11/10/2009 - 10:05



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VERSÃO IMPRESSA

(O Vampiro de Curitiba na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): release
Tags: "O Globo", "Village Voice", Alessandra Duarte, Amsterdã, arte, autorretratos de Rembrandt, Breve Adeus, celular, cultura, esvaziamento da arte, EUA, Gerald Thomas, iTheatro, Kepler the dog, Londres, NY, palco, Política, renascimento político, teatro, Teatro online no IG, text message, TV a cabo e o Twitter, Vida
02/08/2009 - 09:42
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São Paulo, domingo, 02 de agosto de 2009
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Cortina de fumaça
Ecoando discurso de um fumante inveterado, seu personagem em “Restos”, monólogo de Neil LaBute que estreia em São Paulo dia 20, ator Antonio Fagundes critica a Lei Antifumo e diz que vai “peitar” a medida e acender cigarro em cena
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Rafael Hupsel/Folha Imagem
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Antonio Fagundes, 60, que vai estrelar o monólogo “Restos’, sob direção de Márcio Aurélio; ator encarna fumante que, durante velório, relembra a relação com sua mulher, vítima de câncer
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LUCAS NEVES
DA REPORTAGEM LOCAL
Se todo ator incorpora traços dos tipos que interpreta, parece que Antonio Fagundes, 60, escolheu o que levar de seu personagem em “Restos”, de Neil LaBute, antes da estreia no dia 20, em São Paulo, no teatro Faap: o ataque à patrulha antitabagista.
Em cena, dirigido por Márcio Aurélio (”Agreste”), ele encarna um fumante inveterado que repassa -com suspiros saudosistas e certa birra dos modos contemporâneos- as fases de sua relação com a mulher cujo corpo está sendo velado.
Ela morreu de câncer, ele está na fila. Pouco importa. “Guardem seus panfletos ou qualquer outra merda sobre o assunto, ok? A vida é minha, pelo menos o que resta dela”, diz à plateia.
O texto de LaBute é farto em rubricas que pedem um cigarro à mão. Mas a Lei Antifumo que entra vigor na sexta no Estado de São Paulo impede que atores fumem em cena sem autorização judicial. É aí que Fagundes toma emprestado o tom incisivo do personagem:
“Vou peitar isso e fumar. Temos um problema de censura. É um precedente grave se a gente não fala nada. Fiquei surpreso que os fumantes tenham ficado quietos. O brasileiro está muito quieto para tudo. Espero que os fumantes não votem nas pessoas que aprovaram essa lei. É engraçado, porque parece que o [governador José] Serra é ex-fumante. Não tem coisa pior do que ex”.
Para Fagundes, “começa assim; amanhã, vão dizer que não pode beijar na boca porque passa gripe suína; depois, não pode mostrar assassinato [em cena], porque é contra a lei. As pessoas ainda não perceberam, a liberdade não se perde de uma vez. Os puritanos proibiram o teatro na Inglaterra por décadas pois achavam que era satânico. Caminhamos para isso”.
Sem patrocínio para a montagem de “Restos”, o ator também tece críticas ao debate sobre a reforma da Lei Rouanet, que concede às empresas que investem em produções artísticas isenção de parte do Imposto de Renda devido.
“As pessoas que redigem a lei deveriam entender o mecanismo de produção de teatro, saber quanto custa manter um espetáculo em cartaz, anunciar num jornal. Não tem ninguém nessas comissões que já tenha feito teatro? [Quando se fala em mudar a lei] Dá a impressão de que é um movimento rancoroso, do tipo “só estes caras que não precisam [por serem famosos] recebem dinheiro”. É claro que precisam!”
Por conta das restrições previstas na Rouanet aos gastos com divulgação, os espetáculos estreiam, segundo Fagundes, com “morte anunciada”. “Você fica em cartaz por pouco tempo. Ou seja, se antes se falava em espetáculos de elite, agora são peças para a elite da elite, porque não são só para quem pode pagar, mas para quem corre para pagar”, observa.Seu Zé e Dona Maria
Ao longo dos 43 anos de carreira teatral, transitou com desenvoltura entre a dramaturgia engajada do Teatro de Arena, musicais da Broadway, montagens de clássicos (como “Macbeth” e “Gata em Teto de Zinco Quente”) e empreitadas de risco, como “Carmem com Filtro”, estreia de Gerald Thomas na cena paulistana. Sempre com uma piscada de olhos para “seu Zé e dona Maria” -como se refere ao espectador pouco familiarizado com teatro.
“Estamos acostumados a ensinar filosofia a quem não sabe ler. Parte-se do princípio de que quem foi lá [ao teatro] sabe tudo”, afirma. “Defendo a tradição teatral para um público que não a conhece. Sempre pensei assim: só vou fazer experiência na minha vida quando tiver feito o resto todo. No Brasil, parte-se para a inovação antes de se ter experiência.”
Daí seu descontentamento com o abandono “da cortina, da sala convencional”. “Criaram-se espaços que não são teatros. Você pode inovar sem deixar de dar ao público conforto. Já cansei de sentar em cima de prego. Não acho interessante. A gente não tem mais maquiagem, grandes figurinos, cenários, efeitos. O próprio texto deixou de ter surpresas.”
Não é o caso de “Restos”, dotado de uma reviravolta que, nos momentos finais, atira no colo do público um segredo oculto pela cortina de fumaça.
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Proibição do cigarro no teatro incomoda artistas
Lei que entra em vigor esta semana exige autorização judicial para fumar em cena
Exceção a cultos religiosos não se aplica a espetáculos cênicos; para atores e diretores, legislação ameaça liberdade artística
JOSÉ ORENSTEIN
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Onde tem fogo tem fumaça. E é na boca de cena que a coisa começa a esquentar. A partir de sexta-feira, dia 7 de agosto, entra em vigor em todo o Estado de São Paulo a lei que proíbe fumar em ambientes fechados de uso coletivo.
No extenso rol de lugares proscritos estão cinemas, bares, lanchonetes, boates, restaurantes, hotéis, centros comerciais, bancos, supermercados, açougues e… teatros.
Quem quiser acender um cigarro, cachimbo ou charuto “cenográficos”, deverá pedir autorização judicial, explicando o porquê de a fumaça ter que se espalhar pelo palco. Ao juiz caberá decidir se o fumo é de fato imprescindível na construção dramática.
A medida vem preocupando alguns atores e diretores, que veem na lei um cerceamento da liberdade artística. É o caso da atriz Mika Lins, que está em cartaz no Sesc Consolação com a peça “Memórias do Subsolo”, uma adaptação do livro de Dostoiévski. “Eu fumo dois cigarros em cena, a frente do cenário tem um monte de bitucas. Faz parte da concepção do espetáculo, é quase um acessório de pensamento”, afirma.
