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	<title>Gerald Thomas &#187; Shakespeare</title>
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		<title>Minha &#8220;INDEPENDÊNCIA OU MORTE&#8221; -TUDO A DECLARAR – “It’s a Long Goodbye”</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 12:05:22 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[

New York &#8211; Meus queridos, cheguei num ponto crucial da minha vida. O MAIS crucial até hoje. Um asterisco. Aliás, já estou nele há algum tempo e percebo que não adianta resmungar pra cima e pra baixo. Finalmente tomei uma decisão. 
“Transformar o mundo: acordar todos os dias e transformar o mundo”, dizia a voz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center">
<p style="text-align: center"><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/09/urna.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-10156 aligncenter" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/09/urna.jpg" alt="" width="226" height="260" /></a></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">New York</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> &#8211; Meus queridos, cheguei num ponto crucial da minha vida. O MAIS crucial até hoje. Um asterisco. Aliás, já estou nele há algum tempo e percebo que não adianta resmungar pra cima e pra baixo. Finalmente tomei uma decisão. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">“<strong>Transformar o mundo: acordar todos os dias e transformar o mundo</strong>”, dizia a voz de Julian Beck (quem eu dirigi e com quem aprendi tanta coisa). Eu tinha uma vaga noção das coisas. Não  encontro mais nenhuma. Eu tinha uma fantasia. Não a encontro mais. Só encontro aquele auto-retrato de Rembrandt me olhando, ele aos 55, eu aos 55,  um num tempo, o outro no outro, como se um quisesse dizer pro outro: o TEU “renascentismo” acabou: Você morreu. Morri?</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">I can’t go on. And I won’t go on.</span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Beckett, que é o meu universo mais próximo, diria “<strong>but I’ll go</strong> <strong>on</strong>”. Sim, existia uma necessidade de se continuar. Mas olho em volta e me pergunto: Continuar o quê? Não há muito o que continuar.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Minha vida nos palcos acabou</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">. Acabou porque eu determinei que os tempos de hoje não refletem teatro e vice-versa. Também não estou a fim de criar o iTheatro, assim como o iPhone ou o iPod. A miniatura e o “self satistaction” cabem muito bem na decadência criativa de hoje. Mas, se formos analisar o último filme ou CD de fulano de tal, ou a última coreografia de não sei quem, veremos que tudo é uma mera repetição medíocre e menor de algo que já teve um gosto bom e novo.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Claro, minha opção dramatúrgica sempre foi escura, sempre foi dark, se assim querem. De Beckett e Kafka aos meus próprios pesadelos, que um crítico do New York Times disse que eu ”<strong>usava a platéia como meu terapeuta</strong>”. Até que coloquei Freud como sujeito principal da ópera “Tristão e Isolda” no Municipal do Rio. Acho que o resultado todo mundo conhece. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">É estranho. Até 2003, 2005 talvez, ainda fazia sentido colocar coisas em cena. Sinceramente não sei descrever o que mudou. Mas mudou.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Claro que somos seres políticos. Mas isso não quer dizer que nossa obsessão ou a nossa única atenção tenha que ser A política. Ao contrário. A arte existe, ou existia, justamente para fazer pontes, metáforas, analogias entre a condição  e fantasia do ser humano de hoje e de outras eras e horas.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Daniel Barenboim</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">, que nasceu Argentino mas é cidadão do mundo (um dos músicos mais brilhantes do mundo), e cidadão Israelense, achou uma forma de aplicar sua arte na prática. Ele tenta, desde 2004, “provocar”, através da música, a paz entre palestinos e israelenses. Fez um lindíssimo discurso ao receber o prêmio “Wolf” no Knesset Israelense dizendo que sua vida era somente validada pela música que ele conseguia construir com jovens músicos palestinos (presos, confinados – justamente na época em que Israel construía um Muro de separação) e jovens músicos israelenses. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Não sou tão  genial quanto Daniel Barenboim e construir uma peça de teatro é muito mais difícil que abrir partituras de um, digamos, Shostakovich ou Tchaicovski, e colocar a orquestra pra tocar.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">AMNÉSIA TEMPORÁRIA</span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Um trecho de uma sinopse, por exemplo, que escrevi quando os tempos ainda se mostravam propícios:</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">“E em Terra em Trânsito, uma óbvia homenagem a Glauber, uma soprano só consegue se libertar de sua clausura entrando em delírios, conversando com um cisne fálico, judeu anti-sionista, depois de ouvir pelo rádio um discurso do falecido Paulo Francis sobre o que seria a verdadeira forma de “patriotismo”. O cisne (cinismo) sempre a traz de volta a lembranças: “Ah, você me lembra os silêncios  nas peças de Harold Pinter! Não são  psicológicos. Mas é que o sistema nacional de saúde  da Grã-Bretanha está em tal estado de declínio que os médicos estão  a receitar qualquer substância, mineral ou não mineral, que as pessoas ficam lá, assim, petrificadas… cheirando umas às outras&#8230;” </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><em><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Essa “petrificação” que a sinopse descreve, acabou me pegando. </span></em><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">“Os dois espetáculos (Terra em Trânsito e Rainha Mentira), são  uma homenagem à cultura teatral e operística aos mortos pelos regimes autoritários/ditaduras”. </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></strong><em><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Serão mesmo? Homenagens?  Não, não são. Quando escrevo um espetáculo, escrevo e enceno o que tenho que encenar. Não penso em homenagens.</span></em><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">“Mais do que nunca eu acredito que somente através  da arte o ser humano voltará a ter uma consciência do que está fazendo nesse planeta e de seu ínfimo tamanho perante a esse imenso universo: ambas as peças  se encontram em “Liebestod”, a última ária de “Tristão  e Isolda”, onde o amor somente é possível através  da morte e vice-versa.  No enterro da minha mãe, ao qual eu não fui (por pura covardia) uma carta foi lida (mas ela é lida  na cena final de &#8220;Rainha Mentira&#8221;), que presta homenagem aos seres desse planeta que foram, de uma forma ou outra, desterrados, desaparecidos, torturados ou são  simplesmente o resultado de uma vida torta, psicologicamente torta, desde o início torta e curva, onde nenhuma linha reta foi, de fato, reta, onde as portas somente se fechavam  e onde tudo era sempre uma clausura e tudo era sempre proibido e sempre trancado. Então, a tal homenagem se torna real, através da ficção da vida do palco”. </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><em><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Pulo pra outro trecho, lá no fim do programa. </span></em></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">“Essa xícara esparramada nessa vitrine desse sex shop em Munique era um símbolo que Beckett não ignoraria e não esqueceria jamais. Eu também não. Sejam bem vindos a tudo aquilo que transborda. ” </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Por que coloquei esse trecho de programa ai? Não sei dizer. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Liberdade poética pura ou pura liberdade poética. Ou chateação mesmo! Talvez seja um indicador do quanto estou perdido no que QUERO DIZER e ONDE QUERO CHEGAR.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Tenho que sair por aí pra redescobrir quem eu sou.</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> Talvez nunca venha a descobrir. Posso estar vivendo uma enorme ilusão. Mas não me custa tentar. Virei escravo de um computador e virei escravo de uma agenda política imediata da qual não faço  parte. Tenho uma imensa cultura histórica. Imensa. Tão grande que a política de hoje raramente me interessa. Sim, claro, Obama. Mil vezes Obama. Mas Obama afeta o mundo inteiro. Mais eu não quero dizer.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Tenho que sair por aí pra redescobrir quem eu sou.</span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">(<em>nota rápida: acabo de ver o que resta do The Who, Daltrey e Townsend, no programa do Jools Holland: não tem jeito: nenhuma banda de hoje tem identidade MESMO! A garotada babava! E era pra babar mesmo!)</em></span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Sabem? Vale sempre repetir. Fui criado na sombra do holocausto entre os pingos de Pollock e os “ready mades” de Duchamp e os rabiscos do Steinberg. Isso o <strong>Ivan Serpa</strong> e o <strong>Ziraldo</strong> me ensinaram muitíssimo cedo na vida.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">E&#8230; Haroldo de Campos</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Meu Deus! O quanto eu devo a ele! Não somente o fato dele ter sido o curador dos livros que a Editora Perspectiva lançou a meu respeito mas&#8230; a convivência! E que convivência! E a amizade. Indescritível como o mundo ficou mais chato e menos redondo no dia em que ele morreu. E ele morreu na estréia do meu “Tristão e Isolda” no Municipal do Rio. Haroldo não somente entendia a minha obra, como escrevia sobre ela, traçava paralelos com outros autores e criava, transcriava a partir do meu trabalho. A honra que isso foi não tem paralelos. Por que a honra? Porque Haroldo era meu ídolo desde a minha adolescência. O mero fato de “<strong>Eletra ComCreta”</strong> se chamar assim, era uma homenagem aos concretistas. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Mas ele só veio aparecer na minha vida na “<strong>Trilogia Kafka”</strong>, em 1987. Eu simplesmente não acreditei quando ele entrou naquele subterrâneo do Teatro Ruth Escobar.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Nem mesmo a convivência com <strong>Helio Oiticica</strong> foi uma coisa tão forte e duradoura.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Não posso e não vou nomear todas as grandes influências da minha vida. Daria mais que um catálogo telefônico. Já bato nessa tecla faz um tempo. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Philip Glass</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> dá uma graciosa e hilária entrevista a meu respeito (<a href="http://www.vimeo.com/2988089" target="_blank"><span style="color: #0066cc">http://www.vimeo.com/2988089</span></a>). Dura uns 20 minutos. Nela, ele sintetiza, como se num improviso, tudo aquilo que os scholars e os críticos não conseguem dizer ou tentam dizer com oito mil palavras por parágrafo! Essa entrevista também está no <a href="http://www.geraldthomas.com/" target="_blank"><span style="color: #0066cc">www.geraldthomas.com</span></a> ou aqui em vídeos, no blog.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Meu pai</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> me fazia ouvir Beethoven numa RCA Victor enorme que tínhamos. E eu, aos prantos, com a Pastoral (a sexta sinfonia) desenhava, desenhava essas coisas que, décadas mais tarde (na biblioteca do Museu Britânico) iam virando projetos de teatro. Hoje, com mais de 80 “coisas” montadas nos palcos do mundo, olho pra trás e o que vejo? </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Vejo pouco. Vejo um mundo nivelado por uma culturazinha de merda, por twitters que nada dizem. Vejo pessoas sem a MENOR noção do que já houve e que se empolgam por besteiras. Nem bandas ou grupos de músicas inovadoras existem: vivemos num looping dentro da cabeça de alguém. Talvez dentro de John Malcovich.  E, ao contrário de Prospero, ele não nos liberta para o novo, mas nos condena pro velho e o gasto! Até a China tem a cara do Ocidente. Ou então nos antecipamos e nós é que temos a cara da China, já que tudo aqui é “made in China”.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Sim, encontrei <strong>Samuel Beckett</strong>, montei seus textos, encontrei um monte de gente que, quem ainda não viu, não sabe ou não leu – vá no <a href="http://www.geraldthomas.com/" target="_blank"><span style="color: #0066cc">www.geraldthomas.com</span></a> e se depare com o meu universo.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">E gostaria muitíssimo que vocês entendessem o seguinte: quando comecei minha carreira teatral, a vida, a cena aqui no East Village era “efervescente”. Tínhamos o <strong>Village Voice</strong> e o <strong>SoHo News</strong> pra nos apoiar intelectualmente. A “cena” daqui era multifacetada. Eram dezenas de companhias, desde aquelas sediadas no La MaMa, ou no PS122, ou em porões, ou em Lofts ou em garagens, ou aquelas que o BAM importava, <strong>mas era tudo uma NOVA criação</strong>. <strong>Era o</strong> <strong>exercício do experimentalismo</strong>. Do risco.  E os críticos, assim como os ensaístas, nos davam páginas de apoio.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Além do mais, a minha geração não INVENTOU nada</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">. Somente levou aquilo que (frutos de Artaud, Julian e Grotowski), como Bob Wilson, <strong>Pina Bausch</strong>, Victor Garcia, <strong>Peter Brook, Peter Stein e Richard Foreman e Ellen Stewart</strong>, etc., haviam colocado em cena. Faço parte de uma geração de “colagistas” (se é que essa palavra existe). Simplesmente “levamos pra frente, com alguns toques pessoais” o que a geração anterior nos tinha dado na bandeja. Mas quem sofreu foram eles. Digo, a revolução foi de Artaud e não da minha geração..</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Portanto, minha geração não fará parte da HISTÓRIA. Óbvio que digo isso com enorme tristeza. Nada fizemos, além de tocarmos o barco e ornamentarmos ele.<strong> </strong></span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Ah, hoje o Village Voice está reduzido a um jornal de sex ads. Sobre os teatros eu prefiro não falar. Quanto aos grupos, 99 por cento deles, não existem mais e nem foram trocados por outros. Só se vê pastiche. É o mesmo que no mundo da música: é o mesmo bate-estaca em tudo que é lugar.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Esse universo está menor que aquele que Kepler ou Copernico ou Galileu descobriram. O Wooster Group aqui fechou suas portas. Muitas companhias de teatro daqui e da Europa fecharam suas portas. E poucos jovens sabem quem é Peter Brook. Esse ano perdemos Pina Bausch e Merce Cunningham e Bob Wilson, o Último Guerreiro de pé, inexplicavelmente, viaja com uma peça medíocre: “<strong>Quartett” </strong>de Heiner Mueller, que eu mesmo tive o desprazer de estrear aqui nos Estados Unidos (com George Bartenieff e Crystal Field) e no Brasil com Tonia Carreiro e Sergio Britto nos anos 80. Heiner Mueller é perda de tempo.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">E Wilson está tendo enormes dificuldades em manter  seu complexo experimental em Watermill, Long Island, aqui perto, que habilitava jovens do mundo a virem montar mini espetáculos e conviver e trocar idéias com seus pares de outros países.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Sim, o tempo semi-acabou.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Mas somente parte desse tempo acabou. E o problema é meu. Como disse antes: <strong>vou tentar sair por aí pra redescobrir quem eu sou.</strong></span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Mas vai ser difícil. Sou daqueles que viu a <strong>Tower Records</strong> abir a loja aqui na Broadway com Rua 4. Hoje a Tower se foi e até a <strong>Virgin,</strong> que  destruiu a Tower, também se foi e está com tapumes  cobrindo-a lá em Union Square. Parece analogia pra um 11 de Setembro? Não, não é. Falo somente de mega lojas de Cds.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Tive a sorte de seguir as carreiras de pessoas brilhantes, ver Hendrix de perto, ou Led Zeppelin, ou dirigir Richard Wagner, e estar na linha de cuspe de Michael Jackson e de assistir ao vivo o nascimento da televisão a cabo, da CNN, da internet, dos emails pra lá e pra cá. Deram-me presentes lindos como grande parte das óperas que dirigi nos melhores palcos das casas de Ópera da Europa.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">São muitas fantasias que a depressão  não deixa mais transparecer. E o que é a arte sem a fantasia, sem o artifício? É o mesmo que o samba sem o surdo e a cuíca! Fica algo torto ou levemente aleijado.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Não, não estou indo embora. Anatole Rosenfeld escreveu: </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">&#8220;<em>O teatro é  mais antigo que a literatura e não depende dela. Há teatros que não se baseiam em textos literários. Segundo etnólogos, os pigmeus possuem um teatro extraordinário, que não tem texto. Representam a agonia de um elefante com uma imitação perfeita, com verdadeira arte no desempenho. Usam algumas palavras, obedecendo à tradição oral, mas não há texto ou literatura.</em></span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><em><span style="color: #444444;font-size: 14pt">No improviso também há tradição.”</span></em><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Perdi meu improviso. Sim, perdi a vontade de improvisar. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Vou fazer um enorme esforço em me ver de volta, seja via aqueles olhos de Rembrandt ou uma fatia do Tubarão de Damien Hirst. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Óbvio que – na eventual possibilidade de um acontecimento real – eu reapareço por aqui com textos, imagens, etc. Também sem acontecimentos. Pode ser que eu me encontre no meio da Tunísia, numa tenda de renda, e resolva, a la Paul Bowles escrever algo: surgirá aqui também. Então, o blog permanecerá aberto, se o IG assim o permitir. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Sei que estou no início de uma longa, quase impossível e solitária jornada. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">I’ve had the best theater and opera stages of the world, in more than 15 countries given to me. Yes,  I was given the gift of the Gods. No complaints, whatsoever. It has been a wonderful ride. Really has. Thank you all so very much. Thank you all so very very much.</span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Um breve adeus para vocês!</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">LOVE</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Gerald Thomas, </span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">7 September 2009</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt">______________________________________________________________________________________________________</p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt">
