08/06/2009 - 09:05
New York- Não me sentindo muito bem, me ponho a escrever como se fosse uma disciplina. Ainda saudoso, triste e inconformado pela morte do amigo e maestro Silvio Barbato no vôo da Air France (hoje, domingo, a CNN informa que recuperararm 17 corpos), me pego vendo a Fórmula 1, em Istambul. Nossa! Desde que Ayrton Senna morreu, nunca mais vi uma Fórmula 1. Fora o Barrichello (que parece uma eterna luta pra ser um Barrichello, mas fazer o quê? Ele não é um Barrichello!), o resto é um bando de nomes que não reconheço.
Mas durante essa semana aconteceu o imprevisível, o impalpável, o mais chocante: enquanto o Presidente Obama já estava em Buchenwald (campo de concentração perto de Weimar), o ex-vice Dick Cheney finalmente confessou que não tínhamos que invadir o Iraque mesmo e que não havia nenhuma ligação entre Saddam Hussein e Osama Bin Laden.
Nossa! Barichello deu uma escorregada na pista, virou 360 graus e retomou a corrida. Parece estar um enorme calor na Turquia.
Querem saber de uma coisa? Eu estou completamente de saco cheio de jornalistas ou blogueiros que se metem a comentar discursos do Obama ou sua política externa sem JAMAIS terem colocado um pé aqui. Sem JAMAIS terem trocado uma, duas ou três palavras com os paquistaneses, indianos, sírios ou alguém REAL e de alguma dessas tribos (sunitas, xiitas, etc.). Todo motorista de táxi aqui é de uma dessas tribos, o que torna a viagem, no mínimo, interessante! Ou duas em cada dez pessoas em NY são do Oriente Médio. Escrevem através de teorias ou (sei lá!) ideologias! Isso é jornalismo? Ou partidarismo? Partidarismo, óbvio! Não sabem fritar um único ovo, mas sabem TUDO sobre culinária! Não me aborreçam!
Não acredito em nenhum deles. Apesar de eu ser membro aqui do Partido Democrata Americano, mantenho a cabeça cool. E sei que a visita de Obama ao Cairo, por exemplo, foi uma “mão estendida”, sim. Falou “presidenciavelmente”, falou numa nova linguagem. Uma linguagem que os islâmicos pudessem entender. E, ao mesmo tempo, dias antes, Benjamin Nataniahu esteve aqui, e sua determinação por Israel é firme: basta ver seu time: Rahm Emmanuel chegou a ser do Exército Israelense em sua juventude. Hoje o Líbano tem suas eleições, vamos ver: talvez o senso comum faça com que o Hesbolah saia de cena. Quem dera!
Talvez os velhos rancorosos não gostem da estratégia de Obama. É por isso que gente como o Rush Limbaugh (um porco!) e gente da liga dele estão chafurdando na lama da mentira de guerras inventadas que nada consertaram e só pioraram a imagem dos USA e matam MILHARES de pessoas.
E agora?
E agora, quem teve o prazer de ver a série de Brian Williams (NBC) sobre a intimidade dentro da Casa Branca, viu também a disciplina, a tensão, a ENORMIDADE de trabalho que é lá dentro. Não sei como o homem (Obama) agüenta.
No que diz respeito a uma aproximação PACÍFICA com o Islã, a coisa é clara: enquanto George W. Bush não sabia onde era a POLÔNIA em seu segundo dia de governo (e isso é sério, não sabia mesmo!), Obama é mestre em História. E foi uma aula de história que ele deu no Cairo.
Não somente por que, quando criança, morou na Indonésia e conhece a religião de perto e entende as diferenças entre um bando de terroristas e uma enorme população pacífica, mas porque está traçando uma estratégia de paz que faz a Ângela Merkel (Alemanha) não conter as lágrimas.
Chega de Fórmula 1. Está me dando enjôo! Tá vendo? Eu pessoalmente não agüento, mas não critico quem agüenta: torço pelo Barrichello, óbvio!
