22/04/2009 - 15:43
Tortura sob Bush
New York- Não será fácil escrever esse post, já que me comove, emociona essa questão da tortura. Por seis anos da minha vida fui militante (eram 24 horas por dia, não se dormia) na Amnesty International, em Londres. Naquele Secretariado Internacional, na sede, eu convivia com todas as atrocidades, notícias, mutilações, assassinatos vindos de todas as partes do mundo. Meu trabalho era fazer contato com prisioneiros, advogados, exilados, parentes de desaparecidos nos porões, nos cárceres, etc.. Foi duro. Hoje, então, começa um longo processo de (espero) desmantelamento de uma máquina que espalhou pelo mundo uma técnica que causou tanto mal.
Existem os terroristas. Quero que morram! Mas eles não são “o” governo. Agem por conta própria e merecem o castigo ou o punishment apropriado! Não há nada pior do que quando um governo se rebaixa ao nível de uma organização terrorista e age como tal.
Começa o processo de denúncia contra o ex-presidente. Já nos primeiros CEM dias de Obama na presidência, uma “espécie” de revolução se torna visível. Viva!
Então, é isso: o Presidente Obama abre caminho para ações judiciais contra os torturadores: ou contra aqueles que praticavam “técnicas duras de interrogatório” do governo passado! Ah! Vamos ver quem vai surgir desse porão de sujeiras!!!
Obama disse ontem, numa coletiva em todas as redes, que apoiaria uma comissão de investigação bipartidária. Mas é óbvio que os Republicanos estão com o cu na mão! O diretor da C.I.A. escreveu que tortura levou a “informações valiosas”. Que loucura! Eu, que fui militante, por seis anos, na Amnesty International, em Londres, na década de 70, leio tudo isso meio que… de boca aberta. TORTURA NUNCA MAIS!
E NO ENTANTO… ainda se tortura e… aqui, debaixo do meu nariz. Sim, óbvio! Todos vimos as fotos de Abu Ghraib e Guantánamo e não sei quantas outras bases. Aqui perto de onde escrevo, em Riker’s Island, ou Sing Sing (prisões de New York), é comum ouvir-se que um “lock down” (prisioneiros são “recolhidos” de repente), significa que um ou dois são levados a “celas especiais” e de lá vão pra salas médicas.
(Enquanto escrevo, passa aqui no East River um enorme barco da Coast Guard… hmmm… será que serei o próximo?)
UMA declaração de amor à ROLHA!
Imaginem a vida de uma pobre rolha. Ela segura ali um belo vinho (digamos um Barolo ou um Tignanello ou um Brunello de Montalcino) por anos e anos e mais anos. Eis que de repente alguém vai – CRUELMENTE – e enfia-lhe aquele saca-rolha, pontudo, afiado, aquela coisa de metal encaracolada, penetrante, e… vupt! Como se num golpe entre o vácuo e o gozo, a rolha se foi! Semi-destruída e homeless, ela nada vale. Toda a atenção está no vinho. Sim, decantar o vinho!
E 98 por cento das rolhas vão pro lixo! Apodrecem, sofridas, amputadas, meio putas, Gregor Samsas que são, irão ao encontro de baratas e outros bichos! Sim, tiveram o privilégio de segurarem UM LITRO do mais caro e delicioso vinho por uma década. Agora estão fora da militância. Estão no lixo! TORTURA! E tortura que termina em MORTE.
Obama abriu caminho ontem para processos contra autoridades do governo Bush que criaram o marco legal para torturar suspeitos de terrorismo em interrogatórios. Nosso presidente disse que os EUA perderam “o patamar moral” com o emprego de táticas como simulação de afogamento (waterboarding) e “outros”, como sleep deprivation (material de comédia pro programa do David Letterman de ontem, que disse ter o mesmo problema, o de não conseguir dormir), que eram chamadas de “técnicas duras de interrogatório” pelo governo anterior.