<p class="ecmsonormal" style="text-align: justify;margin: 0cm 0cm 16.2pt"><span style="color: #000080">Partial translation of the beginning (English)</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="text-align: justify;margin: 0cm 0cm 16.2pt"><span style="color: #000080"><!--StartFragment--></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="color: #000080">MY INDEPENDENCE DAY: Everything to Declare – it’s a long goodbye</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">New York- Dearest ones: I’ve come to a crucial point in my life. Actually, ‘THE’ most crucial to date. A pedestrian crossing without the white stripes, an “Empty Space” cluttered with junk, an asterisk. I’ve been in it for a while and have realized that moaning and groaning from the cradle to the grave simply doesn’t help. So, I made a decision.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">“<strong>Transform the world: Wake up every morning and change the world</strong>”, a soft voice used to whisper into my ear. It was that of Julian Beck, whom I directed in his final show and from whom I learned so much.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Yes,I used to have a vague idea or notion of things. Yet, I can’t find them anymore. Don’t seem capable of even knowing of where they are any longer. All I can see, eyes open or shut, is that self portrait by Rembrandt , hanging in Amsterdam, staring right at me; he at the age of 55 and I at the same age. Him on one side of a timezone/era as if trying to tell me, or as if WE are trying to tell <strong>one another</strong> that my Renaiscence is over, finished, and that I’m dead. Am I dead?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="color: #000080">I can’t go on. And I won’t go on.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Beckett, the one whose universe I’m so very close to, would have said: “<strong>but I will go on</strong>”. Yes, I do realize the necessity of a continuance, continuity, progression, of a forward movement. However, I look around and ask myself (in less than a subtle way…..”<strong>continue what</strong>?” <strong>if I</strong> <strong>haven’t really started anything</strong>!!!! There isn’t – on my turf (or terminology) that much to be continued.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080"><strong>My life on stage, as such, is finished</strong>. And it is so because I have determined that it has perished. I do not believe that our times reflect theater as a whole (or vice versa) and I certainly don’t have the patience to  create the iTheatre, as if it were the extention of the iPhone or the iPod and so on. These miniatures and gadgets of self satisfaction  do, indeed, fit extremely well the decadent present days of, well, self satisfaction. Pardon me for writing in loops but this is a reflection of the times. Or is it?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">But art and creativity? Not at all. If one were to analize, say, this or that person’s last movie or CD or choreography we’ll only come to realize that it has all become a mere  and smaller repetition of what once had the taste of the new and of the, say, “good”.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Of course, it’s known that my dramaturgical option has always been on the dark side. From Beckett to Kafka to my own nightmares…a New York Times critic once wrote “<strong>that I used the</strong> <strong>audience as my therapist”. </strong>So, I decided to opt for putting Freud center stage right in the middle of Tristan in the Rio Opera House. I guess everyone knows what the outcome was.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">What seems strange is that, up to 2003 or, even, 2005, it made sense to put things on stage or to stage pieces. I cannot, for the world, describe with any sort of precision what has changed. But something has.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Of course, needless to say, we are political beings. But this shouldn’t mean that our obsession (as artists) should contain ONE political agenda. Au contraire. If there is something called art, it’s  there precisely to bridge the gaps left over between that which politicians can’t say (or are unable to say) and our need to find ways to survive (by destroying or constructing). Art as metaphor, art as replica, art as illustration or art as protest; art has always required analogies and fantasy between modern man and that of yesteryear.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Daniel Barenboim, who was born Argentinean (but is a citizen of the world) and carries an Israeli passport, found a  way to ‘apply’ his art to the practical, political world. He’s been trying, since 2004, to promote peace between Palestinians and Israelis through music, In his acceptance speech, during the Wolf Prize Cerimony at the Knesset, he said that his life seemed only validated if he could, somehow, liberate those who were confined (Palestinians who were beginning to be surrounded by a WALL built by Israel) and Isrealis alike.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I cannot, would not dare compare myself to Baremboim. But building a theater piece from scratch is far more difficult than opening musical scores and making or motivating an orchestra to play. What we do is ‘original stuff’.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Yeah.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">TEMPORARY LOSS OF MEMORY</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">(allow me to skip a part, please)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I just skipped a part where I quote from a text in a program book of Earth in Trance and Queen Liar. Poetic freedom? Was that it? Or pure boredom? Maybe just a gage or indicator of HOW much I need to tell everyone how LOST I am or where I need to get.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080"><strong>Perhaps I need to get lost for a while in order to find myself again</strong>, as corny as this may sound. I’ve really, seriously lost sense of who I am. No easy thing to say. Yet, I may be living in a bubble of illusion.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I’ve become a slave of this computer and, likewise,  a slave of an immediate political agenda which isn’t even close to my heart, It’s someone else’s, not my own. I do have an enormous knowledge of history. I mean, I am immensely educated in the field of History. Enough so to know that what happens now, today, hardly matters at all, unless one is talking about, say….Obama’s coming to the White House. Well, there’s something!!!!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Yes, I have to get lost in order to find myself again.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">It might be useful to remind you all: I was brought up in the shadows of the Holocaust, amidst drops of paint by Pollock and ‘ready mades’ by Marcel Duchamp….and some drawings and scribbles by Saul Steinberg. I owe this ‘education’, as it were, to two masters: Ivan Serpa and Ziraldo. Both back in Rio.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000080"><!--StartFragment--></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">And there is <strong>Haroldo de Campos</strong>, the inventor of the humans, as Harold Bloom would have put it. Campos is the founder member of the Concrete Poetry movement and my mentor ‘from a distance’ . The guy I always wanted to be. Christ only knows how much I felt when he walked into my theater in 1987 and, later on, curated two books on me, about my work, and wrote, wrote and wrote endless pages about…well…me and my work. Simply unimaginable.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">The world became so much more boring and flat the day he died. And that day happened to have been on the same day when I opened my Tristan at the Rio Opera House. A decade before that I had written one of my first plays, Eletra ComCreta – a play of words in the ‘concrete tradition’ with the myth of Electra and the island of Crete, in the hopes that the poets – Haroldo and his brother Augusto, would storm into the theater. No such luck. It took them, I mean, him (Haroldo de Campos), another year to discover me.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080"><strong>Philip Glass</strong> was kind enough,  gracious enough to grant a wonderful and hilarious interview about me and my work (<a href="http://www.vimeo.com/2988089">http://www.vimeo.com/2988089</a> ). It lasts about 20 minutes and, in it he manages to be funny and brilliant, all at once – as if in a sax solo improv – saying everything (majestically) what scholars and critics have tried but weren’t able to put together in some eight thousand paragraphs, in all these years I’ve been on stage. This Glass interview can also be seen on my site (<a href="http://www.geraldthomas.com">www.geraldthomas.com</a>).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">My father used to place me between two huge loud speakers of a RCA Victor deck  and make me listen to Beethoven. At a very very young age, I’d be in tears, listening to the Pastoral, the 6<sup>th</sup> Symphony – whilst drawing away, almost autistically, on some rough paper, things which, decades later (at the British Museum Reading Room or Library) would become…theater projects.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Today, with over 80 “things” or works having been staged all over the world, I look back and what do I see?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I see little. I see a world flattened by a shitty and mediocre and petty culture (if one can even call it that), punctuated by twitters and facebooks and myspaces and the like, which say little or nothing at all.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I see people without ANY NOTION of what was, of what has been and excited about a much ado of a ridiculously cheap plastic fast food junk overload of info. Yes, that’s what I see? Is there anything I’m missing?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Not even bands or innovative musical groups are there to be seen: it’s all just a bunch of look-alikes of the ones we’ve known for decades: from Hendrix to Zeppelin or The Who and so on.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">It’s almost as if we lived in a sort of looping inside someone else’s nightmarishes head. Contrary to that of Prospero’s head, this one does not liberate us to the ‘new’. It condemns us to the old and used. How nice! Even China looks like the West. Or is that we’ve anticipated ourselves and it’s the other way around: it is us who look like China, since everything we wear and use is made in China.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Yes, I met <strong>Samuel Beckett</strong> (yes, I had this amazing privilege!), staged his prose – some of which, world premiere – in the early eighties. Well, for those who don’t know anything about this period, I urge you to access my site (<a href="http://www.geraldthomas.com">www.geraldthomas.com</a>), and enter my ‘so called’ universe.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Why would I want you to enter my universe? Why would I care? Because when I began my theatrical life, life as such, the scene itself was sparkling, glowing with ingenuity and the wonderful taste of the avantgarde. We had the Village Voice and the SoHo News (amongst others) for intellectual support (or debate) and plays were multifaceted: multimedia and so on. Everything from darkness to brand new monitors were growing on stages.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">There were dozens of theater companies, from the ones based at La MaMa, to the Public Theater, or PS122 or in lofts in SoHo or in garages or, even, imports by BAM.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="color: #000080">But it was all new, a NEW, New form of Creation.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-weight: normal"><span style="color: #000080">It was the very exercise of experimentalism, it was all about taking risks. And the critics? Oh yes, just as most scholars, they stood by us and supported what we did. And what was that, you might ask? Well, that was the ‘tradition’ left by Artaud and Brecht and others.<strong>Furthermore, I regret to say that my particular generation did not invent anything</strong>. All we did was to carry on what the previous generation had given to us on a silver platter.</span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">They were the ones who suffered. They were the ones who really swallowed the bile and digested the undigestible raw material of defiance (Grotowski, for instance). Yes, I’m talking about <strong>Bob Wilson, Pina Bausch, Victor Garcia, Lee Breuer, Peter Brook, Peter Stein, Richard Foreman</strong> and the one who invented it all, <strong>Ellen</strong> <strong>Stewart</strong>.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">That’s right: all we did had been done before.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I’m part of a generation of collage artists, if there is such a thing. Of course, we added a few ‘personal touches’, whatever it was that the previous generation had fed us.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Not enough, I’m afraid. Not enough.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">What does this all mean? Well, regrettably it means that my generation will not be a part of HISTORY. And I say this with an obvious amount of sadness. Sadness and reason. What a weird mixture!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Today, the Village Voice is but a bunch of sex ads. About the theaters themselves, I’d rather shut my mouth. As for the companies themselves, 99% no longer exist nor have they been exchanged for others. All we see is….</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">(I’m shutting my mouth). It’s very much like the world of music. Can’t you hear the stomping and and repetitive sound of the electronic drums hammering  away into your eardrums the robotic beat of ‘grounding’? Can’t you? Rather, its effect is ‘grinding’.</span></p>
<p><!--StartFragment--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">This universe of ours seems smaller than the one Kepler or Copernicus or Galileo described/saw/envisaged. Many of the theater companies here and around the world have closed for good. The money floating around to subsidize theater is laughable and the audiences are so small, we could take them out to dinner.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">But I will never blame an audience. It is us who are  doing the wrong thing, obviously. Few youngsters nowadays know who Peter Brook is or what he has done. This year alone we have lost Pina Bausch and Merce Cunningham. Bob Wilson, the last warrior standing (inexplicably) is traveling with a mediocre and simplistic play: “Quartett” by Heiner Mueller. I, myself directed the American and Brazilian premiere of this play with the presence of the playwright. I can now say, with a fair amount of certainty, that Heiner Mueller is a complete waste of time.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">But, as it seems, the problem is mine and ONLY mine. As I’ve said before: I’ll try going for a walk around the planet to find who I am. Or, maybe just sit here, exactly where I am now, and come to the same conclusion.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">But it’ll be hard: I’m part of that romantic generation who saw Tower Records open its doors here on Broadway and E4th Street. Today, Tower is gone and even, Virgin (which destroyed Tower) is gone. All Towers are gone.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I’m writing this one day before 9/11. Please excuse all analogies and possible comparisons.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I saw Hendrix from a yard away. I saw Led Zeppelin in their best days, live in London.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I directed the best of Richard Wagner and was with spitting distance of Michael Jackson and am grateful to have witnessed the birth of cable television, CNN, internet and the frenzy of emails flying back and forth.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I was given incredibly beautiful presents, such as some of the great operas I directed on the best stages in the world (Moses und Aron, in Austria would just be ONE example).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">It’s just….it’s just…so many fantasies that depression has obscured or overcast. I simply cannot see them anymore. And what is art without fantasy or artifice? It would be…well, you got the drift</span>.</p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">No, I’m not leaving. Not really leaving as such. Only leaving “in a way….”</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">Anatole Rosenfeld once wrote:</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">“ The theater is older than literature and, thus, does not depend on it. There are plays which aren’t based on literary texts. According to ethnologists, the Pygmies perform an extraordinary theater, completely void of any text. They are capable of acting the agony of an elephant with a perfect impression, as if it were a true art. They might even use a few words here and there, obeying the oral tradition. But there isn’t a formal text laid out as literature.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">In the improv theater there’s also a tradition”</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">That was Rosenfeld.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">As for me, I’ve lost my ability to improvise. Yes, I’ve lost my desire to improvise.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">I will have to make an enormous effort in….what? In seeing me as myself again as in what I used to be. Why? Because it’s not me what I see when I look in the mirror. It’s a deformity, a hardened version of a self that was,”<strong><em>an aberration of an author as an old man</em></strong>”.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">I will have to make an enormous effort when looking into Rembrandt’s eyes again or, maybe, into a slice of a shark, or the shark in its entirety, by Damien Hirst.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">It’s obvious that, in the event of a real possibility of a news fatality or a tragedy of great proportions (outside of the theater) taking place in our lives or on our planet, I’ll come back to the blog with texts, images, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">Maybe even without such tragedies. It could be that I’ll find myself in the middle of Tunisia, inside a bent tent, and decide, a la Paul Bowles, that it’s time to write. Who knows?</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">All I can say is that I’m at the beginning of a long, very long and lonely journey.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><strong>I’ve had the best theater and opera stages of the world, in more than 15 countries given to me. Yes,  I was given the gift of the Gods. No complaints, whatsoever. It has been a wonderful ride. Really has. Thank you all so very much. Thank you all so very very much.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><strong><span style="font-weight: normal">Fairwell to you all.</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><strong>LOVE</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><strong>Gerald Thomas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><strong>September 11, 2009</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><strong>(what a date!)</strong></span></p>
<p style="text-align: justify">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p><!--EndFragment--><!--EndFragment--></p>
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		<title>O Reality Show do Woodstock + materia do G1</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Aug 2009 15:36:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gthomas</dc:creator>
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New York – Pois é! Quarenta anos se passaram. Mas quarenta anos se passaram desde o homem na Lua, desde que os Beatles isso e aquilo, desde o assassinato de JFK, desde&#8230;
 
Quando é que vamos parar de contar ou contabilizar numericamente as coisas, os eventos? Daqui a pouco serão 50 anos. 
