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	<title>Gerald Thomas &#187; Richard Wagner</title>
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		<title>Minha &#8220;INDEPENDÊNCIA OU MORTE&#8221; -TUDO A DECLARAR – “It’s a Long Goodbye”</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 12:05:22 +0000</pubDate>
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New York &#8211; Meus queridos, cheguei num ponto crucial da minha vida. O MAIS crucial até hoje. Um asterisco. Aliás, já estou nele há algum tempo e percebo que não adianta resmungar pra cima e pra baixo. Finalmente tomei uma decisão. 
“Transformar o mundo: acordar todos os dias e transformar o mundo”, dizia a voz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center">
<p style="text-align: center"><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/09/urna.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-10156 aligncenter" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/09/urna.jpg" alt="" width="226" height="260" /></a></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">New York</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> &#8211; Meus queridos, cheguei num ponto crucial da minha vida. O MAIS crucial até hoje. Um asterisco. Aliás, já estou nele há algum tempo e percebo que não adianta resmungar pra cima e pra baixo. Finalmente tomei uma decisão. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">“<strong>Transformar o mundo: acordar todos os dias e transformar o mundo</strong>”, dizia a voz de Julian Beck (quem eu dirigi e com quem aprendi tanta coisa). Eu tinha uma vaga noção das coisas. Não  encontro mais nenhuma. Eu tinha uma fantasia. Não a encontro mais. Só encontro aquele auto-retrato de Rembrandt me olhando, ele aos 55, eu aos 55,  um num tempo, o outro no outro, como se um quisesse dizer pro outro: o TEU “renascentismo” acabou: Você morreu. Morri?</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">I can’t go on. And I won’t go on.</span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Beckett, que é o meu universo mais próximo, diria “<strong>but I’ll go</strong> <strong>on</strong>”. Sim, existia uma necessidade de se continuar. Mas olho em volta e me pergunto: Continuar o quê? Não há muito o que continuar.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Minha vida nos palcos acabou</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">. Acabou porque eu determinei que os tempos de hoje não refletem teatro e vice-versa. Também não estou a fim de criar o iTheatro, assim como o iPhone ou o iPod. A miniatura e o “self satistaction” cabem muito bem na decadência criativa de hoje. Mas, se formos analisar o último filme ou CD de fulano de tal, ou a última coreografia de não sei quem, veremos que tudo é uma mera repetição medíocre e menor de algo que já teve um gosto bom e novo.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Claro, minha opção dramatúrgica sempre foi escura, sempre foi dark, se assim querem. De Beckett e Kafka aos meus próprios pesadelos, que um crítico do New York Times disse que eu ”<strong>usava a platéia como meu terapeuta</strong>”. Até que coloquei Freud como sujeito principal da ópera “Tristão e Isolda” no Municipal do Rio. Acho que o resultado todo mundo conhece. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">É estranho. Até 2003, 2005 talvez, ainda fazia sentido colocar coisas em cena. Sinceramente não sei descrever o que mudou. Mas mudou.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Claro que somos seres políticos. Mas isso não quer dizer que nossa obsessão ou a nossa única atenção tenha que ser A política. Ao contrário. A arte existe, ou existia, justamente para fazer pontes, metáforas, analogias entre a condição  e fantasia do ser humano de hoje e de outras eras e horas.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Daniel Barenboim</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">, que nasceu Argentino mas é cidadão do mundo (um dos músicos mais brilhantes do mundo), e cidadão Israelense, achou uma forma de aplicar sua arte na prática. Ele tenta, desde 2004, “provocar”, através da música, a paz entre palestinos e israelenses. Fez um lindíssimo discurso ao receber o prêmio “Wolf” no Knesset Israelense dizendo que sua vida era somente validada pela música que ele conseguia construir com jovens músicos palestinos (presos, confinados – justamente na época em que Israel construía um Muro de separação) e jovens músicos israelenses. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Não sou tão  genial quanto Daniel Barenboim e construir uma peça de teatro é muito mais difícil que abrir partituras de um, digamos, Shostakovich ou Tchaicovski, e colocar a orquestra pra tocar.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">AMNÉSIA TEMPORÁRIA</span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Um trecho de uma sinopse, por exemplo, que escrevi quando os tempos ainda se mostravam propícios:</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">“E em Terra em Trânsito, uma óbvia homenagem a Glauber, uma soprano só consegue se libertar de sua clausura entrando em delírios, conversando com um cisne fálico, judeu anti-sionista, depois de ouvir pelo rádio um discurso do falecido Paulo Francis sobre o que seria a verdadeira forma de “patriotismo”. O cisne (cinismo) sempre a traz de volta a lembranças: “Ah, você me lembra os silêncios  nas peças de Harold Pinter! Não são  psicológicos. Mas é que o sistema nacional de saúde  da Grã-Bretanha está em tal estado de declínio que os médicos estão  a receitar qualquer substância, mineral ou não mineral, que as pessoas ficam lá, assim, petrificadas… cheirando umas às outras&#8230;” </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><em><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Essa “petrificação” que a sinopse descreve, acabou me pegando. </span></em><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">“Os dois espetáculos (Terra em Trânsito e Rainha Mentira), são  uma homenagem à cultura teatral e operística aos mortos pelos regimes autoritários/ditaduras”. </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></strong><em><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Serão mesmo? Homenagens?  Não, não são. Quando escrevo um espetáculo, escrevo e enceno o que tenho que encenar. Não penso em homenagens.</span></em><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">“Mais do que nunca eu acredito que somente através  da arte o ser humano voltará a ter uma consciência do que está fazendo nesse planeta e de seu ínfimo tamanho perante a esse imenso universo: ambas as peças  se encontram em “Liebestod”, a última ária de “Tristão  e Isolda”, onde o amor somente é possível através  da morte e vice-versa.  No enterro da minha mãe, ao qual eu não fui (por pura covardia) uma carta foi lida (mas ela é lida  na cena final de &#8220;Rainha Mentira&#8221;), que presta homenagem aos seres desse planeta que foram, de uma forma ou outra, desterrados, desaparecidos, torturados ou são  simplesmente o resultado de uma vida torta, psicologicamente torta, desde o início torta e curva, onde nenhuma linha reta foi, de fato, reta, onde as portas somente se fechavam  e onde tudo era sempre uma clausura e tudo era sempre proibido e sempre trancado. Então, a tal homenagem se torna real, através da ficção da vida do palco”. </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><em><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Pulo pra outro trecho, lá no fim do programa. </span></em></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">“Essa xícara esparramada nessa vitrine desse sex shop em Munique era um símbolo que Beckett não ignoraria e não esqueceria jamais. Eu também não. Sejam bem vindos a tudo aquilo que transborda. ” </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Por que coloquei esse trecho de programa ai? Não sei dizer. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Liberdade poética pura ou pura liberdade poética. Ou chateação mesmo! Talvez seja um indicador do quanto estou perdido no que QUERO DIZER e ONDE QUERO CHEGAR.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Tenho que sair por aí pra redescobrir quem eu sou.</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> Talvez nunca venha a descobrir. Posso estar vivendo uma enorme ilusão. Mas não me custa tentar. Virei escravo de um computador e virei escravo de uma agenda política imediata da qual não faço  parte. Tenho uma imensa cultura histórica. Imensa. Tão grande que a política de hoje raramente me interessa. Sim, claro, Obama. Mil vezes Obama. Mas Obama afeta o mundo inteiro. Mais eu não quero dizer.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Tenho que sair por aí pra redescobrir quem eu sou.</span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">(<em>nota rápida: acabo de ver o que resta do The Who, Daltrey e Townsend, no programa do Jools Holland: não tem jeito: nenhuma banda de hoje tem identidade MESMO! A garotada babava! E era pra babar mesmo!)</em></span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Sabem? Vale sempre repetir. Fui criado na sombra do holocausto entre os pingos de Pollock e os “ready mades” de Duchamp e os rabiscos do Steinberg. Isso o <strong>Ivan Serpa</strong> e o <strong>Ziraldo</strong> me ensinaram muitíssimo cedo na vida.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">E&#8230; Haroldo de Campos</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Meu Deus! O quanto eu devo a ele! Não somente o fato dele ter sido o curador dos livros que a Editora Perspectiva lançou a meu respeito mas&#8230; a convivência! E que convivência! E a amizade. Indescritível como o mundo ficou mais chato e menos redondo no dia em que ele morreu. E ele morreu na estréia do meu “Tristão e Isolda” no Municipal do Rio. Haroldo não somente entendia a minha obra, como escrevia sobre ela, traçava paralelos com outros autores e criava, transcriava a partir do meu trabalho. A honra que isso foi não tem paralelos. Por que a honra? Porque Haroldo era meu ídolo desde a minha adolescência. O mero fato de “<strong>Eletra ComCreta”</strong> se chamar assim, era uma homenagem aos concretistas. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Mas ele só veio aparecer na minha vida na “<strong>Trilogia Kafka”</strong>, em 1987. Eu simplesmente não acreditei quando ele entrou naquele subterrâneo do Teatro Ruth Escobar.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Nem mesmo a convivência com <strong>Helio Oiticica</strong> foi uma coisa tão forte e duradoura.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Não posso e não vou nomear todas as grandes influências da minha vida. Daria mais que um catálogo telefônico. Já bato nessa tecla faz um tempo. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Philip Glass</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> dá uma graciosa e hilária entrevista a meu respeito (<a href="http://www.vimeo.com/2988089" target="_blank"><span style="color: #0066cc">http://www.vimeo.com/2988089</span></a>). Dura uns 20 minutos. Nela, ele sintetiza, como se num improviso, tudo aquilo que os scholars e os críticos não conseguem dizer ou tentam dizer com oito mil palavras por parágrafo! Essa entrevista também está no <a href="http://www.geraldthomas.com/" target="_blank"><span style="color: #0066cc">www.geraldthomas.com</span></a> ou aqui em vídeos, no blog.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Meu pai</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> me fazia ouvir Beethoven numa RCA Victor enorme que tínhamos. E eu, aos prantos, com a Pastoral (a sexta sinfonia) desenhava, desenhava essas coisas que, décadas mais tarde (na biblioteca do Museu Britânico) iam virando projetos de teatro. Hoje, com mais de 80 “coisas” montadas nos palcos do mundo, olho pra trás e o que vejo? </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Vejo pouco. Vejo um mundo nivelado por uma culturazinha de merda, por twitters que nada dizem. Vejo pessoas sem a MENOR noção do que já houve e que se empolgam por besteiras. Nem bandas ou grupos de músicas inovadoras existem: vivemos num looping dentro da cabeça de alguém. Talvez dentro de John Malcovich.  