É um absurdo escrever através de teorias, de longe, via agência de notícias ou ideologias. Jornalismo deveria ser algo “experimentado”. Deveria se colocar os pés aqui ou em países árabes. Os jornalistas mais “da antiga” faziam isso.
Os que vivem atrás de um microfone se entupindo de Oxy-Contin ou atrás de um computador expelindo seu veneno, nada fazem além de conseguir uma pequena legião de… De que mesmo? Pensem bem, de que mesmo?
O Presidente eleito chama-se Barack Hussein Obama. Prestem atenção no que ele diz e como ele diz o que diz. E prestem atenção no que disse na Normândia, por exemplo! E pensem também no que confessou Dick Cheney: que nada tínhamos que invadir o Iraque.
“E que com o Iraque, perdemos muita força no Afeganistão”. Enfim, esse é somente um dos desastres que Obama agora herdou.
Nossa! Voltei à Fórmula 1. Muitas derrapagens! Muita troca de pneus. Odeio as câmeras que ficam dentro dos carros: deixam-me tonto, treme tudo.
Falam num tal de Button. Nunca ouvi falar.
Existem muitos mundos nesse mundo.
Mas os islâmicos estão aí. Essa “arabada”, como se costuma falar, está aí. Aliená-los não é, de forma alguma, uma boa! Integrá-los é a ÚNICA maneira! ÓBVIO! Assim, se afastam os Al Qaedas da vida! É como na década de 50, quando os porto-riquenhos invadiram Nova York. Hoje são parte integral da cidade. Os separatistas da época ficaram sem voz. Sem ar.
Isso me levaria, naturalmente, a falar sobre Sonia Sottomayor, a Juíza latina (mulher brilhante), nomeada pelo presidente para Suprema Corte, filha de porto-riquenhos. Mas isso é para um outro post!
Mas os carros estão derrapando, o Dick Cheney me fez vomitar, já não me sinto muito bem, pois hoje completaremos uma semana do desastre da Air France e nada. O mundo gira. A pomba gira.
A Lusitana nada. A Lusitana já parou de rodar faz tempo!
Nada como uma corrida dessas numa cidade linda como Istambul pra… Mas quantos de vocês sabem algo sobre Istambul? Quantos sabem sobre as fronteiras mais perigosas do mundo, onde o Al Corão pode ser interpretado de uma forma tão deformada que a paz pode significar a paz depois da morte de um desses loucos homens-bombas e, portanto, as entrelinhas do terrorismo são tênues. São frágeis como uma obra dramática de Tchecov, como “Tio Vanya” onde um mundo invade o outro. E baseado nessa fragilidade, um tempo entrando no outro, nessa entropia, Obama faz seus planos de CHANGE.
Não estamos nem na terceira cena do primeiro ato ainda: calma! Muita calma com as críticas. A Fórmula 1? Essa tem a largada e a faixa da chegada. Muita luta, muita gasolina, mas é simples, não? Merda: esse Button venceu. Eu torcia pelo Barrichello.
Gerald Thomas
(O Vampiro de Curitiba na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos, release
Tags: Afeganistão, AL QAEDA, Ângela Merkel, Barack Obama, Benjamin Netaniahu, blogueiros, Brian Williams, Buchenwald, Cairo, Dick Cheney, Fórmula 1, George W Bush, Hesbolah, ideologia X jornalismo, Istambul, jornalistas, Líbano, NBC, NY, Oriente Médio, Osama Bin Laden, Partido Democrata, Polônia, Rahm Emmanuel, Rubinho Barrichello, Rush Limbaugh, Saddam Hussein, Silvio Barbato, sunitas, Tchecov, Tio Vanya, Turquia, USA, Weimar, xiitas
04/09/2008 - 10:57
Por: O Vampiro de Curitiba
Já discutimos, aqui no Blog, sobre deus, sobre açaí, sobre arte, sobre… O que mais está faltando discutirmos? O próprio “discutir”. O ato de opinar. Sim, caro leitor e comentarista, chegamos a esse ponto!