 
Então, voltando  a Woodstock, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/08/gerald.jpg"></a><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/08/woodstock1.jpg"></a><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/08/obama.jpg"></a> </p>
<p style="text-align: center"><img class="alignnone size-full wp-image-10139 aligncenter" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/08/woodstock.jpg" alt="" width="500" height="277" /></p>
<p> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">New York</span></strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> – Pois é! Quarenta anos se passaram. Mas quarenta anos se passaram desde o homem na Lua, desde que os Beatles isso e aquilo, desde o assassinato de JFK, desde&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Quando é que vamos parar de contar ou contabilizar numericamente as coisas, os eventos? Daqui a pouco serão 50 anos. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Então, voltando  a Woodstock, sim, peguei o último dia. A maior parte já estava voltando e eu ia na contramão. Com 15 anos de idade nas costas (mas me sentindo maduro como uma Susan Sontag) subi a colina e coloquei os pés na lama e&#8230; e o quê? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Encontrei um lugar sereno, com menos de meio milhão de pessoas, onde “tudo era permitido”.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">E esse “tudo era permitido” não é uma questão tão simples. Pelo menos não era. Um ano antes, 68, foi pauleira. As polícias do mundo inteiro pegaram estudantes e manifestantes do mundo inteiro de PORRADA!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">“Como pode então uma polícia passiva?”, pensava eu, vendo todo mundo fumando seus joints e tanta gente nua, muitos trepando ali, em tendas abertas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">E hoje? Como estamos?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Estamos bem? Bem, não tivemos ainda nenhuma GUERRA MUNDIAL, então, por esse termômetro, estamos&#8230; razoavelmente bem.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Mas, culturalmente, estamos PÉSSIMOS! Duchamp, que morreu em 68, e que já havia ironizado a pintura e arte em geral, não podia prever que em 2009 estaríamos com 2000 (dois mil) canais a cabo mostrando merda. E qual merda? Reality shows do PIOR NÍVEL ou então, o que é mais triste ainda, quando comparado a Woodstock, o tal “Vale Tudo”, the Ultimate Fighting, onde homens enjaulados se atracam e partem pra cima dos outros com toda espécie de golpes e sangue e quebras de tudo que seria um avanço, aos urros do público! Uau!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Ficamos mais cínicos, mais hipócritas e mais imbecis: claro, os demographics do mundo duplicaram! A maior parte do mundo encaretou! E nem sabe direito que Woodstock não foi somente uma grande festa e celebração de uma geração que levava porrada por PROTESTAR contra a guerra do Vietnam e lutar pela PAZ. PEACE, Man, Peace! Não se tratava simplesmente de um conglomerado de meio milhão de pessoas celebrando a paz (e em paz), debaixo de chuva ou sol, ao som de Hendrix, do Who, de Crosby, Stills, Nash and Young e Joplin e Santana e Country Joe and the Fish e tantos outros: tratava-se de uma afirmação! Estávamos mudando o rumo do mundo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Mudamos?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Nada.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">O ser humano mata golfinhos, esses seres que falam conosco.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">O ser humano mata racoons (espécie de cães: os dois posts abaixo) e lhes arranca a pele enquanto VIVOS, ao som de Hendrix.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Se mudamos o rumo do mundo, mudamos esse mundo por três dias. Ou nos nossos sonhos, assim como numa peça de Shakespeare. O encantamento dura enquanto o espetáculo dura. E foi somente isso. O resto? É a glorificação do passado. Somos, como sempre fomos, um Weapon of self Destruction. E isso não poderemos medir em quarenta anos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Gerald Thomas</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">(Vamp na edição)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"> </p>
<div>
<p><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial"><strong>Matéria do G1: Gerald Thomas em Woodstock: ‘melhor show foram 8 violões e uma lata de lixo’</strong><br />
</span><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial"><br />
Dramaturgo diz ao G1 que esteve no festival quando tinha 15 anos.<br />
Brasileiros que viveram a época refletem sobre efeitos na contracultura.<br />
</span></p>
<p><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial"><img class="alignleft size-full wp-image-10141" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/08/gerald.jpg" alt="" width="270" height="169" /></span></p>
<p><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial"><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial"></p>
<p>O diretor e dramaturgo Gerald Thomas (Foto: Agência Estado)</span></span> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial">“Cheguei no último dia, algumas pessoas estavam indo embora, mas eu encontrei muita gente ainda lá. Hoje se fala entre 400 mil e 500 mil pessoas. Na época, a gente não pensava assim – pensava: ‘meu Deus, quanta gente, que loucura!’”.<br />
 <br />
A recordação é do diretor e dramaturgo Gerald Thomas, que diz ter estado em Woodstock no último dia do festival (domingo, 17 de agosto de 1969). Nascido em Nova York, em 1954, o diretor de “Um circo de rins e fígados” e “Príncipe de Copacabana” veio ainda bebê para o Rio de Janeiro com a família. Aos 13 anos de idade voltou para a Grande Maçã e tinha 15 anos quando pegou a estrada rumo ao festival em Bethel, comunidade rural no estado de Nova York.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial">“Uma das lembranças mais fortes que eu tenho, além da lama e do fedor, foi a passividade dos policiais diante de tudo o que estava acontecendo. Pouco tempo antes, a polícia espancava pessoas em Berkeley. [Woodstock] foi o momento em que eu – e, acredito, muita gente – pensei: ‘Caramba, o mundo está mudando’. A impressão era nítida, como nunca tinha sido antes”, conta Thomas em entrevista por telefone ao G1, de Nova York, onde mora atualmente.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial">Fã de Jimi Hendrix e The Who (que tinha esperanças de ver ao vivo – o que não aconteceu, uma vez que a banda se apresentou no dia anterior), Thomas diz que sua apresentação musical favorita no festival não aconteceu no palco principal, no centro da fazenda. “Foi de um grupo de pessoas sentadas no gramado, não foi no palco. Acho que eram oito violões e uma lata de lixo virada ao contrário usada como tambor. E era um som absolutamente impressionante. Nunca vou saber quem eram.”</span></p>
<p><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial">O diretor lembra que a cena era comum. “Durante a troca das bandas, a gente não tinha muito o que fazer, demorava horas, às vezes quase duas horas. E as pessoas iam se aglomerando em volta desses pequenos grupos. Fiquei perto desse grupo e achei uma coisa incrivelmente linda.” <br />
 </span></p>
<p><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial"><img class="alignnone size-full wp-image-10142" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/08/woodstock1.jpg" alt="" width="270" height="169" /><br />
</span><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial">Público no Festival de Woodstock (Foto: AFP/AFP)</span></p>
<p><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial"><strong>Paz, amor&#8230; e brigas</strong><br />
Por outro lado, Thomas não acredita que houve em Woodstock tanta paz e amor quanto é lembrado por alguns dos frequentadores. Segundo ele, havia brigas acontecendo na plateia. Como exemplo, ele cita o caso do ativista Abbie Hoffman, que foi expulso do palco pelo The Who, no sábado. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial">“Não vi porque cheguei no dia seguinte, mas foi o próprio Hoffman quem me contou a história mais tarde. Ele havia subido no palco para denunciar o Who como ‘vendidos’ e começou a fazer um discurso. O Pete Townsend [guitarrista da banda], que é um cara imenso de grande, deu-lhe uma guitarrada e jogou o Hoffman para fora do palco. Em 1971 saiu o disco ‘Who’s next’ com a música ‘Won’t get fooled again’ e o verso: ‘Conheça o novo chefe/ É igual ao velho chefe’”.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial">Thomas se mostra, em certa medida, decepcionado e cético em relação às mudanças provocadas pela contracultura. “O que aquela geração se tornou? Um bando de loucos que jogam na Bolsa de Valores e transformam a bolsa nisso que você viu acontecer em setembro, outubro do ano passado. Um monte de companhias falidas, uma economia desastrosa. Ou seja, nada mudou, porque o ser humano é assim.”<br />
 <br />
<strong>‘Sabíamos que a dor estava lá fora’</strong><br />
Assim como Gerald, outros brasileiros que viveram a época lembram de Woodstock como um marco, um divisor de águas. Joel Macedo, escritor e correspondente da primeira versão da revista “Rolling Stone” brasileira, entre 1972 e 1973, morava na Califórnia em 1969 e não conseguiu atravessar o país para chegar a Woodstock, mas sentiu seus efeitos.<br />
 <br />
Macedo enxerga no festival um componente político importante. “Woodstock até foi sexo, drogas e rock‘n’roll, mas foi também o grito de uma geração contra o sistema capitalista (&#8230;). As pessoas quebraram as cercas que afastavam o festival do povo, invadiram a fazenda e transformaram um evento que teria um lado comercial numa mega e mitológica celebração tribal. Não foram os superstars que fizeram do Festival de Woodstock um mito, foi o povo”.<br />
 <br />
<strong>De Bethel à Mooca</strong><br />
Com a barra pesando na ditadura no Brasil e as mudanças significativas que ocorriam no exterior – com Woodstock à frente, mostrando a nova força do movimento hippie –, muitos brasileiros partiram para o exílio, imposto ou voluntário. Foi o caso do artista plástico Antonio Peticov, que, preocupado com o regime militar nacional se auto-exilou em Londres em 1970, em partes, inspirado por Woodstock.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial">“Na época as informações chegavam lentamente para nós no Brasil, era complicado. Então, para um garoto de classe média baixa da Mooca (bairro de São Paulo) saber que aconteceu um festival daqueles, programado para 50 mil pessoas e para o qual chegaram 500 mil, foi um estalo: ‘somos uma nação!’.” </span></p>
<p><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial">Peticov acabou indo ao festival da Ilha de Wight na Inglaterra em 1970, onde encontrou os amigos Gilberto Gil e Caetano Veloso. “Foi uma coisa mágica”, define. Mas, apesar dos ótimos shows e de conhecer uma “nação hippie” maior ainda (o público total de Wight foi de 600 mil pessoas), o artista percebeu que o clima já havia mudado. “Lá já havia o grande problema da questão do comércio. Todo mundo ganhando dinheiro às custas dos hippies”.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial">Thomas também concorda que Woodstock foi diferente de outros festivais. “Foi um evento quase espontâneo, eu não sei o que reuniu aquelas pessoas. Porque foi único. Altamont não foi assim, Monterrey não foi assim, o festival da ilha de Wight não foi assim. Ele foi único na sua vontade de mostrar para o mundo que a nossa geração tinha força.”<br />
 </span></p>
<p><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial"><img class="alignnone size-full wp-image-10143" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/08/obama.jpg" alt="" width="270" height="169" /><br />
</span><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial">Americanos reunidos para a posse de Barack Obama, em janeiro de 2009 (Foto: AFP)<br />
 <br />
<strong>&#8216;Obamastock&#8217;</strong><br />
O diretor acredita que o festival não foi só um marco mas que é algo que precisa voltar a acontecer. “George Bush foi um retrocesso tão grande que voltamos à uma época pré-Woodstock. Agora com Obama no poder a gente vai avançar de novo no tempo. Teria que haver um novo Woodstock”.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;color: #333333;font-family: Arial">A referência ao novo presidente dos EUA não é à toa – Thomas trabalhou por um ano na campanha do democrata. E acha que encontrou seu próprio “novo Woodstock”, maior e mais inclusivo. “Com a vitória do Obama eu desci para Washington no dia 20 de janeiro (dia da posse do presidente) e chegando lá eu disse, por alguns minutos: ‘isto aqui é Woodstock no inverno’. Um Woodstock com um p&#8230; frio, mas ninguém estava sentindo frio, estavam todos sentindo um enorme calor humano. E era quatro vezes Woodstock, porque eram dois milhões de pessoas”, compara.<br />
</span> </p>
</div>
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		<title>Um Ano de Blog no IG</title>
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		<pubDate>Sat, 23 May 2009 14:30:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gthomas</dc:creator>
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 .          (Antes do Blog, em Paris)                                      (Depois do Blog)
 


New York – Miami: Cinco anos e meio de Blog corrente, de conta corrente que não se esgota, graças a vocês! Hoje, exatamente hoje, esse Blog comemora um ano aqui no IG.