O comentário de Obama foi feito um dia após reiterar, na sede da CIA – onde foi ovacionado – que os funcionários da agência envolvidos nos abusos não serão punidos por isso. Pena! Mas em qual país algum torturador já foi punido? Me digam. Me contem. Nem a PIDE em Portugal… (bem, esqueçam Portugal porque ela não existe), mas Argentina, Chile, Espanha, etc. Alguém da Stasi foi punido? Até Werner Von Braun foi pra Nasa ao invés do cárcere!!!! Aliás, foi por causa de Von Braun que colocamos o PÉ na Lua!!! “Quem tem os melhores nazistas? Os russos ou os americanos?” – Tom Wolfe, em “The Right Stuff”
CIA, tortura e América Latina
Phillip Agee, “Diários da CIA”: Quem ainda não leu, leia. É, no mínimo, interessante. E quem não sabe do envolvimento ou do TAMANHO DO GRAU DE ENVOLVIMENTO entre os engenheiros da tortura (CIA) e como ensinavam aos militares sulamericanos nos anos da ditadura do Cone Sul, investiguem e se informem.
Nos DOI-CODI’s, nas Oban’s, nos DOPS, etc. houve muita criatividade, como o pau de arara, por exemplo.
Mas para mim é doloroso entrar nesse assunto, por motivos óbvios.
Ontem, Obama deixou a cargo do secretário da Justiça, Eric Holder, avaliar se os mentores dos interrogatórios com tortura devem ser processados. Holder agirá “dentro dos parâmetros de inúmeras leis e eu não pretendo prejulgar isso”, disse.
Ele declarou também que apoiaria uma investigação parlamentar bipartidária do programa de detenção de suspeitos de terrorismo da era Bush. A porta aberta ontem por Obama aparentemente contrariou a declaração de seu chefe de gabinete (equivalente no Brasil a ministro-chefe da Casa Civil), Rahm Emanuel, que dissera, no domingo, que o governo não apoia processos contra “os que planejaram a política”.
Assessores da Casa Branca depois informaram que ele tinha se referido aos superiores da C.I.A. e não às autoridades do Departamento da Justiça, autoras dos memorandos que os autorizavam.
Ontem o “New York Times” revelou que o diretor da C.I.A., Dennis Blair, escreveu um memorando a seus funcionários, também na quinta passada, no qual diz que as técnicas agora banidas forneceram “informações valiosas”. Na versão distribuída à imprensa não havia esse trecho e a agência disse que o documento passou por processo normal de edição.
A revelação deve munir as críticas de políticos republicanos e ex-funcionários, como o ex-diretor da C.I.A. Michael Hayden, que alegam que a revelação dos memorandos compromete a segurança nacional.
O ex-vice-presidente Dick Cheney (esse merda!), já havia pedido a divulgação de documentos que provariam que os órgãos de inteligência obtiveram dados importantes nos interrogatórios em que houve prática de tortura.
A revisão da política de combate ao terror de Bush representa um enorme problema para Obama. Mas o fato é que Obama mostra uma enorme coragem em querer desmantelar essa máquina do mal, essa merdalha que levantou o lado RUIM desse país maravilhoso, mas que também teve o Macartismo e manteve uma guerra fria (parcialmente por inabilidade e arrogância de seus líderes em dar uma surra nos outros do lado de lá, que nada tinham a não ser um medíocre programa aeroespacial. Arrghhhg! O MURO, o PACTO de Varsóvia, quantas VIDAS perdidas em nome do QUÊ? E tantos ismos e xismos! PRONTO. BASTA, entramos numa nova era!
BRAVO MR. PRESIDENT!
Gerald Thomas (autor e diretor de teatro e militante na Amnesty International em Londres na década de 70, por seis anos)
Agradeço aos mais de 600 comentários do post anterior.
Esclarecimento do leitor José Pacheco:
“Cada dia fico mais encantado por teus enviados.
Não etive nem estou cagado.
O mal eu conheço pois em Belmonte devido um caldo de sururú tanto obrei que quase me torno especializado.Foi terrivel. Bactéria brava e tinhosa.Um dia contarei em detalhes.Deste mal que fui atacado e por ter sido salvo pelo Doutor Luiz Brun daquela cidade é que tenho hoje um dos meus melhres amigos.Ele é o dono da Clinica Anacleto de Paula.Um atual Robin Hood dos tempos modernos.Cobra um a mais de quem pode e ajuda os que nada tem.E como ajuda!Com ele aprendi que uma simples visita e uma palavra de carinho a doentes hospitalizados é um bem tão grande que ajuda até na recuperação do doente.E tenho feito o que posso neste sentido.