Nestes tempos de ataques contra a privacidade, ataques estes possivelmente desferidos por órgãos do Governo (e que deveriam ser órgãos de Estado), com gravações de conversas telefônicas até do Ministro do Supremo Tribunal Federal, passou meio que batido um assunto tão ou ainda mais importante: a liberdade de expressão.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) acabou de manter as restrições ao uso da Internet para divulgação e expressão de idéias no período eleitoral negando a concessão de uma liminar em um mandado de segurança promovido pelo Portal IG no dia 15 de Agosto deste ano. O TSE iguala, desta forma, a Internet à TV e às rádios, mantendo uma série de restrições aos internautas durante o período eleitoral. O que o IG pretende nada mais é que “garantir o livre fluxo de informações, da liberdade de opinião ou expressão, com vistas a possibilitar a manutenção de um espaço de comunicação caracterizado pelo pluralismo político e cultural”, nas palavras dos advogados do IG.
A internet não pode ser tratada da mesma forma que a TV e as rádios, pelo simples fato que a Internet, pela sua própria natureza, é muito mais interativa, muito mais dinâmica e mesmo democrática que aqueles demais meios. A pretensão do IG, com a anulação de dois artigos da Resolução 22.718, é tão somente dar à Internet os mesmos critérios dados à mídia impressa quanto à divulgação de idéias e pensamentos.
O TSE, ao invés de estimular o debate e a troca de idéias no período eleitoral, faz o quê? Exatamente o contrário: CENSURA a liberdade de expressão de milhões de pessoas que não mais podem se manifestar livremente pela Internet, indo contra os princípios mais elementares da nossa Constituição. Não vai apenas contra a liberdade de expressão, vai contra a própria evolução da Sociedade. Evolução técnica- científica e humana. Técnica-científica porque não consegue ver na Internet um meio ágil e seguro de comunicação. Talvez fosse mais seguro aos brasileiros voltarmos à idade das pedras, assim não precisaríamos nos preocupar com tanta liberdade (sic)! Humana porque vê nos usuários da rede um bando de idiotas que não sabem se valer de seu senso crítico. Idiotas que precisam que o TSE lhes diga o que pode e o que não pode ser visto por eles. Precisam dos cuidados e proteção de Iluminados Ministros do TSE.
Gerald Thomas é filiado ao Partido Democrata nos EUA. Recebe e fornece instruções referentes á campanha de Barack Obama, óbvio, pela Internet. Lá a Internet é a principal ferramenta de distribuição de idéias, mensagens e até mesmo para arrecadação de fundos. Aqui na Banânia teme-se que até os motoristas de táxi fiquem proibidos de conversarem com seus passageiros sobre eleições. Em período eleitoral, claro! Que coisa mais absurda: falar em eleição em período eleitoral! E somos nós os idiotas!
Estamos a caminho de um Estado paternalista, para não dizer fascista, que sabe o que é bom ou mau para nós. Querem pensar por nós, querem nos defender da liberdade, essa coisa monstruosa e pecaminosa!
Queremos, nós, os idiotas, continuar opinando sobre tudo, quando e como quisermos. Dispensamos tanta atenção por parte do TSE e seus iluminados Ministros. É hora de apoiarmos a iniciativa do IG, o mérito da questão ainda será julgado.
O Vampiro de Curitiba
PS. Para se ter uma idéia de como funciona a Internet com liberdade plena nos EUA:
From: Jon Carson, BarackObama.com <info@barackobama.com>
To: Gerald Sievers <dryopera@aol.com>
Sent: Thu, 21 Aug 2008 10:46 pm
Subject: Don’t miss it
Gerald –
Barack will accept the Democratic nomination one week from tonight –
and you can be part of the moment.
Supporters like you will be coming together all across the country to
watch Barack’s acceptance speech and celebrate how far we’ve come.
It’s a great opportunity to be inspired, share a piece of history, and
keep building this movement right through Election Day.
Sign up to host or attend a Convention Watch Party in your community.
From the beginning, this campaign has depended on ordinary people
doing extraordinary things.
Grassroots supporters like you have brought us this far, but after the
convention, we’ll be heading into the final stretch.
