18/04/2009 - 13:29


We Won’t Get Fooled Again! (The Who)
Obama propõe “novo começo” a Cuba
Na abertura da Cúpula das Américas, presidente americano prossegue o xadrez de reaproximação com inimigo da Guerra Fria. Como Raúl Castro, ele diz querer diálogo direto, mas não “falar por falar” aos vizinhos. Diz que EUA não podem ser culpados de tudo.
Querem saber? Estou feliz nesse momento. Cuba não representa nada. Uma reaproximação com a Ilha poderá, no máximo, tirar a “tirania” (nossa, que português horrível!) do poder e reestabelecer os mínimos, que sejam, valores democráticos à Havana.
Que seja! Mas não seremos enganados de novo, como berrava, girava com sua guitarra, Pete Townsend em “We Won’t Get Fooled Again”. Aliás, não há nada como os deuses do Rock. Eles nos inspiram até hoje.
Quando leio o mundo de hoje, leio isso: um setor INVESTIGA O OUTRO! Parece um Kafka mal resolvido ou um Orwell mal sentenciado. Todos investigando todos. Aqui em New York temos os escândalos óbvios, mas temos a LUZ de Obama! Kafka pediu que se queimasse sua obra. Graças a Max Brod, seu grande amigo, nós a temos! Orwell reportava da Guerra Civil Espanhola, onde Franco queimava uma Espanha desunida. Chamas! Fogo! Uma era se vai.
Penso como era essa era: eu ia ao Filmore East e via o Hendrix de perto. Lá a única coisa que investigávamos era a genialidade do cara! E a nova era. Qual nova era? Pois. Agora em retrospecto, já que estamos todos mortos (porém felizes), a era de uma superhomem-idade/andróginia e PAZ, sim, a paz. NÃO, NÃO POSSO RIR ENQUANTO DIGITO!!!! Eu via o Cream tocando no Marquee, na Wardour Street e tento não rir. É que Eric Clapton e Jack Bruce e Ginger Baker não se falavam na vida real. Mas éramos todos do “bem” e do “amor” e não queríamos saber que EXISTIA a flor do mal, ou melhor, o MAL, e que CUBA, essa mesma, a da Revolução de Sierra Maestra, era ‘mocked” (satirizada) pela Carnaby Street e pelas lojas aqui da Saint Mark’s Place, nas tirinhas de Jules Feiffer e nas tironas de Crumb! Ah o mundo!!!
Não posso chorar enquanto digito! Eu era aquele que catalogava os mortos, desaparecidos, exilados, mutilados, etc. na Amnesty International em Londres na década de 70, poucos anos depois de ver o Hendrix ao vivo. A Bibba, loja incrível, tinha acabado de fechar as portas na High Street Kensington e “Blow Up” (de Antonioni, com Jimmy Page e Jeff Beck) estava nas telas. Nova era BIPOLAR. Na Bibba o que se mais vendia era uma camiseta com a cara de Che estampada enorme, em autocontraste! E Mao também!
Deixei uma de minhas “ex”, a modelo americana Ellen Kaplan, plantada em Viena e voltei para Londres, arrombei meu próprio carro (teto de lona, era um MG, que eu deixava estacionado no aeroporto de Heathrow) para não perder o show do Led Zeppelin no Earl’s Court Arena.
Foi a maior e melhor coisa que já vi. Nunca nada igual. EVER! Meu olho ficava nas mãos de John Bonham (morto), no ritmo que saía “daquilo”, porque no Rio, quando jovem, eu havia subido a Mangueira e sabia o que era um SAMBA! E como sabia! E meu outro olho ficava na guitarra de Page imaginando o inimaginável, porque em “Kashmir” todas as sinfonias se reuniam, de Beethoven até Cezar Frank. Até mesmo uma Ária de Wagner estava lá. Kashmir ainda é o maior problema entre o Paquistão e a India (ambas nações nucleares, nuclearizadas!) e, digamos assim, a constante “missile crisis” ou em estado de “Bay of Pigs”, da região deles, delas. Entra ano, sai ano, Paquistaneses, independetistas e Indianos brigam por Kashmir. E eu, eu aqui, usando um cachecol de cachemera…. Mas não! Esse é de ovelha escocesa! Sim, na época, todos quebravam suas guitarras, colocavam fogo nelas! (óbvio, nada como o capitalismo dentro da contracultura: haviam outras novinhas lá atrás). Ah, o mundo!!! As vacas sagradas da India e as vacas abatidas em Cuba! O fazendeiro que mais abatia vacas em Cuba era capa do jornal cubano que quase provocou o love affair entre Nikita Khrushchev e Kennedy, lembram? Sapatos histéricos na ONU e tudo? Éramos ou tentavamos ser vegetarianos (comiamos carne escodidos uns dos outros nos subsolos ou nos porões da contracultura: ou seja, oito andares abaixo no nivel da terra: fundo demais até para poder respirar, éramos nós e os ratos).
