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01/03/2009 - 10:42

Gisele e Brady casados e felizes para sempre!

New York – Senhoras e senhores: É verdade. E igualmente chocante: Gisele Bundchen, sem dúvida a maior personalidade internacional de origem brasileira, está casada. 

 

Casou-se com o futebolista (futebol americano) Tom Brady. Segunda-feira passada os dois ainda estavam no Rio assistindo ao Carnaval (hospedados no Copacabana Palace) e na quinta, casados em Santa Monica, Los Angeles, California.

 

Ela, com 28 anos, é trilhionária, estava vestida com um vestido azul escuro (a cor do universo) daqueles bem justinhos, brilhantes e longos. Aliás, não estou acreditando nessa coluna que estou escrevendo. Alguém deve estar escrevendo por mim!!!! Ah, sim, não faltaram rosas de cetim. Por que de cetim? Sei lá. Deve haver uma explicação porque elas devam ser de cetim. Conceito da Dolce & Gabbana (que rima bem com Copacabana!).

 

Tudo aconteceu antes do pôr do sol. Tudo. Mas tudo o quê? Ah, sim, o casamento. Tom Brady? Quem sabe sobre esportes, mesmo no Brasil (onde não se joga esse esporte) deve saber tudo sobre ele, já que agora está casado com a diva angelical do sul brasileiro, vinda do filme “The girls from Brazil” (não, não, aquilo era “The boys from Brazil”, com Lawrence Olivier).

 

Ah, sabem o que mais???? A supermodel brasileira, 28,  mais o atleta americano (do New England Patriots, com 31 aninhos), juntaram uns amigos na casinha em Brentwood, festinha Íntima. Pouca gente. Meio triste. Tanta coisa para celebrar. Mas e nós com isso? Poxa! Nada. Nós nada temos a ver com isso.

 

Me confesso frustrado. Eu torcia pelo casal Leonardo di Caprio e ela, a Bundchen. Mas, mais uma vez, o que nós temos a ver com isso? NADA. Temos um enorme fascínio com ícones. Aprendi muito quando dirigi a Tonia Carreiro e outras beldades há décadas atrás. Me lembro do que elas ou eles diziam sobre o ‘appeal’ meio doentio que o público sente quando se senta no assento deles e ‘sente’ por eles, através deles. Quer ser aquilo que eles são. Strange! Com o Reinaldo Gianechini não foi diferente. Alguns de meus casamentos com (…..) e com (….) também foram assim. Não revelo coisas pessoais e portanto acho estranho estar escrevendo sobre a Bundchen.

 

Semana passada eu estava editando a peça “Príncipe de Copacabana” que escrevi e dirigi com o Gianechini em 2000. Me lembro da loucura!!!! Coloquem loucura nisso! Digo, por parte da platéia.

 

John Lennon foi morto por Mark David Chapmam. Muitos ‘stalkers’ perseguem seus ídolos achando que estão “cometendo atos do bem”. Na minha mais santa insignificância, já estou tendo alguns problemas seríssimos em alguns países, cidades, sendo que emails, cartas e fotos já foram até mandados para advogados e oficiais de justiça, pois a coisa, digo, doença mental desses malucos e malucas não é mole, não.

 

Sim, eu achava o casal Leo-Gisele ótimo.

 

Mas acho o Gisele-Brady igualmente ótimo. E por quê? Porque simplesmente não me interessa. A vida alheia me rende uma coluna e me faz rir um pouco. Mas somente isso. A privacidade das pessoas não pode JAMAIS ser trespassada. Imagino o que os paparazzis nào devam estar fazendo para estar clicando o casal. Devem estar “aliviando” a vida de Angelina Jolie e Brad Pitt (pelo menos por uns dias). Ufa!

 

Ah, e quanto aos 11 milhões de dólares de propriedade que o casal comprou? Baratíssimo. Comparado aos trilhões que os CEO’s de corporações (outras) gastam com dinheiro público, ou mansões cafonérrimas que os políticos gastam com o nosso imposto, acho justíssimo que ela tenha gasto qualquer quantia com suas lindas pernas e ele com os hematomas (ou Thomas) que ganha todas as vezes em que se joga no chão por causa da bola de abóbora e aqueles homens enormes se jogam em cima dele e todos fazem “ahhh”, seja de dor ou de gozo… ecumênico!