That’s why on Labor Day Weekend, right after the convention, we need
everyone to take part in a nationwide Weekend of Action.
At the Convention Watch Parties, you can help plan canvasses, phone
banks, and other volunteer activities. To win in November, we’ll need
to register as many new voters and reach out to as many new supporters
as possible in just a few short weeks.
We can win this election and make things better for all Americans. But
it’s going to take all of us working together.
Find a Convention Watch Party near you — or host a party of your own
– next Thursday, August 28th:
http://my.barackobama.com/organizeforchange
Thanks for everything you’re doing to build this movement,
Jon
Jon Carson
National Field Director
Obama for America
É TUDO PELA INTERNET, SENHORES DO TSE!
Do Gerald (em Tarrytown, NY):
SOBRE O FALECIMENTO DO MEU EX-SOGRO FERNANDO TORRES
Nanda, Fernandona, Claudio: I’m so sorry. Vcs foram tao lindos quando minha mae morreu. Nao sei o que dizer. Estou aos prantos e IMPOTENTE aqui, isolado do mundo. O que dizer? O que fazer? Me digam???
Meus mais sinceros…
Meus mais sinceros!
LOVE meus queridos: o sorriso dele em Copenhagen vai ficar no meu coracao pra sempre!
Gerald
Autor: gthomas - Categoria(s): Colaboradores
Tags: Barack Obama, Brasil, Censura, eleições, EUA, Evolução da Sociedade, fascismo, Gerald Thomas, idiotas, IG, Internet, liberdade de expressao, livre-pensar, maifestação de idéias, O Vampiro de Curitiba, opinião, Partido Democrata, totalitarismo, TSE
31/08/2008 - 01:27
Um torcedor do Corinthians desce a pé a Brigadeiro Luis Antonio, feliz da vida. Um vulto sozinho neste frio sábado à noite, nesta rua cinza, cidade cinza, sombras além do cinza, garoa fina e cinza ele toca nos postes como se fossem pessoas. Seu time ganhou.
A cena não deixa de ser sublime, apesar de estranhamente triste e tristemente cinza, assim como Beckett sonhava o mundo. Estranho esse sentimento passageiro de “vencer”, de “ganhar”. Sempre nós, os homens, querendo vencer ou ganhar. Ou colocando nossas mulheres como cavalos ou éguas de Tróia para vencer nossa batalha por nós. Ele, o loner torcedor-sozinho, fantasiado de pierrot, poderia também estar vindo da convenção dos Democratas ou dos Republicanos.
Caramba! Como estou exausto de política! Como estou exausto de retórica. Como estou podremente exausto dessa guerra de nervos que somente se resolverá mesmo é através das urnas, em novembro, nos EUA. E, até lá, será um deus-nos-acuda, um deus-nos-acusa, um rebola hesbollah, um índio a menos ou a mais na tribo. Exausto.
Nessas convenções todo mundo está certo e orgulhoso de que alguém irá “vencer”, “levar o título”, “ocupar o trono”. Nesse catch as catch can, uma mulher estava sendo cogitada por anos, a Hillary, e eis que outra, no partido oposto (um coringa, uma incógnita), a Sarah Palin, leva a cartada. Golpe sujo. Golpe baixo. Política já foi outra coisa?
Como pergunta pertinentemente alguém (será Larry King?): “Ela está preparada para ser a Comandante Chefe?”
A pergunta já inclui a resposta.
Muitas respostas já incluem a pergunta.
Não agüento mais.
O nome “Lula da Silva” me enoja, e todo seu ministério! Mas nada mais tenho a dizer a esse respeito. O Real está forte, os restaurantes desta triste Paulicéia estão cheios. São Paulo enche a pança! É o que se faz aqui. O que mais se faria perto da Brigadeiro Faria Lima? Ah sim, os pequenos teatros alternativos que imitam os grandes teatros de GRUPO alternativos do mundo: mas aqui eles adicionam um pouco de cor a esse gris sur gris!
