12/03/2009 - 14:20

(Madoff saindo da Corte Fedral de NY)
MULHER NÃO BRINCA DE FOGUETINHO!
New York – Ontem de madrugada, conversando com Gustavo Ariani (pelo skype), falamos de tudo, como sempre falamos. Com a câmera do MacBook ligada eu fazia um tour pelo apartamento e ele tocava, no violão, uma lindíssima peça de Villa Lobos. Mas falávamos das nossas intensas indignações também, já que ele dirige a CAL no Rio. A CAL é uma escola de artes dramáticas. E, depois de uma hora de conversa, chegamos onde sempre chegamos: aos risos, aos choros, às náuseas habituais até ao caso David Goldman (que chegou ao Rio ontem), e, como sempre, tecemos longas teorias sobre por que o mundo está como o mundo está.
Não, querido leitor. Não irei entrar em detalhes. O Caso do David e Sean Goldman está “all over” nesse blog e já viramos um instrumento de defesa em sua causa.
Agora, o escândalo é mesmo esse filho da puta do Bernard Madoff. Mas se a desconstrução do nome já não diz tudo - MAD OFF, ou se seguimos a pronuncia “Made Off” (with the money, correu com a grana) - então não sei se o diabólico e a cólica não se misturam numa liquidificação da parabólica!
Ah, claro! A minha Ellen Stewart (antes que todos perguntem) está de volta ao hospital, em estado anti-crítico/super crítico, para não falar em anti-Edipo, entubada e embutida, mas dando um sorriso que faz o pavilhão inteiro do oitavo andar passar lá para pegar carona no seu carisma.
Gustavo, indignado, dizia: “que loucura essa coisa da economia mundial, colapsou!”. E eu já o interrompia. “Gustavo, pelo amor de deus, pare com economia. Ninguém aqui fala em outra coisa!” Eu chego ao cúmulo masoquista de ver o “Countdown”, programa do Keith Olberman, além de todos os outros, para me certificar again e again que o Down Jones parece mesmo aquele filme pornô da década de 60, “The Devil in Miss Jones”, PÉSSIMO!
Nós, os homens, temos a capacidade de estragar tudo. Olha esse crápula do MAD OFF. Não são mais 50 BILHÕES de dólares. Agora parece que são 65 BILHÕES. Quem sabe, amanhã ouviremos que serão 100 BILHÕES ou até mais?. É o caso mais comentado entre amigos, em cafés ou patisseries pela cidade. Sim, os homens têm uma capacidade impressionante de se destruir e de conseguir destruir o outro assim… digo, assim, sem mais nem menos: é algo… o quê? Vem de onde? Não, não sou o Clausevitz nem o Paul Virilio nem um expert nessas coisas. Mas uma frase me fica na cabeça e não sei de onde veio:
-Estou tentando me comunicar com você. Você não me ouve? Hein? Hey, hey, você mesmo! É com você que estou falando. Não consegue me ouvir? Que pena! Estou bem atrás de você, quase encostando na sua nuca, no seu ombro e você não nota a minha presença.
Lembro muito de Haroldo de Campos em muitas horas do meu dia.
Em Miami na semana retrasada, conversando com o Walter Greulach, conversávamos muito sobre os fantásticos escritores argentinos, do qual ele faz parte. Não sei porque mencionei o Haroldo. Ah sim, porque além da sua meta isso e aquilo e paixão por Joyce e Pound e tudo, era um INDIGNADO! Mas destruía e desconstruia também as línguas que falamos e digitamos, e isso é fantástico por…Por quê? Porque somos prisioneiros delas! Deles! Dos idiomas.
Sim, nos destruímos e partimos para briga. Um xinga o outro. Olhem os comentários nesse blog. Mas o Gustavo (num tom de briga e depois de dedilhar lindamente um Vila Lobos no violão), contrafobicamente me retrucou: “MAS NÃO É SOMENTE ISSO, NÃO, MEU IRMÃO! SE NÃO FOSSEM NÓS, OS HOMENS, NÃO TERÍAMOS A PARTE BOA DA VIDA”.
