o próprio personagem rasgado de Beckett, com suas roupas empoeiradas…..mente em frangalhos!

Bem, voltando a tal entrevista com a tal psiquiatra: saí de lá com uma prescription (receita) de Lexapro. Primeiro eu deveria tomar 5 mg ao dia e subir para 10 mg no décimo dia.

Eu ainda me lembro de ter perguntado sobre efeitos colaterais: “Não, não terás nada. Imagine. Se, por acaso , no início, tiver algum pânico, alguma tremedeira, como muita ansiedade, quebre uma pílula de Rivotril ao meio e tome”, ela me disse.

Estranho porque, entrando no site do Lexapro, dizia-se que o medicamento era usado justamente para combater o pânico e ansiedade!!!

Tomei por 21 dias e chutei o pau da barraca! Não agüentei. Claro que por alguns dias, o mundo ficou LINDO, deu aquela fome de comer ‘fondue’ e traçar todos os queijos suíços, mas e a libido????

Assim como já havia acontecido com o Prozac, a libido foi dar uma caminhada na Sibéria. Ao contrário do Zoloft (que também experimentei por um tempo, mas abandonei porque é como uma sinfonia de Brahms: não se chega ao orgasmo NUNCA!!!!!) o Lexapro é, sim senhor, um tremendo broxante!

Curioso: faz um tempinho, um amigo muitíssimo querido, também analista, me deu um Viagra pra experimentar. Um dia experiementei. Confesso que minha visão ficou tão blurred (embassada) , tão completamente turva, que PERDI a mulher que estava na minha frente. Me deu até um pouco de náusea e… tudo foi pra baixo!

Voltando pros psicos, ou psycos (como a gente chama os loucos nos EUA), a sociedade parece mesmo não se agüentar! Só mesmo se juntando a essas pequenas sociedades secretas é que se descobre que todos os amigos também estão tomando.

Lexapro? Porra, tô com ele e não abro, já faz dois anos” Não foram duas ou três pessoas, foram mais de dez. E quem não falou do Lexapro, falou do Effexor, do Praxil, do Wellbutrin ou sei lá do quê; ESTÁ TODO MUNDO DOPADO, ou melhor, todo mundo “seratoninando” com esses SSRI!!!

Que locura! É mais ou menos como entrar em qualquer outra sociedade secreta! Terreiro de umbanda, por exemplo: caminhos sigilosos pra chegar não sei até onde…e, de repente, chegando lá: generais quatro estrelas, policias, artistas, arquitetos renomados, sorveteiros, políticos, etc. Parece o próprio “O Balcão” de Jean Genet!!!

Isso tudo me remete a uma única coisa!!! Ao meu mestre Samuel Beckett, cada dia mais montado e cada dia mais trivializado! Abro as páginas dos jornais do mundo e, dá-lhe Beckett. Desde os “Dias Felizes”, com a Fiona Shaw, até o Micha Barishnickov, fazendo os Beckett Shorts (Eh Joe) ou Peter Brook, passeando pelo Brasil e pelo mundo com seu pocket Beckett e Ralph Fiennes e Liam Neeson interpetando, entre outras coisas “First Love” (Primeiro Amor), no Lincoln Center Festival.

Gerald Thomas e Samuel Beckett

Foto: Gerald Thomas e Samuel Beckett em Paris, 1984

Ah, que saudades do Lincoln Center Festival! Eu e as Fernandas (Monetenegro e Torres) fazendo o nosso Flash and Crash Days. Eu nem sabia que, aqueles sim, eram dias…felizes. Explico: a enorme empatia entre os textos CINZAS de Beckett com os dias de hoje não são à toa! Uma maneira de sair desse tom cinza é tomando antidepressivo. O outro, é formar , ou fazer parte, como fiz por anos a fio, anos e anos, dessa sociedade (agora nada secreta) de aficcionados por textos de Samuel Beckett, que celebram o eterno lamento do berço até o túmulo (the same old moans and groans from the cradle to the grave).

Encarar a realidade custa caro: com psicotrópicos, mais caro ainda. Talvez, colocar um manto cinza e recitar no palco, dia após dia, “Imaginação Morta, Imagine”, ainda seja a farsa mais holística de encarar a vida de frente, já que sabemos como somos e quão frágeis somos perante a imensidão do desconhecido de nossas próprias mentes.

Gerald Thomas

(na edicao, obrigado: Vampiro de Curitiba)

Autor: gthomas - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , ,
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