Ainda me preocupo muito em ler e ouvir análises disso e daquilo, mas entro facilmente em nada! De tanto golpe baixo em golpe baixo a coisa vai, que nem me importo mais se McMain pega uma mulher que só viu duas vezes na vida antes… Bah! Política!!! Eu deveria me importar depois de tanto que sofri com o Obama nesse último ano. E agora? Agora é esperar as eleições! Não adianta mais sofrer por antecipação ou por frustração.
A “Sinfonia dos DesDitos” – que pequena revolução!
Escreve o Comandante Peter Lessman, 27 anos de Varig e agora na “Arab Emirates”:
“Tendo a triste lembrança da política Brasileira como pano de fundo, assisti emocionado à Convenção Nacional do Partido Democrata nos EUA oficializando a escolha do seu candidato a Presidente e Vice, assim como também no dia seguinte o show de retórica de Obama aceitando a indicação.
Não consegui desgrudar um minuto daquele espetáculo de democracia e esperança em estado bruto. Do meu quarto de hotel em Bangcoc, acompanhei totalmente fascinado a cobertura da CNN nos mostrando de todos os ângulos possíveis os rostos, expressões e palavras das grandes e pequenas figuras humanas em um grande momento da sociedade americana, comprovando mais uma vez a sua incrível capacidade de reagir efetivamente, e com extremo vigor, quando insatisfeita com os rumos do seu governo e de seu país. Sem contar a grandeza da sua grande adversária derrotada na feroz disputa, Hilary Clinton, quando vigorosamente conclamou a todos para se unirem em torno de Obama, pelo bem do país!
Viajando há quase 30 anos literalmente pelo mundo, este acontecimento mais uma vez confirma o que eu não canso de repetir:
O que realmente diferencia o chamado “Primeiro” mundo do restante não é o dinheiro ou os eventuais rios de petróleo no “pré-sal” de cada país; mas acima de tudo na capacidade, ou não, de cada cidadão entender que a sua conduta e engajamento individual têm um impacto decisivo na qualidade da sociedade na qual ele está inserido, e conseqüentemente o futuro da sua nação…
O sistema deles funciona e se aprimorou ao longo dos anos com muita luta e até de uma guerra interna, e onde mulheres e negros, por exemplo, só conquistaram o pleno direito ao voto há menos de 100 anos.
Mas há duas características fundamentais por trás deste sucesso: os simples e sólidos princípios básicos quando a Constituição deles foi criada há mais de 200 anos pelos chamados “Pais Fundadores da Nação”, e o total comprometimento e vigilância de cada um dos cidadãos para com o seu fiel cumprimento.
E é este mesmo engajamento que tornou possível o “fenômeno” Obama, e TODOS os comentaristas políticos são unânimes em concordar, através do que eles lá chamam de “grass roots movement”. Um movimento “de raízes”, de “base”, onde através do trabalho “de formiguinha” de dezenas de milhares de voluntários de TODAS as camadas sociais país afora, ele obteve o apoio e arrecadou milhões de dólares para ao seu movimento chamado de “Change” (Mudança).
Assim como levou milhões a repetir em coro ao longo da campanha pela indicação de candidato pelo partido Democrata o “yes we can” (nós podemos sim). Com certeza fará o mesmo na Campanha Presidencial contra o candidato Republicano McCain.
E ele reconheceu a importância deste trabalho em um dos momentos marcantes do seu discurso de aceitação da candidatura Democrata ao afirmar: “O que alguns ainda não entenderam é que tudo isto que está acontecendo (o movimento CHANGE que ele lançou) não trata da minha pessoa (it’s not about ME), mas é sobre vocês! (it’s about YOU!)”, em uma extraordinária lição de humildade e liderança que já começou a fazer história.
Pois é, meus Brasileiros e Brasileiras: cada país tem o “Fenômeno” que merece certo?
Será que NUNCA aprenderemos a reagir??
Abraços esperançosos de muito longe,”
Peter Lessman.