“Como assim, Gustavo, parte boa da vida?”
“SIM, NÃO TERÍAMOS AVANÇOS INCRÍVEIS NA TECNOLOGIA, NA MEDICINA, NA ENGENHARIA E ARQUITETURA E NA FILOSOFIA… e foi você mesmo que diz na tua peça “Kepler the Dog”: Não tem mulher compositora clássica. E, quer saber? O HOMEM NÃO TERIA IDO À LUA PORQUE MULHER NÂO BRINCA DE FOGUETINHO!!!”
Bem, diante disso tivemos ambos uma crise de riso. É, Stalin, Hitler, Napoleão, Franco, os Faraós, as Dinastias, os Imperadores, os Kaisers, sim, até Ghandi e suas sandálias eram masculinas. Judith Malina escreve sobre Erwin Piscator (um dos maiores gênios do teatro do século XX), penso: Brincamos do que brincamos porque, até certo ponto, aceitamos que a vida é um risco. RISCO ! Sem ela não teríamos a dialética ou esse balanço sobre o qual está baseado o sistema econômico! Bah e viva!
As mulheres nos colocam aqui. Nos preservam de tanta besteira que fazemos. Ao mesmo tempo nos excitam e incentivam. Às vezes, passamos pro outro lado e ficamos SÓS, digo, S.O.S.
Não há certo nem errado, não é? Grande besteira quem diss isso. Óbvio que há. Existe o Meu e o Teu certo e errado e puxamos o gatilho em nome dele! Sartre sacaneou Humbold (só um exemplo) mas nós, os supostos brincalhões da história, somos os predadores, os vomitadores que falham e falham sempre.
Talvez a resposta esteja não exatamente na promessa, mas na expectativa, e Madoff era a expectativa de TANTOS em enriquecer trocando dinheiro por… mais dinheiro.
Ah, sim, porque somos sempre acusados disso e daquilo: os próprios leitores do blog dizem “vc não sabe nada sobre a realidade brasileira e fica aí vendo a vista do East River”. Minha resposta está num dos comentários: a Vejinha Rio estreou seu número 1 com “a Vanguarda sobe o morro”: passei 3 dias na Rocinha e de lá não saí mais. Os carnavais subseqüentes que construí com eles foram… (bem, isso é para outra coluna) e as minhas subidas à Mangueira ainda quando menino, com o Helio Oiticica… ah, o Cartola lá em cima… ah… não, não vivo de nostalgia porque EU BRINCO DE FOGUETINHO E A VIDA É UM RISCO. E SÓ POR ISSO VALE A PENA. E, QUER SABER?
SE MAIS UM ENGRAÇADINHO AQUI CHAMAR O DAVID GOLDMAN DE (…) vai tomar na VAGA!
Tenham um ótimo fim de semana!
O Lula vai ter: afinal, estará nos Estados Unidos da América e deverá me ligar. Será que eu irei atender?
Gerald Thomas
PS. URGENTE: Enquanto eu escrevia a coluna, o desgraçado Madoff estava sendo algemado e levado para a prisão! Esse homem brincou demais com o seu foguetinho e seu esquema furado (Ponzi scheme é como se chama esse tipo de malandragem aqui), agora teve um final (in)feliz, depois que alguns se suicidaram e os BILHÕES continuam DESAPARECIDOS.
VEM CÁ: O homem está pra lá dos 70 anos. Se pegar 3 penas consecutivas de 50 anos, mesmo com todo o Açai e todos os anti-oxidantes como CQ-10, green tea ou Madoffberry que existem no Mercado orgânico…o que vai acontecer? Ele morre de ataque cardíaco em 3 anos e? E?
(O Vampiro de Curitiba na Edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: Bernard Madoff, Caso Madoff, Caso Sean Goldman, Clausevitz, crise mundial, David Goldman, Dow Jones, Ellen Stewart, Erwin Piscator, Gustavo Ariani, Haroldo de Campo, Hitler, Joyce, Judith Malina, Keith Olberman, Kepler the dog, Madoff, Mangueira, Paul Virilio, Pound, Rocinha, Sartre, Stalin, Vejinha Rio, Villa Lobos
08/08/2008 - 08:24
“O Brasil numa boa”. Afirma José Sarney! Entramos na era atrasada do teatro (pago) do absurdo!