E, ao contrário de Prospero, ele não nos liberta para o novo, mas nos condena pro velho e o gasto! Até a China tem a cara do Ocidente. Ou então nos antecipamos e nós é que temos a cara da China, já que tudo aqui é “made in China”.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Sim, encontrei <strong>Samuel Beckett</strong>, montei seus textos, encontrei um monte de gente que, quem ainda não viu, não sabe ou não leu – vá no <a href="http://www.geraldthomas.com/" target="_blank"><span style="color: #0066cc">www.geraldthomas.com</span></a> e se depare com o meu universo.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">E gostaria muitíssimo que vocês entendessem o seguinte: quando comecei minha carreira teatral, a vida, a cena aqui no East Village era “efervescente”. Tínhamos o <strong>Village Voice</strong> e o <strong>SoHo News</strong> pra nos apoiar intelectualmente. A “cena” daqui era multifacetada. Eram dezenas de companhias, desde aquelas sediadas no La MaMa, ou no PS122, ou em porões, ou em Lofts ou em garagens, ou aquelas que o BAM importava, <strong>mas era tudo uma NOVA criação</strong>. <strong>Era o</strong> <strong>exercício do experimentalismo</strong>. Do risco.  E os críticos, assim como os ensaístas, nos davam páginas de apoio.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Além do mais, a minha geração não INVENTOU nada</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">. Somente levou aquilo que (frutos de Artaud, Julian e Grotowski), como Bob Wilson, <strong>Pina Bausch</strong>, Victor Garcia, <strong>Peter Brook, Peter Stein e Richard Foreman e Ellen Stewart</strong>, etc., haviam colocado em cena. Faço parte de uma geração de “colagistas” (se é que essa palavra existe). Simplesmente “levamos pra frente, com alguns toques pessoais” o que a geração anterior nos tinha dado na bandeja. Mas quem sofreu foram eles. Digo, a revolução foi de Artaud e não da minha geração..</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Portanto, minha geração não fará parte da HISTÓRIA. Óbvio que digo isso com enorme tristeza. Nada fizemos, além de tocarmos o barco e ornamentarmos ele.<strong> </strong></span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Ah, hoje o Village Voice está reduzido a um jornal de sex ads. Sobre os teatros eu prefiro não falar. Quanto aos grupos, 99 por cento deles, não existem mais e nem foram trocados por outros. Só se vê pastiche. É o mesmo que no mundo da música: é o mesmo bate-estaca em tudo que é lugar.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Esse universo está menor que aquele que Kepler ou Copernico ou Galileu descobriram. O Wooster Group aqui fechou suas portas. Muitas companhias de teatro daqui e da Europa fecharam suas portas. E poucos jovens sabem quem é Peter Brook. Esse ano perdemos Pina Bausch e Merce Cunningham e Bob Wilson, o Último Guerreiro de pé, inexplicavelmente, viaja com uma peça medíocre: “<strong>Quartett” </strong>de Heiner Mueller, que eu mesmo tive o desprazer de estrear aqui nos Estados Unidos (com George Bartenieff e Crystal Field) e no Brasil com Tonia Carreiro e Sergio Britto nos anos 80. Heiner Mueller é perda de tempo.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">E Wilson está tendo enormes dificuldades em manter  seu complexo experimental em Watermill, Long Island, aqui perto, que habilitava jovens do mundo a virem montar mini espetáculos e conviver e trocar idéias com seus pares de outros países.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Sim, o tempo semi-acabou.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Mas somente parte desse tempo acabou. E o problema é meu. Como disse antes: <strong>vou tentar sair por aí pra redescobrir quem eu sou.</strong></span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Mas vai ser difícil. Sou daqueles que viu a <strong>Tower Records</strong> abir a loja aqui na Broadway com Rua 4. Hoje a Tower se foi e até a <strong>Virgin,</strong> que  destruiu a Tower, também se foi e está com tapumes  cobrindo-a lá em Union Square. Parece analogia pra um 11 de Setembro? Não, não é. Falo somente de mega lojas de Cds.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Tive a sorte de seguir as carreiras de pessoas brilhantes, ver Hendrix de perto, ou Led Zeppelin, ou dirigir Richard Wagner, e estar na linha de cuspe de Michael Jackson e de assistir ao vivo o nascimento da televisão a cabo, da CNN, da internet, dos emails pra lá e pra cá. Deram-me presentes lindos como grande parte das óperas que dirigi nos melhores palcos das casas de Ópera da Europa.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">São muitas fantasias que a depressão  não deixa mais transparecer. E o que é a arte sem a fantasia, sem o artifício? É o mesmo que o samba sem o surdo e a cuíca! Fica algo torto ou levemente aleijado.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Não, não estou indo embora. Anatole Rosenfeld escreveu: </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">&#8220;<em>O teatro é  mais antigo que a literatura e não depende dela. Há teatros que não se baseiam em textos literários. Segundo etnólogos, os pigmeus possuem um teatro extraordinário, que não tem texto. Representam a agonia de um elefante com uma imitação perfeita, com verdadeira arte no desempenho. Usam algumas palavras, obedecendo à tradição oral, mas não há texto ou literatura.</em></span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><em><span style="color: #444444;font-size: 14pt">No improviso também há tradição.”</span></em><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Perdi meu improviso. Sim, perdi a vontade de improvisar. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Vou fazer um enorme esforço em me ver de volta, seja via aqueles olhos de Rembrandt ou uma fatia do Tubarão de Damien Hirst. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Óbvio que – na eventual possibilidade de um acontecimento real – eu reapareço por aqui com textos, imagens, etc. Também sem acontecimentos. Pode ser que eu me encontre no meio da Tunísia, numa tenda de renda, e resolva, a la Paul Bowles escrever algo: surgirá aqui também. Então, o blog permanecerá aberto, se o IG assim o permitir. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Sei que estou no início de uma longa, quase impossível e solitária jornada. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">I’ve had the best theater and opera stages of the world, in more than 15 countries given to me. Yes,  I was given the gift of the Gods. No complaints, whatsoever. It has been a wonderful ride. Really has. Thank you all so very much. Thank you all so very very much.</span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Um breve adeus para vocês!</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">LOVE</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Gerald Thomas, </span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">7 September 2009</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt">______________________________________________________________________________________________________</p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt">
<p class="ecmsonormal" style="text-align: justify;margin: 0cm 0cm 16.2pt"><span style="color: #000080">Partial translation of the beginning (English)</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="text-align: justify;margin: 0cm 0cm 16.2pt"><span style="color: #000080"><!--StartFragment--></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="color: #000080">MY INDEPENDENCE DAY: Everything to Declare – it’s a long goodbye</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">New York- Dearest ones: I’ve come to a crucial point in my life. Actually, ‘THE’ most crucial to date. A pedestrian crossing without the white stripes, an “Empty Space” cluttered with junk, an asterisk. I’ve been in it for a while and have realized that moaning and groaning from the cradle to the grave simply doesn’t help. So, I made a decision.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">“<strong>Transform the world: Wake up every morning and change the world</strong>”, a soft voice used to whisper into my ear. It was that of Julian Beck, whom I directed in his final show and from whom I learned so much.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Yes,I used to have a vague idea or notion of things. Yet, I can’t find them anymore. Don’t seem capable of even knowing of where they are any longer. All I can see, eyes open or shut, is that self portrait by Rembrandt , hanging in Amsterdam, staring right at me; he at the age of 55 and I at the same age. Him on one side of a timezone/era as if trying to tell me, or as if WE are trying to tell <strong>one another</strong> that my Renaiscence is over, finished, and that I’m dead. Am I dead?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="color: #000080">I can’t go on. And I won’t go on.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Beckett, the one whose universe I’m so very close to, would have said: “<strong>but I will go on</strong>”. Yes, I do realize the necessity of a continuance, continuity, progression, of a forward movement. However, I look around and ask myself (in less than a subtle way…..”<strong>continue what</strong>?” <strong>if I</strong> <strong>haven’t really started anything</strong>!!!! There isn’t – on my turf (or terminology) that much to be continued.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080"><strong>My life on stage, as such, is finished</strong>. And it is so because I have determined that it has perished. I do not believe that our times reflect theater as a whole (or vice versa) and I certainly don’t have the patience to  create the iTheatre, as if it were the extention of the iPhone or the iPod and so on. These miniatures and gadgets of self satisfaction  do, indeed, fit extremely well the decadent present days of, well, self satisfaction. Pardon me for writing in loops but this is a reflection of the times. Or is it?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">But art and creativity? Not at all. If one were to analize, say, this or that person’s last movie or CD or choreography we’ll only come to realize that it has all become a mere  and smaller repetition of what once had the taste of the new and of the, say, “good”.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Of course, it’s known that my dramaturgical option has always been on the dark side. From Beckett to Kafka to my own nightmares…a New York Times critic once wrote “<strong>that I used the</strong> <strong>audience as my therapist”. </strong>So, I decided to opt for putting Freud center stage right in the middle of Tristan in the Rio Opera House. I guess everyone knows what the outcome was.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">What seems strange is that, up to 2003 or, even, 2005, it made sense to put things on stage or to stage pieces. I cannot, for the world, describe with any sort of precision what has changed. But something has.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Of course, needless to say, we are political beings. But this shouldn’t mean that our obsession (as artists) should contain ONE political agenda. Au contraire. If there is something called art, it’s  there precisely to bridge the gaps left over between that which politicians can’t say (or are unable to say) and our need to find ways to survive (by destroying or constructing). Art as metaphor, art as replica, art as illustration or art as protest; art has always required analogies and fantasy between modern man and that of yesteryear.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Daniel Barenboim, who was born Argentinean (but is a citizen of the world) and carries an Israeli passport, found a  way to ‘apply’ his art to the practical, political world. He’s been trying, since 2004, to promote peace between Palestinians and Israelis through music, In his acceptance speech, during the Wolf Prize Cerimony at the Knesset, he said that his life seemed only validated if he could, somehow, liberate those who were confined (Palestinians who were beginning to be surrounded by a WALL built by Israel) and Isrealis alike.