“Acho o fim. É um absurdo essa história de ter que se justificar. Sei que tem multa, mas estou disposta a pagar ou recorrer na Justiça”, diz a atriz. A penalidade deve recair sobre o dono do estabelecimento.
Antonio Rocco, que dirige o teatro N.ex.t. -para onde Lins muda sua peça a partir do dia 11-, diz não estar preocupado. “É uma lei de saúde pública. Não foi pensada para espetáculos teatrais. Isso vai mudar.”
Salvo-conduto
Já o ator e diretor Celso Frateschi, em cartaz com duas peças no teatro Ágora -que não utilizam cigarros-, diz achar “patética” a lei. “Se tiver que usar cigarro em cena, vou usar sem dúvida. É uma hipocrisia uma cidade que não controla a poluição dos carros fazer isso. É quase revoltante”, comenta.
Além de tabacarias e afins, cultos religiosos “em que o uso de produto fumígeno faça parte do ritual” têm salvo-conduto.
“É uma incoerência que soa quase como um privilégio. Por que não há uma exceção de natureza artística?”, pergunta o diretor José Henrique de Paula. Sua peça “As Troianas”, em cartaz no Instituto Cultural Capobianco até dia 16, usava cigarros em cena, mas eles foram retirados a pedidos da instituição. “Não era um objeto crucial para a narrativa. Era um elemento que apenas ajudava numa concepção mais realista da peça”, conta.
O diretor do teatro Oficina, José Celso Martinez Corrêa, que está ensaiando a peça “Cacilda!!”, com cenas em que se usa o cigarro, dá outra interpretação para a lei: “O teatro é um culto religioso, dionisíaco. Então, tá liberado!”.
“Teatrinho realista”
Rodolfo García Vázquez, diretor da peça “Justine”, que entra em cartaz no final do mês no Espaço Satyros, engrossa o coro: “Eu não sei qual a diferença entre ato religioso e artístico… Por que proibir só na arte?”.
Quem tem opinião diferente é Gerald Thomas. Radicado em Nova York, o ex-fumante acha a lei “ótima”. “O cigarro é uma merda, não dá barato, só traz câncer e miséria. As pessoas têm que parar de ver seus ídolos fumando”, diz Thomas. Para ele, não é só questão de saúde. “É uma besteira esse teatrinho realista, que precisa de uma mesa, de uma cadeira, de um cigarro. O artista tem que transcender isso tudo.”
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PS: Moral da história: Se não formos capaz de fazer teatro, poesia, qualquer coisa “dependentes” de um “prop”, ou seja, de um objeto cênico ou uma mamadeira qualquer, é porque o ator é muito ruinzinho mesmo, ou porque não consegue mesmo usar o pouco que tem da sua imaginação para criar metáforas e deixar o PÚBLICO pensar ou imaginar coisas. Não é à toa que ninguém aguenta mais essa caretice: pior, essa caretice traz CÂNCER!!!!! Não, Zé Celso, nem TUDO é dionisíaco (tadinho de Dionísio! Daqui a pouco batida de tânsito também é “dionisíaco!”). E beijar, como diz o Fagundes, nada tem com fumar. Não se tranta de censura e sim de BOM SENSO. O público precisa de “roles models”. E os role models podem se beijar à vontade, mas não às custas da maldita indústria tabagista!
Gerald Thomas
(O Vampiro de Curitiba na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): release
Tags: ., Antonio Fagundes, ator, Celso Frateschi, Folha de São Paulo, Gerald Thomas, Ilustrada, José Celso Martinez, lei que proíbe cigarro, Rodolfo Garcia Vasquez, teatro
01/07/2009 - 03:55

São Paulo, quarta-feira, 01 de julho de 2009  |
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OPINIÃO
Nós, do teatro, a invejávamos
Pina Bausch sacaneava o balé clássico e era a “senhora Beckett” da dança
GERALD THOMAS
ESPECIAL PARA A FOLHA
Meu Deus, o que dizer? Morreu a maior de todas ou de todos. Morreu aquele inventor que todos nós do teatro invejávamos. Sim, esse é o termo. Invejávamos, pois Pina Bausch conseguiu reunir com seu visionarismo inacreditável a “obra de arte total” (termo criado por Richard Wagner), com poucos elementos minimalistas, duplicados, ampliados até um ponto de erupção, como um vulcão.
Sim, seus bailarinos repetiam e repetiam temas obsessivos da impossibilidade entre a relação entre homem e mulher, e a mulher objeto. É claro, Pina sacaneava o próprio balé clássico no qual se formou. Eram horas de cena sobre como fazer um movimento clássico ou exercício de barra. Eram horas sempre lindas e lúdicas, de uma lágrima caindo lentamente de um só olho de uma bailarina e atriz, formada em seu teatro na pequena cidade de Wuppertal.
Pina Bausch foi alguém que abriu uma nova página na dramaturgia da dança e do teatro. Tivemos poucos. Muito poucos. Bob Wilson e Tadeuz Kantor e poucos outros construíram um dicionário, um vocabulário reconhecível e imitado mundo afora. Tenho que confessar que assisti a todos os seus trabalhos, desde os mais convencionais, até os últimos, baseados em cidades pelas quais perambulava pelo mundo. Pina está acima do nosso julgamento.
Nos últimos tempos, estranhamente, ela estava basicamente trilhando uma espécie de revisitação do que parece ter sido o início da vida e carreira de Bob Wilson (baseado no autismo de Christopher Knowles), usando diálogos desconexos e mais minimalistas do que nunca: “Posso te amar?”. “Nããããoooo!!!” “Posso te amar por um dia?” “Nããããooooo!!!!”
Pina é Beckett puro. Aliás, os dois se encontraram. É a única coisa que tínhamos em comum. Nos encontramos duas vezes, em turnês comuns pelo mundo, e poucas palavras trocamos. E era sobre Samuel Beckett que falávamos. Pina construiu uma obra gigantesca e monumental.
Estou impactadíssimo com a notícia de sua morte. Como todo gênio, será estudada, amada e reverenciada pelas décadas que virão. E aquela lágrima que escorria pelo rosto daquela bailarina? Agora escorre no meu e profundamente. Pina foi a pedra fundamental para toda uma geração (ou várias). Nunca se recuperou da morte do marido. Nunca se recuperou da tragédia da vida, da “dor do mundo” que carregava e que está pontuada em sua obra com tanta delicadeza.
GERALD THOMAS é autor e diretor de teatro.