Minha companhia de teatro finalmente “aconteceu”: ontem, sábado, lá no SESC Paulista. O que significa acontecer? Significa fazer a cena acontecer! Significa entrar no groove, entrar no vivo da natureza viva e nunca morta. E estamos vivos. E o projeto que já mudou de nome (depois de muita raiva minha e muitas dissidências de atores) esta lá, de pé, assim como o teatro está de pé desde Sófocles!
E como o torcedor do time desta capital descendo uma de suas avenidas principais numa falsa alegria passageira, eu, numa falsa alegria passageira, comemoro um dia de vitórias dramáticas sabendo que o povo de New Orleans está fugindo do “Gustav”, marido da “Katrina”, 3 anos depois da devastação, pois é disto que nós somos feitos:
Festas
Vitórias
Devastação
Gerald Thomas
Abaixo, um texto de Artaud (mandado por Marina Salomon) em resposta á minha ira de anteontem no “ Geração Careta”:
“Jamais, quando é a própria vida que nos foge, se falou tanto em civilização e em cultura. Há um estranho paralelismo entre essa destruição generalizada da vida, que encontra-se na base da desmoralização atual, e a preocupação com uma cultura que jamais coincidiu com a vida, e que é feita para governar sobre a vida.
Antes de retornar à cultura, observo que o mundo tem fome, e que ele não se preocupa com a cultura; e que é apenas de maneira artificial que se quer dirigir para a cultura pensamentos que estão voltados unicamente para a fome.
O mais urgente não me parece tanto defender uma cultura cuja existência jamais salvou um homem de ter fome e da preocupação de viver melhor, e sim extrair disso que se chama de cultura idéias cuja força viva seja idêntica à da fome.
Nós temos necessidade sobretudo de viver e de acreditar naquilo que nos faz viver e que alguma coisa nos faz viver ¤ e aquilo que sai do misterioso interior de nós mesmos não deve retornar perpetuamente sobre nós mesmos, em uma preocupação grosseiramente digestiva.
Quero dizer que se para todos nós é importante comer, e já, nos é ainda mais importante não desperdiçar nesta única preocupação imediata de comer nossa simples força de ter fome.
Se o signo da época é a confusão, vejo na base dessa confusão uma ruptura entre as coisas e as palavras, as idéias, os signos que são a representação dessas coisas.
Certamente não são sistemas de pensamento que nos faltam; o seu número e as suas contradições caracterizam nossa velha cultura européia e francesa: mas quando é que a vida, a nossa vida, foi afetada por esses sistemas?
Não diria que os sistemas filosóficos são algo que se possa aplicar direta e imediatamente; mas das duas, uma:
Ou esses sistemas estão em nós e somos impregnados por eles a ponto de viver deles, e neste caso o que importam os livros? ou nós não somos impregnados por eles, e neste caso eles não merecem nos fazer viver; e de
qualquer forma, que importa seu desaparecimento?
É necessário insistir sobre esta idéia da cultura em ação e que se torna em nós como um novo órgão, uma espécie de segunda respiração: e a civilização é a cultura que se impõe e que rege até mesmo nossas ações mais sutis, é o espírito que se encontra nas coisas; e é de maneira artificial que se separa a civilização da cultura, e que há duas palavras para significar uma única e idêntica ação.
Julgamos um civilizado pelo modo como ele se comporta, e ele pensa da maneira como se comporta; mas já sobre a palavra civilizado existe uma confusão; para todo o mundo, um civilizado culto é um homem esclarecido quanto aos sistemas, e que pensa através de sistemas, de formas, de signos, de representações.
É um monstro em quem se desenvolveu até o absurdo essa faculdade que temos de extrair pensamentos de nossos atos, em vez de identificar nossos atos com nossos pensamentos.
Se falta amplitude à nossa vida, ou seja, se lhe falta uma constante magia, é porque gostamos de observar nossos atos e de perder-nos em considerações sobre as formas sonhadas de nossos atos, em vez de sermos impelidos por eles.
E essa faculdade é exclusivamente humana. Diria mesmo que é essa infecção do humano que nos estraga certas idéias que deveriam permanecer divinas; pois, longe de acreditar no sobrenatural e no divino inventados pelo homem, creio que foi a intervenção milenar do homem que acabou por nos corromper o divino.