 

Que os dois sejam super felizes!!!!

 

 

Gerald Thomas

 

 

 

(Vamp na edição)

 

 

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , ,
30/11/2008 - 17:18

50 anos de Cultura – A “Folha Ilustrada” comemora meio século de existência

 

O IMPÉRIO DAS MEIAS VERDADES 

New York – Brecht, o Bertold, assim como Chaplin, foram perseguidos pelo macartismo. Foram investigados por Hoover e foram blacklisted e perseguidos pela bruxaria. Também milhares de escritores, cineastas, atores acabaram nos fornos da perseguição! Muitos colaboraram, como sempre colaboram, e entregaram os outros para se SAFAR. No espetáculo (bem autobiográfico) “Rainha Mentira”  eu contava episódios sobre a minha própria família: odisséias nada simpáticas através do Terceiro Reich, que Ruy Castro e a Cia. Das Letras resolveram distorcer de tal forma num livro horrendo, que acabou por causar, indiretamente, a morte da minha mãe, poucos anos após o lançamento dele. 

50 ANOS DE ILUSTRADA. PÓS-TUDO

(50 anos de cultura) 

Recebi aqui o livro e estou até agora meio bestificado. Quero dizer, bestificado de uma forma boa. Muito boa.

A seleção feita por Marcos Augusto Gonçalves nos seis meses em que teve para cavar nos calabouços dos arquivos de 50 anos de cultura do caderno, resultaram num livro incrível e… Não posso deixar de REGISTRAR aqui a minha enorme gratidão pelo destaque dado ao meu trabalho e a essa figura que lhes escreve. 

Entre outras várias entradas e fotos, na página 236, por exemplo, fico lisonjeado em aparecer numa entrevista que o Otavio Frias Filho fez comigo em 1988 (caramba! O tempo!). Transcrevo um trechinho: 

Gerald Thomas e a Impossibilidade de Dizer” 

Arte é uma coisa menor. A ciência, hoje em dia, é muito mais artística do que a Arte, só que não é entretenimento. A Cibernética, a Matemática que se estuda de dez anos para cá é uma coisa muito mais artística. Ela é hoje o que o teatro foi para os gregos. Está para nossa civilização como Freud esteve cento e poucos anos atrás. Pela primeira vez a Física está usando termos místicos, falando de “a coisa”. Eles não têm coragem de falar em deus ainda, mas daqui a pouco vão admitir um deus, não por forças místicas, mas porque as equações derramam nisso aí. A Arte hoje em dia é uma arte de declamação e falha, inclusive, nisso, porque é adornada, decorada com artificiozinhos. Pegue qualquer pintura: ela não é a síntese da nossa existência resolvida nem a problemática da nossa existência por resolver.” 

(Janeiro de 1988) 

Tem mais, mas só transcrevo isso, porque já está ótimo. O livro é uma homenagem à cultura, a brasileira, se é que existe isso. Existe. A Santíssima Trindade do Teatro, como Nelson de Sá assim a batizou, está lá: Zé Celso, Antunes e eu. Eu e Bete. Bete e eu, o eterno casal. O casal que nunca se vê. Já não vejo a Bete há (desde que o Muro de Berlim foi erguido em 1961… ooops!) 

De resto, estou sem tempo para me estender numa grande coluna porquê, numa troca de e-mails ontem com o Vamp, questionamos o quanto vale o Blog, o quanto ocupa o nosso tempo ficar analisando o chat dos comentaristas entre si próprios. Ao mesmo tempo, o blog é para isso mesmo. As contradições e suas sombras, os nicknames e as pessoas iradas que parecem tudo saber, nada saber, curta memória e aqueles que curtem a memória. 