E, no entanto, os espelhos!  Estejam lá onde estiverem (os espelhos), são somente humanos. Retratam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: right"><span style="font-size: 13pt;color: #444444"> .</span></p>
<h5> .<a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/05/em-paris.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-10030" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/05/em-paris.jpg" alt="" width="310" height="224" /></a><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/05/trincheira-copy.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-10029" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/05/trincheira-copy.jpg" alt="" width="317" height="224" /></a>          (Antes do Blog, em Paris)                                      (Depois do Blog)</h5>
<h4 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"> </h4>
<div></div>
<p><span style="font-size: 13pt;color: #444444"></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">New York – Miami</span></strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">: Cinco anos e meio de Blog corrente, de conta corrente que não se esgota, graças a vocês! Hoje, exatamente hoje, esse Blog comemora um ano aqui no IG.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">E, no entanto, os espelhos!  Estejam lá onde estiverem (os espelhos), são somente humanos. Retratam nossa dor. Retratam nosso humor. Retratam nossa estima. Meu medo? Quem estaria ou estará atrás desses espelhos! Quem nos vê da maneira que ninguém mais nos vê. Ou seja: Quem enxerga MESMO, de verdade, nossa alma?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Alma, aquilo que poucos conseguiram até hoje retratar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Esse ano passou como uma flecha! Foi um ano devotado, praticamente todo ele, á eleição de Barack Obama. Foi, de minha parte, uma tensão doida!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Tem um corpo morto no chão, aqui do meu lado, enquanto escrevo. Sou eu mesmo. Não me reconheço mais. Parte de mim se foi. E não estou tentando brincar com palavras, não estou tentando fazer joguinho com as parolas. Sim, morri de várias formas. Fui traído por vários amigos. Ainda não sei muito bem por quê. Talvez um dia saiba.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Blog traz dessas coisas: em teatro temos um mundo muito EXPLOSIVO. Ele se mostra na hora. O aplauso ou a vaia são ali mesmo, no final, quando cai o pano! Sabemos dos cochichos, sabemos do veneno, mas “sabemos”. Nossos inimigos, por assim dizer, se tornam nossos maiores amigos assim, da noite pro dia, como se nada jamais tivesse acontecido. E aceitamos isso.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">A <strong>Decadência</strong> dos tempos de hoje, com tanto artista legal fazendo tanta bobagem, me choca! Deixa-me triste! Meu corpo morto aqui do lado ainda não foi achado pelo time de “Law &amp; Order Special Victims Unit”. No momento em que encontrarem esse meu corpo em decomposição, constatarão que ele foi molestado, espancado, torturado por tanta, mas tanta burrice, tanta besteira e tanta pobreza cultural que ele leu nesse último ano. E o médico legista não terá um diagnóstico! Aliás, não há! </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">É de se questionar tudo mesmo: em que ponto de nossa cultura estamos? Como nos vemos? Quem nos vê? Como somos enxergados? Se Richard Wagner nos visse hoje (seu aniversário, by the way), como ele nos veria? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Obama tenta imprimir nessa linda terra nossa uma proposta de um NOVO SISTEMA LEGAL em que terroristas  poderiam ser presos ou detidos por um <strong>tempo prolongado</strong> DENTRO dos USA (sem julgamento em vista). Qual a diferença entre isso e Guantánamo? É que aqui dentro eles teriam acesso ao sistema judicial<em>. “Ou se prova que são culpados, ou deixa-os andar”.</em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">A Arábia Saudita está conduzindo um programa de reabilitação de ex-membros do Al Qaeda. Entre erros e acertos, a margem é de 80 por cento. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Meu corpo morto aqui do lado, infestado de Kafkas, de Becketts, de Orwells, de uma literatura praticamente obsoleta quando olho essas estantes (retornei pra casa ontem e ainda olho tudo numa ressaca terrível), vejo esses volumes de Joyce, de Gertrude Stein, de sei lá quem. Não nasci com um nome bom. Quem dera. Deram-me um nome vulgar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Sim, agradeço muitíssimo aos meus mestres! E como! Eles têm nomes sonoros. Mas na autópsia desse corpo não sairão sons. Nunca sai som, a não ser o som do vento armazenado nas entranhas, nos intestinos, o som dos gases, o som gutural do tempo perdido de Proust, o som de certa amargura por não ter sido entendido por A, B ou C.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Escreve o leitor “José Augusto Barnabé”:</span><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">“O Gerald, chegou a hora definitiva de a arte e a criação representar pelos seus meios, o futuro.</span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Acho que Da Vinci foi o último, nos seus escritos e desenhos, que geram até hoje controvérsias e discussões.</span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Não há mais espaço para Inquisições, que se mostrou uma fraude política.</span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">O Artista tem que achar forças para se desvincular do Sistema, ser um pouco Iluminatti, escancarando até essas próprias sociedades secretas, também fraudulentas, e criar.</span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Na imaginação está o nosso gene, e o artista que tem o dom da sensibilidade, a aplica melhor.</span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">O Planeta está mudando rapidamente, e não é coisa para 500 anos como na época do Da Vinci. É coisa para já.</span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Se os artistas não perceberem, vão deixar de existir e continuar sendo os BOBOS DA CÔRTE.</span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Ficção? não sei. E o Sistema não o é?</span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Você não tem nada para comentar, porém tem muita coisa a fazer, se não desocupa a moita, meu caro”.</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Difícil, muitíssimo difícil responder qualquer coisa que coloque Leonardo Da Vinci no meio. Até Shakespeare, em sua última peça, “A Tempestade” (praticamente autobiográfica), se viu num espelho e enxergou um futuro não sangrento. Foi a única tragédia desse magnífico gênio não sangrenta: Prospero, o personagem principal, era um Leonardo. Mas era também um Duque deposto. Era um ILHADO, era alguém que tinha o poder da mágica reduzido aos confins do palco.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Tudo é sempre uma metáfora.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Há um ano, nesse blog, escrevo parte em metáforas, citando meus mestres, citando minhas angústias. Criei um enorme e lindo círculo de amigos. Vocês, os leitores.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Mas as metáforas estão fadadas a ter um limite, a esbarrar na moldura do espelho ou refletirem a luz que vem de fora e, portanto, ofuscarem a imagem real que o espelho deveria estar mostrando. Sim, escapismo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Escreve o “Capitão Roberto Nascimento”:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Gerald Thomas meu querido cabeludo, que beleza esse texto rapaz! Não é um texto de moleque, de fanfarrão!!É UM TEXTO PARA QUEM USA FARDA PRETA E COLETE; MAS É PARA SE REFLETIR SOBRE O QUE ESTÁ ACONTECENDO.Eu penso: no BOPE, a gente não pode pensar muito NA HORA; mas devemos pensar antes, no treinamento, para que a ação seja EFICAZ COMO O SILÊNCIO DO FUNDO DO MAR.Nossa missão é subir o morro e deixar corpo de narcotraficante no chão. Pode parecer nazismo, mas, para mim, NAZISMO É DEIXAR OS NAROTRAFICANTES DOMINAREM O MORRO, OPRIMINDO CENTENAS DE MILHARES DE POBRES FAVELADOS.O teu silêncio, Gerald, chega como um abraço. </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">O teu silêncio é o silêncio do preto da minha farda, do frio do meu fuzil, antes da ação.E nós agimos em silêncio Gerald. Quem faz festa é bandido. Quem solta rojão é traficante.A lei é fria e silenciosa. </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">COMO O TSUNAMI QUE NASCE NO</span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> <span>FUNDO DO MAR.”</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Tudo é sempre uma metáfora. Nem tudo sempre é uma metáfora. Muitos de vocês, leitores, lidam com a vida REAL. E isso, muitas vezes, me assusta. Por quê? Não sei.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Ontem, ainda em Miami, a caminho daqui, um velho, obviamente cubano, enrolado na bandeira americana, trazia, trêmulo, a sua bandeja com um croissant, café, um ovo, etc. Sua cara marcada pelo tempo e sua elegância deixavam claro não tratar-se de um “daqueles” milhões de cubanos que povoam Miami (pra onde eu vou 3 vezes ao ano). Tive uma enorme vontade de cobrir-lhe de perguntas. Muitos milhares de perguntas. Ele me olhava. Eu o olhava. Estamos em pleno feriado de “Memorial Day”, dia dos caídos em combate, em guerras passadas. Os USA em guerra constante!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Mas pensei e pensei. Não, melhor não. De repente, assim como já foi com tantos outros seres interessantes, ele vai vir com uma dessas “verdades universais” ou com a “ordem do universo” e despejar tudo isso sobre a minha bandeja. Isso me aconteceu no Arizona com indígenas que “ouviam deus” ou na Chapada da Diamantina e mesmo na Cornualia.  São seres simples e que tremem, elegantes. Mas que quando perguntados, são verdadeiras “torneiras da verdade”. E eu não suporto mais a quantidade de verdades que existem por aí.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Tive medo de fazer perguntas a um simples ser que poderia ter me contado a sua história de vida. Mas tive medo. Arreguei.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Como pode ser isso? Medo de seres místicos? Eu? Medo de ouvir sobre Eric Von Denicken e os deuses que eram astronautas? Logo eu? Quem te viu e quem te vê, Gerald!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Já ouvi que a minha cara era o mapa de Hiroshima. Então, do que ter medo?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Exaustão chama-se isso. Falta de espaço aqui dentro. E isso me preocupa.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Sim, assim como no texto anterior: “<strong>Sinto-me como uma massa, como uma pasta, irregular, inexplicável, triste, vazia, ruidosa, sem nada a declarar e, no entanto, querendo dizer tanta, mas tanta coisa e… sem conseguir dizê-lo.”</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Nem tudo sempre é uma metáfora. Às vezes esse corpo morto aqui do meu lado tentou atravessar o espelho vezes demais ou tentou atravessar espelhos espessos demais.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Faz parte da minha profissão: o risco. Como me sinto? Esgotado. Acabado. Esse (que ainda vive) olha praquele que está morto e pensa: será esse o meu futuro? Caramba!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Parece mesmo um conto de Poe! Ou um Borges mal escrito. Somos tantos e não somos porra nenhuma. No texto anterior, “NADA A DECLARAR”, fiz uma declaração de amor a tudo que sinto, de verdade, ao vazio, ao TUDO a Declarar, como o Pacheco detectou.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Mas e agora, José? Um ano e não sei quantos artigos. A partir de hoje estamos sem contrato. Como diria meu mestre Samuel Beckett: “<strong>Não Posso Continuar: Hei de Continuar!”</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Em inglês soa melhor:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">I Can’t Go On. I’ll Go ON!</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Muito Obrigado por tudo!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Coberto de emoção e lágrimas vendo o mundo numa relativa paz e, no entanto, atravessando o maior período de mediocridade em décadas, se desmanchando num milk shake insosso e azedo, esperando um Moisés que ainda nem subiu o Monte Sinai, porque lá nada existe!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">O deserto está realmente repleto de areia mesmo. E ela está em nossos sapatos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">LOVE</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Gerald </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Gerald Thomas, 23/Maio/2009</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></strong><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">(O Vampiro de Curitiba na edição)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<div></div>
<p><span style="color: #444444"></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Boal Morto: Quantos Ainda Pensam a Sua &#8220;Própria&#8221; ARTE?</title>
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		<pubDate>Sun, 03 May 2009 06:45:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gthomas</dc:creator>
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		<description><![CDATA[



A tristeza da perda e a imbecilidade do dia a dia
 New York- Não posso dizer que não fiquei triste com a morte do Boal. Óbvio que fiquei. Fiquei triste com a morte de um artista. Quantos deles temos hoje em dia? Poucos.
Muito poucos.
Se você liga a televisão ou vai ao cinema pode medir: vai ouvir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--StartFragment--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center"><span><strong><span><strong><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/05/boal3.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-10005 aligncenter" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/05/boal3.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></strong></span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>A tristeza da perda e a imbecilidade do dia a dia</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong> New York-</strong> Não posso dizer que não fiquei triste com a morte do Boal. Óbvio que fiquei. Fiquei triste com a morte de um artista. Quantos deles temos hoje em dia? Poucos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Muito poucos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Se você liga a televisão ou vai ao cinema pode medir: vai ouvir a palavra KILL ou MATAR ou MORRER a cada 3 minutos (se não mais) e o Ibope exige que os programas sejam baseados na vida e na relação polícia versus bandido e os procedimentos legais: são milhares de programas, em milhares de formatos. Na política é a mesma coisa. A retórica é a mesma.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Pontes explodem, carros explodem, pessoas explodem. Raramente nota-se que já existiu uma sinfonia como a de Mahler, a SEGUNDA, a Ressureição, para ser mais preciso. Poucas vezes a mídia, seja ela qual for, nos remete a uma sinfonia de Beethoven ou a uma ópera da Wagner. Não há mistérios! É a violência que dá audiência mesmo. E, se não é a violência bruta, a crassa, então é o melodrama barato, estúpido. E se não é isso, somos consumidos pela notícia do PÂNICO (como o terror da gripe suína e outras coisas do tipo. Nossa vida sempre em “perigo de vida” e a tal chamada guerra dos mundos, que Orson Welles tão magnificamente satirizou pelo rádio). Ah&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Boal morreu. Seu Teatro do Oprimido não era a “minha coisa”. Mas faz pensar. Faz pensar o que ele pensava sobre seu teatro. E isso não é pouco. E nos faz pensar sobre a vida, ou melhor, a morte.<span>  </span>Os grandes artistas, ou melhor, a ARTE GENIAL, como a de Mahler, como a de Beckett, como a de Joyce ou a de Gogol, Tolstoy ou Conrad ou seja lá qual for seu autor predileto, faz pensar sobre a morte: como deve ser, como somos imbecis com nossos valores materiais aqui nesta terra. Claro, Goethe e seu Fausto, assim como Marlowe e seu Fausto. Shakespeare e as comédias trágicas e as tragédias trágicas ou as moderadas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>O sistema nos traiu. Sim, fomos traídos. Somos todos cornos! Estamos vivendo há uma década, ou mais, sob falsas pretensões e sob falsos valores esperando um messias.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Somos uns imbecis achando que o dia de amanhã será melhor porque o politico A, B, ou C nos salvará da crise absoluta do sistema vigente. Não nos salvará.