15/07/2008 - 16:33
BlogNovela – parte 10 TRAGÉDIA!
Alguém entra no quarto. O autor não presta atenção, mas a porta abre lentamente. Uma sombra de figura aparece e pára na Franca Rame da porta. O que foi que eu disse? Franca Rame? Moldura, óbvio. Que bobagem. Moldura da porta. A porta não passa de uma pintura híper realista.
Nesse momento acontece algo inédito. Não, inédito não. Autor e narrador se confundem, ou melhor se fundem e viram uma só pessoa. Assim como no parágrafo acima, o narrador se “entrega” e diz “O que foi que EU disse?”
Pronto. A BlogNovela chega a um ponto crucial. Narrador e personagem jamais podem ser vistos juntos assim como Clarke Kent e Superman ou Lula e o autista, digo, artista da esquina. Assim, ao abrir da porta, o autor se dá conta de que, além do enorme clarão de luz, um ser muitíssimo estranho estava lá de pé. Digo estranho e de pé. Plantado lá, e ainda assim, e de pé. O autor no chão, como numa câmara de tortura, dias sem luz e água, num chão de cimento, incomunicado e incomunicável no pior estilo Guantanamo, e já sendo procurado pelos seus blogueiros e pela Amnesty International, Human Rights Watch e Red Cross International, a figura de pé finalmente diz alguma coisa.
F - Era que…
Autor – Como?
F - Era que….
Autor – Desculpa, mas…..está escuro, molhado, digo….úmido, digo, húmido, quente, essa fumaça e eu não esperava…
F – Eu queria te dizer que vim aqui assinar…
Autor – Assassinar?
F- Assinar. Papel. Soltura. Habeas Corpus. Estou aqui para…
Autor – Vem, deita aqui do meu lado. Tô carente, nu, molhado….vem.
F- Sou Juiz dos Céus!. Pára com isso! Os papéis estão aqui (faz sinal de comando pros guardas)
O autor é carregado pra fora da cela. Dão um rápido banho nele. Devolvem-lhe o terno, gravatas de Sobel, e ainda ganha um sapato da Prada.
Autor – Foi a Franca Rame? Foi O Dario Fo?
F- Não, foi o Supremo. Foi o Reino Supremo de Deus. Aqui não queremos prender ninguém. Você é poderoso. Têm as costas e os membros duros e quentes. Sabe muita coisa. Sabe quem é Franca Rame e Dario Fo, Pirandello e outros italianos que escrevem ou escreviam. Pronto, aqui estão os teus papéis querido: pega o primeiro avião. Estás solto. Não tem mais problema. Ninguém mais te põe a mão.
Autor – Mas e essa investigação, esse sofrimento, há quatro anos? Eu morria de medo, entende? Por isso me meti na tal. Não, Natal não, na tal da BlogNovela…pra tentar desaparecer..
F – Não se preocupe. Aqui é assim. Preferimos Hamlet ou melhor, Fortimbras, o braço forte de Shakespeare, seu contraregra, seu ítalo/brasileiro, BRAS, isso lá em 1500 e caquerada…e o resto é silencio! Se, por acaso alguém te ameaçar de novo, tem problema não (tosse!)
Autor – Saúde!
F- Sei lá, preciso cuidar da saúde. Mantive uma curiosa relação com um transex….Esquece. Demos um jeito naquilo, naquela também. Introduzi os bombons de licor!
Autor – Aquela traveca com o bafômetro foi o Senhor?
F – Temos as nossas Listerines, não é?. Vá. Vá pra casa e defenda os seus opportunities meu filho.
Autor e F se despedem. Assim, como no pior estilo de um filme pulp, o autor atravessa uma longa pista de aerporto coberta de fog. Ainda olha pra trás pra ver se Ingrid Bergman o está seguindo para chamá-lo de volta. Mas percebe que a cena está invertida. O jatinho hoje é moderno e não estão em Casablanca. O triste tema “A Dream is just is just a dream” não lhe sai da cabeça enquanto pensa “eu sou livre” e “He’s looking at you kid”. Mas livre do quê? E todos os meus amigos? Todos aqueles amigos do Blog com quem eu queria montar M.O.R.T.E. versão 3?
Ainda do alto da escada no jatinho, o autor acena para o juiz e percebe que terá o restos de seus dias SOZINHO, mesmo que em liberdade.
O avião decola. Algumas pessoas assistem e notam um logo estranho, novo na cauda do avião: “DantasAir/ Devine Comedy”
Minutos apos a decolagem, ouve-se uma enorme explosão. FLASH and CRASH!!!!
No rádio e na TV os rumores são de que o autor, finalmente, conseguiu montar seu M.O.R.T.E. finalmente na mais santa impunidade e seguindo a regra sagrada do país que ama, onde roubar ainda é uma arte sagrada quando se faz parte de uma elite intocável.