Jurei que não escreveria nada hoje, Domingo, dia de chuva em NY e encontros com gente do passado, e com uma papelada enorme aqui diante do computer. O quê? Como? Sim! Uma compilação de COLUNAS e artigos e mais colunas e peças escritas e livros de compilações de tudo e pós-tudo. 

Aqui, um trechinho de uma coluna que escrevi para as contra-capas do “Caderno B”, do JB, das terças (esta de 15 de abril de 2003, o ano em que voltei a morar em Londres): 

“…Quem lucra? Quem perde? É complicado. Uma nova ordem econômica mundial está se formando. Evidente que os americanos já estão com total controle sobre o petróleo iraquiano. Ao mesmo tempo, o Congresso Americano não debate mais as questões que estavam massacrando há seis meses (Enron, WorldCom, Inclone, AOL-Time Warner e outros escândalos corporativos). Os ingleses, que nunca aderiram ao EURO, se juntaram com os americanos e, ao que me parece, o alvo é continuar a procurar inimigo do “eixo diabólico”… Já que a Al Qaeda está aí e tudo que aconteceu foi o seguinte: já que não conseguiram, até hoje, encontrar o Bin Laden, foram atrás do Saddam Hussein.” 

Quem diria, quem diria… relendo isso 5 anos e meio depois não dá um CERTO CALAFRIO???? 

Caramba! Já escrevi em tantos jornais e de tantos cantos do mundo, desde Zagreb, Budapest, Miami, Tel-A-Viv, Tucson (Arizona), Munique, Chapada da Diamantina,  até sei lá onde. Me pego lendo colunas como “Sir Fernanda Montenegro” ou “Um ano sem Paulo Autran” ou “Doutor Sergio Britto”, o homem de teatro que me levou ao Brasil e a quem sou e serei eternamente GRATO - porque sei ser GRATO, SIM - sempre  e que me deu “Quatro Vezes Beckett” de presente em seu “Teatro dos Quatro”. 

Era uma versão de “Beckett Trilogy” daqui, aquela com o Julian Beck no palco. Sérgio me levou pro Rio uma, duas vezes. A segunda foi pra fazer o “Quartett”, de Heiner Mueller, com ele e Tonia Carreiro. Ambas as montagens nos renderam prêmios Moliere. 

Numa conversa com meu amigo Caetano Vilela, ele me dizia que o teatro não se prestigia mais; não existem mais prêmios e que os prêmios de hoje surgem de pequenas panelinhas. Eu ouvi, pensei e pensei de novo.

Tudo já foi mais glorioso. Deixei meu prêmio Moliere cair no chão de propósito e recusei a passagem em econômica da Air France porque… porque eu ia daqui de NY para Paris anyway, então para que ir do Brasil, apertado, sendo que aqueles QUINHENTOS MIL dólares de mídia que NÓS rendíamos a eles, por causa daquele evento (sendo os 6 melhores do país) não podia, ao menos, nos render assentos em classe executiva? (Um ano depois de meu protesto, parece que virou executiva, sim) 

Este livro me traz muitas memórias. O Brasil precisa delas. Um país que quer apagá-las, como o Incêndio do Teatro Cultura Artística, o fogo mais metafórico da história. 

Obrigado, galera, por terem deixado ser quem eu sou!

Somando e dividindo tudo, só tenho mesmo a dizer:

OBRIGADO, estou super de BEM com a vida!

 

Gerald Thomas

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
12/10/2008 - 09:32

UM ANO SEM PAULO AUTRAN

 

Adeus a Paulo Autran – Ilustrada de segunda, 15 de Outubro de 2007, Folha de S Paulo

 

Paulo Autran dominou os truques dos mestres

Ator falava como Laurence Olivier e fisgava o público com seu olhar


GERALD THOMAS
ESPECIAL PARA A FOLHA

Chego do velório e percebo que Paulo Autran morreu no Dia da Criança. Não poderia ter escolhido dia melhor. Talvez seja por isso que esse “ator/símbolo de si mesmo” tenha escolhido um dia como esse e tenha deixado sua mulher, Karin Rodrigues, com um sorriso lindo estampado na cara.

