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	<title>Gerald Thomas &#187; Pina Bausch</title>
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		<title>Minha &#8220;INDEPENDÊNCIA OU MORTE&#8221; -TUDO A DECLARAR – “It’s a Long Goodbye”</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 12:05:22 +0000</pubDate>
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New York &#8211; Meus queridos, cheguei num ponto crucial da minha vida. O MAIS crucial até hoje. Um asterisco. Aliás, já estou nele há algum tempo e percebo que não adianta resmungar pra cima e pra baixo. Finalmente tomei uma decisão. 
“Transformar o mundo: acordar todos os dias e transformar o mundo”, dizia a voz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center">
<p style="text-align: center"><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/09/urna.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-10156 aligncenter" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/09/urna.jpg" alt="" width="226" height="260" /></a></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">New York</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> &#8211; Meus queridos, cheguei num ponto crucial da minha vida. O MAIS crucial até hoje. Um asterisco. Aliás, já estou nele há algum tempo e percebo que não adianta resmungar pra cima e pra baixo. Finalmente tomei uma decisão. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">“<strong>Transformar o mundo: acordar todos os dias e transformar o mundo</strong>”, dizia a voz de Julian Beck (quem eu dirigi e com quem aprendi tanta coisa). Eu tinha uma vaga noção das coisas. Não  encontro mais nenhuma. Eu tinha uma fantasia. Não a encontro mais. Só encontro aquele auto-retrato de Rembrandt me olhando, ele aos 55, eu aos 55,  um num tempo, o outro no outro, como se um quisesse dizer pro outro: o TEU “renascentismo” acabou: Você morreu. Morri?</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">I can’t go on. And I won’t go on.</span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Beckett, que é o meu universo mais próximo, diria “<strong>but I’ll go</strong> <strong>on</strong>”. Sim, existia uma necessidade de se continuar. Mas olho em volta e me pergunto: Continuar o quê? Não há muito o que continuar.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Minha vida nos palcos acabou</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">. Acabou porque eu determinei que os tempos de hoje não refletem teatro e vice-versa. Também não estou a fim de criar o iTheatro, assim como o iPhone ou o iPod. A miniatura e o “self satistaction” cabem muito bem na decadência criativa de hoje. Mas, se formos analisar o último filme ou CD de fulano de tal, ou a última coreografia de não sei quem, veremos que tudo é uma mera repetição medíocre e menor de algo que já teve um gosto bom e novo.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Claro, minha opção dramatúrgica sempre foi escura, sempre foi dark, se assim querem. De Beckett e Kafka aos meus próprios pesadelos, que um crítico do New York Times disse que eu ”<strong>usava a platéia como meu terapeuta</strong>”. Até que coloquei Freud como sujeito principal da ópera “Tristão e Isolda” no Municipal do Rio. Acho que o resultado todo mundo conhece. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">É estranho. Até 2003, 2005 talvez, ainda fazia sentido colocar coisas em cena. Sinceramente não sei descrever o que mudou. Mas mudou.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Claro que somos seres políticos. Mas isso não quer dizer que nossa obsessão ou a nossa única atenção tenha que ser A política. Ao contrário. A arte existe, ou existia, justamente para fazer pontes, metáforas, analogias entre a condição  e fantasia do ser humano de hoje e de outras eras e horas.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Daniel Barenboim</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">, que nasceu Argentino mas é cidadão do mundo (um dos músicos mais brilhantes do mundo), e cidadão Israelense, achou uma forma de aplicar sua arte na prática. Ele tenta, desde 2004, “provocar”, através da música, a paz entre palestinos e israelenses. Fez um lindíssimo discurso ao receber o prêmio “Wolf” no Knesset Israelense dizendo que sua vida era somente validada pela música que ele conseguia construir com jovens músicos palestinos (presos, confinados – justamente na época em que Israel construía um Muro de separação) e jovens músicos israelenses. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Não sou tão  genial quanto Daniel Barenboim e construir uma peça de teatro é muito mais difícil que abrir partituras de um, digamos, Shostakovich ou Tchaicovski, e colocar a orquestra pra tocar.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">AMNÉSIA TEMPORÁRIA</span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Um trecho de uma sinopse, por exemplo, que escrevi quando os tempos ainda se mostravam propícios:</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">“E em Terra em Trânsito, uma óbvia homenagem a Glauber, uma soprano só consegue se libertar de sua clausura entrando em delírios, conversando com um cisne fálico, judeu anti-sionista, depois de ouvir pelo rádio um discurso do falecido Paulo Francis sobre o que seria a verdadeira forma de “patriotismo”. O cisne (cinismo) sempre a traz de volta a lembranças: “Ah, você me lembra os silêncios  nas peças de Harold Pinter! Não são  psicológicos. Mas é que o sistema nacional de saúde  da Grã-Bretanha está em tal estado de declínio que os médicos estão  a receitar qualquer substância, mineral ou não mineral, que as pessoas ficam lá, assim, petrificadas… cheirando umas às outras&#8230;” </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><em><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Essa “petrificação” que a sinopse descreve, acabou me pegando. </span></em><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">“Os dois espetáculos (Terra em Trânsito e Rainha Mentira), são  uma homenagem à cultura teatral e operística aos mortos pelos regimes autoritários/ditaduras”. </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></strong><em><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Serão mesmo? Homenagens?  Não, não são. Quando escrevo um espetáculo, escrevo e enceno o que tenho que encenar. Não penso em homenagens.</span></em><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">“Mais do que nunca eu acredito que somente através  da arte o ser humano voltará a ter uma consciência do que está fazendo nesse planeta e de seu ínfimo tamanho perante a esse imenso universo: ambas as peças  se encontram em “Liebestod”, a última ária de “Tristão  e Isolda”, onde o amor somente é possível através  da morte e vice-versa.  No enterro da minha mãe, ao qual eu não fui (por pura covardia) uma carta foi lida (mas ela é lida  na cena final de &#8220;Rainha Mentira&#8221;), que presta homenagem aos seres desse planeta que foram, de uma forma ou outra, desterrados, desaparecidos, torturados ou são  simplesmente o resultado de uma vida torta, psicologicamente torta, desde o início torta e curva, onde nenhuma linha reta foi, de fato, reta, onde as portas somente se fechavam  e onde tudo era sempre uma clausura e tudo era sempre proibido e sempre trancado. Então, a tal homenagem se torna real, através da ficção da vida do palco”. </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><em><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Pulo pra outro trecho, lá no fim do programa. </span></em></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">“Essa xícara esparramada nessa vitrine desse sex shop em Munique era um símbolo que Beckett não ignoraria e não esqueceria jamais. Eu também não. Sejam bem vindos a tudo aquilo que transborda. ” </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Por que coloquei esse trecho de programa ai? Não sei dizer. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Liberdade poética pura ou pura liberdade poética. Ou chateação mesmo! Talvez seja um indicador do quanto estou perdido no que QUERO DIZER e ONDE QUERO CHEGAR.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Tenho que sair por aí pra redescobrir quem eu sou.</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> Talvez nunca venha a descobrir. Posso estar vivendo uma enorme ilusão. Mas não me custa tentar. Virei escravo de um computador e virei escravo de uma agenda política imediata da qual não faço  parte. Tenho uma imensa cultura histórica. Imensa. Tão grande que a política de hoje raramente me interessa. Sim, claro, Obama. Mil vezes Obama. Mas Obama afeta o mundo inteiro. Mais eu não quero dizer.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Tenho que sair por aí pra redescobrir quem eu sou.</span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">(<em>nota rápida: acabo de ver o que resta do The Who, Daltrey e Townsend, no programa do Jools Holland: não tem jeito: nenhuma banda de hoje tem identidade MESMO! A garotada babava! E era pra babar mesmo!)</em></span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Sabem? Vale sempre repetir. Fui criado na sombra do holocausto entre os pingos de Pollock e os “ready mades” de Duchamp e os rabiscos do Steinberg. Isso o <strong>Ivan Serpa</strong> e o <strong>Ziraldo</strong> me ensinaram muitíssimo cedo na vida.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">E&#8230; Haroldo de Campos</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Meu Deus! O quanto eu devo a ele! Não somente o fato dele ter sido o curador dos livros que a Editora Perspectiva lançou a meu respeito mas&#8230; a convivência! E que convivência! E a amizade. Indescritível como o mundo ficou mais chato e menos redondo no dia em que ele morreu. E ele morreu na estréia do meu “Tristão e Isolda” no Municipal do Rio. Haroldo não somente entendia a minha obra, como escrevia sobre ela, traçava paralelos com outros autores e criava, transcriava a partir do meu trabalho. A honra que isso foi não tem paralelos. Por que a honra? Porque Haroldo era meu ídolo desde a minha adolescência. O mero fato de “<strong>Eletra ComCreta”</strong> se chamar assim, era uma homenagem aos concretistas. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Mas ele só veio aparecer na minha vida na “<strong>Trilogia Kafka”</strong>, em 1987. Eu simplesmente não acreditei quando ele entrou naquele subterrâneo do Teatro Ruth Escobar.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Nem mesmo a convivência com <strong>Helio Oiticica</strong> foi uma coisa tão forte e duradoura.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Não posso e não vou nomear todas as grandes influências da minha vida. Daria mais que um catálogo telefônico. Já bato nessa tecla faz um tempo. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Philip Glass</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> dá uma graciosa e hilária entrevista a meu respeito (<a href="http://www.vimeo.com/2988089" target="_blank"><span style="color: #0066cc">http://www.vimeo.com/2988089</span></a>). Dura uns 20 minutos. Nela, ele sintetiza, como se num improviso, tudo aquilo que os scholars e os críticos não conseguem dizer ou tentam dizer com oito mil palavras por parágrafo! Essa entrevista também está no <a href="http://www.geraldthomas.com/" target="_blank"><span style="color: #0066cc">www.geraldthomas.com</span></a> ou aqui em vídeos, no blog.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Meu pai</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> me fazia ouvir Beethoven numa RCA Victor enorme que tínhamos. E eu, aos prantos, com a Pastoral (a sexta sinfonia) desenhava, desenhava essas coisas que, décadas mais tarde (na biblioteca do Museu Britânico) iam virando projetos de teatro. Hoje, com mais de 80 “coisas” montadas nos palcos do mundo, olho pra trás e o que vejo? </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Vejo pouco. Vejo um mundo nivelado por uma culturazinha de merda, por twitters que nada dizem. Vejo pessoas sem a MENOR noção do que já houve e que se empolgam por besteiras. Nem bandas ou grupos de músicas inovadoras existem: vivemos num looping dentro da cabeça de alguém. Talvez dentro de John Malcovich.  E, ao contrário de Prospero, ele não nos liberta para o novo, mas nos condena pro velho e o gasto! Até a China tem a cara do Ocidente. Ou então nos antecipamos e nós é que temos a cara da China, já que tudo aqui é “made in China”.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Sim, encontrei <strong>Samuel Beckett</strong>, montei seus textos, encontrei um monte de gente que, quem ainda não viu, não sabe ou não leu – vá no <a href="http://www.geraldthomas.com/" target="_blank"><span style="color: #0066cc">www.geraldthomas.com</span></a> e se depare com o meu universo.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">E gostaria muitíssimo que vocês entendessem o seguinte: quando comecei minha carreira teatral, a vida, a cena aqui no East Village era “efervescente”. Tínhamos o <strong>Village Voice</strong> e o <strong>SoHo News</strong> pra nos apoiar intelectualmente. A “cena” daqui era multifacetada. Eram dezenas de companhias, desde aquelas sediadas no La MaMa, ou no PS122, ou em porões, ou em Lofts ou em garagens, ou aquelas que o BAM importava, <strong>mas era tudo uma NOVA criação</strong>. <strong>Era o</strong> <strong>exercício do experimentalismo</strong>. Do risco.  E os críticos, assim como os ensaístas, nos davam páginas de apoio.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Além do mais, a minha geração não INVENTOU nada</span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">. Somente levou aquilo que (frutos de Artaud, Julian e Grotowski), como Bob Wilson, <strong>Pina Bausch</strong>, Victor Garcia, <strong>Peter Brook, Peter Stein e Richard Foreman e Ellen Stewart</strong>, etc., haviam colocado em cena. Faço parte de uma geração de “colagistas” (se é que essa palavra existe). Simplesmente “levamos pra frente, com alguns toques pessoais” o que a geração anterior nos tinha dado na bandeja. Mas quem sofreu foram eles. Digo, a revolução foi de Artaud e não da minha geração..</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Portanto, minha geração não fará parte da HISTÓRIA. Óbvio que digo isso com enorme tristeza. Nada fizemos, além de tocarmos o barco e ornamentarmos ele.<strong> </strong></span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Ah, hoje o Village Voice está reduzido a um jornal de sex ads. Sobre os teatros eu prefiro não falar. Quanto aos grupos, 99 por cento deles, não existem mais e nem foram trocados por outros. Só se vê pastiche. É o mesmo que no mundo da música: é o mesmo bate-estaca em tudo que é lugar.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Esse universo está menor que aquele que Kepler ou Copernico ou Galileu descobriram. O Wooster Group aqui fechou suas portas. Muitas companhias de teatro daqui e da Europa fecharam suas portas. E poucos jovens sabem quem é Peter Brook. Esse ano perdemos Pina Bausch e Merce Cunningham e Bob Wilson, o Último Guerreiro de pé, inexplicavelmente, viaja com uma peça medíocre: “<strong>Quartett” </strong>de Heiner Mueller, que eu mesmo tive o desprazer de estrear aqui nos Estados Unidos (com George Bartenieff e Crystal Field) e no Brasil com Tonia Carreiro e Sergio Britto nos anos 80. Heiner Mueller é perda de tempo.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">E Wilson está tendo enormes dificuldades em manter  seu complexo experimental em Watermill, Long Island, aqui perto, que habilitava jovens do mundo a virem montar mini espetáculos e conviver e trocar idéias com seus pares de outros países.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Sim, o tempo semi-acabou.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Mas somente parte desse tempo acabou. E o problema é meu. Como disse antes: <strong>vou tentar sair por aí pra redescobrir quem eu sou.</strong></span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Mas vai ser difícil. Sou daqueles que viu a <strong>Tower Records</strong> abir a loja aqui na Broadway com Rua 4. Hoje a Tower se foi e até a <strong>Virgin,</strong> que  destruiu a Tower, também se foi e está com tapumes  cobrindo-a lá em Union Square. Parece analogia pra um 11 de Setembro? Não, não é. Falo somente de mega lojas de Cds.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Tive a sorte de seguir as carreiras de pessoas brilhantes, ver Hendrix de perto, ou Led Zeppelin, ou dirigir Richard Wagner, e estar na linha de cuspe de Michael Jackson e de assistir ao vivo o nascimento da televisão a cabo, da CNN, da internet, dos emails pra lá e pra cá. Deram-me presentes lindos como grande parte das óperas que dirigi nos melhores palcos das casas de Ópera da Europa.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">São muitas fantasias que a depressão  não deixa mais transparecer. E o que é a arte sem a fantasia, sem o artifício? É o mesmo que o samba sem o surdo e a cuíca! Fica algo torto ou levemente aleijado.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Não, não estou indo embora. Anatole Rosenfeld escreveu: </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 11pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">&#8220;<em>O teatro é  mais antigo que a literatura e não depende dela. Há teatros que não se baseiam em textos literários. Segundo etnólogos, os pigmeus possuem um teatro extraordinário, que não tem texto. Representam a agonia de um elefante com uma imitação perfeita, com verdadeira arte no desempenho. Usam algumas palavras, obedecendo à tradição oral, mas não há texto ou literatura.</em></span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><em><span style="color: #444444;font-size: 14pt">No improviso também há tradição.”</span></em><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Perdi meu improviso. Sim, perdi a vontade de improvisar. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Vou fazer um enorme esforço em me ver de volta, seja via aqueles olhos de Rembrandt ou uma fatia do Tubarão de Damien Hirst. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Óbvio que – na eventual possibilidade de um acontecimento real – eu reapareço por aqui com textos, imagens, etc. Também sem acontecimentos. Pode ser que eu me encontre no meio da Tunísia, numa tenda de renda, e resolva, a la Paul Bowles escrever algo: surgirá aqui também. Então, o blog permanecerá aberto, se o IG assim o permitir. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Sei que estou no início de uma longa, quase impossível e solitária jornada. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">I’ve had the best theater and opera stages of the world, in more than 15 countries given to me. Yes,  I was given the gift of the Gods. No complaints, whatsoever. It has been a wonderful ride. Really has. Thank you all so very much. Thank you all so very very much.</span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Um breve adeus para vocês!</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt"> </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt;text-align: justify"><span style="color: #444444;font-size: 14pt">LOVE</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt"><strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">Gerald Thomas, </span></strong><span style="color: #444444;font-size: 14pt">7 September 2009</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt">______________________________________________________________________________________________________</p>
<p class="ecmsonormal" style="margin: 0cm 0cm 16.2pt">