Ensaio de FIM
Autor: gthomas - Categoria(s): BlogNovela
Tags: Bafômetro, BlogNovela, Bras, Casablanca, Clarke Kent, Dario Fo, FLASH and CRASH, Franca Rame, habeas corpus, Hamlet, M.O.R.T.E., Shakespeare, STF, Supremo Tribunal Federal
11/07/2008 - 20:04
Polêmica
Não tem como deixar de falar sobre a polêmica causada pelo prende-e-solta-e-volta-a-prender protagonizado pelo Ministro do Supremo Gilmar Mendes e a Policia Federal. No centro das atenções alguns dos figurões mais emblemáticos da Banânia: Daniel Dantas, Celso Pitta e Naji Nahas.
A Polícia Federal, depois de uma investigação que dura há pelo menos 4 anos, deflagra a Operação “Satiagraha” e mete na cadeia pessoas poderosas acostumadas a influenciar os destinos do país, conquistar riquezas e com isso cada vez mais influenciar a vida política no Brasil. Eis que surge Gilmar Mendes, ministro e Presidente do Supremo Tribunal Federal. Critica a operação e decide libertar Daniel Dantas e seu grupo. Isto na calada da noite, depois de todas as TV’s brasileiras exibirem cenas onde mostram agentes de Dantas subornando um delegado da PF com um milhão de dólares. Detalhe do comentário entre o tal delegado e funcionários de Dantas: “O problema é na primeira instância, no Supremo e no STJ a gente tem facilidades.” A alegação de Mendes é que Daniel Dantas não teria motivo para ficar preso, pois não atrapalharia as investigações da polícia. Se tentar comprar um delegado da Polícia Federal por um milhão de dólares não é atrapalhar as investigações, então não imagino o que seria preciso fazer para que merecesse ficar preso. Talvez assassinar todos os investigadores?
Mas parece que a PF já conhecia o caráter “libertário”, digamos assim, do ministro Gilmar Mendes e já contava com a soltura de Dantas. Reuniu mais provas de que a tentativa de suborno era realmente orquestrada por Dantas e pediu sua prisão preventiva. Agora, em vez de cinco dias da prisão provisória, Dantas pode ficar preso por tempo indeterminado. Gilmar Mendes? Mandou abrir uma investigação contra o juiz da primeira instância que concedeu o pedido de prisão preventiva contra seu cliente, digo, contra o réu.
O engraçado é que o argumento daqueles que defendem o ministro Gilmar Mendes é justamente a “desinstitucionalização” dos poderes da República, ou seja, o enfraquecimento das instituições. Há algo que enfraqueça mais os poderes da República do que cuspir na Polícia Federal mandando soltar um preso que acabara de subornar um delegado da própria polícia? Será que as ações de Gilmar Mendes contribuem para o fortalecimento do Supremo? Alguém aí sabe me dizer o nome de um único político que foi condenado pelo Supremo?
“Ahh, mas a PF age a mando do Governo, ela se transformou numa polícia política.” É mesmo? Dantas tem amigos tucanos? Pois garanto que têm muito petista preocupado com o que Dantas tem a falar. “É, mas nunca vi um petista sendo preso!” Olha, a PF pediu a prisão de ninguém menos que Luis Eduardo Greenhalg, petista histórico, íntimo de Lula e advogado de… Dantas. O judiciário não concedeu o mandado de prisão, sei, mas que a PF pediu, isso pediu! Já está, inclusive, sendo exibido na imprensa, diálogo tirado das gravações do monitoramento telefônico onde conversam Greenhalg e Gilberto Carvalho, secretário íntimo de Lula. E esse diálogo não é nada confortável ao PT. Não, a PF não quer saber se Dantas é amigo de Dirceu ou inimigo de Gushiken e se ambos são inimigos de Tarso Genro ou Dilma Roussef. E o povo não quer saber se o preso é tucano ou petista, quer ver os canalhas em cana!
Vampiro de Curitiba
A Frase da Semana
Claro, a Frase da Semana não poderia fugir ao contexto dos últimos acontecimentos. Toda a discussão se deu por conta das críticas do ministro Gilmar Mendes contra os “excessos” da Polícia Federal. Esses “excessos”, também denunciados por políticos de todos os partidos, se resumem ao uso de algemas em pessoas ricas e ao fato de se fazer “espetacularização” das operações da PF. Quanto ao espetáculo, não é a polícia quem faz, mas sim a imprensa. E tem mesmo que fazer! Assim, talvez alguns canalhas pensem duas vezes antes de passar a mão grande no nosso dinheiro. Quanto ao uso de algemas, a leitora RENATA fez o comentário que ganhou a Frase da Semana: “Nós temos varios exemplos de injustiças, que vão alem de um par de algemas. Para uma pessoa que rouba uma lata de manteiga fica presa por meses, quem rouba milhões nao merece nem uma algema? Me poupe.”
Parabéns, Renata! O povo não é bobo, não! Não vi ninguém se queixando do empurrão que o porteiro do Dantas levou de um policial federal. O problema é o Dantas. Ninguém quer vê-lo algemado. Por que será???
Vampiro de Curitiba
Autor: Ana - Categoria(s): Colaboradores, Frase da Semana
Tags: Celso Pitta, Daniel Dantas, Dilma Roussef, Gilmar Mendes, Gushiken, José Dirceu, Lula, Naji Nahas, O Vampiro de Curitiba, Operação Satiagraha, PF, Polícia Federal, Política, PT, STF, STJ, Supremo Tribunal Federal, tucanos