Num momento relaxado, indo buscar sua Karin na peça “O Médico e o Monstro” (há mais de dez anos), ele, Ney Latorraca e eu só falávamos cretinices. Sugeri que fôssemos visitar Haroldo de Campos, que morava a três quarteirões do Tuca, e Paulo brincou: “Mas eu tenho que me vestir de “concreto”? Símbolos? Há um mês e meio, ele estava sentado na minha platéia no Sesc Anchieta, numa quarta-feira, justamente duas semanas depois que ele mesmo havia sido “tombado” enquanto vivo, o que é raríssimo.

Sim, o visionário Danilo Santos de Miranda resolveu transformar o teatro do Sesc Pinheiros em teatro Paulo Autran. E o próprio Paulo pediu que fosse o grandíssimo Marco Nanini quem fizesse as cerimônias da ocasião. Assim como no filme “Quero Ser John Malkovich”, agora, finalmente, podia se “estar dentro” de Paulo Autran pagando ingresso. Ele riu disso entre um trago e outro (maldito cigarro!) enquanto discutíamos algo sobre o Terceiro Reich.

“Estar dentro”, dizia Paulo, “tem muitas conotações”. E ríamos… O espetáculo que acabara de ver era o meu “Rainha Mentira” e lidava com campos de concentração, mas o sempre bem-humorado intérprete (diferente de ator que representa) estava se referindo a coisas mais leves, obviamente. Sempre estive ao lado desse homem, e sempre “combinamos algo pra daqui a um ano” mas nunca compartilhamos o palco. Curioso. Fomos até chamados de “elitistas” pelo atual ministro da Cultura.

O restaurante Piselli era o nosso cruzamento acidental mais freqüente em Sampa e lá falávamos de tudo, assim como fazíamos ao longo desses 23 anos, desde a casa de Tonia Carrero, quando eu a dirigia (junto com Sergio Britto, em “Quartett”, de Heiner Mueller), em sua própria minimansão, onde Paulo e Karin se hospedavam, no Rio.

Ator erudito

Ele era um ator e não um representador. Era um intérprete, alguém que vive em todas as épocas, especialmente no futuro e vê tudo no passado. Paulo é, ainda no presente, um educador, um erudito como poucos nesta classe teatral. Ao contrário de tantos que andam por aí, com ele as conversas podiam perambular entre as razões da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, os filósofos gregos, a queda do Império Romano, a divisão da China pós-Revolução Cultural de Mao…

E seu registro de voz era estranhíssimo. Fora da língua portuguesa, digo, brasileira. Ele falava exatamente no mesmo registro (”pitch”) que Laurence Olivier. E, assim como uma criança, tinha a curiosidade de olhar para o céu e observar estrelas. Mas no teatro transformava as estrelas em refletores e nos devolvia a luz de uma lâmpada que batia em sua pupila e nos fisgava, não importa em que ponto ou fundura do palco ele se encontrava. Truques de grandes mestres, já que carisma não se explica.

Ele olhava a imensidão do universo com a mesma intensidade que o urdimento do teatro. Essa vivência é muito difícil de explicar. Mas Paulo será muito difícil de explicar porque, mesmo enfermo, ele não parava de ir ao teatro, de querer enxergar novos talentos, de querer estar no palco por eles, ou melhor, através deles.

O ator morre todos os dias, no momento em que se veste de personagem. Morre de novo quando o personagem morre ou quando a cortina fecha ou quando o público o aplaude ou na solidão do seu camarim.

Quem morreu na última sexta foi uma grandiosa criança chamada Paulo Autran, cujo legado não nos deixará nunca.

Quem sabe ele está estudando um novo método qualquer pra poder nos surpreender novamente. Vai com Deus, meu querido. Fique em paz!

GERALD THOMAS é autor e diretor de teatro

 

Quem quiser assistir a entrevista de Gerald Thomas com o Paulo Autran clique no link abaixo:

http://www2.uol.com.br/geraldthomas/new/entrevistas.htm

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
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