E: O que Bush e Batman têm em comum? (de um artigo inspirado no Wall Street Journal)
Um pedido de socorro numa cidade fudida pela violência e pelo medo: Ah, sim, aquele ‘sinal’ de luz nos céus, aquele FLASH, o símbolo dark daquele morcego projetado nas nuvens que passam….
Epa! Pérai! Um Segundo! Não se trata de um morcego e… sim de um enorme… uma espécie de…“W”.
Existe, sim, um paralelo de orgulho e repugnância entre a política de “guerra contra o terror” que George Bush implementou no mundo. Isso está implícito no fime “The Dark Knight,”. As filas aqui em Leicester Square em Londres, como em Union Square em Manhattan, dão voltas em sí mesmas. Mas não digo isso à toa.
Dão voltas em si mesmas assim como José Sarney dá voltas em sí mesmo. José Sarney? Sim, ele mesmo.
Como assim, Batman, Bush e José Sarney? E tem mais. Marcel Duchamp e, se quiserem, ainda coloco Beckett e seu “Esperando NADA” e ninguém com seu Godot pairando pelas esquinas!
“W” significa Bush, “S” significa Sarney, “D” fica pra Duchamp e o resto a gente vai desvendando aos pouquinhos nesse mundo de ‘articulistas do absurdo’.
Vou tentar explicar: ainda estou me refazendo do artigo abaixo, “Fundamentalismo e Xenofobia”, que bateu nossos records (15 mil hits e os comentários mais interessantes! Com moderação!), mas já entro nessa discussão doida novamente: ou seja: numa sociedade LIVRE, os seres humanos tomam decisões erradas às vezes. E daí? Isso faz parte de nossos direitos e liberdades civis.
Mas corrupção não. Isso já está em outro território. Assim como o teatro do absurdo está para o naturalismo ou o dadaísmo está para o hiper-realismo, os articulistas que fazem a apologia de que tudo está OK com a “classe média” devem estar no meio de uma conspiração qualquer. Mas qual?
José Sarney diz que “notícias de crise no mundo inteiro, com os EUA comandando os receios de recessão, o Ipea e a Fundação Getúlio Vargas trazem as boas notícias de que a classe média já é maioria na população brasileira, chegando a 51,89% das pessoas, e que três milhões de brasileiros deixaram a faixa da pobreza absoluta.”
GT- Jura, Sarney? Jura mesmo? Estatística? Ainda existe mesmo isso? Já almocei muito bem na sua casa em São Luiz (foi uma delicia) e já tive o privilégio de ter seus números de telefones particulares. Mas… quer dizer que a maioria do Brasil hoje está na CLASSE MÉDIA?!
Quer dizer então que, quando eu viajo pelo Brasil e vejo a miséria que vejo… aquelas ENORMES favelas que ví a caminho de sua mansão, os garotos cheiradores de cola, o aumento do crime em todas as cidades brasileiras… Isso tudo faz parte da… classe média? Os barracões da Rocinha, do morro do alemão e de Vigário Geral estão sendo construídos pelo Adolfo Lindenberg ou pelo Gomes de Almeida Fernandes? Que doideira! Eu não notei aqueles triângulos piscando nos telhados dos barracos, sabia? Erro meu, vou trocar de óculos JÁ!
Bom, que seja dita a verdade: Entra governo, sai governo e Sarney está sempre lá. Ele tem a fórmula da ETERNA JUVENTUDE; deve ter sido concebido por médicos ortomoleculares na Suíça pela La Prairie.
Continua Sarney: “Lula agora colhe o que plantou”.
Fala-se numa “nova classe média”, a exemplo do que Clinton diagnosticou ao designar como “nova economia”, o advento da bolha das companhias pontocom. E então somos chamados a pensar o que essa mudança significa para o Brasil.