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>E Boal nisso tudo? Bem, Boal tinha suas convicções. Podia não me convencer com seu teatro “em prática”, mas ele já previa e já cantava essa bola há muito tempo. Qual bola? A de que somos cornos de um sistema que nos trai. Mas ele, diferente do Living Theater, diferente dos outros que cantavam a mesma bola, levou seu teatro pro lugar do consumo: o supermercado, ou o lugar onde se consumia aquilo que o sistema martelava na gente! Teatro de Martelo! Um ensaio permanente e inocente (até) de como fazer de corno um sistema que nos faz de corno. Boal estudou aqui na Columbia University e fez grandes amigos. <span> </span>Mas era outra era, outro tempo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Esse tempo hoje:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Um bando de imbecis tweetando, ou twitando, como preferirem, achando que estão na “última”, exacerbando o ego e elevando o seu anonimato berrando pros oito cantos do mundo o “nada” do que fazem todos os dias. Que lindo! Já o teatro do invisível de Boal já cantava a bola justamente desse invisível ou desse oprimido (que somos nós, todos nós. Não necessariamente se fala de uma CLASSE, e sim de um estado de ser).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>A Arte volta a fazer parte de nossas vidas e de nossas lágrimas. Tentei resistir e não escrever, pois não gosto de escrever emocionado. Augusto Boal morreu e com a morte dele se percebe que morreu um artista.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Isso deixa a ARTE num estado de fragilidade. Ou com a imunidade baixa, fraca.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>O mundo não é feito, mas “está” feito de programas que trivializam a alma, que derrubam o ser humano para um lugar onde ele não merece estar: a sua pior ignorância.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>É isso. Escrevo pois pesa o peso da M.O.R.T.E. e, nesses dias de angústia, a falta de um ser que construiu um vocabulário teatral é realmente triste. Muito triste.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Quantos construíram um vocabulário teatral?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Quantos sequer “pensaram” sua arte?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Estamos sendo traídos pelo sistema: talvez seja hora de pararmos de nos acusar uns aos outros e pensarmos na CENA de ORIGEM. Sim, aquela que os filósofos invocam quando têm de enfrentar a GRANDE CRISE, ou melhor,<span>  </span>GRANDE ARTE, ou seja: a morte!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Gerald Thomas</strong>, </span><span>3 de Maio de 2009.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>(O Vampiro de Curitiba na edição)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p><!--EndFragment--></p>
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		<title>PORTUGAL DOMINA WASHINGTON!!!!</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Apr 2009 12:50:10 +0000</pubDate>
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New York- Até hoje os brasileiros comemoram, como se fosse algo palpável e não retórico, as três palavras de Obama sobre Lula, ou para Lula, que em português foi traduzido “esse é o cara!”. Provincianos como vocês são, estamparam isso na capa de TODOS os jornais. TODOS.  O endosso de Obama, portanto, passa a ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/04/bo.jpg"></a></p>
<p style="text-align: center"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">.<a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/04/bo1.jpg"></a></span></strong></p>
<p style="text-align: center"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444"><img class="alignnone size-full wp-image-9994 aligncenter" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/04/bo1.jpg" alt="" width="527" height="368" /></span></strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">.</span></strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">New York- </span></strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Até hoje os brasileiros comemoram, como se fosse algo palpável e não retórico, as três palavras de Obama sobre Lula, ou para Lula, que em português foi traduzido “esse é o cara!”. Provincianos como vocês são, estamparam isso na capa de TODOS os jornais. TODOS.  O endosso de Obama, portanto, passa a ser “a coisa”. Fico um pouco com pena de uma nação tão rica, tão linda, mas tão insegura, que ainda precisa de endossos, seja lá de quem for, mesmo que seja do mais lindo Obama.</span><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Já aqui, quando Obama esteve na França, logo após Londres (G20) e Sarkozy disse para ele “Je t’aime, man!”, com o “man” vindo da gíria pop, mas oriunda da slang negra americana, o presidente orelhudo francês foi o maior alvo de chacotas da imprensa americana. Bem, Obama não precisa mais de endosso retórico. Ele agora precisa derrubar os conservadores Republicanos no Congresso. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Brasileiro se impressiona muitíssimo com “palavras, palavras, palavras”, aquelas que Shakespeare colocou na boca de Hamlet. Hamlet, aquele que não ia para a ação por causa de tanta palavra. Às vezes me vejo amando o Brasil, mas o vejo numa situação hamletiana. Não indo nunca para a ação. CPIs que nunca dão em nada&#8230; Nada que nunca prova nada e tudo num estado de falso encantamento por si mesmo que é suprido por “palavras”. Bem, tudo bem. </span><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Monto minhas peças ou óperas aqui em NY ou pelo mundo e as palavras também me encantam, às vezes justamente pela negação que representam.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Bo, THE DOG</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Mas imagino se Portugal agora está ou não numa situação de delírio nacional. Por quê? Afinal, BO, o cão da família real Obama, é português! Se os periódicos portugueses forem tão ufanistas quanto os brasileiros, imagino que na capa do <em>O Publico</em> ou do <em>Expresso</em> ou do <em>Diário de Noticias</em> deve estar estampado assim: “<strong>PORTUGAL REINA DENTRO DA CASA</strong> <strong>BRANCA</strong>”, ou mesmo “<strong>Lisboa toma conta de Washington</strong>”. Ou até “<strong>O IMPÉRIO PORTUGUÊS CONQUISTA E DERRUBA OS EUA COM UM MERO CÃOZINHO: ESTA É A FORÇA PORTUGUESA</strong>”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Lula não falou nada no G20 de importância. Não entrou na reunião (de portas fechadas) daqueles que resolveram problemas. “<strong>Hey, you’re my man</strong>”, disse Obama a Lula, numa confraternizaçãozinha. Mas como Lula não sabe falar inglês, não houve nenhuma resposta. Uma possível resposta: “<strong>Yes, you’re my woman</strong> <strong>too</strong>!” Lindo. Lindinhos! Imagine que Obama deva ter dito coisas semelhantes ao presidente da Ucrânia, da Jeranonia, da Cracalonia e do Cerimonial. Em Elsinore, o Castelo dinamarquês onde Hamlet vive seu pesadelo, as palavras paralisam a ação! E nós, espectadores, somos paralisados pelas palavras dos protagonistas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Lindo. No final, tudo é silêncio e todos aplaudem de boca aberta e queixo caído, queijo nas mãos, como se lideres políticos fossem heróis, mentirosos atores que são!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Os artistas </span></strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">também se elogiam uns aos outros. Caetano diz que Chico Buarque “é o Cara” (em outras palavras, claro).  Harold Pinter elogiava Beckett (de quem sugava tudo) e os pintores abstratos expressionistas da década de 50 se defendiam uns dos outros e não uns aos outros. Dessa forma, o mundo cria pequenos grupos, como G20, como o G220, como o G2220, ou como o Expresso 2222, que se auto-protegem ou auto Protógenes. Indignados com a estagnação ou com a auto-consciência do que está por vir (<em>o mistério do envelhecimento</em>), o Protógenes Sofoclógenes Platógenes criou um monstro Freudológenes que não aponta mais para o futuro e sim para o passado. Estamos em plena era da revisitação. Notaram? <strong>Estamos correndo</strong> <strong>atrás do tempo perdido</strong>, correndo dos erros dos bancos e do sistema. Qual sistema? Do imaginário das palavras. Estamos correndo atrás de uma depressão econômica. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Ah, menos em Portugal, onde o cão ainda é um puppy de seis meses, presente do Senador Ted Kennedy, e aquele país de velhos envelhecidos finalmente poderá levar seus poucos jovens para as ruas do Bairro Alto, ou de Alcântara ou de Alfama e berrar:  O MUNDO é LOSER, quer dizer, o MUNDO É LUSO!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Gerald Thomas, 15/Abril/2009</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">(O Vampiro de Curitiba na edição)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></strong></p>
<p style="text-align: justify"> </p>
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		<title>Ah, Nós Artistas, os Putos e Veados!</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Mar 2009 13:41:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gthomas</dc:creator>
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New York &#8211; Mas os políticos e banqueiros, todos vestidinhos com seus terninhos, ah&#8230; Que bonitinhos&#8230; Tão limpinhos! Volta e meia, tombam.  Para cada um que aparece ou é “pego em flagrante”, como o ex-governador de NY, o Eliott Spitzer (num ring de prostituição e drogas), ou o ex-governador de New Jersey (pego em flagra na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"><strong><span style="font-size: 20pt;color: #000000"> .</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: center"><strong><img class="alignnone size-full wp-image-9949 aligncenter" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/03/comedia.jpg" alt="" width="463" height="287" /></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: center"><strong><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/03/comedia.jpg"></a></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000"><strong></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000"><strong></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000"><strong></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000"><strong>.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><strong>.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000"><strong>New York</strong> &#8211; Mas os políticos e banqueiros, todos vestidinhos com seus terninhos, ah&#8230; Que bonitinhos&#8230; Tão limpinhos! Volta e meia, tombam.  Para cada um que aparece ou é “pego em flagrante”, como o ex-governador de NY, o Eliott Spitzer (num ring de prostituição e drogas), ou o ex-governador de New Jersey (pego em flagra na cama com outro homem), imaginem aqueles tantos que não são pegos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000">Quero dizer, eu não imagino. No meu círculo eu ouço mesmo! Sim, pessoas são nomeadas. É cada coisa! Pelo menos nós, artistas veados, putos e vagabundos nada temos a esconder. Drogados e sanguessugas que somos, sempre colocamos tudo  no topo da mesa, nós mesmos, sem meias palavras: desde Puck (no “Sonho de uma Noite de Verão”), até o Bobo (em “Rei Lear”), ambas de Shakespeare, os dois mentem dizendo a verdade. Ambos deitam e rolam em mentiras (que vem a ser a essência da verdade). Ambos falam asneiras (que vem a ser a mais pura razão).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000">E mesmo quatrocentos e tantos anos depois de Shakespeare a politicalha ainda não aprendeu que é melhor “escancarar”, ou seja, que é melhor ter a nossa cara do que se fingir de certinho! Incrível. Incrível mesmo, porque&#8230; mais cedo ou mais  tarde (assim como aconteceu com o ex-prefeito de Washington DC), vão pegar o cara fumando crack, ou vão pegar alguém dando o cu, ou vão pegar alguém trocando de papeis e falando frases que não são deles ou delas. Teatro! Esse é o nosso papel. Estamos sendo roubados todos os dias! Os políticos não assaltam somente os cofres públicos: assaltam a NOSSA PROFISSÃO!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000">É justamente isso que fazemos todos os dias, nós, os putos, os veados, os vagabundos!  E nos aplaudem em pé! Quando não nos vaiam, claro. Mas mesmo quando nos vaiam, estão demonstrando uma forma de repugnância não propriamente a nós, mas à nossa forma de representar vocês, eles, a sociedade como um todo. Daí talvez o choque.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000">Ah, e quanto ao aplauso: ele dói aos ouvidos. Por quê? Porque não existe nada mais hipócrita. Melhor mesmo seria enfiar o sorvete de casquinha no meio da testa! Aí, sim, tudo estaria nos conformes.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000">Ah, os artistas e os políticos e a sociedade&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000">Nós não temos jeito mesmo! E agora, para mais um ato! O Ato final? Como seria? Mais ou menos como esse do AIG que temos presenciado. Um diz uma coisa. Outro dia outro diz outra. No terceiro dia aparece outro que diz “eu preveni a todos que seria assim, já faz anos”. Daí aparece o antagonista dos antagonistas: Bernie Madoff.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000">A comédia do terror não tem fim.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000">Ou melhor, tem sim. Com muita maquilagem e muito cristal japonês, o verdadeiro teatro nunca esteve no palco. Que M.E.R.D.A.!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000"><strong>Gerald Thomas</strong>, 20 de Março de 2009.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify">(O Vampiro de Curitiba na edição)</p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #000000"> </span></p>
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		<title>Pena de Vida ou de Morte?</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Mar 2009 17:12:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gthomas</dc:creator>
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New York – Com o post abaixo, o sobre o casamento da Gisele Bundchen com o Tom Brady (colocado no ar num domingo &#8211; dia considerado péssimo pelos redatores dos portais), fiquei surpreso com o número de acessos: ficou nas dezenas de milhares. Já escrevi sobre outras celebs (até mais importantes, ou mais populares) e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span><span style="font-size: medium;font-family: Verdana"><span style="font-size: medium;font-family: Verdana">         </p>