Saiba mais sobre essa mulher GENIAL
(da Folha de São Paulo)
A grande dama da dança-teatro, a alemã Pina Bausch, morreu ontem pela manhã, aos 68 anos, na cidade de Wuppertal, onde dirigia sua companhia, o Tanztheater Wuppertal. A morte da coreógrafa foi divulgada em nota do próprio grupo, segundo a qual, na semana passada, Bausch teria sido diagnosticada com câncer. Ela subiu ao palco pela última vez há dez dias, no dia 21, como sempre para agradecer os aplausos com sua companhia.Com personalidade forte, Bausch seguia todas as apresentações do grupo e controlava todas suas ações. Dessa maneira, fica difícil saber o futuro do Tanztheater Wuppertal, mesmo se continua agendada a vinda do grupo a São Paulo, em setembro, com o programa histórico “Café Müller” (1978), peça que sempre teve a presença de Bausch, e “A Sagração de Primavera” (1975).”Pina Bausch é a mãe da dança contemporânea”, disse certa vez o coreógrafo Alain Platel, diretor do grupo belga Les Ballets C. de la B.. De fato, no século 20, poucos coreógrafos foram tão influentes como como Pina Bausch.
Enquanto a dança norte-americana, com nomes como Trisha Brown e Lucinda Childs, seguiam uma linha formalista, com a qual Bausch também teve certa identidade, já que estudou nos Estados Unidos, entre 1958 e 1962, ela pode ser caracterizada como uma coreógrafa com marca profundamente humanista: “Não me interesso em como as pessoas se movem, mas o que as movem” é uma de suas mais representativas falas.
Com isso, Bausch ampliou as fronteiras da dança de forma tão radical que tudo passou a ser permitido: dançar deixou de ser uma técnica para que qualquer movimento fosse admitido como dança.
Para criar suas peças, a partir de 1973, quando foi contratada pelo Teatro de Ópera de Wuppertal e de onde nunca mais saiu, Bausch levou seus bailarinos a situações de risco.
Em geral, treinados no balé clássico, para socorro imediato, especialmente após quatro horas de espetáculo sobre água. Nos primeiros anos, muitos bailarinos se recusaram a trabalhar com Bausch. Nos últimos anos, suas audições eram frequentadas por centenas de candidatos.
Com o público não foi diferente, em suas primeiras peças, as pessoas saiam do teatro batendo as portas em sinal de fúria. Atualmente, ingressos para a companhia de Bausch se esgotam rapidamente, em qualquer lugar do mundo. Para Bausch, o palco não deveria ser um lugar protegido, mas tão difícil como a própria vida. Além do mais, o próprio limite entre palco e plateia sempre foi questionado em seus espetáculos. Em todos eles, seus bailarinos interagem com o público, servem café ou vinho, os abraçam, mostram fotos.
Ao contrário da dança clássica, eles não incorporam papéis definidos, eles sempre se chama Düsseldorf, a poucos quilômetros de Wuppertal. A dança-teatro de Bausch, aliás, sempre teve um caráter performático: no palco, os bailarinos comem cebolas inteiras, escalam altos muros, penduram-se em cordas, escorregam na água. Difícil um espetáculo de dança contemporânea que não tenha alguma marca do Tanztheater Wuppertal.
As temáticas de suas primeiras peças, especialmente nos anos 1970 e 1980, costumam ser vistas como muito intensas e deprimentes, enquanto sua fase mais recente tem sido vista como mais superficial e alegre. Bausch justificava essa mudança de forma muito direta: “A questão é do que precisamos hoje. Estamos num momento terrível, tenebroso, sério e assustador. Então, procuro dar um pouco de balanço, compensação para tudo isso”.
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Autor: gthomas - Categoria(s): artigos, release
Tags: balé clássico, Bob Wilson, Christopher Knowles, Dança, Pina Bausch, Richard Wagner, Samuel Beckett, Tadeuz Kantor, teatro
23/05/2009 - 11:30
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(Antes do Blog, em Paris) (Depois do Blog)
New York – Miami: Cinco anos e meio de Blog corrente, de conta corrente que não se esgota, graças a vocês! Hoje, exatamente hoje, esse Blog comemora um ano aqui no IG.
E, no entanto, os espelhos! Estejam lá onde estiverem (os espelhos), são somente humanos. Retratam nossa dor. Retratam nosso humor. Retratam nossa estima. Meu medo? Quem estaria ou estará atrás desses espelhos! Quem nos vê da maneira que ninguém mais nos vê. Ou seja: Quem enxerga MESMO, de verdade, nossa alma?
Alma, aquilo que poucos conseguiram até hoje retratar.
Esse ano passou como uma flecha! Foi um ano devotado, praticamente todo ele, á eleição de Barack Obama. Foi, de minha parte, uma tensão doida!
Tem um corpo morto no chão, aqui do meu lado, enquanto escrevo. Sou eu mesmo. Não me reconheço mais. Parte de mim se foi. E não estou tentando brincar com palavras, não estou tentando fazer joguinho com as parolas. Sim, morri de várias formas. Fui traído por vários amigos. Ainda não sei muito bem por quê. Talvez um dia saiba.
Blog traz dessas coisas: em teatro temos um mundo muito EXPLOSIVO. Ele se mostra na hora. O aplauso ou a vaia são ali mesmo, no final, quando cai o pano! Sabemos dos cochichos, sabemos do veneno, mas “sabemos”. Nossos inimigos, por assim dizer, se tornam nossos maiores amigos assim, da noite pro dia, como se nada jamais tivesse acontecido. E aceitamos isso.
A Decadência dos tempos de hoje, com tanto artista legal fazendo tanta bobagem, me choca! Deixa-me triste! Meu corpo morto aqui do lado ainda não foi achado pelo time de “Law & Order Special Victims Unit”. No momento em que encontrarem esse meu corpo em decomposição, constatarão que ele foi molestado, espancado, torturado por tanta, mas tanta burrice, tanta besteira e tanta pobreza cultural que ele leu nesse último ano. E o médico legista não terá um diagnóstico! Aliás, não há!
É de se questionar tudo mesmo: em que ponto de nossa cultura estamos? Como nos vemos? Quem nos vê? Como somos enxergados? Se Richard Wagner nos visse hoje (seu aniversário, by the way), como ele nos veria?
Obama tenta imprimir nessa linda terra nossa uma proposta de um NOVO SISTEMA LEGAL em que terroristas poderiam ser presos ou detidos por um tempo prolongado DENTRO dos USA (sem julgamento em vista). Qual a diferença entre isso e Guantánamo? É que aqui dentro eles teriam acesso ao sistema judicial. “Ou se prova que são culpados, ou deixa-os andar”.