Primeiro, viramos um país de classe média, como sentenciou um grande jornal brasileiro. Segundo, a classe média sempre foi uma força social e uma alavanca para insatisfações e desejos. Seu primeiro sonho, ao ganhar mais dinheiro, é render-se ao consumismo hedonista e incorporar a seus hábitos celular, carro, viagens, grifes e toda essa parafernália milagrosa que é anunciada nas polishops.”
PÁRA, PÁRA, PÁRA, ZÉ Sarney! Pelo amor de deus, pára! Sei que você se ama, eu te amo, todos te amam, a Jordânia te Amam, mas como foi esse manifesto dadaísta?
COMO FOI ESSE MANIFESTO DADAÍSTA, SARNEY?
Pro Geisel você falava uma coisa, pro Tancredo outra, na tua gestão você… Não, essa não! Lula o quê?
Alguém tem que ligar a LUZ e mandar aquele facho enorme e pedir que George Bush ou a Barack Obama que venham salvar a alma perdida de Sarney. Daqui a pouco ele estará ingressando nas Forcas Armadas Revolucionárias Colombianas (FARCs) dizendo que elas são o supra sumo da classe média Florestal! Sim, acho que lá em Brasília ou no DF tudo é possível.
Articulistas do Congresso e do Senado entendem que não existe nenhuma equivalência moral numa sociedade livre: é só chutar mentiras e usar a mídia pra que as propague! O resto vira uma enorme cena de destruição em massa, que se auto-nutre da própria carcaça que cria! Nojo!
Talvez no futuro veremos Lula no papel de Batman e Sarney como o eterno Robin.
Uma terra inventada por Duchamp, Lewis Carroll e Samuel Beckett, uma Triste Terra do Nunca onde se Espera algo prometido mas que nunca vem, algo extremamente fundamentalista mas fundamentado no NADA, assim como tratado surreal de Breton, o papa do surrealismo.
Mas quem sou eu para usar a máscara da verdade, não é mesmo? Vou andar um pouco em Parliament Hill Fields e ver se minha cabeça cabe num buraco e se minha tolerância ou nível de intolerância ainda caminha na medida da minha generosidade. Sim, porque me senti ofendido com esse artigo de José Sarney. Juro que sempre gostei dele, até hoje de manhã, horário GMT.
Afinal, artista não precisa ter compromisso com a verdade: político sim: quem destrói para construir é aquele que consegue transformar o mundo num abrir e fechar de olhos e deixar todo mundo de pé, plantado em seu próprio mijo, sem ter o que dizer. Não à toa o urinol de Duchamp foi um dos primeiros ‘ready-mades’, um combate contra a arte artesanal, a pintura e a escultura tradicionais… A política de Sarney está MORTA, sim (moribunda, pelo menos) (estou me plagiando: esse último parágrafo está sendo copiado de um texto meu sobre Duchamp aqui do Blog e pra Folha). E faz anos que eles, os políticos, fazem como o BATMAM: filminho de representação infantil em torno de seu funeral dark para nos salvar do TERROR de nossos PESADELOS, como o Coringa ou algum PINGUIM!. Não passamos é de canastrões de última categoria, governados por CANASTRÕES ainda piores, como Lula, Bush e, que me perdoem… vou vomitar: estou sem o meu estoque de anti-ácido! No céu somente um sinal de luz: um enorme H
Hiroshima?
Hemingway?
Hidrogênio?