Fique tranquila porque a caganeira não passou de um mal entendido.
Isto acontece .No frigir dos ovos lucrei ao perceber que eu existo.
E cagar todos cagamos.
Abaços.
Ou melhor.
Jose Pacheco”
(Vamp na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: Abu Ghraib, américa latina, Amnesty International, Bush, Cem dias de Governo Obama, DOI-CODI, DOPS, Guantânamo, Londres, New York, Obama, Phillip Agee, Sing Sing, terrorismo, Tom Wolfe, tortura, Von Braun
01/10/2008 - 07:51
Miami- South Beach
Depois de dias com um post aqui em baixo, que atingiu mais de seis mil hits, sobre pedófilos, me senti na obrigação de relatar um pouco do que tenho assistido numa conferência que aborda assuntos como exilados, desterrados, aqueles que buscam trabalho porque se sentem reféns em seus próprios países. Sei, pela minha família, o que é isso. Digo, ser refém.
Bem, esse assunto também não é exatamente novo para mim, não. Na década de 70 eu trabalhava como voluntário no Secretariado Internacional da Amnesty International em Londres, a favor dos presos políticos, exilados, torturados, desaparecidos, etc., no Brasil. Eram 24 horas sobre 24 horas de trabalho. Trabalhávamos com telex! Urgent Action! Os telegramas para que as torturas sobre A, B ou C cessassem tinham que estar na mesa do Almirante Helio Leite ou Julio de Sá Bierrenbach no Superior Tribunal Militar, em Brasília, em questão de horas e… assinados por chefes de Estados de democracias cristãs européias ou monarquistas! Bem, não vou aqui repetir essa história. Quem sabe, sabe, e quem não sabe, não precisa!
Nunca acreditei que o Estado devesse ter/pudesse ter qualquer tipo de PODER sobre o cidadão! Por que isso? Porque metade da minha família virou carvão em Auschwitz justamente por causa de ABUSO de poder!
Mas, de volta á essa conferência: haitianos, cubanos, mexicanos que cavam túneis ou são trazidos pelos coyotes, ou hondurenhos e mesmo paquistaneses que nada têm a ver com a Al Qaeda, mas tentam a entrada pela costa da Flórida ou Louisiana (via Jamaica ou Trinidad) depositam todas as suas vidas e esperanças para poder entrar aqui. São pessoas ou famílias inteiras que se arriscam a barquinho (aquilo com que brinco nas BlogNovelas e agora estou completamente arrasado pois os vi de frente) e que, às vezes, são interceptados pela Coast Guard Americana e mandados de volta para os tubarões.
Como o Gustavo, um peruano. Uma vez aqui dentro, trabalha como carregador de navios de turistas, como a Carneval Cruises. Não está legalizado e leva insultos de pessoas nessa cidade onde é permitido andar de moto sem capacete. Por que os insultos? Porque não fala uma palavra de inglês. “Mas tudo bem”, digo eu.
“Ninguém em Miami fala inglês: espanhol é a língua oficial”. “No, boss! Los grandes hablan en russingles!”
Ah…
Miami onde tudo é possível. Onde o “concierge” do hotel consegue tudo. Entendem? TUDO (deixem suas fantasias irem longe e os dólares voarem)! Miami, aonde a crise da Wall Street não chegou e onde a Collins Avenue ou a Lincoln Road são povoadas por tijuanos e dependem do serviço de imigrantes ilegais, esse assunto ainda é, continua sendo, o mais controverso.
McCain é, há mais de duas décadas, o senador do estado do Arizona. Quando estive em Tucson, conversei com os motoristas de táxi que vão para caça à noite com night vision. Cada cabeça trazida lhes vale 100 dólares. “Mas não é pelo dinheiro”, brincava um (enquanto eu, entre o espanto e quase lágrimas, me encolhia no assento de seu táxi). “É pelo esporte mesmo!”.
Ontem eu estava numa tal depressão, mas tal depressão que recebi esse e-mail do meu fiel e real amigo, um verdadeiro psicanalista, João Carlos do Espírito Santo. Acho que o conteúdo do e-mail diz tudo. Sobre o meu estado após a convenção, lhe escrevi e ele respondeu:
“… Este era meu medo ao sabê-lo ouvindo os depoimentos: os ecos que despertariam.