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I cannot, would not dare compare myself to Baremboim. But building a theater piece from scratch is far more difficult than opening musical scores and making or motivating an orchestra to play. What we do is ‘original stuff’.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Yeah.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">TEMPORARY LOSS OF MEMORY</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">(allow me to skip a part, please)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I just skipped a part where I quote from a text in a program book of Earth in Trance and Queen Liar. Poetic freedom? Was that it? Or pure boredom? Maybe just a gage or indicator of HOW much I need to tell everyone how LOST I am or where I need to get.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080"><strong>Perhaps I need to get lost for a while in order to find myself again</strong>, as corny as this may sound. I’ve really, seriously lost sense of who I am. No easy thing to say. Yet, I may be living in a bubble of illusion.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I’ve become a slave of this computer and, likewise,  a slave of an immediate political agenda which isn’t even close to my heart, It’s someone else’s, not my own. I do have an enormous knowledge of history. I mean, I am immensely educated in the field of History. Enough so to know that what happens now, today, hardly matters at all, unless one is talking about, say….Obama’s coming to the White House. Well, there’s something!!!!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Yes, I have to get lost in order to find myself again.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">It might be useful to remind you all: I was brought up in the shadows of the Holocaust, amidst drops of paint by Pollock and ‘ready mades’ by Marcel Duchamp….and some drawings and scribbles by Saul Steinberg. I owe this ‘education’, as it were, to two masters: Ivan Serpa and Ziraldo. Both back in Rio.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000080"><!--StartFragment--></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">And there is <strong>Haroldo de Campos</strong>, the inventor of the humans, as Harold Bloom would have put it. Campos is the founder member of the Concrete Poetry movement and my mentor ‘from a distance’ . The guy I always wanted to be. Christ only knows how much I felt when he walked into my theater in 1987 and, later on, curated two books on me, about my work, and wrote, wrote and wrote endless pages about…well…me and my work. Simply unimaginable.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">The world became so much more boring and flat the day he died. And that day happened to have been on the same day when I opened my Tristan at the Rio Opera House. A decade before that I had written one of my first plays, Eletra ComCreta – a play of words in the ‘concrete tradition’ with the myth of Electra and the island of Crete, in the hopes that the poets – Haroldo and his brother Augusto, would storm into the theater. No such luck. It took them, I mean, him (Haroldo de Campos), another year to discover me.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080"><strong>Philip Glass</strong> was kind enough,  gracious enough to grant a wonderful and hilarious interview about me and my work (<a href="http://www.vimeo.com/2988089">http://www.vimeo.com/2988089</a> ). It lasts about 20 minutes and, in it he manages to be funny and brilliant, all at once – as if in a sax solo improv – saying everything (majestically) what scholars and critics have tried but weren’t able to put together in some eight thousand paragraphs, in all these years I’ve been on stage. This Glass interview can also be seen on my site (<a href="http://www.geraldthomas.com">www.geraldthomas.com</a>).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">My father used to place me between two huge loud speakers of a RCA Victor deck  and make me listen to Beethoven. At a very very young age, I’d be in tears, listening to the Pastoral, the 6<sup>th</sup> Symphony – whilst drawing away, almost autistically, on some rough paper, things which, decades later (at the British Museum Reading Room or Library) would become…theater projects.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Today, with over 80 “things” or works having been staged all over the world, I look back and what do I see?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I see little. I see a world flattened by a shitty and mediocre and petty culture (if one can even call it that), punctuated by twitters and facebooks and myspaces and the like, which say little or nothing at all.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I see people without ANY NOTION of what was, of what has been and excited about a much ado of a ridiculously cheap plastic fast food junk overload of info. Yes, that’s what I see? Is there anything I’m missing?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Not even bands or innovative musical groups are there to be seen: it’s all just a bunch of look-alikes of the ones we’ve known for decades: from Hendrix to Zeppelin or The Who and so on.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">It’s almost as if we lived in a sort of looping inside someone else’s nightmarishes head. Contrary to that of Prospero’s head, this one does not liberate us to the ‘new’. It condemns us to the old and used. How nice! Even China looks like the West. Or is that we’ve anticipated ourselves and it’s the other way around: it is us who look like China, since everything we wear and use is made in China.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Yes, I met <strong>Samuel Beckett</strong> (yes, I had this amazing privilege!), staged his prose – some of which, world premiere – in the early eighties. Well, for those who don’t know anything about this period, I urge you to access my site (<a href="http://www.geraldthomas.com">www.geraldthomas.com</a>), and enter my ‘so called’ universe.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Why would I want you to enter my universe? Why would I care? Because when I began my theatrical life, life as such, the scene itself was sparkling, glowing with ingenuity and the wonderful taste of the avantgarde. We had the Village Voice and the SoHo News (amongst others) for intellectual support (or debate) and plays were multifaceted: multimedia and so on. Everything from darkness to brand new monitors were growing on stages.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">There were dozens of theater companies, from the ones based at La MaMa, to the Public Theater, or PS122 or in lofts in SoHo or in garages or, even, imports by BAM.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="color: #000080">But it was all new, a NEW, New form of Creation.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-weight: normal"><span style="color: #000080">It was the very exercise of experimentalism, it was all about taking risks. And the critics? Oh yes, just as most scholars, they stood by us and supported what we did. And what was that, you might ask? Well, that was the ‘tradition’ left by Artaud and Brecht and others.<strong>Furthermore, I regret to say that my particular generation did not invent anything</strong>. All we did was to carry on what the previous generation had given to us on a silver platter.</span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">They were the ones who suffered. They were the ones who really swallowed the bile and digested the undigestible raw material of defiance (Grotowski, for instance). Yes, I’m talking about <strong>Bob Wilson, Pina Bausch, Victor Garcia, Lee Breuer, Peter Brook, Peter Stein, Richard Foreman</strong> and the one who invented it all, <strong>Ellen</strong> <strong>Stewart</strong>.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">That’s right: all we did had been done before.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I’m part of a generation of collage artists, if there is such a thing. Of course, we added a few ‘personal touches’, whatever it was that the previous generation had fed us.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Not enough, I’m afraid. Not enough.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">What does this all mean? Well, regrettably it means that my generation will not be a part of HISTORY. And I say this with an obvious amount of sadness. Sadness and reason. What a weird mixture!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Today, the Village Voice is but a bunch of sex ads. About the theaters themselves, I’d rather shut my mouth. As for the companies themselves, 99% no longer exist nor have they been exchanged for others. All we see is….</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">(I’m shutting my mouth). It’s very much like the world of music. Can’t you hear the stomping and and repetitive sound of the electronic drums hammering  away into your eardrums the robotic beat of ‘grounding’? Can’t you? Rather, its effect is ‘grinding’.</span></p>
<p><!--StartFragment--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">This universe of ours seems smaller than the one Kepler or Copernicus or Galileo described/saw/envisaged. Many of the theater companies here and around the world have closed for good. The money floating around to subsidize theater is laughable and the audiences are so small, we could take them out to dinner.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">But I will never blame an audience. It is us who are  doing the wrong thing, obviously. Few youngsters nowadays know who Peter Brook is or what he has done. This year alone we have lost Pina Bausch and Merce Cunningham. Bob Wilson, the last warrior standing (inexplicably) is traveling with a mediocre and simplistic play: “Quartett” by Heiner Mueller. I, myself directed the American and Brazilian premiere of this play with the presence of the playwright. I can now say, with a fair amount of certainty, that Heiner Mueller is a complete waste of time.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">But, as it seems, the problem is mine and ONLY mine. As I’ve said before: I’ll try going for a walk around the planet to find who I am. Or, maybe just sit here, exactly where I am now, and come to the same conclusion.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">But it’ll be hard: I’m part of that romantic generation who saw Tower Records open its doors here on Broadway and E4th Street. Today, Tower is gone and even, Virgin (which destroyed Tower) is gone. All Towers are gone.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I’m writing this one day before 9/11. Please excuse all analogies and possible comparisons.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I saw Hendrix from a yard away. I saw Led Zeppelin in their best days, live in London.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I directed the best of Richard Wagner and was with spitting distance of Michael Jackson and am grateful to have witnessed the birth of cable television, CNN, internet and the frenzy of emails flying back and forth.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I was given incredibly beautiful presents, such as some of the great operas I directed on the best stages in the world (Moses und Aron, in Austria would just be ONE example).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">It’s just….it’s just…so many fantasies that depression has obscured or overcast. I simply cannot see them anymore. And what is art without fantasy or artifice? It would be…well, you got the drift</span>.</p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">No, I’m not leaving. Not really leaving as such. Only leaving “in a way….”