GERALD THOMAS
(Vamp na edição)
PS 1- Obrigado a todos; obrigado Vamp por aguentar o tranco: tem sido puxado aqui na ilha dos Mad dogs! 11 e meia da manha aqui em Londres: daqui a pouco (digo, mais tarde) escrevo algo sobre o BOICOTE as olimpiadas – A MAIS INACREDITAVEL OVACAO A VIOLACAO AOS DIREITOS HUMANOS JA VISTA!!! UM ESPETACULO MONUMENTAL DE COMO VALIDAR A PRISAO PERPETUA , MORTE, TORRRRRTURA, ETC, EM NOME DA LIVRE EXPRESSAO!!!!! e… um artigo que escrevi e que o Arthur Xexeo (colunista e editor do Segundo Caderno do Globo) conseguiu resgatar (thanks Xexeo!) dos arquivos) de 1999 sobre o Livro do Ruy Castro “Ela eh Carioca”, que deu inicio a lenta degradacao moral e fisica e acabou levando minha mae ao tumulo! . LOVE G
Autor: gthomas - Categoria(s): Sem categoria, artigos
Tags: Adolfo Lindenberg, Barack, Batman, Bush, Classe média, FARCs, Geisel, Gomes de Almeida Fernandes, Hemingway, José Sarney, Lewis Carroll, Marcel Duchamp, Rocinha, Samuel Beckett, Tancredo Neves, The Dark Knight, Vigário Geral
31/07/2008 - 11:08
Esquadrão Gilberto Gil da morte ao Teatro.
New York – “Nós somos do esquadrão Gilberto Gil da Morte ao Teatro e viemos aqui te prender pela ÚLTIMA vez.”
Essa frase, dita pelo personagem “Tenente Sylvia Colombo” para Marco Nanini em “Circo de Rins e Fígados” (que “autorei” e dirigí em 2005) fazia o público vir abaixo! Todos morriam de rir e aplaudiam. Era o auge do fracasso do MinC. Gil não falava com a imprensa, viajava pelo mundo dando shows, pegando carona no avião de Lula e cobrando uma fortuna (já que era o “Senhor” Ministro!) e apertava as mãos de presidentes, Primeiros Ministros, Rock Stars, etc.. E a tal chamada “Classe Teatral” estava furiosa com ele! E como!
Eu ainda havia defendido o Gil contra Augusto Boal (numa época estranha em que esse GT aqui tinha uma coluna no JB e Gil sofreu ataques do autor do Teatro do Oprimido, sei lá… algo no estilo de “você sabe piar bem, mas….”). Eu, violentamente, defendi nosso hoje “ex”.
Mas Gilberto Gil ODEIA ser defendido assim como ODEIA ser atacado. Ou seja: o homem, inteligentíssimo (e cujo talento não precisa nem entrar em discussão), não gosta de ser julgado: sorry! A vida.
Lembro-me como se fosse ontem: eu estava na tenda especial montada na Rocinha onde Gil iria dar um show. Foi um fracasso. Caetano e Paulinha, Junior e eu, conversávamos sobre algo que não me lembro – quando Lula havia ameaçado anunciar a candidatura de Gil. Repórteres para todo lado se atropelando. Gil saindo de uma van como Greta Garbo: “Não sei de nada, me dêem óculos escuros (era de noite), não, não, não…” (e entrou correndo na tenda!).
Dias depois: No Jardim de América, subúrbio carioca, num show do Afro Reggae, indo de uma tenda pra outra, o próprio Caetano já dizia: “Gil está impossível! Virou ministro! Não fala mais com ninguém.” Mas Caetano dizia isso naquele tom macio, suave e carinhoso de sempre: minutos depois, os dois estavam se apresentando para uma multidão!
Ministério da Cultura? Nesse Brasil de hoje? No lo creo!
Depois que Paulo Autran e muitos ícones do teatro foram insultados pelo hoje ex-ministro por serem “elitistas” (como se ele, o compositor – cantor REI, como se considera,ao se apresentar em Tókio, Paris ou aqui no Carnegie Hall a 125 U$ não fosse!!! Ha ha!). Pergunto-me se o Brasil realmente precisa de um Ministério da Cultura! Acho que não! Pra quê? Pra empilhar projetos? Deixá-los na poeira? Ou favorecer os amiguinhos?
Sergio Mamberti está lá, do seu lado: se ele fosse nomeado seria o máximo! Taí um verdadeiro HOMEM da Cultura. Mas não será. Fica esse Juca. E nada muda! E tudo caduca!
Talvez seja o caso de se voltar mesmo para EDUCACÃO!!!!! Um ministério da ALFABETIZACÃO!!!!!