Sim! O desejo de quem minimamente está vivo, é este, anular-se ou explodir toda esta perversão diária. Quando pensamos que chegamos ao final do poço, descobrimos que tem mais um pouco, que alguém escavou mais. Só não tem escada para subir, sair do que os cínicos aprofundam sentados em suas indiferenças, em suas armadilhas em que a palavra dissociou-se da coisa, da referência, e foi à deriva do mau-caratismo.
Sim Gerald e não há sequer consolo pensar que isso está circunscrito a países periféricos, esta é a tônica da contemporaneidade: A ABJETA, sórdida relação com toda a alteridade.
Esta é a herança dos nossos tempos, de nossos territórios: deturpação, esvaziamento da ética, implosão da moral em discurso pervertido, em bestialogias diárias, em sórdidos sorrisos chamados mercados. Reduzem-nos a isso, mercadoria para troca ou para o descarte, o refugo, o lixo.
Mas, previne-te, que nestes ataques intensos às sensibilidades reside o maior ardil, Derrubam, se nos vencem, os últimos resistentes, os que colocam o dedo na ferida, os que nomeiam o que eles negam. Sobrevivemos para ver campos de concentração sem muros, para viver torpor social, ausência de solidariedade. Atravessamos o século XX para entregar, jogar a toalha? De jeito nenhum, vamos a resistência, pois o silêncio é o que esperam para enfim, arquitetar a destruição final. Aqui vale recordar os mortos – todos os que valem a pena prantear – e elevar-se a condição superior do anacrônico e dizes:
NÃO!
NÃO! AINDA NÃO CHEGAMOS AO FINAL, SE SOMOS PONTO É PARA INÍCIO DE PARÁGRAFO.
NÃO! Um seco não, um claro e inequívoco não em nome do SIM, que dás a tantos anos, que teimo em resgatar em meus pacientes, pois do contrário, cederemos às cinzas, ruiremos em nossas vidas com o que ainda espera, com o horizonte do viável.
Recobra-te, em silêncio chora o que está, mas não te renda ao que querem que seja.
Só há um caminho: SEGUIR SEMPRE!
Se ainda houver tempo hoje, responda-me, pois sinto os estragos do dia de hoje em seu mais íntimo ser.
Um grande, solidário, triste e querido abraço.”
João Carlos
Sim, seguindo em frente sempre! Às vezes me pergunto…
COMO?
Gerald Thomas
Ainda em Setembro, último dia do mês, 2008.
(O Vampiro de Curitiba, na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
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13/08/2008 - 00:12
Um som estranho me acorda. Não, não é um som e sim um sonho. Sonho que meu pai está em pé em frente a um muro abrindo um papel e, de frente ao muro, aos berros: “PAREM COM A TORTURA ! ! !”
Acordo num estado lamentável e agitado. Meu pai berrando aquilo? Algo sobre a tortura? Logo ele?
Sim, ele não viveu para ver o Muro cair. Não viveu para ver aquele Muro que dividiu a sua Berlin ao meio, ou melhor, que cortava sua Berlin ao meio, como se fosse uma faca, cravando um sinal de um médico legista num corpo morto. Morto pôrra nenhuma! Uma cidade viva com milhões de habitantes divididos por….
Sim, divididos porque partidos políticos, digo, homens políticos, digo, seres da política, sentaram em volta da mesa e decidiram: “Vamos serrar Berlin ao meio: os Russos ficam com essa parte e os ingleses, franceses e americanos com essa aqui!”
Corte!
O Federal Bureau of Investigation (FBI), o NIS e o Homeland Security divulgaram uma nota dizendo que o número de imigrantes ilegais nos Estados Unidos estava ultrapassando os 24 milhões. Isso agora, no mês de julho.
No passado muitos chegaram a Ellis Island porque não tiveram alternativa: seus países foram bombardeados, invadidos, currados pela limpeza étnica. Ou tiveram um levante “moral e cívico” ou político.
O que vem a ser isso? O que vem a ser um partido político?
Para mim, a última pedra e/ou partido caiu junto com o MURO depois que a pessoa de número 150 MIL foi assassinada por tentar fugir da DDR (ex-Alemanha Oriental).
Pergunta: por que os regimes ditos “paraísos do proletariado” MATAM aqueles que querem escapar (Coréia do Norte, a ex-”cortina de ferro”, etc….) enquanto as chamadas democracias “neo-liberais” não se importam se alguém, por acaso, se muda pra putaquepariu?