</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">Anatole Rosenfeld once wrote:</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">“ The theater is older than literature and, thus, does not depend on it. There are plays which aren’t based on literary texts. According to ethnologists, the Pygmies perform an extraordinary theater, completely void of any text. They are capable of acting the agony of an elephant with a perfect impression, as if it were a true art. They might even use a few words here and there, obeying the oral tradition. But there isn’t a formal text laid out as literature.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">In the improv theater there’s also a tradition”</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">That was Rosenfeld.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">As for me, I’ve lost my ability to improvise. Yes, I’ve lost my desire to improvise.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">I will have to make an enormous effort in….what? In seeing me as myself again as in what I used to be. Why? Because it’s not me what I see when I look in the mirror. It’s a deformity, a hardened version of a self that was,”<strong><em>an aberration of an author as an old man</em></strong>”.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">I will have to make an enormous effort when looking into Rembrandt’s eyes again or, maybe, into a slice of a shark, or the shark in its entirety, by Damien Hirst.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">It’s obvious that, in the event of a real possibility of a news fatality or a tragedy of great proportions (outside of the theater) taking place in our lives or on our planet, I’ll come back to the blog with texts, images, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">Maybe even without such tragedies. It could be that I’ll find myself in the middle of Tunisia, inside a bent tent, and decide, a la Paul Bowles, that it’s time to write. Who knows?</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">All I can say is that I’m at the beginning of a long, very long and lonely journey.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><strong>I’ve had the best theater and opera stages of the world, in more than 15 countries given to me. Yes,  I was given the gift of the Gods. No complaints, whatsoever. It has been a wonderful ride. Really has. Thank you all so very much. Thank you all so very very much.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><strong><span style="font-weight: normal">Fairwell to you all.</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><strong>LOVE</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><strong>Gerald Thomas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><strong>September 11, 2009</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><strong>(what a date!)</strong></span></p>
<p style="text-align: justify">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p><!--EndFragment--><!--EndFragment--></p>
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		<title>Morre Pina Bausch: Essa que todos nós invejávamos e amávamos tanto!</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Jul 2009 06:55:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gthomas</dc:creator>
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São Paulo, quarta-feira, 01 de julho de 2009 






 







 

OPINIÃO 
Nós, do teatro, a invejávamos
Pina Bausch sacaneava o balé clássico e era a &#8220;senhora Beckett&#8221; da dança
GERALD THOMAS

ESPECIAL PARA A FOLHA
 
Meu Deus, o que dizer? Morreu a maior de todas ou de todos. Morreu aquele inventor que todos nós do teatro invejávamos. Sim, esse é o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left"> </p>
<p style="text-align: center"><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/07/pina.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-10078 aligncenter" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/07/pina.jpg" alt="" width="350" height="218" /></a></p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="570">
<tbody>
<tr>
<td align="right"><span style="font-size: xx-small">São Paulo, quarta-feira, 01 de julho de 2009</span> <img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/images/ilustrad.gif" alt="" hspace="10" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="600">
<tbody>
<tr>
<td width="100"> </td>
<td align="right"><img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/images/ilubar.gif" alt="" width="500" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table border="0" width="500">
<tbody>
<tr>
<td width="100"> </td>
<td width="400">
<h2 style="text-align: left"><span style="color: #3366ff"><span style="color: #0000ff">OPINIÃO</span> </span></h2>
<p style="text-align: left"><span style="font-size: large"><strong>Nós, do teatro, a invejávamos</strong></span></p>
<p style="text-align: left"><span style="font-size: large"><strong></strong></span><strong>Pina Bausch sacaneava o balé clássico e era a &#8220;senhora Beckett&#8221; da dança</strong></p>
<p style="text-align: left"><strong>GERALD THOMAS</strong></p>
<p style="text-align: left"><strong></strong><br />
<span>ESPECIAL PARA A FOLHA</span></p>
<p style="text-align: left"> </p>
<p style="text-align: left"><strong>Meu Deus, o que dizer? Morreu a maior de todas ou de todos. Morreu aquele inventor que todos nós do teatro invejávamos. Sim, esse é o termo. Invejávamos, pois Pina Bausch conseguiu reunir com seu visionarismo inacreditável a &#8220;obra de arte total&#8221; (termo criado por Richard Wagner), com poucos elementos minimalistas, duplicados, ampliados até um ponto de erupção, como um vulcão.</strong></p>
<p style="text-align: left"><strong>Sim, seus bailarinos repetiam e repetiam temas obsessivos da impossibilidade entre a relação entre homem e mulher, e a mulher objeto. É claro, Pina sacaneava o próprio balé clássico no qual se formou. Eram horas de cena sobre como fazer um movimento clássico ou exercício de barra. Eram horas sempre lindas e lúdicas, de uma lágrima caindo lentamente de um só olho de uma bailarina e atriz, formada em seu teatro na pequena cidade de Wuppertal.</strong></p>
<p style="text-align: left"><strong>Pina Bausch foi alguém que abriu uma nova página na dramaturgia da dança e do teatro. Tivemos poucos. Muito poucos. Bob Wilson e Tadeuz Kantor e poucos outros construíram um dicionário, um vocabulário reconhecível e imitado mundo afora. Tenho que confessar que assisti a todos os seus trabalhos, desde os mais convencionais, até os últimos, baseados em cidades pelas quais perambulava pelo mundo. Pina está acima do nosso julgamento.</strong></p>
<p style="text-align: left"><strong>Nos últimos tempos, estranhamente, ela estava basicamente trilhando uma espécie de revisitação do que parece ter sido o início da vida e carreira de Bob Wilson (baseado no autismo de Christopher Knowles), usando diálogos desconexos e mais minimalistas do que nunca: &#8220;Posso te amar?&#8221;. &#8220;Nããããoooo!!!&#8221; &#8220;Posso te amar por um dia?&#8221; &#8220;Nããããooooo!!!!&#8221;</strong></p>
<p style="text-align: left"><strong>Pina é Beckett puro. Aliás, os dois se encontraram. É a única coisa que tínhamos em comum. Nos encontramos duas vezes, em turnês comuns pelo mundo, e poucas palavras trocamos. E era sobre Samuel Beckett que falávamos. Pina construiu uma obra gigantesca e monumental.</strong></p>
<p style="text-align: left"><strong>Estou impactadíssimo com a notícia de sua morte. Como todo gênio, será estudada, amada e reverenciada pelas décadas que virão. E aquela lágrima que escorria pelo rosto daquela bailarina? Agora escorre no meu e profundamente. Pina foi a pedra fundamental para toda uma geração (ou várias). Nunca se recuperou da morte do marido. Nunca se recuperou da tragédia da vida, da &#8220;dor do mundo&#8221; que carregava e que está pontuada em sua obra com tanta delicadeza.</strong></p>
<p style="text-align: left"><span><strong>GERALD THOMAS</strong> é autor e diretor de teatro.</span></p>
<p style="text-align: left">Saiba mais sobre essa mulher GENIAL</p>
<p style="text-align: left">(da Folha de São Paulo)</p>
<p style="text-align: left">A grande dama da dança-teatro, a alemã Pina Bausch, morreu ontem pela manhã, aos 68 anos, na cidade de Wuppertal, onde dirigia sua companhia, o Tanztheater Wuppertal. A morte da coreógrafa foi divulgada em nota do próprio grupo, segundo a qual, na semana passada, Bausch teria sido diagnosticada com câncer. Ela subiu ao palco pela última vez há dez dias, no dia 21, como sempre para agradecer os aplausos com sua companhia.Com personalidade forte, Bausch seguia todas as apresentações do grupo e controlava todas suas ações. Dessa maneira, fica difícil saber o futuro do Tanztheater Wuppertal, mesmo se continua agendada a vinda do grupo a São Paulo, em setembro, com o programa histórico &#8220;Café Müller&#8221; (1978), peça que sempre teve a presença de Bausch, e &#8220;A Sagração de Primavera&#8221; (1975).&#8221;Pina Bausch é a mãe da dança contemporânea&#8221;, disse certa vez o coreógrafo Alain Platel, diretor do grupo belga Les Ballets C. de la B.. De fato, no século 20, poucos coreógrafos foram tão influentes como como Pina Bausch.</p>
<p style="text-align: left">Enquanto a dança norte-americana, com nomes como Trisha Brown e Lucinda Childs, seguiam uma linha formalista, com a qual Bausch também teve certa identidade, já que estudou nos Estados Unidos, entre 1958 e 1962, ela pode ser caracterizada como uma coreógrafa com marca profundamente humanista: &#8220;Não me interesso em como as pessoas se movem, mas o que as movem&#8221; é uma de suas mais representativas falas.</p>
<p style="text-align: left">Com isso, Bausch ampliou as fronteiras da dança de forma tão radical que tudo passou a ser permitido: dançar deixou de ser uma técnica para que qualquer movimento fosse admitido como dança.</p>
<p style="text-align: left">Para criar suas peças, a partir de 1973, quando foi contratada pelo Teatro de Ópera de Wuppertal e de onde nunca mais saiu, Bausch levou seus bailarinos a situações de risco.</p>
<p style="text-align: left">Em geral, treinados no balé clássico, para socorro imediato, especialmente após quatro horas de espetáculo sobre água. Nos primeiros anos, muitos bailarinos se recusaram a trabalhar com Bausch. Nos últimos anos, suas audições eram frequentadas por centenas de candidatos.</p>
<p style="text-align: left">Com o público não foi diferente, em suas primeiras peças, as pessoas saiam do teatro batendo as portas em sinal de fúria. Atualmente, ingressos para a companhia de Bausch se esgotam rapidamente, em qualquer lugar do mundo. Para Bausch, o palco não deveria ser um lugar protegido, mas tão difícil como a própria vida. Além do mais, o próprio limite entre palco e plateia sempre foi questionado em seus espetáculos. Em todos eles, seus bailarinos interagem com o público, servem café ou vinho, os abraçam, mostram fotos.</p>
<p style="text-align: left">Ao contrário da dança clássica, eles não incorporam papéis definidos, eles sempre se chama Düsseldorf, a poucos quilômetros de Wuppertal. A dança-teatro de Bausch, aliás, sempre teve um caráter performático: no palco, os bailarinos comem cebolas inteiras, escalam altos muros, penduram-se em cordas, escorregam na água. Difícil um espetáculo de dança contemporânea que não tenha alguma marca do Tanztheater Wuppertal.</p>
<p style="text-align: left">As temáticas de suas primeiras peças, especialmente nos anos 1970 e 1980, costumam ser vistas como muito intensas e deprimentes, enquanto sua fase mais recente tem sido vista como mais superficial e alegre. Bausch justificava essa mudança de forma muito direta: &#8220;A questão é do que precisamos hoje. Estamos num momento terrível, tenebroso, sério e assustador. Então, procuro dar um pouco de balanço, compensação para tudo isso&#8221;.</p>
<div style="text-align: left"><span><br />
</span></div>
<p style="text-align: left"> </p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: left"> </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Morre Um Grande Amigo no Vôo da Air France</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Jun 2009 12:20:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gthomas</dc:creator>
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New York- Estou escrevendo com o coração partido e lágrimas nos olhos. O vôo da Air France levava meu amigo, o regente/maestro Silvio Barbato.