E agora? E AGORA? Depois de Hendrix, Zeppelin, Who, Cream… essas bandinhas de merda DE HOJE usam a mesma cozinha, a mesma merda reciclada. Não é à toa que se ouve mais Rolling Stones que nunca, mais… ah não, deixa! Um dia o Sting falou assing (com g no final mesmo, porque tudo que ele diz tem g no fim): “Lennon was nothing. Ringo was everything. Pay attention to the Beat”. Era tudo rubbish. Sting só fala bobagem, assim como eu. Mas o Police era o máximo! Não, não era não! Não era nada, comparado às bandas de antes! Música e Política. Alquimia e Religião (Carl Jung), Pintura e Revolução (Barthes, que nada), podemos juntar as partes de um quebra-cabeça de um Guatary que nunca houve ou qualquer tratado surrealista de Breton: nada será como antes: A LUZ de OBAMA ! Estamos vendo o desempenho de um novo PRESIDENTE.
QUE LOUCURA ESSES PRIMEIROS CEM DIAS!!!! O animado xadrez político-diplomático que virou a distensão das relações entre EUA e Cuba, congeladas por quase meio século, ganhou lances decisivos nas últimas horas e dominou a abertura da 5ª Cúpula das Américas, ontem em Trinidad e Tobago. Em discurso na abertura da cerimônia, Barack Obama disse que os Estados Unidos buscavam “um novo começo” com Cuba.
“Eu sei que há uma longa jornada que precisa ser percorrida para ultrapassar décadas de desconfiança, mas há passos críticos que nós podemos tomar em direção a um novo dia”, afirmou. “Eu já mudei políticas em relação a Cuba que fracassaram em avançar a liberdade do povo cubano”, continuou, referindo-se à recente decisão de liberar viagens, remessa de dinheiro e comunicações entre cubano-americanos e seus parentes na ilha caribenha.
Em resposta à declaração da véspera, de Raúl Castro, que se disse disposto a conversar sobre “tudo” com os EUA, ele afirmou: “Deixe-me ser claro: não estou interessado em falar apenas por falar. Mas eu acredito que nós podemos levar a relação entre EUA e Cuba para uma nova direção.”
Sênior e júnior
Não há mesmo! Somos todos juniors. Ou então, estamos mortos. Se não estamos ABERTOS PARA MUDANÇAS, melhor nos considerarmos mortos.
Viva Obama, por ter a coragem de abrir novas fronteiras e quebrar paradigmas retóricos! Afinal, Cuba em si, nada significa além do nada. Quanto às bandas de rock, estamos ávidos – assim como em todas as outras artes – para termos um BARACK OBAMA DO ROCK!!!!!
Gerald Thomas
Ps.: Quero agradecer imensamente aos mais de 800 comentários do post anterior!
(O Vampiro de Curitiba na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: "Kashmir", Beethoven, Cezar Frank, Cuba, Cúpula das Américas, Fidel Castro, George Orwell, Havana, John Bonham, Kafka, Led Zeppelin, Mangueira, Obama, Pete Townsend, política internacional, Raul Castro, Rock, The Who, Viena, Wagner
06/11/2008 - 03:52
Enfim, a realidade:
New York – Fico pasmo como alguns ainda tentam relutar a realidade. Não sei bem contra o que lutam, sinceramente.
Mas isso é papo para outra hora e em consultório. Em dias mais tranqüilos, volto a tocar nesse assunto, porque se formos levar até às últimas conseqüências o raciocínio lógico de algumas equações, não conseguiríamos nunca estacionar um automóvel, por exemplo, ou exercer o ato de aplaudir, ovacionar. Muitos diriam que a vaga é um pouco pequena demais ou que o carro é grande demais ou que os urros que soltamos quando estamos emocionados não passam de emoções primitivas. Pois.
Bolsas de valores nem sempre reagem no dia seguinte a uma eleição, e isso também é um fato histórico, assim como ter vasta experiência em “governar” pode provar péssimos vícios em cidades como Washington DC. Então, por que tanta pressa em julgar o nosso novo presidente?
Bem, nenhum jornal do mundo conseguiu, exceto um: o New York Times: a capa de ontem, logo abaixo do logo dizia somente:
OBAMA
Pra que dizer mais? O Wall Street Journal, assim como todos os outros, elaboraram manchetes, quebraram a cabeça mas… como se diz aqui, o headline, de costa a costa, no centro da página… OBAMA… era magnífico!