Pra que o exercício da forca (com cedilha e sem) até hoje?
Ideologia é uma coisa tão linda, não é? Mas a sua prática mata. Simples!
O anti-americanismo é lindo, tudo bem. Deve-se ser o que quiser. O engraçado é que na primeira oportunidade possível estão TODOS aqui: o ORIENTE MÉDIO INTEIRO aqui; a AMÉRICA LATINA inteira aqui. Todos lambendo o chão de Tio Sam… E estão aqui falando asneiras: “Eu?Jamais disse isso! A América é maravilhosa! Olha só como existe a liberrrrdade, meu! Porra!”
Partido político: um bando de gente seguindo UM. Ou dois. Segue-se um estatuto. Sai-se com uma “resolução” para uma “revolução”, mas raramente se faz alguma coisa. Prática? Dá muito trabalho! O negócio mesmo são as reuniões! Muito mais engraçado é ficar latindo jargões de esquerda, direita, as velhas, digo, VELHAS FÓRMULAS, que dividiram a cidade do meu pai em duas: e daí?
Olho o time olímpico americano, dito americano.
Olhem só, prestem atenção em seus estranhos no ninho, como eu. Antes de observarem qualquer coisa, o que vocês enxergam?
Ah, perceberam, não é? Um deles tem um sobrenome eslavo, não é? Deve ser filho de imigrantes RUSSOS. O outro é filho de romenos e o terceiro é filho de paquistaneses. E para que a ficha caia por inteiro: o quarto AMERICANO é um CHINÊS (de volta à própria pátria de onde seus pais FUGIRAM). Que tamanha ironia! Filho de chineses que vieram para cá num porão de navio porque não agüentaram a pressão, a opressão, a repressão daquela menstruação! Mas quem nota isso?
Para aqueles que latem “TIO SAM está no fim (já está no fim há 50 anos), o IMPÉRIO AMERICANO está despencando”. Querem saber o que mais? De onde vem a sua atitude ou postura? De onde aprenderam ou apreenderam aquilo que berram? E o ódio que nutre o leite negro de Paul Celan e a frustração que projetam? Onde nasce tudo isso? No grande ABC paulista? E se as multinacionais NÃO estivessem lá pagando os MÍSEROS salários? Como seria LINDO você, Brasil! Estaria melhor, como a Albânia de Enver Hodjia?
Sem a Johnson and Johnson vocês certamente seriam mais felizes, não? Claro que sim!
Triste ver meu pai diante do Muro, pois ele jamais pôde supor que 5 anos após a sua morte aquilo tudo viria abaixo. É Papi, políticos são assim! Ninguém respeita ninguém! Nem Bush nem Stalin, nem Putin ou os filhos da Putin. Um dia é lei seca, outro dia liberam a bebida. E tudo porque aqueles que GOSTAM de ter PODER e usar o CHAPÉU não têm uma ideologia “per se”: o que está em jogo ali é poder mandar e DESMANDAR. E bota Krap – to –nita nisso!
Chama-se de “ECOssistema da degradação”!
Kim Lee, aqui da esquina, um verdureiro, escapou da Coréia do Norte. Tem uma venda que fica aberta 24 horas. Assim como eu, ele também sonha à noite e também tem pesadelos.
“Como vai, Kim?”
“Vou bem! Passei mais um dia na terra que fui orientado a odiar e… a cada dia a amo mais!”
Nessa confusão chamada “terra de imigrantes” uma coisa é certa: aqui rola a prática. Práxis. Como em sexo, imagine ficar somente na punheta a vida inteira imaginando. Que horror seria! Agora, imagina um grupo de pessoas que, a partir da prática da punheta, decretassem as leis restringindo TUDO para aqueles que ainda tivessem alguma chance de praticar o sexo!
E essa é uma das coisas que os teóricos retardados dos livros das ideologias falidas não possuem. Berrem! Berrem mesmo! Usem o gargalo, já que mais vocês não têm!
Mas pode parar de berrar, papai. O Muro de Berlin caiu. A tortura… continua! Ela é intrínsica à raça humana. Está embutida em nossa (in)consciência.
Gerald Thomas
(Vamp na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
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