.


Mas vou escrever sobre algo que me deixou extremamente feliz também: a Justiça Brasileira determinou que o menino Sean Goldman deve ficar junto ao seu pai biológico, David Goldman. Esse Blog, já [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/06/amanha1.jpg"></a><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/06/amanha2.jpg"></a></p>
<p><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/06/amanha.jpg"></a></p>
<p style="text-align: center"><img class="alignnone size-full wp-image-10034 aligncenter" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/06/amanha2.jpg" alt="" width="480" height="360" /></p>
<p><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">New York- Estou escrevendo com o coração partido e lágrimas nos olhos. O vôo da Air France levava meu amigo, o regente/maestro Silvio Barbato.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Mas vou escrever sobre algo que me deixou extremamente feliz também: a Justiça Brasileira determinou que o menino Sean Goldman deve ficar junto ao seu pai biológico, David Goldman. Esse Blog, já há meses, embarcou na campanha <a href="http://www.bringseanhome.org" target="_blank"><span style="text-decoration: none;color: #0066cc">www.bringseanhome.org</span></a> , chegando, inclusive, a publicar o blog deles na íntegra. Minha correspondência com Mark DeAgelis (coordenador da campanha aqui em New Jersey) é freqüente, muitíssimo freqüente.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Parabéns à justiça brasileira pela decisão!</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Ao mesmo tempo, essa notícia me pega num dia onde não consigo superar a dor: Silvio Barbato foi meu maestro na mais controversa de todas as óperas que encenei: “Tristão e Isolda”, no Municipal do Rio. Sim, aquela em que acabei mostrando a bunda porque… ah, deixa isso pra lá!</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Olha só que loucura o destino: </span></strong><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Fazia anos que Silvio e eu não nos falávamos. </span></strong><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Cheguei de viagem, de volta pra NY, na Sexta passada. Surge um e-mail dele: <em>“Posso te ligar pra fazer uma entrevista com você? Em que número te ligo?” </em></span></strong><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Respondi na hora e às 5 da tarde do meu horário o Silvio me ligava da Rádio Roquette-Pinto, no Rio. <em>“Oi cara, que prazer, há quanto tempo, etc..”</em></span></strong></p>
<p><strong><em><span style="color: #5c5851">.</span></em></strong></p>
<p><strong><em></em></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851"><em></em></span></strong><em></em></p>
<p><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Fomos companheiríssimos desde o “Navio Fantasma”, que dirigi no Municipal do Rio, em 1987, no qual ele era assistente do maestro Eugene Cohen, do Metropolitan, aqui de NY. </span></strong><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Anos depois, já maestro, veio o “Tristão e Isolda”. </span></strong><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">A entrevista foi, primordialmente, sobre Wagner. Richard Wagner e o anti-semitismo. E o GIGANTISMO de Wagner e quantas óperas ainda poderíamos realizar juntos, como “Parsifal”, por exemplo.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Ele me falou que andava mais fora do Brasil do que “dentro” e falou, repedidas vezes, em Belgrado. </span></strong><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Foi uma das conversas mais legais, inusitadas e veio com uma promessa, agora interrompida (nossa, estou aos prantos!): <em>“Vou te visitar ai em New York, cara! Mas depois vou pra ‘minha cidade, Chicago”.</em> Eu te perdôo, Silvio, dizia eu, hoje Chicago é sinônimo de tudo que há de bom, pois é a CIDADE OBAMA.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Agora veio essa bomba de notícia. O Gustavo Ariani me manda um email ainda ontem à noite dizendo: <em>“perdemos o Silvio Barbato nesse vôo”</em>. </span></strong><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Fiquei perplexo, paralisado diante da tela e desabei a chorar, enquanto procurava seu nome em sites, etc.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Como pode, em pleno século XXI, um Airbus novo ser derrubado dessa forma? Sumir do mapa? Ser controlado não por homens, mas por instrumentos?</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Eu vôo muito, como vocês já perceberam. E o pior, adoro turbulência. Pra mim é como cadeira de balanço! Sinto-me como se estivesse nos braços da minha mãe sendo colocado pra ninar.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Gente, desculpa, mas não está dando pra continuar. A perda do Silvio é enorme. Não dá pra entender mais nada. Falávamos-nos e falávamos sobre a última ARIA de Tristão, aquela cantada por Isolda, o &#8220;LIEBESTOD&#8221;, essa palavra que não canso de repetir nesse blog: é o amor através da morte, o &#8220;amormorte&#8221;, a &#8220;morteamor&#8221;.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Silvio, meu mais querido: onde quer que você esteja, nosso coração está com você! Que merda de vida é essa, caralho???? Não dá mesmo pra entender!</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Alguém, algum dia, por favor, me explique!</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851"> </span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">And Sean Goldman: we wish you the best life in the world next to your real father, David. And we want you to know that all of América WELCOMES YOU with open arms, kiddo!</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><span style="font-size: 13pt;color: #000000"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 5pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">Gerald Thomas</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 5pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 5pt;text-align: center"><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 5pt;text-align: center"><strong><span style="color: #5c5851"><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/06/silvio-barbato.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-10036 aligncenter" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/06/silvio-barbato.jpg" alt="" width="287" height="244" /></a></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 5pt;text-align: center"><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851"> <span style="color: #333399">Maestro Silvio Barbato (Fotografia enviada por Sandra Barbato, filha do maestro)</span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 5pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 5pt;text-align: justify"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 5pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 13pt;color: #5c5851">(O Vampiro de Curitiba na edição)</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 5pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 5pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
<h3 style="text-align: justify"><span style="color: #ff0000">PS. do Vamp</span>:  Pessoal, o Gerald escreveu este texto ontem, na parte da tarde. Ainda não sabíamos da decisão do Supremo de manter o menino Sean aqui no Brasil…<br />
Vai ser complicado explicar para o pai do garoto e para todos os americanos, inclusive para o presidente Obama, como funciona nossa Justiça. Esse caso se desenrola há anos, mas o Supremo precisa de MAIS tempo para julgar. Incrível!!!<br />
Foi só elogiar a Justiça e…</h3>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 5pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #5c5851">.</span></strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Drogas: Qual é a Sua, Companheiro?</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Jun 2009 12:36:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gthomas</dc:creator>
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New York – Um mágico está no palco serrando uma mulher ao meio ou saindo de um cubo onde ficou durante 40 dias sem comida, como David Blaine, por exemplo. A platéia está “entorpecida”.  Ou uma banda de rock está em seu solo de guitarra, ou a marcha fúnebre de Siegfried em “O Crepúsculo dos [...]]]></description>
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<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">New York – Um mágico está no palco serrando uma mulher ao meio ou saindo de um cubo onde ficou durante 40 dias sem comida, como David Blaine, por exemplo. A platéia está “entorpecida”.  Ou uma banda de rock está em seu solo de guitarra, ou a marcha fúnebre de Siegfried em “O Crepúsculo dos Deuses” (última parte do “Anel dos Nibelungos”), de Wagner, está “inebriando” o público do Metropolitan Opera House. Ou mesmo um primeiro leitor de “Metamorfose” chega ao final da primeira página e sente um calafrio e um engasgo orgástico quando descobre que Gregor Samsa, o homem, se transformou num enorme inseto.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Nossa arte, nossa existência, a analogia do que somos pode ser – sempre – comparada, através de nossa longa história, a uma droga ou outra.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Mas a droga (seja ela qual for) continua sendo tabu. E como tabu, ela continua sendo sempre usada. E sempre usada, continua sempre sob repressão! Por que será? Quem lucra? Quem ganha? Quem perde?</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Desde que me entendo por gente as pessoas em minha volta fumam maconha, se injetam com “coisas”, fazem surubas, etc.. Lembrem-se: sou da geração da década de 60, plena celebração da contracultura, anti-Vietnam,  Woodstock e Hendrix e Joplin. A geração que ficava horas e horas pro Filmore East abrir, aqui na 2 Avenida. Ou, em Londres, o Marquee na Wardour Street, pra ver o Cream, Yardbirds,  ou sei lá quem tocar.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Sim, pessoas caindo, caídas, o surgimento do Punk Rock, Johny Rotten, Sid Vicious vomitando na platéia, os ídolos se cortando com gilete sem saber tocar um único “tune” e se jogando de corpo e alma em cima do próprio público em pleno delírio.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Ainda me lembro de ver o MC5 dar uma paradinha em seu show, em Londres (início dos anos 70) pra que John Sinclair pudesse sair de cena pra se picar. “Hang on while I get my fix”. Horas se passavam. Assim como a Banda Vitória Régia tocando no palco enquanto o Tim Maia parecia ter mais o que fazer no camarim.