20/09/2008 - 13:19
Medo! Petróleo sobe. Viagra desce! Parece estar tudo numa montanha russa. Não, russa não, americana. Não, americana não, globalizada!
Ivestidores com tremores de medo e com ele na reta porque o pessoal aqui em Washington está demorando para mostrar um plano detalhado de como será o MAIOR RESGATE GOVERNAMENTAL DA HISTÓRIA. Como assunto mais que batido da semana passada, essa é a mera continuação do tal “bailout” que o Fed e o Governo estão fazendo. Mas a incerteza deixou os ivestidores inseguros e esse “abalo”, esse, digamos assim, SUSTO (coisa de bruxaria, parece vudu) deixou todo mundo cabisbaixo como num filme “noir” ou com a cara no ar! E… pimba! O Dow Jones cai 372 pontos e o barril de petróleo sobe pra 16 dólares e esse blog não fala em outra coisa, mas logo, logo, volta a se falar em cultura.
“Ah… o que eu posso dizer? Todos os mercados estão fora de controle agora” diz Tom Bentz, analista da BNP Paribas. Ah… o teatro também está fora de controle, digo eu, e vem aí INTERVENTION (não é estranho?) no SESC da Av Paulista, assim que eu chegar ao Brasil.
___________________________________________________________________________________________________
Socialismo para os ricos
John Hemingway
“A primeira panacéia de uma nação mal governada é a inflação monetária; a segunda é a guerra. Ambas trazem uma prosperidade temporária; ambas trazem uma ruína permanente. Ambas são o refúgio de políticos e economistas oportunistas” (Ernest Hemingway, 1932)
É esse o grande terremoto? O arraso, digo colapso financeiro que alguns previam nos últimos dois anos? Bom, eu não sou nenhum “expert”, mas quando o governo americano investe ou simplesmente “entrega” 85 bilhões de dolares para praticamente nacionalizar a maior companhia de seguros do mundo (AIG), então mudanças fundamentais estão vindo.
Os fornecedores do capitalismo e do “choque e espanto”, os conquistadores de Bagdá, os destruidores de Nova Orleans, aqueles que são os “condutores do nosso Senhor” (através de “W”. Bush, através de quem Deus fala), abraçaram o socialismo! Pelo menos para os ricos.

Longe de ser um ignorante sobre finanças, McCain estava correto quando disse que a economia é basicamente saudavel. Nosso sistema de bancos, firmas de seguro e empresas funciona para proteger os que estão no poder. São geridos pela elite do país (o Fed não é um banco estatal). É um sistema fechado onde os lucros (quando os tempos estão bons e a grande bolha está crescendo) são privatizados e as perdas socializadas. Os apostadores da bolsa americanos e os jogadores da ciranda financeira de Wall Street que causaram o arraso são os primeiros a passar a bola para a frente. Nós, filhos e netos, estaremos pagando esse fiasco deles por anos e anos. O que significa menos dinheiro para a educação, saúde, para reconstruir nossas cidades decadentes nem para nada que melhore nossas vidas.
E será isso que a elite irá chamar de um doce acordo!
(tradução de Lucio Jr.)
Capitalismo Para os Pobres
O Vampiro de Curitiba
Não, a crise não quebrou o Mundo Civilizado! As bolsas do mundo inteiro se recuperam e a Economia dá sinais de que a normalidade está próxima.
A Al Qaeda se precipitou na comemoração. Ainda não podemos eleger Irã, Cuba ou Venezuela como paraísos na Terra. Teremos que conviver, por mais uns séculos, com a democracia e a liberdade. Parece que estamos mesmo fadados a sermos livres. Acostumem-se!
Analisando, agora, sem radicalismos, os últimos acontecimentos nos Estados Unidos e, por conseqüência, no mundo, pergunto? Quem foram os responsáveis pelo início da quebradeira (que não aconteceu)? Eu mesmo respondo: Aqueles que não honraram suas dívidas levando uma desconfiança generalizada ao mercado financeiro. Ou seja: Aqueles que não pagaram suas hipotecas. Melhor ainda: Os mais pobres. E quem evitou a quebradeira geral? Bush, claro. Mas com o dinheiro de quem? Daqueles que pagam seus impostos e não dão calotes em financeiras: os mais ricos.
