Gerald Thomas convida você a enviar o seu vídeo. É como um teste de elenco online. Se você for escolhido poderá fazer parte de uma peça de teatro interativa que será encenada em São Paulo no mês de novembro.
Sugerimos que os interessados leiam os capítulos da BlogNovela já publicados aqui no blog e mandem vídeos com interpretações relacionadas a esses capítulos.
Todos podem usar a área de comentários deste post para eliminar qualquer dúvida e enviar sugestões.
Quando eu perambulava pelo La MaMa, nos anos 80, dando workshops sobre o teatro da hesitação e sobre um novo fluxo de pensamento, me deparei com várias intervenções do NYFD (New York Fire Department). Estávamos no prédio de ensaios, um quarteirão atrás do teatro, no East Village. Na frente desse edifício, há uma estação de bombeiros. Tudo que eles tinham que fazer era entrar, tirar o cigarro de nossas bocas e dizer: “Aqui não se pode fumar!”. Anos depois, nos palcos europeus, a multa falou mais alto. A cada cigarro aceso, marcos alemães ou schillings austríacos ou libras inglesas eram descontadas do meu salário, mas eu só ficava sabendo ao receber o cheque na véspera da estréia. Fora um incidente com Fernanda Montenegro (aliás, dois), no complexo Kampnagel Fabrik em Hamburgo, em 1992, não lembro de ter sentido medo ou vergonha de encenar um espetáculo. Com a minha ex-sogra foi o seguinte: “Flash and Crash Days” estava em cartaz em uma das várias salas da ex-fábrica. Não havia banheiro perto. Disse ao diretor artístico: “Essa é a maior atriz de todos os tempos e não abro a cortina se não houver uma forma de banheiro portátil”. Depois de muito escândalo, provindenciou-se algo com um balde. A própria Fernandona insistiu e abrimos o pano. Palco do lado. No mesmo complexo, Sir Fernandona foi assistir ao ensaio da minha desastrosa “Saints and Clowns”. O banco em que se sentou “colapsou” com ela. Só notamos depois do ensaio. E a levamos ao hospital. Não são exatamente eventos que colocam em risco de vida um teatro. São problemas sanitários ou de gerência. O que tenho visto e vivido no Brasil nos últimos 25 anos é de dar medo ou querer fugir: desde o meu ex-assistente de iluminação quase morrer por bater com a cabeça num pedaço de ferro não-sinalizado no urdimento, até ratos enormes que corroem os multicabos de luz ou de som. Não há aterramento devido entre ambos. Os teatros do Rio (João Caetano e Villa Lobos, por exemplo) são os piores do mundo. Nós brincamos, irresponsavelmente, dizendo que eles fazem “plantação” de brie e camembert nas poltronas, de tanto mofo. O que tenho visto de rack de luz esquentando, de excesso de refletor por canal, de falta de grade na frente da lente, varas grudadas rentes demais, contra-pesadas com cordas quase no ponto de arrebentarem! Os bêbados de costume que nos dizem adeus e fecham o teatro… Não sei se por milagre ou desgraça o Cultura Artística e outros teatros não foram pra fogueira das meias verdades antes. Mas se querem uma resposta, perguntem pro Paulão, chefe de palco do Sesc Paulo Autran. É a ele que eu me rendo. Ele sabe que nenhuma medida é pouca quando se trata de uma mega-estrutura que pode desaparecer num abrir e fechar de olhos -ou num subir e descer de pano.
GERALD THOMAS é autor e diretor
PS.: O que está publicado acima é PARTE DE UMA ENORME REPORTAGEM (MARAVILHOSA) da FOLHA sobre a (in)segurança nos teatros Brasileiros.
A reportagem toma conta de enorme parte do caderno e ocuparia um espaço enorme aqui no blog. Limito-me a publicar somente a minha parte, já que a Sylvia Colombo (editora interina do caderno) se pautou por esse blog para fazer a reportagem logo após o meu artigo “SOMOS TODOS RESPONSAVEIS”, relativo ao fogo que consumiu o Teatro Cultura Artística.
Congratulo o pessoal da Ilustrada por uma excelente reportagem.
É isso, gente!
REPORTAGEM CULTURAL INVESTIGATIVA É ISSO!
Voltamos aos tempos dinâmicos!
Parabéns mesmo! LOVE
G
comentario
07/09/2008 – 14:17Enviado por: marcya oliveira del vallA situação das nossas casas de espetáculo estão como uma faca de dois gumes!
Do sonho de um grande ator sem palco ,muitas vezes faz nascer casas de espetáculos alternativas que são como estás que foram fotografadas e colocadas na ilustrada.
Por um lado grandes salas com acesso limitadissimo para apresentação de grupos teatrais devido ao valor cobrado …
Qual ator,administrador de teatros ,diretor que nunca disse ou questionou em si mesmo :
Como é duro viver de arte neste país?
Então me pergunto como sair a caça as bruxas?