<p></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:"><strong>New York</strong> – Com o post abaixo, o sobre o casamento da Gisele Bundchen com o Tom Brady (colocado no ar num domingo &#8211; dia considerado péssimo pelos redatores dos portais), fiquei surpreso com o número de acessos: ficou nas dezenas de milhares. Já escrevi sobre outras celebs (até mais importantes, ou mais populares) e nunca houve uma enxurrada assim. Mas esse fenômeno de ontem e anteontem me despertou uma curiosidade: o extremo vazio em que vivemos e como o preenchemos com ‘outras coisas’. E quais? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Bem, antes de mais nada, por favor, dêem um pulo no novo <span style="text-decoration: underline"><span style="color: #0000ff"><a href="http://www.geraldthomas.com/"><span style="color: #0000ff">www.geraldthomas.com</span></a></span></span> (sessão vídeos e “press”). Depois, mais embaixo, explico. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Foi justamente pelo preenchimento do vazio que escrevi a tal matéria sobre Gisele. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Eu dizia mesmo que nada tínhamos que invadir o casamento de Gisele (ou de ninguém). Mas ela nos convidou, pessoa pública que era e – já que havia combinado com as revistas que a cerimônia seria mais uma “photo opportunity” (eu sei bem o que é isso) - não me senti tão invasivo assim. Bem, quem quiser leia a matéria abaixo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">O que mais me interessou foi justamente aquilo que foi “tomando conta do vazio”. Não tendo mais o que comentar sobre o casamento, os amigos do blog mudaram radicalmente de assunto e logo, logo, logo estávamos discutindo a PENA DE MORTE (ou de VIDA). </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Ainda escrevo numa noite de Terça-feira, um dia extremante GELADO em NY, coberto da neve de ontem, enquanto sou lido – na maioria por vocês aí, reclamando dos dias mais quentes. Ontem, o DOW Jones caiu tanto, mas tanto, como não havia caído desde 1997. Mais uma notícia alarmante para o Obama herdar de seu criminoso antecessor. Ah, mas como contraponto (e como em qualquer recessão), as pessoas querem diversão, divertimento. Os cinemas estão LOTADOS! NUNCA estiveram tão lotados. Os filmes? Umas merdas. Mas – ao invés de fazerem turismo interno e gastar uma grana - o casal vai ao cinema, compra aquele BALDE de pop corn com manteiga derretida (óleo de canola) e Coca-cola gigante e ainda paga a Baby Sitter. E dá-lhe comédia. E dá-lhe casamento de Gisele em coluna de&#8230; </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Constatou-se que 15 por cento da população americana, hoje, oficialmente, é hispânica. Legal e ilegalmente, 15 por cento no habla sequer lo inglês. Eu estava discutindo isso com um brilhante intelectual, um autor argentino que mora em Miami de nome Walter. Acaba de publicar um livro que irei resenhar junto com o livro do Denny Yang, “New York – New York” (um brasileiro de origem chinesa que mora em Taiwan e cujo blog está linkado aqui). O Livro do Walter se chama “O guia de deus?&#8221; Ou do diabo? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Bem, a questão é punição. Pena capital. <em>“Não é o que vocês estão pensando. Sim, é o que vocês estão pensando&#8230;”.</em> É pena de morte, mesmo, que ainda divide essse país mais que a falha de St. Andréas Fault, que divide a Califórnia e que pode demolir  aquele Estado na escala Richter mais que sua economia ou mais que seu demolidor Governador Arnie, de Graz, Áustria. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Ah, sim: pena capital. Pena de morte. É o assunto do dia. Se pegarmos trechos da mais importante literatura (romance ou drama) da história (seja Shakespeare, Goethe (os Gregos) dando um enorme pulo até, digamos, Georges Bataille (a História do Olho), teríamos um bom exemplo de: </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:"><em>“Simone andava por aí nua debaixo de uma roupa branca, insinuando que ela vestia um cinto ou meia vermelha que, em certas posições revelavam sua boceta&#8230;.Sentou na cara do padre, e depois de mijar nele e ordenar que (&#8230;.) o enforcasse até que tivesse um forte orgasmo, (&#8230;.) pegou uma faca e arrancou o olho do padre. Com o olho do padre na mão, Simone então o esfregou em sua boceta&#8230;)” </em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">(pequeno trecho de Georges Bataille em &#8220;A História do Olho&#8221;) </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Muitas obras de arte sugerem a morte: são sugestivas nesse sentido. Eu disse “término de vida”. Sim, disse. Desde as obras expostas no Uffici em Firenze (Renascentismo – onde o homem encontra Deus, e portanto sua mortalidade) até a escola Flaminga – Rembrant que disseca cadáveres ou Bosch que zomba da nossa natureza humana e nos transforma no Paraíso Infernal, Milton – Dantesqueano. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Enfim, ao que parte dos amigos do Blog acham sobre a pena de Morte: </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Jose Pacheco Filho </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><em><span style="color: #333399"><span style="font-size: 14pt;font-family:">&#8220;Vou sair completamente do assunto.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Para e infelizmente de dar noticia de algo abominável e estúpido ocorrido na Bahia. Aqui no nosso Brasil.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">A ocorrência foi há mais de três meses. Porem só ontem foi amplamente divulgado.Assisti ela televisão.Antes não tivesse visto.A revolta e grande.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Contarei a meu modo. Vou procurar me ater ao que assisti e ouvi. </span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><em><span style="color: #333399"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Um casal ele da Nova Zelândia e ela brasileira estiveram em Trancoso (praia famosa do sul do estado) em período de descanso e lazer. Não poderiam imaginar o que os aguardava.E a filha do casal que com eles veio.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Uma linda menina de um pouco mais de três anos. Pelas fotos parece um anjinho.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Gerald, a mãe notou a falta da filha quando terminou de lavar peças de roupas. Estavam em condomínio fechado.Desses que alugam bangalôs a preços de palácios.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Saíram todos em busca e ajudados pelo zelador encontraram a menina jogada entre arbustos e afogada.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Não vamos nem nos ater por enquanto no tremendo golpe do já relatado. tem mais desgraça pra frente.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Na demorada espera do IML o pai notou que o anus da filha apresentavam sinais de violação.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Ai começou um verdadeiro drama para a família conseguir ser ouvida. Nem o delegado local se interessou pele investigação após as denuncias da mãe ( brasileira repito ).</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Direto no assunto, após interferências inclusive da Interpol e da Policia Federal em conjunto já se sabe que o FDP do zelador foi o assassino violentador.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Apertado ele acabou confessando. O miserável também tem uma filha de igual idade da que escolheu como vitima.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Confessou na maior frieza.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Uma delegada que o interrogou perguntou para ele o que ele mesmo faria se tivessem estrupido e matado a filha que ele tem.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">O desgraçado respondeu que mataria o culpado. </span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><em><span style="color: #333399"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Não vou escrever mais nada. Não e minha intenção mas acredito que já estraguei o teu dia.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Faça as conjecturas que desejares. As minhas eu já fiz.Infelizmente são impublicáveis.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Mas no finalzinho eu peço a Deus que nos perdoe a todos. Todos os seres humanos.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Entendam com quiserem. </span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:"><em><span style="color: #333399">Muito obrigado. </span></em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:"><em><span style="color: #333399">Pacheco.&#8221;</span></em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:"><strong>Peter Punk</strong> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><em><span style="font-size: 14pt;font-family:">&#8220;<span style="color: #333399">Tava falando que que sou contra a pena de morte. Ela torna muito vivo o que pretende exterminar quando eh aplicada. Acho estranho a América( hiper civilizado em tantos aspectos) aplica-la em varias partes. E tbm acho estranhíssimo este culto ao rifle. Eh o culto ao pau de maneira sinistra.</span></span><span style="color: #333399"><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">A justça tem que funcionar prendendo que tem que. Recuperando</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">quem tem que.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">A vida ja contém a pena de morte.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">E como diz o pedro luís: “Sou a favor da pena de vida/ quem vacilou não pode pular fora.&#8221; </span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:"><strong>Aninomyous</strong> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:"><span style="color: #333399">&#8220;<em>Algo mais sobre Boderlines…há diversos casos relatados de gente ‘boder’ ou ‘fronteiriça’, o tal do Champinha que sequestrou um casal, mataram o rapaz e manteve a menina uma semana consigo sob violência, apresentando ela como namorada (e ela em choque não reagia), até que ele foi chamado à delegacia ou algo assim e saiu de lá direto pra onde estava sua vítima e a ‘abriu’ no meio com um facão…terror ao nível de ‘o massacre da serra eletrica ou jason’…os Boderlines e sociopatas são geralmente esse tipo de covardes, mas vou colocar aqui algo sobre os boderlines, porque acho ter algo a ver com a ‘cultura da inversão de valores’ gerando essas monstruosidades: </em></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><em><span style="color: #333399"><span>2) Há alguma relação entre a cultura atual e o “comportamento borderline”? Os psicopatologistas, desde Pinel, depararam-se com um inédito fenômeno: a violência cega, abrupta, desconcertante em pacientes que não apresentavam um quadro psicótico tradicional. Para aqueles alienistas não era novidade presenciar manifestações de fúria assassina em indivíduos considerados loucos. Mas como compreender tais manifestações em pessoas que mantinham preservadas suas funções de consciência e não apresentavam um dos principais sintomas da loucura, a desagregação progressiva da função de pensamento? Wilhelm Reich percebeu com clareza essa situação e descreveu-a em seu brilhante estudo sobre os “caráteres impulsivos”. Esses indivíduos com altíssimo grau de impulsividade, descritos na década de 1920, não eram exatamente idênticos aos pacientes que hoje denominamos como “borderlines”, mas Reich observou, naquelas pessoas, vários fenômenos que encontramos atualmente em nossos consultórios. Naquele grupo de pacientes “as exigências impulsivas eram preponderantemente difusas, não eram dirigidas a objetos específicos e não estavam ligadas a situações determinadas”. Pinel, Reich e vários outros estudiosos ensinam-nos, portanto, que o nascimento do conceito de “fronteiriço” é indissociável da percepção de uma específica violência. Essa violência é muito singular e deve ser diferenciada do sadismo neurótico, do surto psicótico furioso e da raiva em sua expressão bioenergética. Sem essa diferenciação, a estrutura psicopatológica “fronteiriço” perde o sentido. Por outro lado, o conceito de “fronteiriço” está diretamente ligado à “crise de valores” ou “crise ética” do século XX, e à simultânea pressão do contato profundo. A teoria reichiana ensina que uma das principais funções do encouraçamento humano é, justamente, impedir o contato profundo. Em minha opinião, o funcionamento fronteiriço está enraizado, em grande parte, nesse contexto, ou seja: entre o incremento da pressão do contato profundo (um verdadeiro “pico” de pressão) e as dificuldades da couraça caractero-muscular de suportar esse “tranco”. A “crise de valores” já era pressentida, no final do século XIX, por algumas pessoas mais “antenadas”, como, por exemplo, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche e o pintor Vassili Kandinsky. No livro O Espiritual na Arte Kandinsky falá-nos com muita clareza daquele “espírito da época” que, nas primeiras décadas do século XX, encontra expressão em vários movimentos artísticos (e, sem dúvida, na vida quotidiana…), balançando e questionando radicalmente os rígidos padrões morais-caracteriais: “Batalha dos sons, equilíbrio perdido, princípios que desmoronam, rufar de tambores inesperados, grandes perguntas, buscas aparentemente despropositadas, impulsos aparentemente dilacerados e nostalgia, cadeias e ligações rompidas, várias reagrupando-se em uma só, contrastes e contradições — eis nossa harmonia”. [O filme "La Dolce Vita", magistralmente dirigido por Fellini, é um ótimo material para se analisar a passagem do funcionamento neurótico (linear/caracterial) para o funcionamento fronteiriço (impulsividade + depressividade + não-linearidade + vazio de contato)]. Fenomenologicamente pode-se dizer que o funcionamento borderline apresenta um conjunto de características indissociáveis: a específica violência cega à que me referi acima, a pressão do contato profundo, a patologia do vazio, a terrível exigência consigo mesmo e as dificuldades do encouraçamento caractero-muscular em lidar com essa situação.&#8221;</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:"><em></em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><em><span style="font-size: 14pt;font-family:"><strong>Juliano</strong></span></em><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:"><em><span style="color: #333399">&#8220;Interesse o debate sobre a pena de morte, fiquei surpreso com a posição do Gerald. No Brasil o direito a vida é clausula petrea, portanto, esqueçam pena de morte. No mais nosso sistema judicial é cheio de falhas, muitos inocentes poderiam morrer. Posso asssegurar a vocês que estupradores sofrem bastante na cadeia e muitos são mortos pelos próprios presos. Pena de morte não resolve nada, não podemos nos igualar a esses animais, a lei de Talião, “olho por olho, dente por dente”. Prisões brasileiras são masmorras medievais, ali o cara sofre muito, sem saneamento basico, micoses, doenças dos pulmões, aids, dezenas de presos numa pequena cela. Não tem esse papo do cara com vida boa na prisão, comendo bem e tal. E diferentemente do que fala a midia as penas são durissimas e ajustiça condena muito. Passar 10,20, 30 anos numa prisão braisleira é pior que pena de morte.&#8221;</span> </em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:"><strong>Sandra</strong> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><em><span style="color: #333399"><span style="font-size: 14pt;font-family:">&#8220;Sobre a diferença entre punição e vingança. Interpretei-o da seguinte forma: a pena deve ser apenas a necessária garantir que o criminoso não provoque mais danos. Por esse critério, se pudéssemos garantir que o criminoso não irá cometer o crime novamente, nem para a prisão ele precisaria ir. Esse monstro sobre o qual o Pacheco falou, Mengele, … poderiam ficar livres. Mas… calma lá! Alguém que matou crianças, com requintes de crueldade, ignorando seus gritos de dor, suas súplicas, sua expressão horrorizada,… não fará isso de novo? Só se não puder. Uma pessoa assim é IRRECUPERÁVEL. Então, prisão perpétua para esses monstros. E uma prisão que garanta sua integridade física, a mesma que ele negou a suas vítimas.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Mas, honestamente, vocês acham que a morte é uma pena mais dura que a prisão perpétua? Acho que, por impulso, numa briga de trânsito, por exemplo, até uma pessoa muito calma poderia matar. Mas, passados alguns minutos, iria pensar: Meu Deus, o que fiz? E o remorso iria pensar.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Mas… estupro… isso é coisa de canalha. Gerald, o que está errado é dar condicional, redução de pena, etc, etc, para esses monstros. No Brasil, achamos que a prioridade é a recuperação do preso, e que TODO ser humano é recuperável. A prioridade deveria ser as vítimas e nem todo o ser humano é recuperável. &#8220;</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:"><em></em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:"><strong>Targino Silva</strong> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><em><span style="font-size: 14pt;font-family:">&#8220;A justiça brasileira, com Juizes da Suprema Corte, nomeados</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">por políticos, não tem condições de decidirem sobre pena de</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">morte. Será um holocausto dos pobres.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">A pena de morte se faz necessária nesses casos.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">O grande problema é que a pena não pode ser revertida e</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">a justiça é feita por homens que erram.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Como a duvida beneficia o réu, é melhor não ter.</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span><span style="font-size: 14pt;font-family:">Do outro lado a leis brasileiras são muito brandas,</span><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span></em><span style="font-size: 14pt;font-family:"><em>de uma certa forma, incentiva</em> <em>o crime.&#8221;</em> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:"><span style="color: #333399"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Por enquanto é isso. O post ficou enorme. Mas não maior que a Vida ou a Morte, ou Deus e O Diabo que o Walter (….) o genial autor argentino de Miami, propõe em seu livro ou naquela vida frágil em que Emile Zola, Dostoyevski, Nietzsche ou Tolstoy tanto batem, batem, nos machucam e relembram que estamos vivos ou, quem sabe, somente fingindo estar vivos (eu não poderia terminar sem uma citação de Beckett: resisti até o fim!) </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:"><strong>Gerald Thomas</strong> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">New York &#8211; 03/Março/2009</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">(Vamp na edição)</span></p>
<p style="text-align: justify"> </p>
<p> </p>
<p></span></span></div>
]]></content:encoded>
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		<title>Harold Pinter: O Silêncio do SILENCIADOR</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Dec 2008 17:34:45 +0000</pubDate>
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O SILÊNCIO dos Silêncios.