Eu sou contra a intervenção do Governo na Economia. Agora, chamar esta intervenção de “Socialismo” ou coisa que o valha, me desculpem, mas me parece delírio. Tirar dinheiro público que poderia estar sendo usado na guerra contra o Terror para salvar milhões de empregos em todo o mundo não é, definitivamente, socializar prejuízos.
Ahh, por falar em Guerra, sou a favor. De todas. Afinal, não se evita uma guerra, apenas adia-se o seu início. Seria muito bom se não existisse Hitler, Saddam, Osama (eu disse Osama!), mas enquanto existirem vermes como estes torcendo pelo fim do mundo livre, nada melhor que uma guerra para nos tirar do tédio.
John, sinceramente, eu não consigo entender: Se Bush socorre o sistema, está “socializando o prejuízo”. Se não socorre, é insensível, não se preocupa com milhares de empregos que desapareceriam de uma hora para outra… Realmente, é uma “estranha tribo”.
PS.: Reinaldo Azevedo, morra de inveja! Enquanto você fica batendo boca com mascates e anões morais do submundo, eu estou aqui, discutindo com Gerald Thomas e John Hemingway. A vida é mesmo injusta para alguns, né?
Autor: gthomas - Categoria(s): Colaboradores
Tags: "CALOTES", A GRANDE DEPRESSÃO DOS ANOS 30, AIG, AL QAEDA, Bagdá, capitalismo, Crise Monetária, Cuba, democracia, dinheiro público, economia, EMPREGOS, Ernest Hemingway, Estados Unidos, Gerald Thomas, governo, guerra, HIPOTECA, Hitler, impostos, Inflação Monetária, Irã, JOHN HEMINGWAY, liberdade, McCain, mercado financeiro, NOVA ORLEANS, O Vampiro de Curitiba, OPORTUNISTAS, OSAMA, Política, políticos, prosperidade, Reinaldo Azevedo, Saddam, socialismo, Tribos, Últimos Acontecimentos, Venezuela, WALL STREET
09/08/2008 - 07:58
MAIS TARDE, NESTE ESPAÇO: A MAIS INACREDITÁVEL OVAÇÃO À VIOLAÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS JÁ VISTA!!! UM ESPETÁCULO MONUMENTAL DE COMO VALIDAR A PRISÃO PERPÉTUA , MORTE, TORRRRRTURA, ETC, EM NOME DA LIVRE EXPRESSÃO!!!!! E um artigo que escrevi e que o Arthur Xexeo (colunista e editor do Segundo Caderno do Globo) conseguiu resgatar (thanks, Xexéo!) dos arquivos (de 1999) sobre o Livro do Ruy Castro “Ela é Carioca”, em que Castro e a Cia das Letras – nas primeiras linhas da minha bio, diziam que minha avó era amante de Hitler e de Goebbles!!!!! Isso deu início à lenta degradação moral e fisica e acabou levando minha mãe ao túmulo! Ontem fez dois anos que ela faleceu!
Eis o texto:
O que assusta é a banalização.
Dirigindo pelas ruas de Londres, ontem, dia 9, era nítido como grupos e mais grupos de pessoas se acumulavam pelo centro com bandeiras e faixas se OPONDO às olimpíadas.
No mais, O West End (parte central e turística da cidade) estava lotada como sempre, e os Pubs engarrafados, gente bêbada, aos berros e vários deles (aqueles que queriam mostrar os jogos) tiveram suas tvs desplugadas ou quebradas pelos usuários. Sim, os ingleses são incrivelmente politizados. Foi justamente aqui, em março de 2003 que participei da “one million march” contra a invasão do Iraque. Não adiantou. Alistair Campbell forjou o documento que fez com que Blair se juntasse a Bush. E a Grã-bretanha foi junto na leva e bombardeou Bagdad.
Voltando às Olimpíadas: NOJO! E, ao mesmo tempo, como uma DITADURA consegue, como ninguém, montar um BELÍSSIMO ESPETÁCULO (assim me dizem): O homem voando com a tocha na mão!