<p class="ecmsonormal" style="text-align: justify;margin: 0cm 0cm 16.2pt"><span style="color: #000080">Partial translation of the beginning (English)</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="text-align: justify;margin: 0cm 0cm 16.2pt"><span style="color: #000080"><!--StartFragment--></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="color: #000080">MY INDEPENDENCE DAY: Everything to Declare – it’s a long goodbye</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">New York- Dearest ones: I’ve come to a crucial point in my life. Actually, ‘THE’ most crucial to date. A pedestrian crossing without the white stripes, an “Empty Space” cluttered with junk, an asterisk. I’ve been in it for a while and have realized that moaning and groaning from the cradle to the grave simply doesn’t help. So, I made a decision.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">“<strong>Transform the world: Wake up every morning and change the world</strong>”, a soft voice used to whisper into my ear. It was that of Julian Beck, whom I directed in his final show and from whom I learned so much.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Yes,I used to have a vague idea or notion of things. Yet, I can’t find them anymore. Don’t seem capable of even knowing of where they are any longer. All I can see, eyes open or shut, is that self portrait by Rembrandt , hanging in Amsterdam, staring right at me; he at the age of 55 and I at the same age. Him on one side of a timezone/era as if trying to tell me, or as if WE are trying to tell <strong>one another</strong> that my Renaiscence is over, finished, and that I’m dead. Am I dead?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="color: #000080">I can’t go on. And I won’t go on.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Beckett, the one whose universe I’m so very close to, would have said: “<strong>but I will go on</strong>”. Yes, I do realize the necessity of a continuance, continuity, progression, of a forward movement. However, I look around and ask myself (in less than a subtle way…..”<strong>continue what</strong>?” <strong>if I</strong> <strong>haven’t really started anything</strong>!!!! There isn’t – on my turf (or terminology) that much to be continued.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080"><strong>My life on stage, as such, is finished</strong>. And it is so because I have determined that it has perished. I do not believe that our times reflect theater as a whole (or vice versa) and I certainly don’t have the patience to  create the iTheatre, as if it were the extention of the iPhone or the iPod and so on. These miniatures and gadgets of self satisfaction  do, indeed, fit extremely well the decadent present days of, well, self satisfaction. Pardon me for writing in loops but this is a reflection of the times. Or is it?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">But art and creativity? Not at all. If one were to analize, say, this or that person’s last movie or CD or choreography we’ll only come to realize that it has all become a mere  and smaller repetition of what once had the taste of the new and of the, say, “good”.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Of course, it’s known that my dramaturgical option has always been on the dark side. From Beckett to Kafka to my own nightmares…a New York Times critic once wrote “<strong>that I used the</strong> <strong>audience as my therapist”. </strong>So, I decided to opt for putting Freud center stage right in the middle of Tristan in the Rio Opera House. I guess everyone knows what the outcome was.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">What seems strange is that, up to 2003 or, even, 2005, it made sense to put things on stage or to stage pieces. I cannot, for the world, describe with any sort of precision what has changed. But something has.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Of course, needless to say, we are political beings. But this shouldn’t mean that our obsession (as artists) should contain ONE political agenda. Au contraire. If there is something called art, it’s  there precisely to bridge the gaps left over between that which politicians can’t say (or are unable to say) and our need to find ways to survive (by destroying or constructing). Art as metaphor, art as replica, art as illustration or art as protest; art has always required analogies and fantasy between modern man and that of yesteryear.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Daniel Barenboim, who was born Argentinean (but is a citizen of the world) and carries an Israeli passport, found a  way to ‘apply’ his art to the practical, political world. He’s been trying, since 2004, to promote peace between Palestinians and Israelis through music, In his acceptance speech, during the Wolf Prize Cerimony at the Knesset, he said that his life seemed only validated if he could, somehow, liberate those who were confined (Palestinians who were beginning to be surrounded by a WALL built by Israel) and Isrealis alike.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I cannot, would not dare compare myself to Baremboim. But building a theater piece from scratch is far more difficult than opening musical scores and making or motivating an orchestra to play. What we do is ‘original stuff’.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Yeah.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">TEMPORARY LOSS OF MEMORY</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">(allow me to skip a part, please)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I just skipped a part where I quote from a text in a program book of Earth in Trance and Queen Liar. Poetic freedom? Was that it? Or pure boredom? Maybe just a gage or indicator of HOW much I need to tell everyone how LOST I am or where I need to get.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080"><strong>Perhaps I need to get lost for a while in order to find myself again</strong>, as corny as this may sound. I’ve really, seriously lost sense of who I am. No easy thing to say. Yet, I may be living in a bubble of illusion.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I’ve become a slave of this computer and, likewise,  a slave of an immediate political agenda which isn’t even close to my heart, It’s someone else’s, not my own. I do have an enormous knowledge of history. I mean, I am immensely educated in the field of History. Enough so to know that what happens now, today, hardly matters at all, unless one is talking about, say….Obama’s coming to the White House. Well, there’s something!!!!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Yes, I have to get lost in order to find myself again.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">It might be useful to remind you all: I was brought up in the shadows of the Holocaust, amidst drops of paint by Pollock and ‘ready mades’ by Marcel Duchamp….and some drawings and scribbles by Saul Steinberg. I owe this ‘education’, as it were, to two masters: Ivan Serpa and Ziraldo. Both back in Rio.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000080"><!--StartFragment--></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">And there is <strong>Haroldo de Campos</strong>, the inventor of the humans, as Harold Bloom would have put it. Campos is the founder member of the Concrete Poetry movement and my mentor ‘from a distance’ . The guy I always wanted to be. Christ only knows how much I felt when he walked into my theater in 1987 and, later on, curated two books on me, about my work, and wrote, wrote and wrote endless pages about…well…me and my work. Simply unimaginable.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">The world became so much more boring and flat the day he died. And that day happened to have been on the same day when I opened my Tristan at the Rio Opera House. A decade before that I had written one of my first plays, Eletra ComCreta – a play of words in the ‘concrete tradition’ with the myth of Electra and the island of Crete, in the hopes that the poets – Haroldo and his brother Augusto, would storm into the theater. No such luck. It took them, I mean, him (Haroldo de Campos), another year to discover me.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080"><strong>Philip Glass</strong> was kind enough,  gracious enough to grant a wonderful and hilarious interview about me and my work (<a href="http://www.vimeo.com/2988089">http://www.vimeo.com/2988089</a> ). It lasts about 20 minutes and, in it he manages to be funny and brilliant, all at once – as if in a sax solo improv – saying everything (majestically) what scholars and critics have tried but weren’t able to put together in some eight thousand paragraphs, in all these years I’ve been on stage. This Glass interview can also be seen on my site (<a href="http://www.geraldthomas.com">www.geraldthomas.com</a>).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">My father used to place me between two huge loud speakers of a RCA Victor deck  and make me listen to Beethoven. At a very very young age, I’d be in tears, listening to the Pastoral, the 6<sup>th</sup> Symphony – whilst drawing away, almost autistically, on some rough paper, things which, decades later (at the British Museum Reading Room or Library) would become…theater projects.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Today, with over 80 “things” or works having been staged all over the world, I look back and what do I see?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I see little. I see a world flattened by a shitty and mediocre and petty culture (if one can even call it that), punctuated by twitters and facebooks and myspaces and the like, which say little or nothing at all.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I see people without ANY NOTION of what was, of what has been and excited about a much ado of a ridiculously cheap plastic fast food junk overload of info. Yes, that’s what I see? Is there anything I’m missing?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Not even bands or innovative musical groups are there to be seen: it’s all just a bunch of look-alikes of the ones we’ve known for decades: from Hendrix to Zeppelin or The Who and so on.