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Heroína, Maconha, Cocaína. Crystal Meth, Metadona, Special K, GHB, Mother’s Litlle Helper’s (Queludes) , Uppers, Downers, Meta-anfetamina, crack, chá de cogumelos, mescalina, ecstasy e tantos outros (é só entrar na página do falecido Timothy Leary pra ver, inclusive, a relação entre um e outro e do outro com o outro).</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Eu não sou muito disso. Aliás, não sou nada disso, exceto a coca (pra fins sexuais), que  usava recreativamente. Mas já foi a época. Consegui, essas décadas todas, me manter longe do Smack (heroína) e do álcool e de todas as outras. Como, não sei. Todo mundo em minha volta dando voltas, cambaleando.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">De vez em quando um e outro iam pro cemitério, por causa disso ou daquilo. Quando não era o destino final, era aquela paradinha antes, o Pinel. “Sujeito pirou”. É, sujeito misturou tudo e nunca mais voltou. Comum ouvir isso na década de 70, início dos 80.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Mas isso era então. Hoje&#8230;</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Hoje caiu TUDO nas mãos da bandidagem. Isso deu um ar, um estigma, horrendo à “coisa”.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Além do mais (ainda voltando no tempo), na minha pós-adolescência ainda fui ser motorista de ambulância, pro Royal Free Hospital. Antes disso, meu posto era pegar os junkies em Piccadilly Circus, a estação de metrô, lá em baixo: famílias inteiras com seus cachorros: eram esqueletos humanos: pele sobre osso, dentes podres e braços infectados (tracks), pelas agulhas, e levá-los pra Tooting Recovery Center, onde lhes davam metadona.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Dia seguinte estavam lá os mesmos junkies “scoring”. Conseguiram fugir. O governo inglês tinha um programa em que a Boots (a rede de farmácias mais conhecidas na Grã- Bretanha) que ficava aberta em Picadilly Circus, fornecia certa quantia, com agulha limpa, de metadona, ao junkie que entrava lá trêmulo. A fila era enorme!</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Cigarro, nicotina, álcool, tudo a mesma merda. E falam em legalizar? Tenho lá algumas coisas a dizer.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Se legalizarem a cocaína&#8230; Digam-me uma coisa: ótimo, o controle estaria com o governo. Maravilha, acabaria a bandidagem. Afinal, o que determina o consumo é a demanda. Mas existe uma coisa horrenda chamda CRASH ou caminho de descida, ou quando o sujeito entra em abstinência, ou seja, quando as fileiras estão se acabando. E aí??? O que ele faria??? Ás 5 da manhã?</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Metralharia o farmacêutico pra conseguir mais ou iria arrancar o médico de sua cama com brutalidade para conseguir mais uma receita médica?</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Existe algo ILÓGICO nessa equação quando falamos em legalizar drogas pesadas.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Maconha? É erva. Na Holanda já deu certo e até a Califórnia já tem programas para legalizar! Esquece a maconha. Cigarro faz mais mal. A maconha (THC) deixa a pessoa sem memória e com certa imbecilidade através da vida. Ambição? Todas elas DESTROEM com o tempo! TODAS.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Paulo Francis, por exemplo, não era nem um pouco hipócrita a respeito do uso de drogas. Aliás, é isso (entre tantas outras coisas transparentes a respeito de sua personalidade) que o torna gênio: Francis admitiu experimentar e até usar com freqüência o “speedball” (mistura de heroína com cocaína).</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">HIPOCRISIA</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Ninguém mais cabe em suas peles. Ninguém mais cabe em suas gavetas. Ninguém mais cabe em seus papéis. É como se fôssemos um bando de atores com papéis mal distribuídos. Um Pirandello às avessas. “Assim não é se não lhe parece” deveria se chamar a sociedade do século XXI.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">TODAS ou quase todas as famílias estão ou são disfuncionais. Mas não é de hoje!Desde que o pai estuprou as 5 filhas e as engravidou ou o pai virou mãe e a mãe virou lobisomem e os ditadores mandaram a população para as câmaras de gás ou para os gulags ou para as guilhotinas, nós aqui, os números, nos sentimos impotentes e tentamos reagir “tomando” alguma coisa que nos faça sentir superiores.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">SIM,  nascemos tortos. E morreremos mais tortos ainda. Seria lindo se a sociedade aceitasse isso e parasse com a hipocrisia das aparências!  Adoramos nos subverter.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Milhares morreram durante a lei seca. Depois, de repente, a lei seca foi revogada. E os milhares de destiladores caseiros que morreram? É mais ou menos como o muro de Berlin: de pé por 28 anos, 150 mil morreram tentando atravessá-lo. De um dia para o outro, o Muro cai. E os milhares de mortos?</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Não, não faz sentido.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Em “Tristão e Isolda”, Wagner introduz o elixir da morte que vira o elixir do amor. Nada mais do que uma droga, coisa de bruxaria para, inicialmente, matar <span> </span>Tristão, mas que acaba por deixar o casal LOUCO de amor e tesão um pelo outro até o amor/morte (Liebestod), tema final da lindíssima ópera que dirigi duas vezes.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Freud usou a cocaína pra fazer seus pacientes falarem. Alguns travaram. Outros falaram tanto que acabaram por dar câncer no céu da boca do mestre da psicanálise!</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">O fato é que adoramos colocar um pé na lama e outro na merda. O problema a ser discutido e o papel da JUSTIÇA perante tudo isso.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">O Afeganistão esta produzindo mais papoula do que nunca. Sim, a morfina é derivada da papoula e tem fins medicinais. O paciente precisa ser anestesiado. Fazer o quê? Plantação controlada? Não me faça rir!</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Já diziam a mesma coisa na Bolívia sobre a coca e a Coca-Cola. Ora bolas!</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">O queijo? Não, não sei por que o queijo entrou aqui. O queijo não é droga.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">E, sim, de quando em quando temos as “estrelas caídas”, como Fábio Assunpção ou Vera Fischer e ou os rock stars que morrem de overdose. Faz parte do nosso orgasmo. É o jogo do trapezista sem a rede embaixo. Afinal, que graça tem o circo com rede?</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Pois é: A “brincadeira” com as drogas nada mais é do que um significativo jogo com a morte como aquele jogo de xadrez em “Morangos Silvestres”, de Ingmar Bergman. E desafiar a morte é o nosso “motto” diário, como diria Malone, personagem de Beckett, que morre desde o início do romance. Malone Morre (que dito em inglês soa ainda melhor: ‘m alone dies: sozinho morro). Portanto nos colocamos no lugar dos Freddie Mercuries, dos Cazuzas, das Cássias Ellers, ou dos Hendrixes e outros heróis que morreram de overdose. Pelo menos eles não cultivaram o vício da hipocrisia de sorrir pra cara do consumo do “bonitinho” e descascaram e desconstruíram o que há de disfuncional em nós! É assim que somos, nós os pecadores!!!!</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Enfim, o assunto é delicado. Já perdi amigos e amigas por causa de tudo isso. Sinto-me AMBÍGUO, pra dizer o mínimo, quando se trata da legalização.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">O queijo? Não, o queijo nada tem a ver com este artigo.</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Mas a vaca tem!</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify">Gerald Thomas</h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </h3>
<h3 class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt">(O Vampiro de Curitiba na edição) </h3>
<p class="ecmsonormal" style="text-align: justify"> </p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt">
<li class="alt"><cite><strong><a title="Comentário #521124" href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/wp-admin/#comment-521124"><span style="color: #686d48">01/06/2009 &#8211; 10:22</span></a></strong></cite> <cite><strong>Enviado por:</strong> O Vampiro de Curitiba</cite>Quero fazer um parênteses aqui. Especificamente sobre a maconha. Não escrevi a respeito pois não tenho, ainda, uma opinião formada. Claro, sou a favor de penas duras para traficantes e controle rígido sobre as drogas. Mas me parece que a maconha deveria ser tratada de forma distinta das demais drogas. Este é um debate que está acontecendo no mundo todo, aqui no Brasil não é diferente. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de forma corajosa, vem pregando a descriminação do uso da maconha. Eu tendo a concordar com ele. Sejamos honestos: Vocês conhecem alguém que deixa de fumar maconha por ser proibida? Oras, aqui em Curitiba, como em todo país, é mais fácil comprar maconha do que cigarro. Eu prefiro que os jovens comprem maconha (vão comprar de qualquer jeito) na farmácia do que com traficantes, nas favelas. O que vem acontecendo em muitas familias, é que os próprios pais de muitos adolescentes se encarregam de eles próprios comprar a erva pra seus filhos, evitando, assim, o contato destes jovens com os mundo do crime. Mesmo assim, a maconha “batizada” com todo tipo de porcaria, sem controle algum, é um problema sério de saúde pública. Se fosse legalizada, vendida em farmácia, controlada pelo Ministério da Saude, devidamente taxada de impostos, seria muito mais conveniente com nossos tempos. Do jeito que está, nem falar a respeito é possível sem estar incorrendo em CRIME de apologia ao uso de drogas. Acho que devemos debater esse assunto sem hipocrisias.</li>
<li class="alt"> </li>
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		<title>Um Ano de Blog no IG</title>
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		<pubDate>Sat, 23 May 2009 14:30:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gthomas</dc:creator>
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 .          (Antes do Blog, em Paris)                                      (Depois do Blog)
 


New York – Miami: Cinco anos e meio de Blog corrente, de conta corrente que não se esgota, graças a vocês! Hoje, exatamente hoje, esse Blog comemora um ano aqui no IG.