E como tb deixarmos que isso nos tomem a conciência e continuarmos arriscando nossa cabeça em teatros que desmontam o teto com um simples arrastar de armário ,Fato este ocorrido no tbc durante a apresentação do nosso espetaculo a uns 4 anos atráz….
Como exigir de uma administração a solução se no final do mês
o dinheiro arrecadado mal da para pagar os funcionários do teatro.
Então nos dizem :existe a lei de encentivo a estás casas a lei:8313/91
que permite que os aprovados depois de um projeto com muitas burocracias,recebam doações de empresas ou de pessoa fisica ,que podem abater depois no imposto de renda…
Com a burocracia imposta pelo governo estás leis são feitas para não serem vivenciadas,A dificuldade são tantas que muitos patrocinadores desistem do abatimento.
Então quando nós pedimos um patrocinio parece que estamos pedindo esmola.
O GOVERNO É UM SÓCIO EM NOSSA VIDA,QUE NÃO NOS DA NADA SÓ NOS TIRAM…Muitas vezes os donos destas casas optam em levar seu sonho em frente mais estão sem ação perante as circunstançias.
da Sandra
07/09/2008 – 16:31Enviado por: SandraGerald, é verdade. A desgraça na frente dos nossos olhos e a gente não quer ver. NUNCA vai acontecer com a gente. Lembro-me quando o cinto de segurança passou a ser obrigatório, o quanto alguns amigos se revoltaram.
E quantas crianças não estão com a carteira de vacinação desatualizadas? Ah! Nada vai acontecer!
E gente pescando onde foi detectado o vibrião do cólera? Ah! Conversa! Não vi ninguém ficar doente AINDA! O cara estava esperando algum filho morrer para acreditar.
Li seu artigo sobre Congonhas em sua home, mas para mim, aquele aeroporto, com menos de 2 Km de pista, cercado de cidade por todos os lados, é outro desastre esperando acontecer. DE NOVO.
Quarta, amanhã, às 21 horas no SESC da Av. Paulista (não confundir com o SESI nem com o Instituto Medico Legal e nem com o Macksoud Plaza e nem com a Casa de Haroldo de Campos e nem mesmo com o Citibank e muito menos com o Masp) eu, Gerald Thomas, amante número 1 desse país (portanto as críticas – quem não ama não critica, ignora!) dou início a uma série de debates: o primeiro é com o ator/autor/ex-crítico do Jornal da Tarde e genial, genial, figura; membro do Companhia Satyros de Teatro (que assaltaram os assaltantes da Praça Roosevelt e tornaram aquele lugar “o point’ da cidade já faz alguns anos), o Alberto e eu…..bem. O Alberto e eu nos conhecemos quando o Brasil ainda era colônia da Austrália. Ele escreveu muito sobre meus espetáculos quando era crítico do JT e do Estadão, e eu estava na ponta da ponta de encenar uma adaptação de seu romance maravilhoso, Risco de Vida. Alberto, além de estar on the road com sua troupe, trabalha em seu mais novo romance MARAVILHOSO (parte do qual eu já li – início, porque ele teve receio ou ciúmes de me mandar mais porque um personagem “parecido” comigo tem uma morte HORRENDA), enfim, esse novo romance chama-se UM CRÍTICO.
Discutiremos sobre o que DER NA TELHA e o que VOCÊS perguntarem:
1- Aonde: no auditório – 14º andar do SESC Av. Paulista
Do sonho de um grande ator sem palco ,muitas vezes faz nascer casas de espetáculos alternativas que são como estás que foram fotografadas e colocadas na ilustrada.
Por um lado grandes salas com acesso limitadissimo para apresentação de grupos teatrais devido ao valor cobrado …
Qual ator,administrador de teatros ,diretor que nunca disse ou questionou em si mesmo :
Como é duro viver de arte neste país?
Então me pergunto como sair a caça as bruxas?
E como tb deixarmos que isso nos tomem a conciência e continuarmos arriscando nossa cabeça em teatros que desmontam o teto com um simples arrastar de armário ,Fato este ocorrido no tbc durante a apresentação do nosso espetaculo a uns 4 anos atráz….
Como exigir de uma administração a solução se no final do mês
o dinheiro arrecadado mal da para pagar os funcionários do teatro.
Então nos dizem :existe a lei de encentivo a estás casas a lei:8313/91
que permite que os aprovados depois de um projeto com muitas burocracias,recebam doações de empresas ou de pessoa fisica ,que podem abater depois no imposto de renda…
Com a burocracia imposta pelo governo estás leis são feitas para não serem vivenciadas,A dificuldade são tantas que muitos patrocinadores desistem do abatimento.
Então quando nós pedimos um patrocinio parece que estamos pedindo esmola.
O GOVERNO É UM SÓCIO EM NOSSA VIDA,QUE NÃO NOS DA NADA SÓ NOS TIRAM…Muitas vezes os donos destas casas optam em levar seu sonho em frente mais estão sem ação perante as circunstançias.