A Arábia Saudita está conduzindo um programa de reabilitação de ex-membros do Al Qaeda. Entre erros e acertos, a margem é de 80 por cento.
Meu corpo morto aqui do lado, infestado de Kafkas, de Becketts, de Orwells, de uma literatura praticamente obsoleta quando olho essas estantes (retornei pra casa ontem e ainda olho tudo numa ressaca terrível), vejo esses volumes de Joyce, de Gertrude Stein, de sei lá quem. Não nasci com um nome bom. Quem dera. Deram-me um nome vulgar.
Sim, agradeço muitíssimo aos meus mestres! E como! Eles têm nomes sonoros. Mas na autópsia desse corpo não sairão sons. Nunca sai som, a não ser o som do vento armazenado nas entranhas, nos intestinos, o som dos gases, o som gutural do tempo perdido de Proust, o som de certa amargura por não ter sido entendido por A, B ou C.
Escreve o leitor “José Augusto Barnabé”:
“O Gerald, chegou a hora definitiva de a arte e a criação representar pelos seus meios, o futuro.
Acho que Da Vinci foi o último, nos seus escritos e desenhos, que geram até hoje controvérsias e discussões.
Não há mais espaço para Inquisições, que se mostrou uma fraude política.
O Artista tem que achar forças para se desvincular do Sistema, ser um pouco Iluminatti, escancarando até essas próprias sociedades secretas, também fraudulentas, e criar.
Na imaginação está o nosso gene, e o artista que tem o dom da sensibilidade, a aplica melhor.
O Planeta está mudando rapidamente, e não é coisa para 500 anos como na época do Da Vinci. É coisa para já.
Se os artistas não perceberem, vão deixar de existir e continuar sendo os BOBOS DA CÔRTE.
Ficção? não sei. E o Sistema não o é?
Você não tem nada para comentar, porém tem muita coisa a fazer, se não desocupa a moita, meu caro”.
Difícil, muitíssimo difícil responder qualquer coisa que coloque Leonardo Da Vinci no meio. Até Shakespeare, em sua última peça, “A Tempestade” (praticamente autobiográfica), se viu num espelho e enxergou um futuro não sangrento. Foi a única tragédia desse magnífico gênio não sangrenta: Prospero, o personagem principal, era um Leonardo. Mas era também um Duque deposto. Era um ILHADO, era alguém que tinha o poder da mágica reduzido aos confins do palco.
Tudo é sempre uma metáfora.
Há um ano, nesse blog, escrevo parte em metáforas, citando meus mestres, citando minhas angústias. Criei um enorme e lindo círculo de amigos. Vocês, os leitores.
Mas as metáforas estão fadadas a ter um limite, a esbarrar na moldura do espelho ou refletirem a luz que vem de fora e, portanto, ofuscarem a imagem real que o espelho deveria estar mostrando. Sim, escapismo.
Escreve o “Capitão Roberto Nascimento”:
Gerald Thomas meu querido cabeludo, que beleza esse texto rapaz! Não é um texto de moleque, de fanfarrão!!É UM TEXTO PARA QUEM USA FARDA PRETA E COLETE; MAS É PARA SE REFLETIR SOBRE O QUE ESTÁ ACONTECENDO.Eu penso: no BOPE, a gente não pode pensar muito NA HORA; mas devemos pensar antes, no treinamento, para que a ação seja EFICAZ COMO O SILÊNCIO DO FUNDO DO MAR.Nossa missão é subir o morro e deixar corpo de narcotraficante no chão. Pode parecer nazismo, mas, para mim, NAZISMO É DEIXAR OS NAROTRAFICANTES DOMINAREM O MORRO, OPRIMINDO CENTENAS DE MILHARES DE POBRES FAVELADOS.O teu silêncio, Gerald, chega como um abraço.
O teu silêncio é o silêncio do preto da minha farda, do frio do meu fuzil, antes da ação.E nós agimos em silêncio Gerald. Quem faz festa é bandido. Quem solta rojão é traficante.A lei é fria e silenciosa.
COMO O TSUNAMI QUE NASCE NO FUNDO DO MAR.”
Tudo é sempre uma metáfora. Nem tudo sempre é uma metáfora. Muitos de vocês, leitores, lidam com a vida REAL. E isso, muitas vezes, me assusta. Por quê? Não sei.
Ontem, ainda em Miami, a caminho daqui, um velho, obviamente cubano, enrolado na bandeira americana, trazia, trêmulo, a sua bandeja com um croissant, café, um ovo, etc. Sua cara marcada pelo tempo e sua elegância deixavam claro não tratar-se de um “daqueles” milhões de cubanos que povoam Miami (pra onde eu vou 3 vezes ao ano). Tive uma enorme vontade de cobrir-lhe de perguntas. Muitos milhares de perguntas. Ele me olhava. Eu o olhava. Estamos em pleno feriado de “Memorial Day”, dia dos caídos em combate, em guerras passadas. Os USA em guerra constante!
Mas pensei e pensei. Não, melhor não. De repente, assim como já foi com tantos outros seres interessantes, ele vai vir com uma dessas “verdades universais” ou com a “ordem do universo” e despejar tudo isso sobre a minha bandeja. Isso me aconteceu no Arizona com indígenas que “ouviam deus” ou na Chapada da Diamantina e mesmo na Cornualia. São seres simples e que tremem, elegantes. Mas que quando perguntados, são verdadeiras “torneiras da verdade”. E eu não suporto mais a quantidade de verdades que existem por aí.
Tive medo de fazer perguntas a um simples ser que poderia ter me contado a sua história de vida. Mas tive medo. Arreguei.
Como pode ser isso? Medo de seres místicos? Eu? Medo de ouvir sobre Eric Von Denicken e os deuses que eram astronautas? Logo eu? Quem te viu e quem te vê, Gerald!
Já ouvi que a minha cara era o mapa de Hiroshima. Então, do que ter medo?
Exaustão chama-se isso. Falta de espaço aqui dentro. E isso me preocupa.
Sim, assim como no texto anterior: “Sinto-me como uma massa, como uma pasta, irregular, inexplicável, triste, vazia, ruidosa, sem nada a declarar e, no entanto, querendo dizer tanta, mas tanta coisa e… sem conseguir dizê-lo.”
Nem tudo sempre é uma metáfora. Às vezes esse corpo morto aqui do meu lado tentou atravessar o espelho vezes demais ou tentou atravessar espelhos espessos demais.
Faz parte da minha profissão: o risco. Como me sinto? Esgotado. Acabado. Esse (que ainda vive) olha praquele que está morto e pensa: será esse o meu futuro? Caramba!