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">It’s almost as if we lived in a sort of looping inside someone else’s nightmarishes head. Contrary to that of Prospero’s head, this one does not liberate us to the ‘new’. It condemns us to the old and used. How nice! Even China looks like the West. Or is that we’ve anticipated ourselves and it’s the other way around: it is us who look like China, since everything we wear and use is made in China.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Yes, I met <strong>Samuel Beckett</strong> (yes, I had this amazing privilege!), staged his prose – some of which, world premiere – in the early eighties. Well, for those who don’t know anything about this period, I urge you to access my site (<a href="http://www.geraldthomas.com">www.geraldthomas.com</a>), and enter my ‘so called’ universe.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Why would I want you to enter my universe? Why would I care? Because when I began my theatrical life, life as such, the scene itself was sparkling, glowing with ingenuity and the wonderful taste of the avantgarde. We had the Village Voice and the SoHo News (amongst others) for intellectual support (or debate) and plays were multifaceted: multimedia and so on. Everything from darkness to brand new monitors were growing on stages.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">There were dozens of theater companies, from the ones based at La MaMa, to the Public Theater, or PS122 or in lofts in SoHo or in garages or, even, imports by BAM.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="color: #000080">But it was all new, a NEW, New form of Creation.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-weight: normal"><span style="color: #000080">It was the very exercise of experimentalism, it was all about taking risks. And the critics? Oh yes, just as most scholars, they stood by us and supported what we did. And what was that, you might ask? Well, that was the ‘tradition’ left by Artaud and Brecht and others.<strong>Furthermore, I regret to say that my particular generation did not invent anything</strong>. All we did was to carry on what the previous generation had given to us on a silver platter.</span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">They were the ones who suffered. They were the ones who really swallowed the bile and digested the undigestible raw material of defiance (Grotowski, for instance). Yes, I’m talking about <strong>Bob Wilson, Pina Bausch, Victor Garcia, Lee Breuer, Peter Brook, Peter Stein, Richard Foreman</strong> and the one who invented it all, <strong>Ellen</strong> <strong>Stewart</strong>.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">That’s right: all we did had been done before.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I’m part of a generation of collage artists, if there is such a thing. Of course, we added a few ‘personal touches’, whatever it was that the previous generation had fed us.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Not enough, I’m afraid. Not enough.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">What does this all mean? Well, regrettably it means that my generation will not be a part of HISTORY. And I say this with an obvious amount of sadness. Sadness and reason. What a weird mixture!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">Today, the Village Voice is but a bunch of sex ads. About the theaters themselves, I’d rather shut my mouth. As for the companies themselves, 99% no longer exist nor have they been exchanged for others. All we see is….</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">(I’m shutting my mouth). It’s very much like the world of music. Can’t you hear the stomping and and repetitive sound of the electronic drums hammering  away into your eardrums the robotic beat of ‘grounding’? Can’t you? Rather, its effect is ‘grinding’.</span></p>
<p><!--StartFragment--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">This universe of ours seems smaller than the one Kepler or Copernicus or Galileo described/saw/envisaged. Many of the theater companies here and around the world have closed for good. The money floating around to subsidize theater is laughable and the audiences are so small, we could take them out to dinner.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">But I will never blame an audience. It is us who are  doing the wrong thing, obviously. Few youngsters nowadays know who Peter Brook is or what he has done. This year alone we have lost Pina Bausch and Merce Cunningham. Bob Wilson, the last warrior standing (inexplicably) is traveling with a mediocre and simplistic play: “Quartett” by Heiner Mueller. I, myself directed the American and Brazilian premiere of this play with the presence of the playwright. I can now say, with a fair amount of certainty, that Heiner Mueller is a complete waste of time.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">But, as it seems, the problem is mine and ONLY mine. As I’ve said before: I’ll try going for a walk around the planet to find who I am. Or, maybe just sit here, exactly where I am now, and come to the same conclusion.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">But it’ll be hard: I’m part of that romantic generation who saw Tower Records open its doors here on Broadway and E4th Street. Today, Tower is gone and even, Virgin (which destroyed Tower) is gone. All Towers are gone.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I’m writing this one day before 9/11. Please excuse all analogies and possible comparisons.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I saw Hendrix from a yard away. I saw Led Zeppelin in their best days, live in London.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I directed the best of Richard Wagner and was with spitting distance of Michael Jackson and am grateful to have witnessed the birth of cable television, CNN, internet and the frenzy of emails flying back and forth.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">I was given incredibly beautiful presents, such as some of the great operas I directed on the best stages in the world (Moses und Aron, in Austria would just be ONE example).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #000080">It’s just….it’s just…so many fantasies that depression has obscured or overcast. I simply cannot see them anymore. And what is art without fantasy or artifice? It would be…well, you got the drift</span>.</p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">No, I’m not leaving. Not really leaving as such. Only leaving “in a way….”</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">Anatole Rosenfeld once wrote:</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">“ The theater is older than literature and, thus, does not depend on it. There are plays which aren’t based on literary texts. According to ethnologists, the Pygmies perform an extraordinary theater, completely void of any text. They are capable of acting the agony of an elephant with a perfect impression, as if it were a true art. They might even use a few words here and there, obeying the oral tradition. But there isn’t a formal text laid out as literature.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">In the improv theater there’s also a tradition”</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">That was Rosenfeld.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">As for me, I’ve lost my ability to improvise. Yes, I’ve lost my desire to improvise.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">I will have to make an enormous effort in….what? In seeing me as myself again as in what I used to be. Why? Because it’s not me what I see when I look in the mirror. It’s a deformity, a hardened version of a self that was,”<strong><em>an aberration of an author as an old man</em></strong>”.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">I will have to make an enormous effort when looking into Rembrandt’s eyes again or, maybe, into a slice of a shark, or the shark in its entirety, by Damien Hirst.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">It’s obvious that, in the event of a real possibility of a news fatality or a tragedy of great proportions (outside of the theater) taking place in our lives or on our planet, I’ll come back to the blog with texts, images, etc.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">Maybe even without such tragedies. It could be that I’ll find myself in the middle of Tunisia, inside a bent tent, and decide, a la Paul Bowles, that it’s time to write. Who knows?</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399">All I can say is that I’m at the beginning of a long, very long and lonely journey.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><strong>I’ve had the best theater and opera stages of the world, in more than 15 countries given to me. Yes,  I was given the gift of the Gods. No complaints, whatsoever. It has been a wonderful ride. Really has. Thank you all so very much. Thank you all so very very much.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><strong><span style="font-weight: normal">Fairwell to you all.</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><strong>LOVE</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><strong>Gerald Thomas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><strong>September 11, 2009</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333399"><strong>(what a date!)</strong></span></p>
<p style="text-align: justify">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p><!--EndFragment--><!--EndFragment--></p>
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		<title>O Dia em Que o Mundo Parou</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Jul 2009 13:34:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gthomas</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
O homem que parou os ponteiros do TEMPO e quebrou os espelhos do mundo.
O “Mundo INTEIRO” diz adeus a Michael Jackson: o maior espetáculo da terra foi a sua morte.