E, no entanto, os espelhos!  Estejam lá onde estiverem (os espelhos), são somente humanos. Retratam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: right"><span style="font-size: 13pt;color: #444444"> .</span></p>
<h5> .<a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/05/em-paris.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-10030" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/05/em-paris.jpg" alt="" width="310" height="224" /></a><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/05/trincheira-copy.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-10029" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/05/trincheira-copy.jpg" alt="" width="317" height="224" /></a>          (Antes do Blog, em Paris)                                      (Depois do Blog)</h5>
<h4 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"> </h4>
<div></div>
<p><span style="font-size: 13pt;color: #444444"></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">New York – Miami</span></strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">: Cinco anos e meio de Blog corrente, de conta corrente que não se esgota, graças a vocês! Hoje, exatamente hoje, esse Blog comemora um ano aqui no IG.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">E, no entanto, os espelhos!  Estejam lá onde estiverem (os espelhos), são somente humanos. Retratam nossa dor. Retratam nosso humor. Retratam nossa estima. Meu medo? Quem estaria ou estará atrás desses espelhos! Quem nos vê da maneira que ninguém mais nos vê. Ou seja: Quem enxerga MESMO, de verdade, nossa alma?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Alma, aquilo que poucos conseguiram até hoje retratar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Esse ano passou como uma flecha! Foi um ano devotado, praticamente todo ele, á eleição de Barack Obama. Foi, de minha parte, uma tensão doida!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Tem um corpo morto no chão, aqui do meu lado, enquanto escrevo. Sou eu mesmo. Não me reconheço mais. Parte de mim se foi. E não estou tentando brincar com palavras, não estou tentando fazer joguinho com as parolas. Sim, morri de várias formas. Fui traído por vários amigos. Ainda não sei muito bem por quê. Talvez um dia saiba.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Blog traz dessas coisas: em teatro temos um mundo muito EXPLOSIVO. Ele se mostra na hora. O aplauso ou a vaia são ali mesmo, no final, quando cai o pano! Sabemos dos cochichos, sabemos do veneno, mas “sabemos”. Nossos inimigos, por assim dizer, se tornam nossos maiores amigos assim, da noite pro dia, como se nada jamais tivesse acontecido. E aceitamos isso.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">A <strong>Decadência</strong> dos tempos de hoje, com tanto artista legal fazendo tanta bobagem, me choca! Deixa-me triste! Meu corpo morto aqui do lado ainda não foi achado pelo time de “Law &amp; Order Special Victims Unit”. No momento em que encontrarem esse meu corpo em decomposição, constatarão que ele foi molestado, espancado, torturado por tanta, mas tanta burrice, tanta besteira e tanta pobreza cultural que ele leu nesse último ano. E o médico legista não terá um diagnóstico! Aliás, não há! </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">É de se questionar tudo mesmo: em que ponto de nossa cultura estamos? Como nos vemos? Quem nos vê? Como somos enxergados? Se Richard Wagner nos visse hoje (seu aniversário, by the way), como ele nos veria? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Obama tenta imprimir nessa linda terra nossa uma proposta de um NOVO SISTEMA LEGAL em que terroristas  poderiam ser presos ou detidos por um <strong>tempo prolongado</strong> DENTRO dos USA (sem julgamento em vista). Qual a diferença entre isso e Guantánamo? É que aqui dentro eles teriam acesso ao sistema judicial<em>. “Ou se prova que são culpados, ou deixa-os andar”.</em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">A Arábia Saudita está conduzindo um programa de reabilitação de ex-membros do Al Qaeda. Entre erros e acertos, a margem é de 80 por cento. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Meu corpo morto aqui do lado, infestado de Kafkas, de Becketts, de Orwells, de uma literatura praticamente obsoleta quando olho essas estantes (retornei pra casa ontem e ainda olho tudo numa ressaca terrível), vejo esses volumes de Joyce, de Gertrude Stein, de sei lá quem. Não nasci com um nome bom. Quem dera. Deram-me um nome vulgar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Sim, agradeço muitíssimo aos meus mestres! E como! Eles têm nomes sonoros. Mas na autópsia desse corpo não sairão sons. Nunca sai som, a não ser o som do vento armazenado nas entranhas, nos intestinos, o som dos gases, o som gutural do tempo perdido de Proust, o som de certa amargura por não ter sido entendido por A, B ou C.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Escreve o leitor “José Augusto Barnabé”:</span><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">“O Gerald, chegou a hora definitiva de a arte e a criação representar pelos seus meios, o futuro.</span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Acho que Da Vinci foi o último, nos seus escritos e desenhos, que geram até hoje controvérsias e discussões.</span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Não há mais espaço para Inquisições, que se mostrou uma fraude política.</span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">O Artista tem que achar forças para se desvincular do Sistema, ser um pouco Iluminatti, escancarando até essas próprias sociedades secretas, também fraudulentas, e criar.</span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Na imaginação está o nosso gene, e o artista que tem o dom da sensibilidade, a aplica melhor.</span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">O Planeta está mudando rapidamente, e não é coisa para 500 anos como na época do Da Vinci. É coisa para já.</span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Se os artistas não perceberem, vão deixar de existir e continuar sendo os BOBOS DA CÔRTE.</span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Ficção? não sei. E o Sistema não o é?</span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Você não tem nada para comentar, porém tem muita coisa a fazer, se não desocupa a moita, meu caro”.</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Difícil, muitíssimo difícil responder qualquer coisa que coloque Leonardo Da Vinci no meio. Até Shakespeare, em sua última peça, “A Tempestade” (praticamente autobiográfica), se viu num espelho e enxergou um futuro não sangrento. Foi a única tragédia desse magnífico gênio não sangrenta: Prospero, o personagem principal, era um Leonardo. Mas era também um Duque deposto. Era um ILHADO, era alguém que tinha o poder da mágica reduzido aos confins do palco.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Tudo é sempre uma metáfora.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Há um ano, nesse blog, escrevo parte em metáforas, citando meus mestres, citando minhas angústias. Criei um enorme e lindo círculo de amigos. Vocês, os leitores.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Mas as metáforas estão fadadas a ter um limite, a esbarrar na moldura do espelho ou refletirem a luz que vem de fora e, portanto, ofuscarem a imagem real que o espelho deveria estar mostrando. Sim, escapismo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Escreve o “Capitão Roberto Nascimento”:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Gerald Thomas meu querido cabeludo, que beleza esse texto rapaz! Não é um texto de moleque, de fanfarrão!!É UM TEXTO PARA QUEM USA FARDA PRETA E COLETE; MAS É PARA SE REFLETIR SOBRE O QUE ESTÁ ACONTECENDO.Eu penso: no BOPE, a gente não pode pensar muito NA HORA; mas devemos pensar antes, no treinamento, para que a ação seja EFICAZ COMO O SILÊNCIO DO FUNDO DO MAR.Nossa missão é subir o morro e deixar corpo de narcotraficante no chão. Pode parecer nazismo, mas, para mim, NAZISMO É DEIXAR OS NAROTRAFICANTES DOMINAREM O MORRO, OPRIMINDO CENTENAS DE MILHARES DE POBRES FAVELADOS.O teu silêncio, Gerald, chega como um abraço. </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">O teu silêncio é o silêncio do preto da minha farda, do frio do meu fuzil, antes da ação.E nós agimos em silêncio Gerald. Quem faz festa é bandido. Quem solta rojão é traficante.A lei é fria e silenciosa. </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444">COMO O TSUNAMI QUE NASCE NO</span></em><em><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> <span>FUNDO DO MAR.”</span></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Tudo é sempre uma metáfora. Nem tudo sempre é uma metáfora. Muitos de vocês, leitores, lidam com a vida REAL. E isso, muitas vezes, me assusta. Por quê? Não sei.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Ontem, ainda em Miami, a caminho daqui, um velho, obviamente cubano, enrolado na bandeira americana, trazia, trêmulo, a sua bandeja com um croissant, café, um ovo, etc. Sua cara marcada pelo tempo e sua elegância deixavam claro não tratar-se de um “daqueles” milhões de cubanos que povoam Miami (pra onde eu vou 3 vezes ao ano). Tive uma enorme vontade de cobrir-lhe de perguntas. Muitos milhares de perguntas. Ele me olhava. Eu o olhava. Estamos em pleno feriado de “Memorial Day”, dia dos caídos em combate, em guerras passadas. Os USA em guerra constante!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Mas pensei e pensei. Não, melhor não. De repente, assim como já foi com tantos outros seres interessantes, ele vai vir com uma dessas “verdades universais” ou com a “ordem do universo” e despejar tudo isso sobre a minha bandeja. Isso me aconteceu no Arizona com indígenas que “ouviam deus” ou na Chapada da Diamantina e mesmo na Cornualia.  