Parece mesmo um conto de Poe! Ou um Borges mal escrito. Somos tantos e não somos porra nenhuma. No texto anterior, “NADA A DECLARAR”, fiz uma declaração de amor a tudo que sinto, de verdade, ao vazio, ao TUDO a Declarar, como o Pacheco detectou.
Mas e agora, José? Um ano e não sei quantos artigos. A partir de hoje estamos sem contrato. Como diria meu mestre Samuel Beckett: “Não Posso Continuar: Hei de Continuar!”
Em inglês soa melhor:
I Can’t Go On. I’ll Go ON!
Muito Obrigado por tudo!
Coberto de emoção e lágrimas vendo o mundo numa relativa paz e, no entanto, atravessando o maior período de mediocridade em décadas, se desmanchando num milk shake insosso e azedo, esperando um Moisés que ainda nem subiu o Monte Sinai, porque lá nada existe!
O deserto está realmente repleto de areia mesmo. E ela está em nossos sapatos.
LOVE
Gerald
Gerald Thomas, 23/Maio/2009
(O Vampiro de Curitiba na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: "Law e order", A Tempetade, AL QAEDA, alma, amigos e inimigos, Arabia Saudita, Arizona, Barack Obama, Beckett, blog, Capitão Nascimento, Chapada Diamantina, Cornualia, Cuba, cubanos clandestinos, decadência do hoje, Edgard Alan Poe, eleição de Obama, Eric Von Dicken, espelhos, Gertrude Stein, Guantânamo, Hiroshima, IG, José Augusto Barnabé, Joyce, Kafka, leitores do Blog, medo, Memorial Day, metáforas, Miami, Moisés, Monte Sinai, New York, Pacheco, pobreza cultural, Prospero, Proust, Richard Wagner, Shakespeare, teatro, um ano de Blog no IG, USA
04/05/2009 - 23:18
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Por: O Vampiro de Curitiba


O post anterior, no qual Gerald Thomas comenta sobre o falecimento do teatrólogo Augusto Boal (ver abaixo), suscitou um debate aqui no Blog. Houve certa confusão sobre o que se habituou chamar de “Teatro do Oprimido”. Na realidade o próprio conceito de “oprimido” escapou daquilo que originariamente Boal tinha em seu ideário.
Tem muita gente misturando conceitos e realidades diversas. Uma coisa é a busca da conscientização e expressão de setores marginalizados da Sociedade. Outra, totalmente distinta, é achar que toda e qualquer pessoa possa ser ator ou diretor de teatro. Aliás, é preciso salientar algumas diferenças: Arte é Arte, panfleto é panfleto. Teatro é Teatro, circo é circo. Ator é ator, platéia é platéia. Confesso que me sinto constrangido quando vou assistir uma peça de teatro e o ingresso custa menos que o estacionamento. Acho que o ingresso deveria ter um valor muito maior do que se é cobrado. Agora, eu quero pagar um valor justo para ver um Nanini, uma Fabiana Gugli atuando. Mas não, atualmente todo mundo é ator. Tem mais gente no palco do que na platéia.
Essa questão de tornar tudo “popular” não é, infelizmente, algo que ocorre somente no meio artístico. Nas escolas, por exemplo, são os professores que são influenciados pelos alunos. Ao invés de o professor ensinar matemática, ele quer “entender” a realidade do aluno. Deu no que deu: a educação pública no Brasil é uma das piores do Mundo. A balbúrdia chegou até ao Supremo Tribunal Federal (STF). Dia desses, num total descontrole, o ministro Joaquim Barbosa começou um bate-boca com seus colegas numa sessão que chocou os telespectadores que assistiam a TV Justiça. Joaquinzão, ministro do Supremo escolhido por Lula, se ofendeu com o corretivo dado pelo presidente do Supremo e resolveu prolongar a baixaria. Disse que Gilmar Mendes deveria “ir ás ruas”. O que é isso, gente? Joaquinzão, pelamordedeus!, é o Supremo quem deve levar seus valores aos cidadãos, não o contrário. O povão quer mais é o linchamento, a pena de morte, o olho-por-olho, etc. Um ministro do Supremo deve aprender na Academia, não nas ruas!
Agora, a baixaria mesmo se dá é na Internet. É uma característica mundial a perda de leitores da mídia impressa para a Internet. O que faz com que todo mundo tenha blogs, twitter e o escambau. Jornalistas que levaram um pé-na-bunda da grande Imprensa têm na rede um local para publicar suas “opiniões” (na maioria das vezes opiniões do Governo de plantão), seus “serviços”. Os conceitos e valores mudam conforme seus negócios. A Privatização, por exemplo, que era demonizada por esses setores demagógicos, passa a ser vista como exemplar. Claro, isto com o devido patrocínio da empresa privatizada. E lá vai a manada de (e)leitores tentar se adequar ao novo “contexto”.
Pensa que essa vulgarização de tudo é privilégio da República das Bananas, caro leitor? Não, a imbecilização se dá no Mundo todo. Na Inglaterra chegou-se ao cúmulo de “enfeiar” uma cantora, Susan Boyle, para torná-la mais “popular” e assim conquistar o grande público. Sabe como é, né? É “gente como a gente”. Aqui o que difere é que a coisa fugiu do controle. Essa aberração chegou não apenas ao Teatro, à Escola, à Internet ou ao STF. Alcançou o Planalto. Óbvio, quem nada de braçada nesse mar de idiotice é o Grande Guia dos pobres e oprimidos, o Rei das Metáforas Pobres, o Bananão da Silva. A Saúde é um caos? A Educação é um lixo? Ah, não se apeguem a detalhes! Ele é “gente como a gente”. Ninguém sabe por que, mas amamos nosso presidente. Eu amo tanto que até lhe ofereço um sucesso bem, digamos, popular:
Povão oprimido:Você não vale nada,
Mas eu gosto de você!
Você não vale nada,
Mas eu gosto de você!
Tudo que eu queria
era saber por quê.
Tudo que eu queria
era saber por quê.
Você brincou comigo,
bagunçou a minha vida.
E esse meu sofrimento
não tem explicação.
Já fiz de quase tudo tentando te esquecer.
Vendo a hora morrer
não posso me acabar na mão.
Seu sangue é de barata,
a Boca é de vampiro.
Um dia eu lhe tiro
de vez meu coração.
Aí não mais te quero
Amor não dê ouvidos
Por favor, me perdoa
Tô morrendo de paixão…
Bananão da Silva: Eu quero ver você sofrer
Só pra deixar de ser ruim
Eu vou fazer você chorar, se humilhar
Ficar correndo atrás de mim…
Hare Bába!!!
É nóis na fita, mano!