De mais um aeroporto europeu – O funeral de Michael Jackson foi mais um dos grandes espetáculos da terra, levado por quase TODOS os canais de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--[if gte mso 9]&amp;gt;  Normal 0   21   false false false  PT-BR X-NONE X-NONE              MicrosoftInternetExplorer4              &amp;lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&amp;gt;                                                                                                                                            &amp;lt;![endif]--></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;font-family:">O homem que parou os ponteiros do TEMPO e quebrou os espelhos do mundo.</span></strong><strong></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;font-family:">O “Mundo INTEIRO” diz adeus a Michael Jackson: o maior espetáculo da terra foi a sua morte.</span></strong><strong></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;font-family:">De mais um aeroporto europeu –</span></strong><span style="font-size: 14pt;font-family:"> O funeral de Michael Jackson foi mais um dos grandes espetáculos da terra, levado por quase TODOS os canais de televisão e praticamente ocultando o início do encontro do G-8 (que ninguém aguenta mais!!!). Ah, sim: climate change! Aquecimento global. Sorry, crianças. Tarde demais. Estaremos todos sendo FRITOS ou fritados, já que os raios ultravioletas estão nos queimando, via celular, via micro-ondas disso ou  daquilo. Não adianta os táxis dos países do primeiro mundo andarem com um “sticker” dizendo “esse carro anda com combustível CO2 Free”. Entramos na era da destruição mesmo. </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Mas será que tudo isso é verdade?</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Ou será que na época dos grandes vulcões em erupção,  da era do (des) gelo a merda toda já não flutuava rio acima? Enfim, esse é um assunto delicado mais apropriado pros meninos da Greenpeace!</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Michael Jackson continua sendo a maior atração do planeta. Agora, morto, mais ainda do que vivo. Sim, porque quando vivo (e quase branco) era um véu (literalmente) de enigmas. Agora morto, e quase negro, foi reverenciado por todos os ídolos negros possíveis e imagináveis (eu só peguei mesmo a parte de Kobe Bryant e Magic Johnson, onde eles diziam que Jackson havia sido a grande, grande inspiração pra eles, como o “negro” que foi).</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">NEGRO</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Como negro, ele foi um libertador e vanguardista. Tenho visto uns vídeos dele pelo Youtube. Realmente o cara estava além, muito além do seu tempo, em TODOS OS ASPECTOS (favor ler a coluna aqui embaixo “Michael Jackson morreu por excesso de higiene”).</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Mas a intriga, a conspiração que é revelada após a morte de um gênio assim não deixa de ser assustadora, mais que Shakespeariana: os filhos dele não são dele. Os abutres como o pai, são ainda mais abutres.  E ele? Ele se escondia. Escondia-se de tudo e todos e não é à toa. Deus do céu. É só olhar o funeral estatal que recebeu. Será que era isso que queria? Justamente uma cerimônia PRODUZIDA daquele jeito, e justamente pelas pessoas das quais FUGIA a vida inteira. I don’t think so.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">O mundo parou na Terça-feira. O Staples Center em Los Angeles virou uma espécie de Muro das Lamentações de Jerusalém e com razão. O mundo perdeu o seu enorme filho.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Na cerimônia a filha de 11 anos leva a platéia às lágrimas ao dizer que o seu era &#8220;o melhor pai que se pode imaginar&#8221;. Pai? Sim, pai é aquele que cria e não um dermatologista que cuida da pele ou prove o esperma. Entre o palco, em que se revezavam músicos, amigos, e o público, estava o corpo do cantor em caixão banhado a ouro. Isso é uma loucura? Será? Não sei dar a minha opinião sobre isso. Banhar uma pessoa num metal nobre. Mas sei o que é levar uma platéia às lagrimas ou o mundo as lágrimas, pois cá estava eu, aos prantos também,  chorando a morte de Pina Bausch e de Michael Jackson, que NUNCA foi quem ele quis ser.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">E mesmo sem nunca ter sido quem ele quis ser, proporcionou uma enorme alegria e emoção para milhões de pessoas por tantas décadas, inventando, inovando, se mexendo, emocionando, quebrando corações. Frágil do jeito que era (e agora morto), Michael Jackson continua a carregar o mundo nas costas. E nós continuamos pasmos, tristes e boquiabertos com a nossa própria fragilidade e a hipocrisia dos humanos perante a morte em si e a dos outros.</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">Então, estão lá os G-8 ou G-20 ou G não sei das quantas resolvendo o nosso futuro, quando na verdade o nosso futuro é resolvido por emoções. E essas emoções são provocadas ou causadas por seres assim como Michael Jackson que, enquanto vivo era satirizado, sacaneado e perseguido por ser um negro quase branco, um homem quase mulher, um adulto quase criança. Agora morto, será que vão dizer que está quase vivo? Ou será que dirão que os gases letais como esses que produzem o “aquecimento global” também não poderia ter sido evitado se tivéssemos escutado nossos corações ao invés da nossa ENORME GANÂNCIA?</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify">.</p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify">.</p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify">
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify">
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;font-family:">Gerald Thomas</span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify">.</p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify">.</p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify">
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify">
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify"><strong><span style="font-size: 14pt;font-family:"> </span></strong></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify"><span style="font-size: 14pt;font-family:">(Vamp na edição)</span></p>
<p class="ecmsonormal" style="margin-bottom: 16pt;text-align: justify">.</p>
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		<title>Morre Pina Bausch: Essa que todos nós invejávamos e amávamos tanto!</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Jul 2009 06:55:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gthomas</dc:creator>
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São Paulo, quarta-feira, 01 de julho de 2009 






 







 

OPINIÃO 
Nós, do teatro, a invejávamos
Pina Bausch sacaneava o balé clássico e era a &#8220;senhora Beckett&#8221; da dança
GERALD THOMAS

ESPECIAL PARA A FOLHA
 
Meu Deus, o que dizer? Morreu a maior de todas ou de todos. Morreu aquele inventor que todos nós do teatro invejávamos. Sim, esse é o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left"> </p>
<p style="text-align: center"><a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/07/pina.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-10078 aligncenter" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2009/07/pina.jpg" alt="" width="350" height="218" /></a></p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="570">
<tbody>
<tr>
<td align="right"><span style="font-size: xx-small">São Paulo, quarta-feira, 01 de julho de 2009</span> <img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/images/ilustrad.gif" alt="" hspace="10" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="600">
<tbody>
<tr>
<td width="100"> </td>
<td align="right"><img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/images/ilubar.gif" alt="" width="500" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table border="0" width="500">
<tbody>
<tr>
<td width="100"> </td>
<td width="400">
<h2 style="text-align: left"><span style="color: #3366ff"><span style="color: #0000ff">OPINIÃO</span> </span></h2>
<p style="text-align: left"><span style="font-size: large"><strong>Nós, do teatro, a invejávamos</strong></span></p>
<p style="text-align: left"><span style="font-size: large"><strong></strong></span><strong>Pina Bausch sacaneava o balé clássico e era a &#8220;senhora Beckett&#8221; da dança</strong></p>
<p style="text-align: left"><strong>GERALD THOMAS</strong></p>
<p style="text-align: left"><strong></strong><br />
<span>ESPECIAL PARA A FOLHA</span></p>
<p style="text-align: left"> </p>
<p style="text-align: left"><strong>Meu Deus, o que dizer? Morreu a maior de todas ou de todos. Morreu aquele inventor que todos nós do teatro invejávamos. Sim, esse é o termo. Invejávamos, pois Pina Bausch conseguiu reunir com seu visionarismo inacreditável a &#8220;obra de arte total&#8221; (termo criado por Richard Wagner), com poucos elementos minimalistas, duplicados, ampliados até um ponto de erupção, como um vulcão.</strong></p>
<p style="text-align: left"><strong>Sim, seus bailarinos repetiam e repetiam temas obsessivos da impossibilidade entre a relação entre homem e mulher, e a mulher objeto. É claro, Pina sacaneava o próprio balé clássico no qual se formou. Eram horas de cena sobre como fazer um movimento clássico ou exercício de barra. Eram horas sempre lindas e lúdicas, de uma lágrima caindo lentamente de um só olho de uma bailarina e atriz, formada em seu teatro na pequena cidade de Wuppertal.</strong></p>