São seres simples e que tremem, elegantes. Mas que quando perguntados, são verdadeiras “torneiras da verdade”. E eu não suporto mais a quantidade de verdades que existem por aí.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Tive medo de fazer perguntas a um simples ser que poderia ter me contado a sua história de vida. Mas tive medo. Arreguei.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Como pode ser isso? Medo de seres místicos? Eu? Medo de ouvir sobre Eric Von Denicken e os deuses que eram astronautas? Logo eu? Quem te viu e quem te vê, Gerald!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Já ouvi que a minha cara era o mapa de Hiroshima. Então, do que ter medo?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Exaustão chama-se isso. Falta de espaço aqui dentro. E isso me preocupa.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Sim, assim como no texto anterior: “<strong>Sinto-me como uma massa, como uma pasta, irregular, inexplicável, triste, vazia, ruidosa, sem nada a declarar e, no entanto, querendo dizer tanta, mas tanta coisa e… sem conseguir dizê-lo.”</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Nem tudo sempre é uma metáfora. Às vezes esse corpo morto aqui do meu lado tentou atravessar o espelho vezes demais ou tentou atravessar espelhos espessos demais.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Faz parte da minha profissão: o risco. Como me sinto? Esgotado. Acabado. Esse (que ainda vive) olha praquele que está morto e pensa: será esse o meu futuro? Caramba!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Parece mesmo um conto de Poe! Ou um Borges mal escrito. Somos tantos e não somos porra nenhuma. No texto anterior, “NADA A DECLARAR”, fiz uma declaração de amor a tudo que sinto, de verdade, ao vazio, ao TUDO a Declarar, como o Pacheco detectou.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Mas e agora, José? Um ano e não sei quantos artigos. A partir de hoje estamos sem contrato. Como diria meu mestre Samuel Beckett: “<strong>Não Posso Continuar: Hei de Continuar!”</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Em inglês soa melhor:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">I Can’t Go On. I’ll Go ON!</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Muito Obrigado por tudo!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Coberto de emoção e lágrimas vendo o mundo numa relativa paz e, no entanto, atravessando o maior período de mediocridade em décadas, se desmanchando num milk shake insosso e azedo, esperando um Moisés que ainda nem subiu o Monte Sinai, porque lá nada existe!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">O deserto está realmente repleto de areia mesmo. E ela está em nossos sapatos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">LOVE</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Gerald </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444">Gerald Thomas, 23/Maio/2009</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></strong><strong><span style="font-size: 14pt;color: #444444"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;color: #444444">(O Vampiro de Curitiba na edição)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<div></div>
<p><span style="color: #444444"></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Boal Morto: Quantos Ainda Pensam a Sua &#8220;Própria&#8221; ARTE?</title>
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		<pubDate>Sun, 03 May 2009 06:45:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gthomas</dc:creator>
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A tristeza da perda e a imbecilidade do dia a dia
 New York- Não posso dizer que não fiquei triste com a morte do Boal. Óbvio que fiquei. Fiquei triste com a morte de um artista. Quantos deles temos hoje em dia? Poucos.
Muito poucos.
Se você liga a televisão ou vai ao cinema pode medir: vai ouvir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--StartFragment--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center"><span><strong><span><strong><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/05/boal3.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-10005 aligncenter" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/05/boal3.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></strong></span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>A tristeza da perda e a imbecilidade do dia a dia</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong> New York-</strong> Não posso dizer que não fiquei triste com a morte do Boal. Óbvio que fiquei. Fiquei triste com a morte de um artista. Quantos deles temos hoje em dia? Poucos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Muito poucos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Se você liga a televisão ou vai ao cinema pode medir: vai ouvir a palavra KILL ou MATAR ou MORRER a cada 3 minutos (se não mais) e o Ibope exige que os programas sejam baseados na vida e na relação polícia versus bandido e os procedimentos legais: são milhares de programas, em milhares de formatos. Na política é a mesma coisa. A retórica é a mesma.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Pontes explodem, carros explodem, pessoas explodem. Raramente nota-se que já existiu uma sinfonia como a de Mahler, a SEGUNDA, a Ressureição, para ser mais preciso. Poucas vezes a mídia, seja ela qual for, nos remete a uma sinfonia de Beethoven ou a uma ópera da Wagner. Não há mistérios! É a violência que dá audiência mesmo. E, se não é a violência bruta, a crassa, então é o melodrama barato, estúpido. E se não é isso, somos consumidos pela notícia do PÂNICO (como o terror da gripe suína e outras coisas do tipo. Nossa vida sempre em “perigo de vida” e a tal chamada guerra dos mundos, que Orson Welles tão magnificamente satirizou pelo rádio). Ah&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Boal morreu. Seu Teatro do Oprimido não era a “minha coisa”. Mas faz pensar. Faz pensar o que ele pensava sobre seu teatro. E isso não é pouco. E nos faz pensar sobre a vida, ou melhor, a morte.<span>  </span>Os grandes artistas, ou melhor, a ARTE GENIAL, como a de Mahler, como a de Beckett, como a de Joyce ou a de Gogol, Tolstoy ou Conrad ou seja lá qual for seu autor predileto, faz pensar sobre a morte: como deve ser, como somos imbecis com nossos valores materiais aqui nesta terra. Claro, Goethe e seu Fausto, assim como Marlowe e seu Fausto. Shakespeare e as comédias trágicas e as tragédias trágicas ou as moderadas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>O sistema nos traiu. Sim, fomos traídos. Somos todos cornos! Estamos vivendo há uma década, ou mais, sob falsas pretensões e sob falsos valores esperando um messias.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Somos uns imbecis achando que o dia de amanhã será melhor porque o politico A, B, ou C nos salvará da crise absoluta do sistema vigente. Não nos salvará.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>E Boal nisso tudo? Bem, Boal tinha suas convicções. Podia não me convencer com seu teatro “em prática”, mas ele já previa e já cantava essa bola há muito tempo. Qual bola? A de que somos cornos de um sistema que nos trai. Mas ele, diferente do Living Theater, diferente dos outros que cantavam a mesma bola, levou seu teatro pro lugar do consumo: o supermercado, ou o lugar onde se consumia aquilo que o sistema martelava na gente! Teatro de Martelo! Um ensaio permanente e inocente (até) de como fazer de corno um sistema que nos faz de corno. Boal estudou aqui na Columbia University e fez grandes amigos. <span> </span>Mas era outra era, outro tempo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Esse tempo hoje:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Um bando de imbecis tweetando, ou twitando, como preferirem, achando que estão na “última”, exacerbando o ego e elevando o seu anonimato berrando pros oito cantos do mundo o “nada” do que fazem todos os dias. Que lindo! Já o teatro do invisível de Boal já cantava a bola justamente desse invisível ou desse oprimido (que somos nós, todos nós. Não necessariamente se fala de uma CLASSE, e sim de um estado de ser).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>A Arte volta a fazer parte de nossas vidas e de nossas lágrimas. Tentei resistir e não escrever, pois não gosto de escrever emocionado. Augusto Boal morreu e com a morte dele se percebe que morreu um artista.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Isso deixa a ARTE num estado de fragilidade. Ou com a imunidade baixa, fraca.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>O mundo não é feito, mas “está” feito de programas que trivializam a alma, que derrubam o ser humano para um lugar onde ele não merece estar: a sua pior ignorância.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>É isso. Escrevo pois pesa o peso da M.O.R.T.E. e, nesses dias de angústia, a falta de um ser que construiu um vocabulário teatral é realmente triste. Muito triste.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Quantos construíram um vocabulário teatral?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Quantos sequer “pensaram” sua arte?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>Estamos sendo traídos pelo sistema: talvez seja hora de pararmos de nos acusar uns aos outros e pensarmos na CENA de ORIGEM. Sim, aquela que os filósofos invocam quando têm de enfrentar a GRANDE CRISE, ou melhor,<span>  </span>GRANDE ARTE, ou seja: a morte!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Gerald Thomas</strong>, </span><span>3 de Maio de 2009.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span>(O Vampiro de Curitiba na edição)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p><!--EndFragment--></p>
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