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25/06/2008 - 13:24

Um espetáculo que não termina nunca, mas tem de tudo

Cena 1 – Aeroporto Ben-Gurion, Israel — Um policial israelense, plantado num topo de um prédio a cem metros do presidente Sarkozy e do primeiro ministro Olmert, olha em volta, cospe no chão, limpa a sua arma pela última vez, dá uma olhada para o céu claro do oriente médio e acaba disparando um tiro em si mesmo. Digo, em sua própria cabeça. Os guarda-costas, rapidamente, se jogam pra cima de Sarkozy e, o que se vê, é Carla Bruni subindo rapidamente as escadas do avião presidencial, e Sarkozy, meio perdido, ainda querendo apertar as mãos de todos os guarda-costas, soldados, etc, porque, sim, à essas alturas, o Olmert e Simon Peres já tinham desaparecido. Levaram “os homem” em outra direção.

Estranho: num país tão preocupado com terrorismo, segurança, e ainda existe essa babaquice de cerimônia de despedida aberta em aeroporto: por quê os presidentes não embarcam em gates, ao invés de ao ar livre? Bem, Carla Bruni mostrou que deixaria seu marido pra trás na primeira ocasião.

E o policial? Deu mesmo um tiro em si mesmo? Ali, naquele lugar? Suicídio? Tudo bem, a gente se acostumou a “comprar” o que a mídia nos vende mas……na boa! Um soldado israelense se suicida ao ser “detail” de segurança na patrulha de despedida de Sarkozy, depois do presidente da França passar 3 dias em solo israelense. Tá ótimo. Vamos nessa!

Óbvio que o porta voz da polícia, Micky Rosenfeld, negou que houvesse qualquer tentativa de assassinato, ou sequer plano de assassinar o Sarkozy (o que me faz pensar: tanta, mas tanta segurança é normal? Digo, os telhados repletos de policiais, a Mossad em tudo que é lugar, gente à paisana espalhada em tudo que é parte e, de repente, BUM! A banda toca alto, um soldado se mata e cai na pista do aeroporto, e um lençol o cobre).

Nelson Rodrigues? Vlacav Havel? “Clear and Present Danger?”

Um filme de Polanski? Não, genial demais pra isso. De John Frankenheimer? Não, esse era ótimo! Vamos ver…ah, deixa pra lá.

Na verdade eu não entendo bem o que Presidentes ocidentais vão fazer em Israel, fora o ôba-ôba e reforçar o tal “êpa, eu sou neutro: eu gosto de vocês, mas AMO os islâmicos, palestinos, os extremistas também, porque lá em casa tem uma caralhada deles e eles queimam meus carros, fazem uma zona ducaralho nos subúrbios de Paris”. Sim, ele foi fazer o que todos vão fazer. Falou no Knesset (parlamento), “advertiu seriamente” a política externa isralense (tem que fazer isso pelo número de islâmicos que habitam a França hoje). Ai meu santo. Dá um cansaço! De repente, vê-se a protocolar foto do presidente francês com o líder palestino Mahmoud Abbas (que não é nem de longe tão divertido quanto o exótico Arafat) (não se fazem mais líderes como antigamente: ah, o De Gaulle com aquele narigão… Esse sim escapou de Hitler (quase se rendeu) e do assassino Chacal). Ah, la belle époque. Sim, Sarkozy foi “apertar” os parafusos soltos entre a França e Israel, tudo bem. As visitas presidenciais devem mesmo servir pra isso. Enquanto isso, o povo baba olhando a Carla Bruni.

“Em nome da França, gostaria de dizer que nos Amamos Israel e Vive la France!”, disse um empolgado Sarkozy, que, as vezes parece um menino de ginásio que não cresceu direito.

Mas – pra que essa preocupação toda? Um policial se matou ali na frente dele e jamais saberemos porquê! O que terá sido?

Cena 2 – A Argentina está à beira de um colapso e eu amo aquele país. Amo. Não sou o Sarkozy e não preciso dizer em nome de ninguém que estou apavorado com uma (possível) nova crise argentina. Será que deveríamos mandar o Sarkozy pra lá, pra ele dizer que o povo da França também “verdadeiramente ama os argentinos?” Sarkozy é parcialmente judeu, por parte de pai e nada tem de argentino. Pena. Um dia ainda teremos um presidente Francês verdadeiramente argentino. Já é tempo! Os argentinos dominam a cena cultural de Paris há tempos. Não vou entrar em detalhes. Leiam um “Manual para Manuel”, de Cortázar. Não é sobre argentinos mas é de um argentino.

Cena 3 – O Hamas, ontem mesmo, quebrou com qualquer possibilidade de paz: mandou ver. Três mísseis mandados por eles foram cair na fronteira israelense.

Mas também, dias antes, a força aérea de Israel, voava a centímetros do espaço aéreo do Iran. Como vocês vêem, esse é um espetáculo que não tem fim. Ele começou bem antes de 1948 e vai continuar até que o último soldado de ambos os lados, plantados em telhados, se dêem um tiro na cabeça, perplexos com o que vêem.

E eu, perplexo com a morte de Da. Ruth Cardoso, continuo a afirmar, que 2008 está engolindo mais gente do que a década inteira de 1990.

Gerald Thomas

Autor: Ana - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , ,
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