O Vampiro de Curitiba
Autor: gthomas - Categoria(s): Colaboradores
Tags: arte, Augusto Boal, bananão da silva, blog, ditadura do oprimido, educação, escola, Fabiana Gugli, Gilmar Mendes, Internet, joaquim barbosa, Lula, Marco Nanini, midia, O Vampiro de Curitiba, planalto, popular, privatização, STF, susan boyle, teatro, Teatro do Oprimido, twitter, vale do rio doce, vulgarização da sociedade
15/04/2009 - 09:50
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New York- Até hoje os brasileiros comemoram, como se fosse algo palpável e não retórico, as três palavras de Obama sobre Lula, ou para Lula, que em português foi traduzido “esse é o cara!”. Provincianos como vocês são, estamparam isso na capa de TODOS os jornais. TODOS. O endosso de Obama, portanto, passa a ser “a coisa”. Fico um pouco com pena de uma nação tão rica, tão linda, mas tão insegura, que ainda precisa de endossos, seja lá de quem for, mesmo que seja do mais lindo Obama.
Já aqui, quando Obama esteve na França, logo após Londres (G20) e Sarkozy disse para ele “Je t’aime, man!”, com o “man” vindo da gíria pop, mas oriunda da slang negra americana, o presidente orelhudo francês foi o maior alvo de chacotas da imprensa americana. Bem, Obama não precisa mais de endosso retórico. Ele agora precisa derrubar os conservadores Republicanos no Congresso.
Brasileiro se impressiona muitíssimo com “palavras, palavras, palavras”, aquelas que Shakespeare colocou na boca de Hamlet. Hamlet, aquele que não ia para a ação por causa de tanta palavra. Às vezes me vejo amando o Brasil, mas o vejo numa situação hamletiana. Não indo nunca para a ação. CPIs que nunca dão em nada… Nada que nunca prova nada e tudo num estado de falso encantamento por si mesmo que é suprido por “palavras”. Bem, tudo bem. Monto minhas peças ou óperas aqui em NY ou pelo mundo e as palavras também me encantam, às vezes justamente pela negação que representam.
Bo, THE DOG
Mas imagino se Portugal agora está ou não numa situação de delírio nacional. Por quê? Afinal, BO, o cão da família real Obama, é português! Se os periódicos portugueses forem tão ufanistas quanto os brasileiros, imagino que na capa do O Publico ou do Expresso ou do Diário de Noticias deve estar estampado assim: “PORTUGAL REINA DENTRO DA CASA BRANCA”, ou mesmo “Lisboa toma conta de Washington”. Ou até “O IMPÉRIO PORTUGUÊS CONQUISTA E DERRUBA OS EUA COM UM MERO CÃOZINHO: ESTA É A FORÇA PORTUGUESA”
Lula não falou nada no G20 de importância. Não entrou na reunião (de portas fechadas) daqueles que resolveram problemas. “Hey, you’re my man”, disse Obama a Lula, numa confraternizaçãozinha. Mas como Lula não sabe falar inglês, não houve nenhuma resposta. Uma possível resposta: “Yes, you’re my woman too!” Lindo. Lindinhos! Imagine que Obama deva ter dito coisas semelhantes ao presidente da Ucrânia, da Jeranonia, da Cracalonia e do Cerimonial. Em Elsinore, o Castelo dinamarquês onde Hamlet vive seu pesadelo, as palavras paralisam a ação! E nós, espectadores, somos paralisados pelas palavras dos protagonistas.
Lindo. No final, tudo é silêncio e todos aplaudem de boca aberta e queixo caído, queijo nas mãos, como se lideres políticos fossem heróis, mentirosos atores que são!
Os artistas também se elogiam uns aos outros. Caetano diz que Chico Buarque “é o Cara” (em outras palavras, claro). Harold Pinter elogiava Beckett (de quem sugava tudo) e os pintores abstratos expressionistas da década de 50 se defendiam uns dos outros e não uns aos outros. Dessa forma, o mundo cria pequenos grupos, como G20, como o G220, como o G2220, ou como o Expresso 2222, que se auto-protegem ou auto Protógenes. Indignados com a estagnação ou com a auto-consciência do que está por vir (o mistério do envelhecimento), o Protógenes Sofoclógenes Platógenes criou um monstro Freudológenes que não aponta mais para o futuro e sim para o passado. Estamos em plena era da revisitação. Notaram? Estamos correndo atrás do tempo perdido, correndo dos erros dos bancos e do sistema. Qual sistema? Do imaginário das palavras. Estamos correndo atrás de uma depressão econômica.
Ah, menos em Portugal, onde o cão ainda é um puppy de seis meses, presente do Senador Ted Kennedy, e aquele país de velhos envelhecidos finalmente poderá levar seus poucos jovens para as ruas do Bairro Alto, ou de Alcântara ou de Alfama e berrar: O MUNDO é LOSER, quer dizer, o MUNDO É LUSO!
Gerald Thomas, 15/Abril/2009
(O Vampiro de Curitiba na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: auto-elogios, Beckett, Bo, Caetano Veloso, Casa Branca, Chico Buarque, CPI, década de 50, depressão econômica, França, G20, Hamlet, Harold Pinter, imaginário das palavras, imprensa, IMPUNIDADE, Lisboa, Londres, Lula, New York, o cão da familia Obama, Obama, pintores abstratos, pintores expressionistas, Portugal, Protógenes, Sarkozy, Shakespeare, sistema, teatro, ufanismo, Washington
31/03/2009 - 14:38
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Ah, vai ser uma delícia recebê-lo. Há anos não nos vemos! Escrevo, emocionado e orgulhoso, de Zé Celso e de sua companhia maravilhosa de atores “reais”, nobres, engraçados, farsescos, berrantes, bacantes, na boca do lixo, na boca de cena do teatro aberto ao berro do mundo, ao grito para o mundo: esse mundo que não pára nunca de estar no caos.
Então, eu pego os dois no aeroporto, o Zé e o Marcelo, e os trago aqui em casa para começar uma longuíssima conversa que terá prosseguimento com o testemunho do público no Theater Lab (informações aí em baixo). Zé é o grande artista do teatro, de todos os teatros, de todas as formas de teatro, dos “Sertões” até Schiller, e faz um Hamlet que eu chamei de “O maior Espetáculo da Terra”. E era mesmo. Raramente fiquei tão emocionado em teatro. EVER!!!!
A premissa do Zé em teatro não precisa ser explicada. Como o pessoal aqui vai receber o DVD das “Bacantes”, não sei. São entendimentos e compreensões distantes, já que a carnavalização e a antropofagia não fazem parte (culturalmente) do cotidiano cultural americano. Mas Nova York não é a América, propriamente. A Antropofagia aqui se dá em outro nível: é política. É a fagia mesmo, a do ataque bélico. Não a do ‘happening’, que Oswald de Andrade gozoso misturou na semana de 22, e nem aquela que Julian Beck despiu como se fosse o “Nu Descendo a Escada”, de Duchamp.