<p style="text-align: left"><strong>Pina Bausch foi alguém que abriu uma nova página na dramaturgia da dança e do teatro. Tivemos poucos. Muito poucos. Bob Wilson e Tadeuz Kantor e poucos outros construíram um dicionário, um vocabulário reconhecível e imitado mundo afora. Tenho que confessar que assisti a todos os seus trabalhos, desde os mais convencionais, até os últimos, baseados em cidades pelas quais perambulava pelo mundo. Pina está acima do nosso julgamento.</strong></p>
<p style="text-align: left"><strong>Nos últimos tempos, estranhamente, ela estava basicamente trilhando uma espécie de revisitação do que parece ter sido o início da vida e carreira de Bob Wilson (baseado no autismo de Christopher Knowles), usando diálogos desconexos e mais minimalistas do que nunca: &#8220;Posso te amar?&#8221;. &#8220;Nããããoooo!!!&#8221; &#8220;Posso te amar por um dia?&#8221; &#8220;Nããããooooo!!!!&#8221;</strong></p>
<p style="text-align: left"><strong>Pina é Beckett puro. Aliás, os dois se encontraram. É a única coisa que tínhamos em comum. Nos encontramos duas vezes, em turnês comuns pelo mundo, e poucas palavras trocamos. E era sobre Samuel Beckett que falávamos. Pina construiu uma obra gigantesca e monumental.</strong></p>
<p style="text-align: left"><strong>Estou impactadíssimo com a notícia de sua morte. Como todo gênio, será estudada, amada e reverenciada pelas décadas que virão. E aquela lágrima que escorria pelo rosto daquela bailarina? Agora escorre no meu e profundamente. Pina foi a pedra fundamental para toda uma geração (ou várias). Nunca se recuperou da morte do marido. Nunca se recuperou da tragédia da vida, da &#8220;dor do mundo&#8221; que carregava e que está pontuada em sua obra com tanta delicadeza.</strong></p>
<p style="text-align: left"><span><strong>GERALD THOMAS</strong> é autor e diretor de teatro.</span></p>
<p style="text-align: left">Saiba mais sobre essa mulher GENIAL</p>
<p style="text-align: left">(da Folha de São Paulo)</p>
<p style="text-align: left">A grande dama da dança-teatro, a alemã Pina Bausch, morreu ontem pela manhã, aos 68 anos, na cidade de Wuppertal, onde dirigia sua companhia, o Tanztheater Wuppertal. A morte da coreógrafa foi divulgada em nota do próprio grupo, segundo a qual, na semana passada, Bausch teria sido diagnosticada com câncer. Ela subiu ao palco pela última vez há dez dias, no dia 21, como sempre para agradecer os aplausos com sua companhia.Com personalidade forte, Bausch seguia todas as apresentações do grupo e controlava todas suas ações. Dessa maneira, fica difícil saber o futuro do Tanztheater Wuppertal, mesmo se continua agendada a vinda do grupo a São Paulo, em setembro, com o programa histórico &#8220;Café Müller&#8221; (1978), peça que sempre teve a presença de Bausch, e &#8220;A Sagração de Primavera&#8221; (1975).&#8221;Pina Bausch é a mãe da dança contemporânea&#8221;, disse certa vez o coreógrafo Alain Platel, diretor do grupo belga Les Ballets C. de la B.. De fato, no século 20, poucos coreógrafos foram tão influentes como como Pina Bausch.</p>
<p style="text-align: left">Enquanto a dança norte-americana, com nomes como Trisha Brown e Lucinda Childs, seguiam uma linha formalista, com a qual Bausch também teve certa identidade, já que estudou nos Estados Unidos, entre 1958 e 1962, ela pode ser caracterizada como uma coreógrafa com marca profundamente humanista: &#8220;Não me interesso em como as pessoas se movem, mas o que as movem&#8221; é uma de suas mais representativas falas.</p>
<p style="text-align: left">Com isso, Bausch ampliou as fronteiras da dança de forma tão radical que tudo passou a ser permitido: dançar deixou de ser uma técnica para que qualquer movimento fosse admitido como dança.</p>
<p style="text-align: left">Para criar suas peças, a partir de 1973, quando foi contratada pelo Teatro de Ópera de Wuppertal e de onde nunca mais saiu, Bausch levou seus bailarinos a situações de risco.</p>
<p style="text-align: left">Em geral, treinados no balé clássico, para socorro imediato, especialmente após quatro horas de espetáculo sobre água. Nos primeiros anos, muitos bailarinos se recusaram a trabalhar com Bausch. Nos últimos anos, suas audições eram frequentadas por centenas de candidatos.</p>
<p style="text-align: left">Com o público não foi diferente, em suas primeiras peças, as pessoas saiam do teatro batendo as portas em sinal de fúria. Atualmente, ingressos para a companhia de Bausch se esgotam rapidamente, em qualquer lugar do mundo. Para Bausch, o palco não deveria ser um lugar protegido, mas tão difícil como a própria vida. Além do mais, o próprio limite entre palco e plateia sempre foi questionado em seus espetáculos. Em todos eles, seus bailarinos interagem com o público, servem café ou vinho, os abraçam, mostram fotos.</p>
<p style="text-align: left">Ao contrário da dança clássica, eles não incorporam papéis definidos, eles sempre se chama Düsseldorf, a poucos quilômetros de Wuppertal. A dança-teatro de Bausch, aliás, sempre teve um caráter performático: no palco, os bailarinos comem cebolas inteiras, escalam altos muros, penduram-se em cordas, escorregam na água. Difícil um espetáculo de dança contemporânea que não tenha alguma marca do Tanztheater Wuppertal.</p>
<p style="text-align: left">As temáticas de suas primeiras peças, especialmente nos anos 1970 e 1980, costumam ser vistas como muito intensas e deprimentes, enquanto sua fase mais recente tem sido vista como mais superficial e alegre. Bausch justificava essa mudança de forma muito direta: &#8220;A questão é do que precisamos hoje. Estamos num momento terrível, tenebroso, sério e assustador. Então, procuro dar um pouco de balanço, compensação para tudo isso&#8221;.</p>
<div style="text-align: left"><span><br />
</span></div>
<p style="text-align: left"> </p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: left"> </p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Círculo se Fecha!</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Sep 2008 21:02:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gthomas</dc:creator>
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Voltar para casa é sempre um alívio. Digo isso a cada 3 semanas e chamo Nova York de &#8220;casa&#8221; (e sempre foi),  assim como chamo Londres de “casa”, assim como chamarei, logo,  logo,  um assento numa canoa, fugindo de um furacão, de “casa” (Aliás, obrigado, supervisor de vôo da &#8220;JAL&#8221;, pela troca de assentos na última [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--StartFragment--></p>
<p class="MsoNormal"><span><strong></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong><span style="font-weight: normal"><span><strong></strong></span></span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong><span style="font-weight: normal"><span><strong></strong></span></span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong><span style="font-weight: normal"><span><strong>Voltar para casa é sempre um alívio. Digo isso a cada 3 semanas e chamo Nova York de &#8220;casa&#8221; (e sempre foi),<span>  </span>assim como chamo Londres de “casa”, assim como chamarei, logo,  logo,<span>  </span>um assento numa canoa, fugindo de um furacão, de “casa” (</strong></span><span><strong>Aliás, obrigado, supervisor de vôo da &#8220;JAL&#8221;, pela troca de assentos na última hora</strong></span><span><strong>). Para vocês que voam de &#8220;TAM&#8221; e não sabem o que é cortesia, experimentem voar pela &#8220;JAL&#8221; (não, isso não é jabá, pago <em>full fare</em> em <em>business</em>, mas agradeço gentileza e ataco os rudes, os brutamontes do ar quando merecem ser atacados.)</strong></span></span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Olhando fotos dos retirantes de Louisianna, esses seres que escaparam do Gustav e que escaparão de vários outros desastres naturais e artificiais, como guerras, insurgências, minha mente atravessa vários emails não respondidos aqui no computer e a geladeira sobrecarregada de produtos orgânicos da WholeFoods&#8230; mas por que digo isso? Ah sim, ainda me fixo no artigo dos Caretas! Cidades caretas, cidades JOVENS, dominadas por jovens e com JOVENS saindo pelos poros da imaginação!</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Esqueçam os autores MORTOS!</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>ESTAMOS VIVOS.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Não custa esquecer um pouco, por um tempo (digo, um respiro) os &#8220;CRÁSSICOS&#8221;! Estão nos levando a Ground Zero! Se formos investigar ou querer investigar o CÍRCULO das coisas semi-vivas, saibam que existe em MUNIQUE um dos mais belos ambientes do mundo, digo isso porque VIVO LÁ: a GLYPTOTHEK (entrem no Google e descubram, que não aguento mais descrever essa maravilha semi-morta, greco-romana)</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Esquece! Esquece!<span>  </span>Passei minha vida inteira<span>  </span>tentando comparar culturas, tentando explicar uma cultura para outra, tentando explicar para os meus tios que no Rio não tem elefante andando na rua. E riem. Tento, até hoje, dizer que em NY se anda tranqüilamente às 4 da madrugada sem olhar para trás de MEDO e&#8230; riem!</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>O círculo se fecha!</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Guerras entre críticos e músicos e artistas de palco ou de telas penduradas em museus.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Tudo muito triste, mas a verdade é que o círculo se fecha e o mundo responde via Blogs.