Criticamos uma obra de arte ou um candidato pela sua postura e oratória ou porque não entendemos ele ou ela, a obra de arte. Criticamos um presidente eleito pelo slogan que ele escolheu depois de eleito, como se isso fosse novidade na história. Devo aqui traduzir o que todos os maiores estadistas usaram como slogan para suas campanhas? Me poupem! Devo fazer aqui uma lista de todos aqueles que levaram porrada logo de cara por não serem entendidos, mesmo sem conseguirem se provar, como diria Chesterton?
Na arte a regra pode até ser não facilitar o entendimento para o público. Na política ocorre justamente o contrário e Barack Obama (para o desespero de uns poucos) conseguiu essa conexão desde o início. Ou seja, facilitou o entendimento do que quis passar. Mesmo não sendo explícito sobre o seu plano como governante, passou a sua imagem. E imagem, como todos viram…
A língua de McCain ficou embaralhada. A de Obama, no mínimo, bem-feita, educadíssima. No máximo, emocionante. Como? Culpar o povo por se emocionar? Como? Eu ouvi direito? Culpar o povo do mundo INTEIRO por se emocionar com a vitória AVASSALADORA de um cara que surgiu do nada, de um “escurinho” (como vocês gostam de dizer), num pais RACISTA (como vocês adoram nos acusar!) depois de OITO anos de ódio pelo mundo afora… (é assim que o mundo nos enxerga). Ah… give us a break! Estamos livres. Livres, no melhor sentido da frase famosa de Dr. Martin Luther King.
Mas nem todos são santos. Jesse Jackson não estava aos prantos por emoção. Ou pelo menos não por emoção somente. Eu me lembro e Obama se lembra do que o reverendo da Rainbow Coalition e do affirmative action falou a respeito dele: aquelas lágrimas ao lado da Oprah (essa sim, essa sem dúvidas. Ela “lançou” Obama!), tinham algo de crocodilo!
Os críticos de Obama ainda pecam por se perderem na analogia das imagens, que não tem começo, meio e fim.
Prezam a lógica e, no entanto, se perdem nela.
Sabem por quê? Porque algumas coisas simplesmente não se explicam pela lógica e sim através da emoção. Sim, sou de teatro e sei muito bem que uma cena pode estar logicamente montada (isto quer dizer, aristotelicamente, com começo, meio e fim), e não surtir nenhum efeito.
No entanto, uma ária de Wagner, um trecho de uma sinfonia de Mahler não precisam de lógica alguma, ao contrário. Chegam a ser bestiais. Brutalmente ilógicas e… justamente nesse momento soltamos o que temos de melhor! Aha! Soltamos aquele pingo de “razão trancada”, aquela razão que esta travada ali e que faz com que os tituleiros de jornal ficassem horas e horas e horas e não conseguissem orgasmificar num simples golpe: uma simples manchete. Um raciocínio simples. Dramaturgia simples e pura, sem artificios, sem sabores ou adoçantes.
Política da paixão pode ser perigosa em paises subdesenvolvidos (ou em desenvolvimento), onde existem grandes esquemas de corrupção, certo. O tema é livre e as novelas, digo, os fatos, estão aí. Mas aqui a coisa já é um pouco diferente. Obama é o nosso novo presidente. Conversei o dia inteiro com as mais diversas pessoas possíveis aqui em NY e pelo país: foram unânimes. Por que não podemos nos dar o luxo de ENJOY, de degustar esse que acabamos de escolher?
Justamente. ENJOY Mr. Obama! And please feel very WELCOME Sir!!!! Very welcome!
Gerald Thomas
(O Vampiro de Curitiba na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: comemoração, emoção, Gerald Thomas, Jesse Jackson, McCain, New York Times, Obama, Oprah, realidade, teatro, vitória, Wagner, Wall Street Journal, Washington D.C.
22/06/2008 - 00:21
New York – Meus queridos: não posso deixar de dizer que é um pouco estranho mudar de casa, ou de host. Em princípio nada muda, já que é uma só tela, essa, a do computador. Mas vivemos num “nonsense surround system”, ou seja, o que nos importa, nos dia de hoje, somos nós mesmos, os dias do i-isso, iPod, iPhone, I-não pode, e meus vizinhos aqui no i-G…sei não! Sei não! Sei SIM. Caio Tulio é meu amigo e mestre desde 1853 quando Richard Wagner compunha o Anel dos Nibelungos e resolveu fazer uma pausinha pra compor (a pedidos de Dom Pedro II), o Tristão e Isolda (pago com dinheiro brasileiro pra inaugurar o Theatro Municipal do Rio de Janeiro: infelizmente o Municipal só veio a abrir as portas em 1908). Enfim, estamos nessa era em que tanto se monta NO Beckett (que escreveu EU NÃO) “not I”, que se esquecem um pouco da essência e do conteúdo de sua escrita.