Mas qual outro significado pode ter esse “super-homem” olímpico criando ILUSÕES com fogo na mão?
Ilusão! Bem, uma ditadura não é ilusão! Controle de informação também não é! Lembram as Olimpíadas de 1936, na Alemanha de Hitler? Lembram quando a Seleção de Futebol da Inglaterra teve que fazer o “heil salut”? Não, não lembram! Ninguém lembra! Melhor esquecer. É mais conveniente desassociar POLÍTICA de ESPORTE. Mas infelizmente, não dá! EU DISSE: NÃO DÁ!
Estou ouvindo a BBC RADIO 3 que está em Shanghai entrevistando uma musicóloga chinesa tentando nos fazer entender a “cultura musical pura” da China. De estatal a estatal. Tem lá suas belezas, não nego! Mas… a palavra “pura” me dá medo! Esses grandes eventos são políticos e, num país com TOTAL controle político, o óbvio fica sendo um jacaré nadando de costas, como na camisa “lacoste”, all made in China.
Não quero me alongar muito, pois quero focar num único assunto: DIREITOS HUMANOS. A quebra das CONVENCÕES, o que significam regimes TOTALITARISTAS, os que matam, torturam, exilam, desterram as pessoas. Em nome do quê? De uma ideologia, de uma língua, de uma unificação de uma raça pura, de um deus, de um bode, de um aspirante a guru, de uma montanha mágica, de um santo de plástico ou mesmo de uma nota de dólar ou um barril de petróleo que seja. Todas as formas são terríveis pois desumanizam seres humanos como eu e você! Destroem famílias, acabam com a dignidade de crianças, de civis, ou seja, daqueles que nada tem a ver com isso.
Este texto, por tanto, é uma homenagem aos PRISIONEIROS de CONSCIÊNCIA do mundo inteiro. Vale pelos anos que dediquei, na década de 70, também aqui em Londres. Anos em que trabalhei na sede da Amnesty International, depois para o Russell Tribunal e depois em Roma, pela “Liga Internacionali dei Popoli”, do Senador Lélio Basso.
O texto foi escrito para “O Globo”, por ocasião do lançamento do livro “Ela é Carioca”, de Ruy Castro, que visa contar a biografia de Ipanemenses. A minha já começou da forma mais errada possível e acabou com a morte da minha mãe, em 7 de agosto de 2006. Esse texto é uma homenagem a todas as vítimas de todos os holocaustos diários: os jogos Olímpicos ocorrendo na China vêm a ser somente MAIS UMA no nosso dia a dia.
Texto (obrigado, Arthur Xexéo, por resgatá-lo!)
“Pode ser que para um brasileiro de origem cristã esse assunto nem exista, esteja ultrapassado, digerido. Muita gente não se dá mesmo conta de como é pesado, perverso e permanente o reaparecimento do fantasma nazista. Quando menos se espera, quando o dia está bonito e a vida vai bem, ele te chega, como um soco na cara. No meu caso, foi no meio de uma palestra em São Paulo segunda-feira. Alguém da platéia perguntou: “é verdade que sua avó era amiga de Hitler?”. Achando não ter ouvido, devo ter ficado alguns segundos em silêncio. Ou soltei uma daquelas risadas histéricas.
Eu não sabia que se tratava de uma pergunta séria. Não tinha idéia de que o perguntador havia lido tal afirmação num livro. “Como????”, perguntei, “minha avó era judia!!. Perdeu tudo. Perdeu família, casa, dignidade… tudo!!!! Como assim, amiga de Hitler??? COMO ASSIM, AMIGA DE HITLER????”, devo ter berrado num tom constrangedor.
Para as pessoas que viveram ou foram criadas sob a sombra gélida do Holocausto, a Kristalnacht e outras atrocidades do terceiro Reich, a mera insinuação de tal coisa traz à tona uma perplexidade sem nome. Não é nem um mal estar, ou uma repulsa. Talvez esse sentimento possa ser melhor descrito como uma mistura de humilhação e degeneração instantânea de auto-estima. Muitos que sobreviveram ao Holocausto se suicidaram por não achar um termo para tamanho paradoxo.