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Saudades imensas de pessoas como João Candido de Galvão. Meio pé-na-merda, meio pé-na-imprensa. Mas sabia das coisas. Era relacionado a Oswald de Andrade, não sei bem como.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>A última vez em que nos vimos foi no aeroporto &#8220;Charles De Gaulle&#8221; (acho). Me contou que havia sido assaltado na Ipiranga com São João. Já estava bem fraco do coração. Nós nos amávamos. Era um amante da obra de Robert (Bob) Wilson e falava dele com paixão. Paixão que poucos possuem quando falam de arte hoje.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Por que a arte hoje não é discutida com paixão mesmo quando se discute o iluminismo ou, digamos, os impressionistas? Estranho! Não sinto paixão por Jackson Pollock. Tenho um amor frio por ele. Tá certo! Mas tenho uma paixão FORTÍSSIMA pela obra de Duchamp e pela obra de Steinberg e a de Francis Bacon e Vik Muniz (que encontrei ontem vindo pra cá).</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Digo, morro de paixão por Pina Bausch, e João Candido sabia corresponder essa paixão quando fez a crítica de “Quatro vezes Beckett” – em 1985 – no &#8220;teatro dos 4&#8243;, no Rio. Também soube meter o pau em “Carmem Com Filtro”, obra ruim, que construí pro Fagundes em Sampa, em 86. Mas fiquei quieto.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Tem artista que esperneia até hoje: sim, mandei a Bárbara Heliodora morrer. Mas isso é um capítulo à parte: ela queria que eu morresse, que meu teatro morresse e atacaou a Nanda. Eu simplesmente fechei o ciclo. Anos depois, digo, hoje, outro círculo se abriu. Dona Bárbara e eu nos damos bem. Ela gosta ou desgosta de alguma obra minha, mas ela dá de DEZ a ZERO em Ben Brantley ou no Christopher Isherwood, ambos do New York Times (nova velha geração), os pré-pretensiosios que chegaram há alguns anos quando Frank Rich e Mel Gussow saíram.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Ah, a crítica! Não vivemos com ela. Não vivemos sem ela.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>O que dizer de tantos novos atores e atrizes de hoje? Não se pode mais MASTIGAR em público, digo, mastigar mesmo (boca entreaberta ou não), como num desses &#8220;FREVINHOS&#8221; da vida (restaurante na Oscar Freire que deveria ensinar aos russos e polononeses como se fazer um bom strogonoff). “<em>Ai, que nojo</em>, <em>Gerald!”</em>  Zé Celso está de parabéns por ter RESISTIDO à caretice dos tempos. (Te admiro Zé, e você nem sabe o quanto!)</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>“NOJO&#8221;?</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Artista de teatro sente &#8220;nojo&#8221;?</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Caramba! Eu não sabia disso, com 30 anos ou mais de teatro, se levando em conta &#8220;Verbenas de Seda&#8221;.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>“<em>Um pé na merda e outro outro na lama</em>” - dizia Grotowski. Frase inesquecível para uma cultura inesquecível. Sim, cheguei em casa.<span>  </span>E, ao ler o Times, leio as páginas de cultura que há anos não saem do mesmo tema: parecem até terem entrado no próprio labirinto metalingüístico da mesmice e da loucura: ELSINOR!</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Palavras, palavras, palavras!</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Fecharam o círculo.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Só dá peça de Shakespeare ou peça de Beckett!</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Parece até que Hamlet fará o &#8220;Krapp’s Last Tape&#8221;. Haja &#8221;Quantum Leap&#8221; pra tantum, digo, pra tanto!</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Não podemos ficar falando ou repetindo e repetindo momentos da cultura do passado! Não podemos. TEMOS que FALAR pra FRENTE, custe o que custar.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Aqui na parede, enquanto eu escrevo, de vez em quando eu levanto os olhos e dou de cara com fotos num painel avacalhado: Beckett e eu; Julian Beck e eu; eu espremido entre Haroldo e Augusto de Campos. Deus do Céu! Quase toquei nas mãos de Joyce. Eu disse &#8220;quase&#8221;.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Estou fechando o meu círculo.</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Custe o que custar!</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>Gerald Thomas</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span><strong>NY, 2 September 2008</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">PS: a &#8220;CLARO&#8221; boicotou meus recados e minhas ligações durante minha estada no BR. Três delas foram pro Alberto GUZIK, ex-crítico , futuro &#8220;UM CRÍTICO&#8221;, sempre um tremendo apaixonado.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #0000ff">EXTRA EXTRA</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">BUSH NÃO FALA DIRETAMENTE À CONVENÇÃO REPUBLICANA!</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">FALA RAPIDAMENTE VIA SATÉLITE: razão indireta = hurricane Gustav (que já passou, hoje, terça).</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">Razão real: a BAIXÍSSIMA popularidade de Bush!</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">(Vamp na edição)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><span style="color: #333399">Comentário belíssimo de</span>:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><cite><strong>Enviado por:</strong> Tene Cheba</cite>Ciclos, uma possante palavra, ciclos existenciais, das estações, ciclo sexual, das chuvas, da neve, do amor, da dor.O ciclo é foda, quando não está em pi, está em e, ou o número Euler, dá no mesmo, só para esclarecer. A vida, a morte, a desesperança, o futum, o bode que não sai da sala, teima em ficar.O Artista é dono de um ego compelxo, anormal, ele não entende o seu público, odeia esta dependência, seu maior pavor é saber que sua arte será impiedosamente julgada, por anônimos, esta ansiedade danifica sua existência, o gozo nunca vem.Ser Crítico, o perfeito embasamento para não se acreditar em Deus, ninguém merece, nem eles, coitados, o destino furioso não lhe concedeu o talento, apenas o poder platônico de amar os filhos dos outros, uma paulada que dói.Mas tem o povo, incapaz de captar uma Tela, de entender um texto, de abstrair o feio, o belo e o trágico, não existe competência na fome, não existe arte na fissura, nas dívidas, no ônibus, nas quatro horas de viagem, entretanto amam seus escolhidos, seus eleitos. O meu círculo está em pi sobre quatro, faltam ainda três pi sobre quatro para ele se fechar.Um gênio não deveria perder o seu sentido, não deveria acumular, apenas fluir, chorar, ri, mas nunca se ausentar.Nova York-São Paulo, ou, excessivos contrastes perturbam.Melhor comer uma maçã.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">e de&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><cite><strong>Enviado por:</strong> Manu</cite>Eles pairam sobre nós, vivos ou mortos, sempre nos acompanham e permanecem vivos no mais profundo mistério de nossas mentes, não blasfeme, não chore, ilumine-se com a palavra que está em tua boca, que está em nós, que está em tua morada, que está na tua mãe, no teu pai, no teu filho , na tua amada, no teu céu , no teu quarto escuro, na tua janela aberta, no ar que você respira, não pare nunca de dizer a palavra que nos redimirá de nossos erros, de nossos fantasmas, de nossos desejos, de tudo que não é, de tudo que é e será, de tudo que não faz sentido, de tudo que deve morrer, de tudo que deve viver, de tudo que deve florecer nesta estação.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">do Mau Fonseca</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><cite><strong>Enviado por:</strong> Mau</cite>BEETHOVEN quando terminou a NONA teve de escutar os criticos alemães falarem que sua Nona era uma BOSTA.</p>
<p>Ainda bem que ele ja estava totalmente surdo.</p>
<p><!--EndFragment--></p>
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		<title>Parte 6 da BlogNovela – a primeira novela pela internet</title>
		<link>http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/2008/07/03/parte-6-da-blognovela-%e2%80%93-a-primeira-novela-pela-internet/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 Jul 2008 02:12:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana</dc:creator>
				<category><![CDATA[BlogNovela]]></category>
		<category><![CDATA[All Strange Away]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Anysio]]></category>
		<category><![CDATA[Flip]]></category>
		<category><![CDATA[Grotowski]]></category>
		<category><![CDATA[Imagination Dead Imagine]]></category>
		<category><![CDATA[Janete Clair]]></category>
		<category><![CDATA[Law & Order SVU]]></category>
		<category><![CDATA[Medical Examine]]></category>
		<category><![CDATA[Natasha Kinsky]]></category>
		<category><![CDATA[pane na telefônica]]></category>
		<category><![CDATA[Pina Bausch]]></category>
		<category><![CDATA[Samuel Beckett]]></category>

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		<description><![CDATA[Telefônica em Sampa interrompe comunicação e cria confusão entre o elenco e autor/diretor.Elenco dividido fica perdido entre pedir desistência ou ir prá Flip, e assistir os Fractados Fragmentos Beckettianos de Peter Brook.
Existem ainda aqueles que insistem em dar um pulo em Bogotá pra abraçar a Ingrid Betancour.

Gerald – Loucura tudo isso.