Com Zé Celso quero poder enxergar o fantasma, os fantasmas ideológicos que existem em mim. Ou melhor, quero poder enxergar os denominadores comuns que nos unem. Por que falei em fantasma? Porque o pai assassinado de Hamlet era um fantasma e Zé Celso é o pai do teatro brasileiro ainda VIVO e muito vivo, o que talvez nos torne um tanto quanto… Mortos. Na verdade estamos todos imobilizados em nossas ações, como o príncipe dinamarquês. E acho que no “Q&A” (perguntas e respostas), depois da exibição do vídeo, vai rolar muito sobre quem somos, o quanto valemos além das palavras, palavras, palavras.
Welcome to New York, Zé Celso!
Gerald Thomas
THEATERLAB 137 West Fourteenth Street – New York
presents
The North American premiere screening of
AS BACANTES 2009


As Bacantes 2009 is a lyrcial Brazilian
re-creation of Eurípedes’
tragi-comedy-orgy The Bacchae as told
in the context of Carneval, first staged
by Ze Celso in 1996.
April 2, 2009 beginning at 5 PM
(3 hrs 35 min w/ intermission)
with English Subtitles
FREE Admission
followed by a Q&A with Brazilian theater legend
Ze Celso (José Celso Martinez Corrêa)
in his first US appearance
Hosted by playwright & director Gerald Thomas
Reservations Recommended – 212-929-2545
Na edição: O Vampiro de Curitiba
Colaboração de Patrick Grant
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos, release
Tags: "As Bacantes 2009", Eurípedes, Gerald Thomas, José Carlos Martinez Corrêa, New York, Patrick Grant, teatro, TheaterLab, Zé Celso
24/03/2009 - 10:40
New York – Caramba! Com os “cartéis” dominando o mundo, acho que nós, os putos, veados e vagabundos deveríamos tentar rebatizar a globalização para “cartelização” do mundo. Leio que Andrew Cuomo, filho do maravilhoso ex-governador do Estado aqui de NY, Mario Cuomo, e agora o nosso Attorney General, diz que convenceu nove entre dez dos principais recipientes dos bônus do AIG a devolverem a grana. Algo em torno de 50 milhões de dólares. Nada mal. Nove em Dez. “Nine out of ten movie stars make me cry, I’m alive” (Caetano Veloso… descendo a Portobello Road, no exílio em Londres, Notting Hill Gate…)
Enquanto isso, o cartel mexicano de drogas se estende até à cidade de Sarah Palin, Anchorage! Caramba! Mas também (pensem!) com baleias e neve ao redor não resta muito o que fazer: o sujeito deve andar que nem um zumbi atrás de qualquer tipo de droga, não é? Diferente do Rio de Janeiro, SITIADA pela POLÍCIA E PELOS BANDIDOS!!!! Por quê? Maconha, cocaína e armas! “Seja marginal, seja herói!“, aquela coisa do Helio Oiticica já era! BASTA! Aquilo era naquela época. Soava bonitinho. Era logo depois de Sartre qie havia endossado Jean Genet com Saint Genet e artistas do mundo inteiro (como Warhol, por exemplo, declaravam seu amor pelo underground [ alguns com velvet, outros nao]. O Helio ainda in love com o Cara de Cavalo. Mas agora? Olha a merda que deu! BASTA! Sério. Eles hoje olhariam tudo isso com REPUGNÂNCIA!
Sim, a cartelização do mundo! E ainda tem gente que defende a tese de que o teatro deve ser feito de “tarjas”. Mas isso é para quem ainda acha que o teatro é o “novo lugar” para ser descoberto. Nós, os veados, putos e vagabundos, que temos uma vivência um pouco mais abrangente, tentamos nos (des)preocupar com a merda que acontece no mundo, como: a China que toma conta de tudo, as pequenas guerras localizadas e que estão extraindo o pouco de ‘humano’ que ainda resta em nós, as doenças RADICAIS e que não precisariam existir se todo o dinheiro do mundo fosse gasto nas coisas certas (e não em bônus para CEO corrupto, que agora devolve…vamos ver…), as pequenas guerras frias entre paises como o Irã, a merdalha entre Israel e vizinhos, a merdalha entre os próprios árabes que não se entendem, a merdalha do Afeganistão que voltou a ser um campo de papoula (imagine a polícia do Rio subindo a Ladeira dos Taba-Maha- jahras! Brigando com o Taleban).
Ah, a cartelização do mundo…
Era sobre Descartes que eu escrevia? Não, né? É sobre os escrotos mesmo. Eles não querem deixar nós, os putos e vagabundos, em paz.
PS.- Ontem foi aniversário do Blog: 10 meses de IG. E obrigado pelos quase 600 comentários do Post anterior!
Ah, não falei em flores e na grande depressão, ou melhor, na CRISE econômica: mas andando na Sexta e no Sábado pelo Village ou Soho e assistindo um ensaio do Philip Glass na City Winery (tudo lotado, sempre, tudo completamente acumulado de gente, e a Dow Jones – the Devil in Miss Jones – estourando novos índices para CIMA) começo a ter minhas dúvidas o quanto é retórica e o quanto não é “remanejamento” dos… cartéis!
Gerald Thomas
(Vamp na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: 10 meses de Blog no IG, AIG, Andrew Cuomo, Caetano Veloso, Cartelização do Mundo, CEO, cocaína, Descartes, Dow Jones, Globalização, Helio Oiticica, Londres, maconha, Mario Cuomo, New York, Philip Glass, policia, Rio de Janeiro, Sarah Palin, Sartre, Taleban, teatro, tráfico de drogas
20/03/2009 - 10:41
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New York – Mas os políticos e banqueiros, todos vestidinhos com seus terninhos, ah… Que bonitinhos… Tão limpinhos! Volta e meia, tombam. Para cada um que aparece ou é “pego em flagrante”, como o ex-governador de NY, o Eliott Spitzer (num ring de prostituição e drogas), ou o ex-governador de New Jersey (pego em flagra na cama com outro homem), imaginem aqueles tantos que não são pegos.
Quero dizer, eu não imagino. No meu círculo eu ouço mesmo! Sim, pessoas são nomeadas. É cada coisa! Pelo menos nós, artistas veados, putos e vagabundos nada temos a esconder. Drogados e sanguessugas que somos, sempre colocamos tudo no topo da mesa, nós mesmos, sem meias palavras: desde Puck (no “Sonho de uma Noite de Verão”), até o Bobo (em “Rei Lear”), ambas de Shakespeare, os dois mentem dizendo a verdade. Ambos deitam e rolam em mentiras (que vem a ser a essência da verdade). Ambos falam asneiras (que vem a ser a mais pura razão).