Não posso explicar o grau de crueldade que é, para mim, abrir um livro numa página que visa a contar a minha biografia e ler, na primeira linha, que minha avó era amiga de Hitler e Goebbels. A frase seguinte é ainda pior: “foram muito generosos com ela”. Não posso descrever o que foi isso para a minha mãe. Trauma? É pouco. No caso dela, o destino parece ser extremamente demoníaco, pois não bastou a guerra, e se encontrar no porão de um navio rumando para não sei onde, tendo sua identidade roubada e arrebentada pelo regime nazista. Cinqüenta anos depois, ostraumas voltam travestidos de uma forma quase simpática, carinhosa, transformando o seu maior problema em vida (o nazismo) num comentário passageiro, piada, nota “leve”.
Acho que é isso o que mais me abala. A banalização. A falta de memória. A alienação constrangedora. Não posso deixar esse episódio passar em branco. Estaria traindo muita gente, a própria História e o rumo que o mundo tomou depois desse deplorável regime. Estaria traindo os que, como Spielberg, Wiesel e tantos outros, se esforçam diariamente para não deixar a amnésia e a burrice causarem danos ainda maiores que as feridas deixadas pelos nazistas. Minha avó? Desembarcou na Praça Mauá no início da guerra, com a roupa do corpo, desceu do navio e olhou em volta. Não tinha um centavo. Mesmo assim, deve ter dado um suspiro de alívio quando viu que estava nos trópicos, longe dos assassinos, num mundo novo. Tadinha. Morreu sem imaginar que alguém, algum dia, seria capaz de transformar todo o seu sofrimento e a sua miséria, numa graça ligeira em verbete de livro. Que pena, gente. Que horror! Deus me livre!
GERALD THOMAS é dramaturgo
Dezembro de 1999
O Globo”
(Vamp na edição)
do Blog do Alberto Guzik (linkado a esse blog na coluna da direita ai do lado) um trecho maravilhoso (o texto in full esta no blog dele, num post de hoje
……”já podia antecipar o que viria pela frente nesta abertura. toda a multimilenar cultura chinesa foi desfraldada de maneira mega-super no assustador ninho do pássaro, o estádio que parece saído de um cenário de pesadelo de filme expressionista. tudo muito incrível. números aparentemente improváveis, reunindo centenas de integrantes, executados de forma impecável. uma coreografia de cubos que nunca vou esquecer. e o que foi aquilo das roupas pontilhadas de leds que acendiam e apagavam em sincronia, formando figuras, ideogramas? e a pira olímpica acesa por um atleta voador? que espetacular, vão dizer. tudo isso me emociona? não. me assusta. grandioso demais, ostentoso demais, novo-rico demais. muito distante da elegância do tao, da sobriedade de confúcio (o que foi o número dedicado a ele? superproduzido e nada confuciano), da precisão ideogramas chineses. a cerimônia foi alimentada pelo espírito desse cinema sensacional que produz coisas como “o tigre e o dragão” e o ”clã”, proporcionando espetáculo em lugar de reflexão. mais uma abertura das olimpíadas da era do espetáculo. marketing. por que não acredito na promessa de paz que a coreografia tanto exaltou na última coreografia? os excessos de brilho, de gente, de luz, desse show haverão de jogar purpurina nos olhos de muita gente. eu mesmo me pilhei emocionado aqui e ali. estavam manipulando a gente direitinho. que show é esse que me faz ter medo dele? que espetáculo é esse onde vejo alguma coisa …”A Guzik
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: "Ela é Carioca", "Liga Internacionali dei Popoli", "O Globo", "one million march", Amnesty International, Arthur Xexeo, bagdad, banalização do mal, biografia, china, comunismo, consciência, década de 70, DIREITOS HUMANOS, ditadura, Goebels, Hitler, holligans, Holocausto, jogos, judeu, LIVRE EXPRESSÃO, olimpíadas, prisioneiros, PUB, Ruy Castro, Senador Lélio Basso, socialismo, totalitarismo