Lucio Jr – Numa hora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Telefônica em Sampa interrompe comunicação e cria confusão entre o elenco e autor/diretor.Elenco dividido fica perdido entre pedir desistência ou ir prá Flip, e assistir os Fractados Fragmentos Beckettianos de Peter Brook.</p>
<p>Existem ainda aqueles que insistem em dar um pulo em Bogotá pra abraçar a Ingrid Betancour.</p>
<p></strong></p>
<p><strong>Gerald </strong>– Loucura tudo isso.</p>
<p><strong>Lucio Jr </strong>– Numa hora dessas é preciso manter ….</p>
<p><strong>Helen </strong>– Quero ir ver o Tom Stoppard em Paraty!</p>
<p><strong>Gerald </strong>– Pois é, uma das melhores peças dele ninguém menciona: “Every Good Boy Deserves Favour”</p>
<p><strong>Rio Maynard </strong>– Teu inglês não tá errado? Não é “A” favor”?</p>
<p><strong>Gerald</strong> – Ai, meu saco! Não, não está. Com Beckett é “All Strange Away” ou “Imagination Dead Imagine” ou “For To End Yet Again”. Mas não vou entrar…</p>
<p><strong>Vamp</strong> – Que nome estranho esse teu, Rio. Nada feminine.</p>
<p><strong>Rio </strong>– Mas nessa escuridão, quer me apalpar? Se você conseguir me achar, eu deixo.</p>
<p><strong>Vamp</strong> – Meu negócio é o pescoço!</p>
<p><strong>Rio</strong> – Sabia. O negócio é patológico.</p>
<p><strong>Gerald </strong>– Stoppard espalhou atores no meio de uma orquestra no meio do Royal Festival Hall, era Every boy deserves favour, com “u” que é como se soletra na Inglaterra.</p>
<p><strong>Patrick Grant</strong> – Let the boys go see Brook doing the old Beckett tricks. It won’t hurt. (switching para português….. <strong>parte do elenco concorda</strong>: “Queremos ir ver o Peter Brook encenando os Fragmentos fragmentados de Beckett em sua simpliciade única, a última consequência e levados à secura e essência quase que como no   ? Nu descendo a escada” de Duchamp”</p>
<p><strong>Gerald</strong> – Nossa!</p>
<p><strong>Lilian</strong> – Acho o orgasmo uma mentira!</p>
<p><strong>Carlos </strong>– (a voz vem de algum lugar, provavelmente do PA) “Estarei me comunicando por ondas curtas, ou seja, mensagens perdidas no rádio e cheias de chiado. Postei uma mensagem invisível no blog antigo e extinto do UOL agora mesmo. A página aceitou a mensagem normalmente e portanto comprova a existência de mais um limbo na Terra.</p>
<p><strong>Valéria </strong>– Fuck! Eu não fui pra South Beach! Eu não fui pra South Bitch! Como junkie da história, ofereço uma bebidinha pro Vamp. Aí a gente tranca ele no camarim. Agora só vai faltar um ganso. Se não arrumarem um ganso, o Fábio compra uma galinha e alguém faz o bico de papel machê.</p>
<p><strong>Gustavo </strong>– Êpa! Esse texto é meu. Vim de longe. Esse texto é meu.</p>
<p><strong>Gerald </strong>– Ih meu deus! Acho que vou ter que dar um “restart” no meu computador. Voltamos a um capítulo anterior.</p>
<p><strong>Vamp </strong>– Não, não voltamos. É que você está esquecendo do defunto aqui. Não está deixando a Dra. Paloma fazer a autópsia porque a Ana Carolina duvida que…. bem, ela acha que, bem…ela diz que “morreu, morreu, pra que precisa de autópsia?”.</p>
<p><strong>Paloma </strong>– Verdade Vamp. Não haveriam Médicos Legistas, não haveria o tal chamado “Medical Examiner” ou “Coroner” e nem aquela série antiga Quincy com o Klugman, aquele do “Odd Couple”, junto com o Tony Randall, baseado naquele…</p>
<p><strong>Vamp</strong><strong> </strong>– Quincy Jones, claro! Era casado com aquela “gata”, a Natasha Kinsky!</p>
<p><strong>Sandra</strong> – Cruzes! Ela “fazia” sexo com o próprio pai, o Klaus.</p>
<p><strong>Gerald </strong>– Taí, um assunto que me interessa.</p>
<p><strong>Sandra</strong> – Perverso! Também vou pra Paraty.</p>
<p><strong>Gerald</strong> – Mas isso aqui é uma investigação profunda sobre o ser humano: volto ao que Grotowski disse: Tem que se ter um pé na merda e outro na lama.</p>
<p><strong>Sandra</strong> – Nojo! Minha amiga voltou do Rio cheia de furos de balas perdidas. Um horror. Ainda tenho que aguentar isso que você diz.</p>
<p><strong>Gerald</strong> – Sandra, mas o teatro é isso…</p>
<p><strong>Sandra</strong> – não fala comigo agora, estou sensi…</p>
<p><strong>Vamp </strong>– Ouve o Gerald querida, ele sabe o que…</p>
<p><strong>Sandra</strong> – Me deixa, eu não sou Miami! Presta atenção na morta. Raiz(50%)vivo+raiz(50%)=morto. Pronto</p>
<p><strong>Fabio</strong> – Nossa Sandra quântica! Não quer saber de se aprofundar no ser humano! Eu acho isso ÓTIMO Odete. Você deve estar horrorizada, né? Não tem coragem de sair do seu escondenrijum! Eu vou é animar aquela Colômbia com a Festa que taum dando pra Ingridi Betancour.</p>
<p><strong>Andrea N.</strong> – Eu vou é pro deserto, dar um tempo! Chega de teatro. Entrou um tal de Plinio mal educado. Ih, recalcado…tadinho.</p>
<p><strong>Helen </strong>– Acho que eu atraio esse tipo de gente com as minhas orações!</p>
<p><strong>Ruben</strong> – Gerald, esse texto tá muito muito grande! Pombas!</p>
<p><strong>Gerald </strong>– É uma versão enxugada de Guerra e Paz, não, desculpa, é de Crime e Castigo. Você achou grande? Peraí. O Guzik sumiu. Patrick are you still with us?</p>
<p><strong>Patrick </strong>– I am, indeed.</p>
<p><strong>Gerald</strong> – And Ellen, are you there?</p>
<p><strong>Patrick</strong> – I think (if I&#8217;m not mistaken) that she had better things to do, dude. Sorry to have to tell you that.</p>
<p><strong>Gerald</strong> – Fuck! It&#8217;s just fine Patrick, just FINE. Tomorrow is Independence Day right? I Love this date….and being that we live at…never mind… And Gustavo, e você?</p>
<p><strong>Gustavo</strong> – Paciente né? Como um bom ator.</p>
<p><strong>Gerald </strong>– Paloma, é o seguinte: por favor, com muita calma, muita calma mesmo, comece a fazer a autópsia do defunto. Daqui a pouco, quando a luz voltar, eu ligo a câmera e faço uma conexão com o Tas, e com a Flip, e a gente faz a primeira AUTÓPSIA pós-moderna, iconoclástica, ao vivo, de uma traveca…</p>
<p><strong>….Elenco murmura “nossa que mudernu..que antrupufagicu…qui antroposoficu quicumanicu.”</strong></p>
<p><strong>Gerald</strong> – ….e transmite ao vivo pro Stoppard ver. Logo pra ele que não nos conhece, mas que escreveu “Dirty Linen” e “Jumpers” e tantas outras coisas geniais….vai ver um BAFÔMETRO sendo extraído pouco a pouco.</p>
<p><strong>Lilian</strong> – Pouco a pouco, isso vem, vem…. Pouco a pouco, ooops. Sorry!</p>
<p><strong>Gerald </strong>– Pouco a pouco surgindo de um morto ou morta. Isso, sim, será um triunfo do teatro pós-pós-pós-pós moderno, mais que (nomes me faltam) mais que (palavras me faltam).</p>
<p><strong>Ruben </strong>– Tchecov?</p>
<p><strong>Gerald </strong>– Porra, nao me sacaneia.</p>
<p><strong>Vamp</strong> – Durrenmat?</p>
<p><strong>Gerald</strong> – Pombas!</p>
<p><strong>Gustavo </strong>– Uma leitura de Heiner Mueller sobre Janete Clair, lida pelo Chico Anysio! Chamem a Olivia Benson da Law &amp; Order SVU! O Gerald vai cometer um estupro aqui na morta!</p>
<p><strong>Gerald </strong>– Saco, vocês! Ah, já sei. Mais pós-moderno que a Pina (Bausch) provando que o Tanztheater não existe mais na Kulturwelt, e que Adorno está de fato um trapo dentro das…</p>
<p><strong>Elenco – Pára com isso, G! Voce não vê que a Paloma já cortou metade do corpo, e encontrou uma carta endereçada a VOCÊ?</strong></p>
<p>(Gerald, a luz de uma única vela – um lux – se aproxima da carta e do cheiro inácreditavel de morte, e lê as seguintes palavras….<strong>”You are trapped”</strong>. Depois percebe que adiante tem um <strong>“S”</strong> isolado que, colocado na frente da palavra piora ainda as coisas. <strong>“You are Strapped”</strong>)</p>
<p><strong>Gerald</strong> (acordando numa cama de hospital numa Ilha do Caribe, com o elenco em volta) – Who am I? Who are you? What am I doing here?</p>
<p><strong>Gerald</strong> – Fabi? Ana Carolina? Cacá? Pancho? Cláudia? André? Fabi? Ana Américo? FDR? FDR Drive? Rosemarie? Frau Schneider? Raul? Holcer? Hey! Hello? Hello?</p>
<p><strong>O Pesadelo começa de verdade. Tudo até então era mentirinha. Estamos em Trinidad e Tobago, num hospital de…Pânico momentâneo e caribenho. Muitos morcegos sobrevoam o hospital berrando “Frase da semana” “Farsa da semana” “Frase da semana” Gerald tapa os ouvidos. Entra em semi-coma.Não percam a parte 7 da BlogNovela, a primeira novela da internet.</p>
<p></strong></p>
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