Andrzej Dudzinski, ilustrador, pintor e teatrólologo polonês, de Varsóvia, é meu amigo faz (uhhhh) quase 30 anos. Fazíamos parte do time que ilustrava a OpEd page do New York Times, dia sim, dia não. Hoje está de volta à Polônia e nos fins de semanas ele me previne: “vou estar fora do ar: estou indo para a colônia de artistas à uma hora e meia de Varsóvia, no meio do campo, árvores e tal….” Que luxo! Isso antes da Polônia se juntar à Europa Unidamente Desunida!
Fico pensando na história triste da Polônia e como o Andrzej fugiu da ditadura stalinista, pré-Jeruzelski, pré-Soldarienosk, pré-Lech Walesa (o Lula de lá, que deu certo) e….
“se dedicar a carreira de compositor e cantor”, como Gil afirma….
Assim como o resto poderia ser o Silêncio de Hamlet decretado por Fortinbras, a caminho da Polônia (olha, como tudo não é um acaso!).
E, como em alguns acasos, o negócio mesmo é ARRUINAR o que já não andava muito bem.
Gerald Thomas
Obrigado Vampiro na correcao e edicao do texto, as always!
PS: nao posso dizer que estou “isento de Gil” na minha vida. Minha cia de teatro foi produzida, em Salvador pela GG producoes artisticas em 1990. M.O.R.T.E. (Movimentos Obsessivos e Redundantes pra Tanta Estetica) era o espetaculo: nao vou entrar em detalhes.
PS 2: ele foi muito gentil comigo logo apos a estreia do show “Sorriso do Gato de Alice” que fiz pra Gal em 94 (muitas musicas de Gil). Ele, pela 1 e unica vez, me deixou um recado carinhoso naquelas secretarias eletronicas que haviam antigamente: com K7 e tudo.
PS 3: EDITORIAL da FOLHA de S Paulo de 1 de AGOSTO:
“POUCO PUBLICO”
Pouco público
INFELIZMENTE , a notícia de que Gilberto Gil deixa o Ministério da Cultura parece dizer mais respeito ao chamado “jornalismo de celebridades” do que aos assuntos de Estado. Grande parte desse efeito se deve, como não poderia deixar de ser, ao seu renome como artista e ao magnetismo de sua personalidade.
Ocorre que um dos principais méritos de Gilberto Gil foi justamente o de emprestar sua própria visibilidade midiática a um ministério cronicamente sem verbas e sem presença nas prioridades do governo.
A perene carência orçamentária não é a única justificativa para a inação do Ministério da Cultura. Em questões de grande importância, como a da Lei Rouanet e a dos direitos autorais, Gilberto Gil procurou movimentar o debate, sem poder traduzi-lo em propostas concretas de transformação.
São notórias, a esta altura, as distorções criadas pela atual legislação de incentivo à cultura. Apoiaram-se, com os recursos do contribuinte, projetos que teriam condições de se sustentar sem subsídios. A população carente de ofertas culturais e as instituições formadoras de talentos ficaram de lado.
É que as necessárias correções na Lei Rouanet -instrumento que tem a grande virtude de conter o aparelhamento político da cultura- esbarram tanto numa falta de real interesse político do governo para implementá-las, quanto no excesso de interesses, muito reais, dos setores que se beneficiam do sistema em vigor.
Refletem-se com isto, na verdade, as clássicas dificuldades em encarar o acesso à cultura, sua preservação e fomento, como uma questão de natureza pública, que transcende tanto as pressões corporativas quanto as tentações do dirigismo estatal.
Gilberto Gil pôde dar “publicidade” à pasta da Cultura. Não foi o suficiente, todavia, para colocá-la de fato como parte atuante do serviço público brasileiro.
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: a Falencia do MinC, Afro Reaggeae, Andrzej, Augusto Boal, Caetano Veloso, Dudzinski, elitismo, Falencia multipla da Cultura, Gilberto Gil, ilustrador, insultos a Paulo Autran, Junior, Lei Rouanet, Marco Nanini, Ministério da Cultura, Morte ao Teatro, OpEd Page, Rocinha
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