  
 
New York – Este ano de 2008 ainda tinha que engolir mais um! Justamente o dramaturgo que fazia do silêncio a sua pausa dramática. Nascido em Portugal, de uma família judia com o nome de Haroldo Pinto, Pinter chegou na Inglaterra cedo. Como todos os bons playwrights “ingleses”, ele também era [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify">O SILÊNCIO dos Silêncios.</p>
<p style="text-align: justify">  </p>
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<p style="text-align: justify"><strong>New York</strong> – Este ano de 2008 ainda tinha que engolir mais um! Justamente o dramaturgo que fazia do silêncio a sua pausa dramática. Nascido em Portugal, de uma família judia com o nome de Haroldo Pinto, Pinter chegou na Inglaterra cedo. Como todos os bons playwrights “ingleses”, ele também era um outsider. Stoppard, ainda vivo e muito vivo, nasceu na república Tcheca. Beckett (de quem Pinter se diz “aprendiz”) era irlandês, Shaw, igualmente, da ilha vizinha à Inglaterra e assim por diante.</p>
<p style="text-align: justify">Mas o que importa tudo isso? Ah, os silêncios nas peças de Harold Pinter. Sim, eles nos causavam um certo desconforto. Causavam na platéia dos anos 60 e 70 um enorme, digo, enorrrrme, desconforto. Justamente por ser um outsider, Pinter via a aristocracia Britânica criticamente, mas queria desesperadamente fazer parte dela.</p>
<p style="text-align: justify">Em seu casamento quase doentio com Lady Antonia Fraser (cujos livros vendiam mais que os dele), Pinter conseguiu subir de “classe”, algo importantíssimo numa sociedade dividida em classes, em bairros &#8220;<strong>posh</strong>&#8221; ou &#8220;<strong>working class</strong>&#8220;, em sotaques, como a de Londres, que em si só tem cinco distintos sotaques, acentos, variados.</p>
<p style="text-align: justify">Harold Pinter, em THE SERVANT – raramente colocado no palco - dá um show do que é um texto hegeliano. Sim, um pouco de Beckett. Um pouco de &#8220;Fim de Jogo &#8220;(se insistem, se “ele”, o próprio Pinter queria moldar seus textos a partir de Beckett, do mestre de quem ninguém escapou nesse século XX que passou) Por que Hegel? Escravo, senhor, aquelas coisas: o poder do não dito, o &#8220;desdito&#8221;, o &#8220;mal-dito&#8221;&#8230; uma relação de poder não resolvida entre classes (na Inglaterra de hoje e sempre da qual Edward Bond e David Hare e Alan Bennett também escrevem).</p>
<p style="text-align: justify">Pinter não mantinha vínculos com Portugal. Nao falava mais o português. Stoppard também nada tem a ver com os Tchecos ( a não ser recentemente, quando decidiu rever suas raizes). Beckett saiu da Irlanda, mas mesmo encrustrado em Paris &#8211; e tentando escrever em francês &#8211; Samuel Beckett nunca abandonou a língua Joyciana que vem a ser, essencialmente, um irlandês onomatopéico. Nelson Rodrigues sempre foi um brasileiro apaixonado. Mueller um alemão que olhava na direção dos gregos e de Shakespeare e de seu mentor, Brecht. Como se vê, o século XX foi pontuado por autores que deixaram sua marca por algo &#8220;unique&#8221; e, no entanto, semelhante. O quê? O Bairrismo!</p>
<p style="text-align: justify">Quando eu ouvia dizer que havia um Pinter sendo montado fora de Londres (fora do Royal Court, pra ser preciso) eu achava muito estranho. Nada contra. Mas sua linguagem era, essencialmente, londrina, assim como a de Nelson é, essencialmente, brasileira: dificil de ser traduzida ou entendida por outras culturas.</p>
<p style="text-align: justify">Eu não conheci Harold Pinter. Mas ouvi Backett falando várias vezes sobre ele. Não eram elogios, propriamente. Nem reclamações, tão pouco. Eram desabafos. Alan Schneider, o diretor que me deu muita dor de cabeça quando eu queria colocar no palco, aqui no La MaMa, a prosa de Beckett nos anos 80, foi atropelado em Londres por um Ciclista (que eu chamo de Godot) ao depositar no correio do bairro de Hampstead (o bairro onde eu moro quando estou em Londres) uma carta para Beckett. Como americano, esqueceu de olhar pra direita e, pum! Veio um Godot e o atropelou. Mas, o que se conta, nos meios teatrais, é que Schneider estava encenando Pinter no Everyman Theater – um pequeno teatrinho lá no alto do morro do bairro chique. E seu elenco&#8230; bem, deixa pra lá&#8230; estamos em pleno Natal&#8230; SILÊNCIO!!! PSIU! Atores olhando uns pros outros por 3 minutos. Tensão total. Um homem morto na rua, atropelado: trata-se do diretor. Golpe do autor? Do autor de &#8220;THE ACCIDENT&#8221;? Seria demais !</p>
<p style="text-align: justify">Pinter-Schneider – Beckett. Hummm! Certa vez, bêbado como um tatu, o autor dos silêncios que “liam a introversão dos sentidos daquilo que não se dizia um pro outro explicitamente, mas, no olhar, se expressava e se ofegava” (Terra em Trânsito, GT 2007), quebrou um salão de barbeiro inteiro ao saber de um “affair” de Antonia Fraser. Depois se acalmou. Ele próprio estava com a sua amante.</p>
<p style="text-align: justify">Ah, a Londres de Mayfair, de Belgravia!!!</p>
<p style="text-align: justify">Cancêr no esôfago também consumiu Heiner Mueller. Prêmio Nobel&#8230; hummm&#8230;. Beckett o recusou, Pinter o aceitou. Hoje, além de ser Natal, não é um bom dia para críticas. Rest in peace and in your final silence Mr. Pinter, I hope you’ll find that there isn’t such tremendous noise to disturb you<strong>. </strong>I mean, there is an extremely noisy silence right at this very moment. Yes, there is. Throughout the stages of the world your name is being called out. Can you hear it? Can you hear it? We&#8217;re calling out your name.<br />
Farewell, Mr. Pinter or should I simply say, have a good Homecoming.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Gerald Thomas, New York.<br />
</strong>On The Day Christ was born.<br />
2008</p>
<p style="text-align: justify">PS: abaixo desse post: o vídeo de &#8220;UM CIRCO DE RINS E FÍGADOS&#8221; com Marco Nanini onde Pinter é mencionado junto com Genet, Beckett e outros dramaturgos.</p>
<p style="text-align: justify">PS 2: Por que será que tanto Beckett quanto Pinter decidiram morrer no Natal ou perto do Natal?</p>
<p style="text-align: justify">Estranho&#8230; muito estranho! Pelo menos Pinter não nasceu no dia da Páscoa, como Sam.</p>
<p style="text-align: justify"> </p>
<p style="text-align: justify"><strong>(Vamp na edição)</strong></p>
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		<title>COCAÍNA E EXTREMOS NÃO TÃO SIMPÁTICOS</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 19:45:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gthomas</dc:creator>
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Hoje este blog comemora seis meses aqui no IG. Esse último artigo, o de baixo, teve um acesso de mais de 17 mil pessoas, resultando em quase 800 comentários aprovados (coisa, aliás, sem precedentes). Dos mais insultosos aos mais carinhosos, acho que nunca vi ou vivi nada igual. Escrever sobre o Brasil (consideram alguns brasileiros) é escrever [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 18pt;color: #00107c;font-family: Times-Bold"><strong></strong></span></p>
<p class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 18pt;color: #00107c;font-family: Times-Bold"><strong></strong></span></p>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">Hoje este blog comemora seis meses aqui no IG. Esse último artigo, o de baixo, teve um acesso de mais de 17 mil pessoas, resultando em quase 800 comentários aprovados (coisa, aliás, sem precedentes). Dos mais insultosos aos mais carinhosos, acho que nunca vi ou vivi nada igual. Escrever sobre o Brasil (consideram alguns brasileiros) é escrever CONTRA o Brasil. A noção de<span>  </span>‘crítica construtiva’ parece que caiu por água abaixo, junto com essa onda de analfabetismo e xenofobia que o pais adotou. Muito bem.</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">Esse artigo precisa ser linkado ao de baixo, “negros-2”, onde falo nada mais do que a Folha confirma hoje num caderno especial (e copio trechos aqui).</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">Outros assuntos: BlogNovela: “ O Cão que insultava Mulheres, Kepler the dog”.</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><a href="http://tvig.ig.com.br/Templates/Player.aspx?id=51009&amp;video=gerald-thomas---o-cao-que-insultava-as-mulheres-kepler-the-dog-">O Cão que Insultava Mulheres, Kepler, the dog.</a></h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">Pouco a pouco volto a reorganizar minha vida aqui em NY. Estranho isso. Alguns comentários deixados no texto “negros-2” são tão extremamente venenosos e recheados de FÚRIA que me pergunto sobre a patologia ou psicose do internauta que o deixa ou endossa tal comentário. E o resultado que isso traz, digo, o respaldo: Rimos muito, eu e amigos meus, quando lemos em voz alta alguns desses repetidos comentários. Sério. Não causam mais nenhum impacto, crianças!</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">O que ouvimos do palco, no final de um espetáculo, vindos de uma platéia escura, são aplausos ou vaias. Mas jamais saberemos a “verdade” do que realmente se passa na cabeça do espectador (Shakespeare escreveu a respeito) além daquela formalidade, digamos, protocolar. Mesmo depois de 30 anos de teatro e ópera pelos “mundos” afora, a quarta parede aqui dentro já foi quebrada há tanto tempo e se há um espelho do meu ego, esse já foi quebrado há décadas também. E por quê? Por causa de uma coisa simples, frágil, singela, singular&#8230; que chamo de AUTO-PROTEÇÃO.</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">Como assim? Sim, nós nos expomos. Claro. Damos a cara a socos e pontapés alheios quando escrevemos textos e encenamos/escrevemos espetáculos NOVOS (que não são REPETIÇÕES de textos clássicos, fáceis de serem remontados e remoídos e remoídos e regurgitados&#8230;). Mas, e dai?</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">E daí que nada disso importa. Teatro não importa. Arte não importa. O que importa é que a Ford Motor Company e os outros, como a GM, estão perto de fechar suas portas. E isso sim terá um impacto MUNDIAL (incluindo nosso querido Brasil que não aceita criticas&#8230;) Assim como numa peça teatral, a cortina fecha, o drama chega ao epílogo&#8230; e os grandes heróis de uma era não estão sabendo mais lidar com os tempos modernos de Chaplin e&#8230; pum, caem no chão! E, com isso, milhares, digo, milhões de empregos no mundo se evaporam. Milhares de famílias dignas viram <em>homeless</em>. Brincamos demais por tempo demais. Brincamos de Alan Greenspanismo, dessa desregulamentação! E esse será o preço. A coisa não começou ontem, não começou com Bush. Nada tem a ver com ele: tem a ver com Reagan/Thatcher que mandaram ver na desregulamentação e&#8230; a <em>free market economy</em> e a invasão japonesa e coreana e&#8230; agora o xeque-mate!</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">Então? COCAÍNA! Álcool. Drogas em geral. Dopamina. Neurotransmissores em confusão, serotonina em déficit, egos pedindo arrego. E uma pequena correção a fazer quando assisti meu grande amigo Reinaldo Azevedo no Jô, num link online (atrasado, coisa de mês atrás, quando o Reinaldo foi lá no programa). Disse o Reinaldo que essa coisa de “afro-americano&#8221; é besteira porque os brancos seriam o quê? Seriam &#8220;Euro-americanos&#8221;?</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">Sim, meu mais querido Rei. Aqui nos EUA a gente se classifica de <em>Ítalian-American</em>, <em>Lithuanian-American</em> ou simplesmente diz, mesmo já sendo terceira geração nascida aqui: <em>I’M GREEK</em> ou <em>I’m Irish</em>. Por isso, talvez, mantemos uma grande tradição das raízes de onde viemos. Talvez, por isso, mantemos um grande vínculo com os idiomas que nossos avós e pais falavam. E, no lado oposto da moeda&#8230; por isso talvez tenhamos GUETOS: <em>I am Cuban</em> (sendo ele americano, como Rick Sanchez da CNN, já nascido aqui). <em>I’m Russian</em> ou <em>Italian</em> ou <em>Chinese</em> ou seja lá o que for. E nesse seja lá o que for, ou que Ford, lendo a VEJA da semana passada no vôo de volta pra cá, não me choco com a reportagem feita com o Fábio Assunção.</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">Me choco com a hipocrisia feita em cima da reportagem. Sim, as redações , não especificamente da Veja, cheiram, se drogam, assim como em qualquer outro departamento da sociedade, e escrevem sobre algum ídolo da TV que se droga. Metalinguagem melhor, mesmo, somente seria um cego descrevendo uma paisagem.</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">Mas esquecem também que Jimi Hendrix morreu aos 27 anos. Causa oficial: engasgou em seu próprio vômito. Mas quem estava vivo naquela época (e eu estava) via que a tragédia estava pra acontecer: assim como toda sociedade que não sabe mais lidar com os xingamentos, vaias ou aplausos que recebe, porque TUDO TEM O MESMO SOM DO CONSUMO ou do FRACASSO DO CONSUMO, ou seja, o som do EPÍLOGO, Hendrix se deixou levar.</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">E foi o mesmo com Cazuza cuja “<em>droga já vinha malhada</em>” ou com Clapton sobre a mesma cocaína “<em>she don’t lie, she don’t lie&#8230; cocaine!”</em> e Joplin, Jim Morrison ou Sigmund Freud que, por assim dizer, a introduziu ao mundo clássico, neo-clássico, hostil da psicanálise.</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">Mas Rimbaud e Genet e, ah, claro!, Manoel Bandeira e Sérgio Porto e Vinicius de Moraes eram grandes fãs do pó! Pra não falar da cena intelectual de Paris dos anos da <em>Belle Epoque</em> onde era chamada de <em>Café Blanche</em>&#8230; Não, nada a ver com o Tennessee Williams, mas as reportagens freqüentemente esquecem Cole Porter que fazia a apologia da mesma! Estranho isso. Estranho esquecer Miles Davis, Porter, Ellington, Charlie Bird Parker, etc.. Mas tudo bem. Estranho não citarem a <em>beat generation</em> como Bill Boroughs ou Tim Leary que é conhecido, entre os não tão íntimos, como o &#8220;<em>Papa das Drogas</em>&#8220;.</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">Ou grupos inteiros de teatro que fazem a apologia de outras drogas para que se entre em &#8220;outro estado”. Qual estado? O de Israel? Sim, talvez tão provisório ou tão recente quanto o estado de Israel. Talvez não seja por acaso que a “<em>designer drug”</em> ecstasy tenha nascido nas festas RAVE em Israel. Estranho isso. Mas pensem na clausura, na cerca em volta, na quarta parede em tempo real daquele país que nasceu com seus kibutzes marxistas numa situação quase artificial em 48 e está sempre num regime tão frágil entre o existir e o não existir, eis a questão! </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">Quem já não brincou, madrugada adentro, fazendo sexo-fantasia para quebrar tabus? Bem, eu brinquei. Não tive que lutar muito para sair, como os programas <em>INTERVENTION </em>querem mostrar dramatizando o drama. Mesma coisa foi com o terrível assassino CIGARRO: parar é só parar! É só parar dizendo assim: PAREI!</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">Mas&#8230; veneno, como diria Prospero para sua bruxinha preferida, a Sycorax, é algo temporário, e que, mais cedo ou mais tarde, estará matando ou ACORDANDO as pessoas através da HIPOCRISIA. Essa mesma hipocrisia xenofóbica que não permite mais que se fale mais criticamente do Racismo no Brasil e essa mesma hipocrisia que deixa que se venda bebidas alcoólicas aos montes em supermercados e cigarros aos montes, mas que se é obrigado a manter a “droga ilegal” em estado de ilegalidade, para que alguns <em>lobbies</em> ainda consigam pensar em leis e para que algumas ramificações das polícias, as várias, controlem o tráfico.</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">Tudo velado. Economia velada, vícios velados, governos velados e uma economia falida num sistema que (agora) se repensa. Que bom! Sou capitalista. E o capitalismo sempre teve que se repensar. Karl Marx, se lido a sério, examina o problema da mais-valia e acha necessário mesmo que o “tratamento de choque” na sociedade industrial que ele foi examinar na Inglaterra precisa mesmo ser reestruturado. E isso quebra muito ego. E ego precisa de psicanálise. Muita análise precisa de droga. Muita droga é legal. Muita droga legal também leva ao mesmo “escapismo” que a ilegal. Muita droga legal nos leva a crer que estamos CONTENDO as compulsões que queremos ter porque TUDO em volta está CAINDO aos PEDAÇOS. Tudo bem, se a farsa é pra ser farsesca, qual o problema em torná-la uma <em>Comedia Dell’Arte?</em> Para que minimizá-la e sorrir amarelo e ficar em constante ESTADO de <em>DENIAL</em> – de negação &#8211; dizendo para nossa quarta parede interior: “<em>Não somos um país racista. Esse Gerald é uma merda mesmo, volta pro seu pais!”</em></h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3><span style="color: #ff0000">Da FOLHA DE SÃO PAULO:</span></h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h2><span style="color: #333399">&#8220;Elite preta&#8221; se divide sobre extensão do preconceito</span></h2>