Venho escrevendo em Blog há mais de quatro anos. Recebendo e ouvindo e lendo comentarios, os mais incríveis e os mais diversos, elogios e insultos de admiradores até detratores, assim como é no teatro.
É. Assim como é no teatro. Aliás, quando comecei com essa coisa de Blog, ninguém sabia muito bem o que era. Hoje, tem mais blog no mundo do que gente! Eu mesmo, confesso, não tenho saco pra ler, digo, outros blogs. Tem que ser MUITO MUITO exótico mesmo pra chamar minha atenção! Ou seja, leio o mínimo necessário porque está provado que blog, jornal, mídia em geral faz mal a saúde. Deveria ser tudo interditado pelo Ministério da Saúde. Êpa! O que foi que eu disse? Ministério? RETIRO!!!!
Odeio governos! Não. Também não é verdade. “Sou” pelo Obama aqui nos US, mas não gosto aí do Sr. Lula da Silva, e sei que isso – aqui no IG – cairá mal. Bem, vocês me contrataram, então terão que conviver com essa ovelha negra aqui dentro: vai ser duro ser “companheiro” de página de Zé Dirceu. Já tive pesadelos a esse respeito. Confesso que tive. Ao mesmo tempo, cheguei a um ponto de cinismo onde já não acredito mesmo em que a “arte” ou opnião possa mais fazer a menor diferença (como um dia já fez: exemplo, Bertold Brecht, Living Theater, enfim, a arte da “demonstração” da “agitprop”, panfletagem, aquela que saía da “clausura” da bilheteria e realmente ia pras ruas reclamar ou clamar sua liberdade ou a liberdade de alguma coisa: sim, Sartre se foi e a Simone também.
” Fail. Fail again. Fail better.”
“Falhar. Falhar de novo. Falhar melhor”
Samuel Beckett.
O tempo passa e os escritos desse homem (na frente do qual tive o privilégio de sentar algumas vezes) ficam cada vez melhores e mais “wise” , mais …. (”Oh palavras que me faltam” última frase da ópera “Moisés e Arão” de Arnold Schoenberg” que dirigi em 98 na Áustria….tão vendo? Não olho pra trás, não reviso meus textos, vou escrevendo assim como vou dirigindo meus atores, sejam eles brasileiros, sejam eles da Baviera, sejam eles dinamarqueses ou daqui, do East Village ou de….. (pausa pra uma lágrima cair)… Londres….onde meu coração ficou…de onde meus pés, na verdade, nunca saíram, ou melhor, a minha alma nunca saiu. O resto é uma miragem, deve ser. Esse que perambula por aí é esse “Nowhere Man” (peça que escrevi pra Luis Damasceno em 1996), e que finge estar em casa no Rio, em Sampa, aqui em NY, ou em qualquer lugar do mundo mas não está.
- Onde estou? No lugar perfeito. No lugar virtual. Nessa coisa que, um dia, um vírus vai comer, “nhac”, e pronto! Estaremos de volta a estaca zero: papel e lápis.
Seremos obrigados a ler Kafka de novo. Nao poderemos mais entrar no “google” e fingir que sabemos tudo sobre todos. Teremos que sair pra comprar um livro todo amarelado de Joyce, ou de Guimarães Rosa, ou de Shakespeare, ou mesmo de Harold Bloom sobre Shakespeare ou do Haroldo de Campos sobre Joyce porque….Por que? Porque no fundo estamos perdendo nossa identidade. Sim, com esse “evento global” com esse information overload, esse excesso de informação, acabamos nao entendendo muito de nada ou nada de nada mesmo e “nhac”.
Muito de nada. Nada de nada. Assim como Beckett que usava seis palavras e sobravam quatro. Ou Heiner Müeller que usava mais de três mil palavras num jorro hemorrágico, mas no final, também só sobravam quatro.
Sejam super-bem vindos a esse novo blog. Teremos colaboradores. Estarei, como sempre estive, escrevendo, berrando, de tudo quanto é canto do mundo. Ainda estou estranhando um pouco o layout mas….. Nada que uma breve clicada de olhos ou um breve trocar de lágrimas não obrigue a vista a se acostumar.
Espero, sinceramente, não decepcioná-los. Mas, se for o caso: uma bela vaia também é bem vinda
LOVE
Gerald
Autor: gthomas - Categoria(s): Apresentação
Tags: Beckett, Bertold Brecht, blogs, Brasil, East Village, EUA, Guimarães Rosa, Harold Bloom, Haroldo de Campos, Heiner Müller, IPhone, IPod, James Joyce, Kafka, Living Teather, Luis Damasceno, Lula, Obama, Ópera, Política, Shakespeare, teatro, Tristão e Isolda, Wagner
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