Todas as nossas idéias sobre a vida devem ser modificadas, numa época em que nada mais adere à vida. E essa penosa cisão é motivo para que as coisas se vinguem, e a poesia que não está mais em nós e que não conseguimos mais encontrar nas coisas ressurge de repente pelo lado mau das coisas; e jamais se viu tantos crimes, cuja gratuita estranheza só pode ser explicada por nossa impotência em possuir a vida.
Se o teatro existe para permitir que nossos recalques tomem vida, uma espécie de atroz poesia se exprime através de atos bizarros, onde as alterações do fato de viver demonstram que a intensidade da vida permanece intacta, e que bastaria melhor dirigi-la.
Porém, por mais que queiramos a magia, no fundo temos medo de uma vida que se desenvolvesse toda sob o signo da verdadeira magia.
E é assim que nossa ausência enraizada de cultura espanta-se com certas grandiosas anomalias e que, por exemplo, em uma ilha sem nenhum contato com a civilização atual, a simples passagem de um navio, somente com pessoas sadias, pode provocar o aparecimento de doenças desconhecidas nessa ilha, e que são uma especialidade de nossos países: zona, influenza, gripe, reumatismos, sinusite, polinevrite, etc., etc.
Do mesmo modo, se achamos que os negros cheiram mal, ignoramos que para tudo aquilo que não é Europa somos nós, os brancos, que cheiramos mal. E eu diria mesmo que exalamos um odor branco, branco assim como se pode falar de um “mal branco”.
Como o ferro aquecido ao branco, pode-se dizer que tudo o que é excessivo é branco; e para um asiático a cor branca tornou-se a insígnia da mais extrema decomposição.
Dito isto, podemos começar a traçar uma idéia da cultura, uma idéia que é antes de tudo um protesto.
Protesto contra o estreitamento insensato que é imposto à idéia de cultura ao se reduzi-la a uma espécie de inconcebível Panteão; o que resulta em uma idolatria da cultura, da mesma maneira que as religiões idólatras colocam deuses em seu Panteão.
Protesto contra a idéia separada que se faz da cultura, como se existisse, de um lado, a cultura, e de outro a vida; e como se a verdadeira cultura não fosse um meio requintado de compreender e de exercer a vida.
Pode-se queimar a biblioteca de Alexandria. Acima e além dos papiros, existem forças: podem nos roubar durante algum tempo a faculdade de reencontrar essas forças, mas não podem suprimir a sua energia. E é bom que muitas das grandes facilidades desapareçam e que certas formas caiam no esquecimento; assim a cultura sem espaço nem tempo contida em nossa capacidade nervosa ressurgirá com uma energia amplificada. E é justo que de tempos em tempos se produzam cataclismas que nos incitem a retornar à natureza, ou seja, a reencontrar a vida. O velho totemismo dos animais, das pedras, dos objetos utilizados para aterrorizar, das vestimentas bestialmenteimpregnadas, em uma palavra tudo o que serve para captar, dirigir e desviar as forças, é para nós uma coisa morta, da qual sabemos apenas tirar um proveito artístico e estático, um proveito de fruidor e não um proveito de ator.
Ora, o totemismo é ator porque se move, e é feito para atores; e toda verdadeira cultura apoia-se sobre os meios bárbaros e primitivos do totemismo, cuja vida selvagem, ou seja, inteiramente espontânea, quero adorar.
O que nos fez perder a cultura foi nossa idéia ocidental da arte e o proveito que dela tiramos. Arte e cultura não podem andar juntas, contrariamente ao uso que universalmente se tem feito delas!”
Antonin Artaud
(O Vampiro de Curitiba na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: Antonin Artaud, cultura, cultura em ação, EUA, Fome, Gerald Thomas, Hillary, Lula da Silva, Marina Salomon, McCain, Obama, Partido Democrata, Paulicéia, Peter Lessman, Real forte, republicanos, São Paulo, Sara Palin, sistemas, teatro, Teatro Alternativo