E mesmo quatrocentos e tantos anos depois de Shakespeare a politicalha ainda não aprendeu que é melhor “escancarar”, ou seja, que é melhor ter a nossa cara do que se fingir de certinho! Incrível. Incrível mesmo, porque… mais cedo ou mais tarde (assim como aconteceu com o ex-prefeito de Washington DC), vão pegar o cara fumando crack, ou vão pegar alguém dando o cu, ou vão pegar alguém trocando de papeis e falando frases que não são deles ou delas. Teatro! Esse é o nosso papel. Estamos sendo roubados todos os dias! Os políticos não assaltam somente os cofres públicos: assaltam a NOSSA PROFISSÃO!
É justamente isso que fazemos todos os dias, nós, os putos, os veados, os vagabundos! E nos aplaudem em pé! Quando não nos vaiam, claro. Mas mesmo quando nos vaiam, estão demonstrando uma forma de repugnância não propriamente a nós, mas à nossa forma de representar vocês, eles, a sociedade como um todo. Daí talvez o choque.
Ah, e quanto ao aplauso: ele dói aos ouvidos. Por quê? Porque não existe nada mais hipócrita. Melhor mesmo seria enfiar o sorvete de casquinha no meio da testa! Aí, sim, tudo estaria nos conformes.
Ah, os artistas e os políticos e a sociedade…
Nós não temos jeito mesmo! E agora, para mais um ato! O Ato final? Como seria? Mais ou menos como esse do AIG que temos presenciado. Um diz uma coisa. Outro dia outro diz outra. No terceiro dia aparece outro que diz “eu preveni a todos que seria assim, já faz anos”. Daí aparece o antagonista dos antagonistas: Bernie Madoff.
A comédia do terror não tem fim.
Ou melhor, tem sim. Com muita maquilagem e muito cristal japonês, o verdadeiro teatro nunca esteve no palco. Que M.E.R.D.A.!
Gerald Thomas, 20 de Março de 2009.
(O Vampiro de Curitiba na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: "Rei Lear", "Sonho de uma Noite de Verão", AIG, artistas, banqueiros, Barnie Madoff, Bobo, Eliott Spitzer, hipocrisia, New Jersey, NY, Política, políticos, Puck, Shakespeare, sociedade, teatro, Washington
16/03/2009 - 14:46

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Terça-feira, 16 de março de 2009
Peça do inglês Tom Stoppard é lida hoje na Folha
“Travesties” flagra efervescência de Zurique no fim da década de 1910, quando lá moravam Tristan Tzara, James Joyce e Lênin

Elenco e diretor (ao centro, de camisa verde) de “Travesties’ durante ensaio para a leitura
REPORTAGEM LOCAL
Na Zurique de 1917, consta que o revolucionário Lênin (1870-1924), o precursor do dadaísmo Tristan Tzara (1896-1963) e o escritor James Joyce (1882-1941) viviam na mesma rua, mas nunca se cruzaram.
O dramaturgo inglês Tom Stoppard “consertou” esse infortúnio histórico em “Travesties”, peça de 1974 lida hoje, no auditório da Folha, com direção de Caetano Vilela -que pretende montá-la como “Farsas Burlescas”.
No enredo, a sala da casa do funcionário da embaixada britânica Henry Carr (outra figura que de fato existiu) e uma biblioteca da cidade suíça acolhem encontros ocasionais do trio de notáveis.
O relato é conduzido pela memória de um Carr já velho, cheia de imprecisões e solavancos -mas capaz de manter intactas as discussões sobre a função política do artista e o estado da arte em regimes totalitários que pautaram sua relação com as figuras históricas. Como é caro a Stoppard, a dramaturgia de “Travesties” tem traços de metalinguagem.
Aqui, ele dialoga com “A Importância de Ser Fiel”, crítica de costumes de Oscar Wilde (1854-1900): ator diletante, Carr é convencido a participar de uma montagem do clássico.Ópera Seca
Vilela, que faz sua estreia como diretor da Cia. de Ópera Seca (fundada por Gerald Thomas), conta que descobriu o texto durante a preparação da ópera “Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk”, há três anos: “Pesquisando a censura dessa ópera [pelo Partido Comunista russo, em 1936], cheguei a autores contemporâneos que tratavam de arte e poder. E Stoppard era um deles. Quis adaptar “Rock’n'roll” (2006), mas os direitos tinham sido comprados. Então me lembrei do ‘Travesties’.
Em uma conversa telefônica, Stoppard avisou: “Veja bem, esse é um dos meus textos mais difíceis. Você não sabe onde está se metendo”. O diretor não se assustou: “Apesar do discurso político sobre o papel do artista na sociedade e da linguagem elaborada, ele mesmo disse que não era para ver a peça como tese: tratava-se de uma comédia, um divertimento”.
Sessão dupla
A obra, que nunca foi encenada na América do Sul, está em pré-produção e deve estrear no circuito em outubro deste ano, em teatro ainda não definido, para uma temporada de três meses. “Essa é a primeira leitura pública do texto, e nosso projeto é que ele seja apresentado em um programa duplo, com encenação da obra que inspirou Stoppard”, explica Vilela.
A ideia é reunir “Travesties” e “A Importância de Ser Prudente” no mesmo teatro, em apresentações paralelas. Vilela ainda esclarece o significado do título da montagem. “O espetáculo nada tem a ver com o termo ‘travestis’, mas trata de um estilo teatral baseado na paródia, que também é utilizado na peça de Oscar Wilde.”
A leitura de “Travesties” reúne os atores Fabiana Gugli, Marco Antônio Pâmio –também responsável pela tradução da obra–, Sabrina Greve, Anette Naiman, Laerte Mello, Germano Melo, Mauro Wrona e Theodoro Cochrane.
Al. Barão de Limeira, 425, 9º andar, região central, São Paulo, SP. Seg. (16): 20h. Grátis. Não recomendado para menores de 14 anos.
LEITURA DA PEÇA “TRAVESTIES”
Quando: hoje, às 20h
Onde: auditório da Folha (al. Barão de Limeira, 425, 9º andar, Campos Elíseos)
Classificação: não indicada a menores de 14 anos
Autor: gthomas - Categoria(s): release
Tags: "Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk", "Travesties", Caetano Vilela, Folha, James Joyce, Lênin, ópera Seca, teatro, Tom Stoppard, Tristan Tzara
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