<p> </p>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #333399">Para herdeiro, racismo ficou &#8220;mais velado&#8217;: diretor de banco diz que cor não importa</span></h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #333399"> </span></h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #333399">MARIO CESAR CARVALHO </span></h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #333399">DA REPORTAGEM LOCAL   </span></h3>
<p class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #333399">&#8220;O racismo não está diminuindo, só está ficando mais velado.</span></h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #333399">E racismo velado é pior&#8221;. Carlos não é uma exceção entre quatro executivos negros ouvidos pela Folha, todos bem-sucedidos. Só um diz que nunca sofreu preconceito. &#8221;Já me confundiram com motorista na porta de restaurante, mas bastou o cara olhar um pouco para pedir desculpas&#8221;</span></h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #333399"> </span></h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000000">(quem quiser ler a excelente matéria do Mario, está na Folha de hoje)</span></h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #333399"> </span></h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #333399">&#8220;Ainda sou exceção&#8221;, diz Lázaro Ramos</span></h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #333399">LAURA MATTOS </span></h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #333399">DA REPORTAGEM LOCAL   </span></h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #333399"> </span></h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #333399">Para Milton Gonçalves, 74, que sempre lutou por personagens fora dos estereótipos e criou polêmica ao aceitar seu atual papel de político corrupto em &#8220;A Favorita&#8221;, até hoje &#8220;o negro aparece na TV só para dar uma cor local&#8221;. &#8220;É como a TV americana, que põe um apresentador branco, um negro, um latino e um asiático.&#8221; Ele avalia que a TV &#8220;está estagnada&#8221;. &#8220;Os protagonistas de Taís e Lázaro são conquistas, mas nada que tenha alterado. Com é que o fato de eu fazer um corrupto ainda causa irritação? Por que não podemos ser vilões?&#8221; Joel Zito Araújo também acha &#8220;uma bobagem&#8221; discutir se o negro pode ou não interpretar vilões. &#8220;Minha crítica é a ausência de atores negros em papéis positivos. E os negros ainda continuam naquela cota de sempre de 10% do elenco.&#8221; Para o cineasta, &#8220;a televisão piora a realidade do negro, que ainda é raramente incorporado. Para equilibrar um peso enorme da representação histórica, a TV deveria até retratar o negro de forma mais positiva porque certamente tem o papel de transformar a realidade&#8221;. Ruth de Souza, primeira protagonista negra da teledramaturgia, em &#8220;A Cabana do Pai Tomás&#8221; (1969/70), novela sobre escravos, resume a questão com a sabedoria de quem chegou aos 87 anos, mais de 60 de uma carreira com consagrados papéis: &#8220;A TV conta histórias, e o negro tem que participar normalmente, como de todos os segmentos da sociedade&#8221;.  47 pontos foi a audiência de &#8220;Da Cor do Pecado&#8221;, a maior já registrada pela Globo às 19h desde o Plano Real até hoje.</span></h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #333399"> </span></h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000000">(quem quiser ler mais, está na Folha de hoje)</span></h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">Bem, já está enorme essa matéria: mas também, querem o quê? Depois de 350 mil acessos em 6 meses e com um post que me rendeu mais de 700 comentários por eu ter dito que a HIPOCRISIA era o maior problema seja na questão do racismo, das drogas, em lidar com a morte, em lidar com seu melhor amigo, ou o mensalão, ou com POLÍTICA, ou tentar entender a natureza do ser humano&#8230; Seis meses de Blog no IG, quatro e meio no UOL e agradeço a todos. Vamp, obrigado por essa batalha diária. Quem está desse lado sabe como não é fácil. A todos no IG meu muitíssimo OBRIGADO. Juro que não sei se tenho forças pra manter o ritmo, mas sempre disse isso. Meu trabalho é contra a BURRICE, contra a FALTA DE CULTURA dentro da FALTA DE CULTURA e enquanto houver aqueles que não sabem quem foram Ovídio, Homero ou Shakespeare e berrarem do fundo de suas almas umas cretinices difíceis de serem curadas, eu não recomendo os <em>REHABS</em> que o Fábio Assunção frenqüenta (deus o queira bem!). E por quê? Porque, assim como no teatro, um <em>rehab</em> é como uma redação de jornal, revista, ou empresa qualquer: por trás o que existe não é o real interesse na recuperação de ninguém. O que existe é a propagação de alguma imagem. E essa imagem, infelizmente, está com falência múltipla de órgãos e justamente por causa dessa falência as pessoas têm sempre, ou quase sempre, a chamada RECAÍDA: WALL Street está aí para confirmar que CAÍMOS PORQUE SOMOS HIPÓCRITAS E GOSTAMOS MESMO É DE XINGAR OS OUTROS. E quando levantamos, assim como Ícaro já tentou, e Howard Hughes também, caímos de novo!</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">Por ora, chega!</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">MIL BEIJOS de uma gélida New York City</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">Gerald Thomas</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">(em homenagem ao meu mestre Samuel Beckett)</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">( O Vampiro de Curitiba na Edição)</h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">  </h3>
<h3 class="EC_MsoNormal" style="text-align: justify">  </h3>
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		<title>O Círculo se Fecha!</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Sep 2008 21:02:38 +0000</pubDate>
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Voltar para casa é sempre um alívio. Digo isso a cada 3 semanas e chamo Nova York de &#8220;casa&#8221; (e sempre foi),  assim como chamo Londres de “casa”, assim como chamarei, logo,  logo,  um assento numa canoa, fugindo de um furacão, de “casa” (Aliás, obrigado, supervisor de vôo da &#8220;JAL&#8221;, pela troca de assentos na última [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--StartFragment--></p>
<p class="MsoNormal"><span><strong></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong><span style="font-weight: normal"><span><strong></strong></span></span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong><span style="font-weight: normal"><span><strong></strong></span></span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong><span style="font-weight: normal"><span><strong>Voltar para casa é sempre um alívio. Digo isso a cada 3 semanas e chamo Nova York de &#8220;casa&#8221; (e sempre foi),<span>  </span>assim como chamo Londres de “casa”, assim como chamarei, logo,  logo,<span>  </span>um assento numa canoa, fugindo de um furacão, de “casa” (</strong></span><span><strong>Aliás, obrigado, supervisor de vôo da &#8220;JAL&#8221;, pela troca de assentos na última hora</strong></span><span><strong>). Para vocês que voam de &#8220;TAM&#8221; e não sabem o que é cortesia, experimentem voar pela &#8220;JAL&#8221; (não, isso não é jabá, pago <em>full fare</em> em <em>business</em>, mas agradeço gentileza e ataco os rudes, os brutamontes do ar quando merecem ser atacados.)</strong></span></span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Olhando fotos dos retirantes de Louisianna, esses seres que escaparam do Gustav e que escaparão de vários outros desastres naturais e artificiais, como guerras, insurgências, minha mente atravessa vários emails não respondidos aqui no computer e a geladeira sobrecarregada de produtos orgânicos da WholeFoods&#8230; mas por que digo isso? Ah sim, ainda me fixo no artigo dos Caretas! Cidades caretas, cidades JOVENS, dominadas por jovens e com JOVENS saindo pelos poros da imaginação!</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Esqueçam os autores MORTOS!</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>ESTAMOS VIVOS.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Não custa esquecer um pouco, por um tempo (digo, um respiro) os &#8220;CRÁSSICOS&#8221;! Estão nos levando a Ground Zero! Se formos investigar ou querer investigar o CÍRCULO das coisas semi-vivas, saibam que existe em MUNIQUE um dos mais belos ambientes do mundo, digo isso porque VIVO LÁ: a GLYPTOTHEK (entrem no Google e descubram, que não aguento mais descrever essa maravilha semi-morta, greco-romana)</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Esquece! Esquece!<span>  </span>Passei minha vida inteira<span>  </span>tentando comparar culturas, tentando explicar uma cultura para outra, tentando explicar para os meus tios que no Rio não tem elefante andando na rua. E riem. Tento, até hoje, dizer que em NY se anda tranqüilamente às 4 da madrugada sem olhar para trás de MEDO e&#8230; riem!</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>O círculo se fecha!</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Guerras entre críticos e músicos e artistas de palco ou de telas penduradas em museus.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Tudo muito triste, mas a verdade é que o círculo se fecha e o mundo responde via Blogs.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Saudades imensas de pessoas como João Candido de Galvão. Meio pé-na-merda, meio pé-na-imprensa. Mas sabia das coisas. Era relacionado a Oswald de Andrade, não sei bem como.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>A última vez em que nos vimos foi no aeroporto &#8220;Charles De Gaulle&#8221; (acho). Me contou que havia sido assaltado na Ipiranga com São João. Já estava bem fraco do coração. Nós nos amávamos. Era um amante da obra de Robert (Bob) Wilson e falava dele com paixão. Paixão que poucos possuem quando falam de arte hoje.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Por que a arte hoje não é discutida com paixão mesmo quando se discute o iluminismo ou, digamos, os impressionistas? Estranho! Não sinto paixão por Jackson Pollock. Tenho um amor frio por ele. Tá certo! Mas tenho uma paixão FORTÍSSIMA pela obra de Duchamp e pela obra de Steinberg e a de Francis Bacon e Vik Muniz (que encontrei ontem vindo pra cá).</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Digo, morro de paixão por Pina Bausch, e João Candido sabia corresponder essa paixão quando fez a crítica de “Quatro vezes Beckett” – em 1985 – no &#8220;teatro dos 4&#8243;, no Rio. Também soube meter o pau em “Carmem Com Filtro”, obra ruim, que construí pro Fagundes em Sampa, em 86. Mas fiquei quieto.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Tem artista que esperneia até hoje: sim, mandei a Bárbara Heliodora morrer. Mas isso é um capítulo à parte: ela queria que eu morresse, que meu teatro morresse e atacaou a Nanda. Eu simplesmente fechei o ciclo. Anos depois, digo, hoje, outro círculo se abriu. Dona Bárbara e eu nos damos bem. Ela gosta ou desgosta de alguma obra minha, mas ela dá de DEZ a ZERO em Ben Brantley ou no Christopher Isherwood, ambos do New York Times (nova velha geração), os pré-pretensiosios que chegaram há alguns anos quando Frank Rich e Mel Gussow saíram.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Ah, a crítica! Não vivemos com ela. Não vivemos sem ela.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>O que dizer de tantos novos atores e atrizes de hoje? Não se pode mais MASTIGAR em público, digo, mastigar mesmo (boca entreaberta ou não), como num desses &#8220;FREVINHOS&#8221; da vida (restaurante na Oscar Freire que deveria ensinar aos russos e polononeses como se fazer um bom strogonoff). “<em>Ai, que nojo</em>, <em>Gerald!”</em>  Zé Celso está de parabéns por ter RESISTIDO à caretice dos tempos. (Te admiro Zé, e você nem sabe o quanto!)</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>“NOJO&#8221;?</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Artista de teatro sente &#8220;nojo&#8221;?</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Caramba! Eu não sabia disso, com 30 anos ou mais de teatro, se levando em conta &#8220;Verbenas de Seda&#8221;.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>“<em>Um pé na merda e outro outro na lama</em>” - dizia Grotowski. Frase inesquecível para uma cultura inesquecível. Sim, cheguei em casa.<span>  </span>E, ao ler o Times, leio as páginas de cultura que há anos não saem do mesmo tema: parecem até terem entrado no próprio labirinto metalingüístico da mesmice e da loucura: ELSINOR!</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Palavras, palavras, palavras!</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Fecharam o círculo.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Só dá peça de Shakespeare ou peça de Beckett!</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Parece até que Hamlet fará o &#8220;Krapp’s Last Tape&#8221;. Haja &#8221;Quantum Leap&#8221; pra tantum, digo, pra tanto!</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Não podemos ficar falando ou repetindo e repetindo momentos da cultura do passado! Não podemos. TEMOS que FALAR pra FRENTE, custe o que custar.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Aqui na parede, enquanto eu escrevo, de vez em quando eu levanto os olhos e dou de cara com fotos num painel avacalhado: Beckett e eu; Julian Beck e eu; eu espremido entre Haroldo e Augusto de Campos. Deus do Céu! Quase toquei nas mãos de Joyce. Eu disse &#8220;quase&#8221;.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Estou fechando o meu círculo.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Custe o que custar!</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Gerald Thomas</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>NY, 2 September 2008</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">PS: a &#8220;CLARO&#8221; boicotou meus recados e minhas ligações durante minha estada no BR. Três delas foram pro Alberto GUZIK, ex-crítico , futuro &#8220;UM CRÍTICO&#8221;, sempre um tremendo apaixonado.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #0000ff">EXTRA EXTRA</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">BUSH NÃO FALA DIRETAMENTE À CONVENÇÃO REPUBLICANA!</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">FALA RAPIDAMENTE VIA SATÉLITE: razão indireta = hurricane Gustav (que já passou, hoje, terça).</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">Razão real: a BAIXÍSSIMA popularidade de Bush!</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">(Vamp na edição)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #333399">Comentário belíssimo de</span>:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><cite><strong>Enviado por:</strong> Tene Cheba</cite>Ciclos, uma possante palavra, ciclos existenciais, das estações, ciclo sexual, das chuvas, da neve, do amor, da dor.O ciclo é foda, quando não está em pi, está em e, ou o número Euler, dá no mesmo, só para esclarecer. A vida, a morte, a desesperança, o futum, o bode que não sai da sala, teima em ficar.O Artista é dono de um ego compelxo, anormal, ele não entende o seu público, odeia esta dependência, seu maior pavor é saber que sua arte será impiedosamente julgada, por anônimos, esta ansiedade danifica sua existência, o gozo nunca vem.Ser Crítico, o perfeito embasamento para não se acreditar em Deus, ninguém merece, nem eles, coitados, o destino furioso não lhe concedeu o talento, apenas o poder platônico de amar os filhos dos outros, uma paulada que dói.Mas tem o povo, incapaz de captar uma Tela, de entender um texto, de abstrair o feio, o belo e o trágico, não existe competência na fome, não existe arte na fissura, nas dívidas, no ônibus, nas quatro horas de viagem, entretanto amam seus escolhidos, seus eleitos. O meu círculo está em pi sobre quatro, faltam ainda três pi sobre quatro para ele se fechar.Um gênio não deveria perder o seu sentido, não deveria acumular, apenas fluir, chorar, ri, mas nunca se ausentar.Nova York-São Paulo, ou, excessivos contrastes perturbam.Melhor comer uma maçã.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">e de&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><cite><strong>Enviado por:</strong> Manu</cite>Eles pairam sobre nós, vivos ou mortos, sempre nos acompanham e permanecem vivos no mais profundo mistério de nossas mentes, não blasfeme, não chore, ilumine-se com a palavra que está em tua boca, que está em nós, que está em tua morada, que está na tua mãe, no teu pai, no teu filho , na tua amada, no teu céu , no teu quarto escuro, na tua janela aberta, no ar que você respira, não pare nunca de dizer a palavra que nos redimirá de nossos erros, de nossos fantasmas, de nossos desejos, de tudo que não é, de tudo que é e será, de tudo que não faz sentido, de tudo que deve morrer, de tudo que deve viver, de tudo que deve florecer nesta estação.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">do Mau Fonseca</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><cite><strong>Enviado por:</strong> Mau</cite>BEETHOVEN quando terminou a NONA teve de escutar os criticos alemães falarem que sua Nona era uma BOSTA.</p>
<p>Ainda bem que ele ja estava totalmente surdo.</p>
<p><!--EndFragment--></p>
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