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18/05/2009 - 07:52

Nada a Declarar

Londres- A BBC mostra uma reportagem sobre o Exército Iraniano que luta contra os traficantes do Afeganistão, que trazem heroína através dessa fronteira. Parece ser essa a maior guerra contra o narcotráfico no mundo! Será? Mais uma vez estou diante de fatos produzidos ou reproduzidos pela mídia (parte do artigo anterior, aqui embaixo). Será essa guerra “contra as drogas” maior do que a da… (bem, vocês sabem o que estou pensando. E se não sabem, deveriam saber)?
 
Recessão: Um dos mais revolucionários e inovadores de todos os tempos, EVER, John Cage, tem uma peça para piano que se chama “SILENCE”. E, nessa peça, um pianista (o original, David Tudor) sentava ao “piano temperado” (uma invenção de Cage, se não me engano), e NADA fazia, por 14 minutos.
 
Bem, recessão econômica pode ser vista dessa maneira. Algo acontece, sim. Mas nada acontece. Digo, algo acontece, sim. Existe o instrumento, existe um músico e até uma partitura. Existe até uma expectativa enorme de música no ar, mas o que se ouve nada mais é do que um enorme RUÍDO do que habitualmente chamamos de silêncio. Cage compôs isso na década de 50, depois de várias recessões econômicas e artísticas. Depois de uma falência múltipla de órgãos ou valores ideológicos. Fim da Segunda Grande Guerra. Início do Sonho Americano, início de um grande fim. Qual fim?
 
Aquele que, ao mesmo tempo, Beckett descrevia em seu deserto em “Esperando Godot”. Uma entidade que não vinha. Uma promessa que não chegava.
 
Até hoje nos sentimos incomodados com a partitura de Cage. Até hoje nos sentimos incomodados com a “partitura dramática” de Beckett com as montagens recentes da Broadway e daqui, do West End. É visível o quanto o “grande público” ainda não está preparado pra “entender” Beckett. Então, “Esperando Godot” é aplaudido por uma platéia que, na verdade, se incomodou com os silêncios RUIDOSOS deixados nas entrelinhas não ditas ou malditas entre Didi e Estragon, ou nos geniais monólogos de Lucky.
 
Não queremos entender o vazio. Não estamos preparados pra ele. Portanto, a mídia nos enche de ervilhas. Essa reportagem da BBC, assim como ver a foto do jogador Ronaldo em plena capa do respeitoso jornal paulistano em pleno sábado (não é mais só a foto do GOL nas segundas, agora tem jogador na capa, também aos sábados, brasileiros!!!), me deixa um tanto quanto receoso quanto a tentar explicar o inexplicável: “um dia não terei mais nada a declarar”. Sim, um dia, nós não teremos mais nada a declarar.
 
Estaremos MUDOS diante das conflitantes e concomitantes notícias: nada prova nada. Jura? O exército iraniano? Mas justamente esse Irã que tanto ostracisam???? Caramba! “Sim”, diz um oficial da armada contra as drogas iraniano, “o mundo ocidental nos deve muito, já que um saco desses, nas ruas de NY ou de Londres, custa 80 mil dólares! Mas não nos dão um tostão porque acham que estarão armando o Exercito Iraniano”. Pois é. Está posto o dilema!
 
Está estabelecido o conflito, como dizia um personagem a outro em “Electra Com Creta!” Ah, os tempos! Como passam…
 
NADA A DECLARAR:
 
Temos o instrumento. Temos a partitura. Vemos o que vemos. Mas o que enxergamos? As guerras – apesar de serem aristotelicamente explicáveis e perfeitamente lógicas (se justificadas por um lado ou pelo outro) – não passam de encenações sangrentas e que devoram milhões de almas. Milhões. Não fazem NENHUM SENTIDO. NENHUM. 

Me perdoem por não fazer sentido nesse texto. Mas é como estou hoje. Sinto-me como uma massa, como uma pasta, irregular, inexplicável, triste, vazia, ruidosa, sem nada a declarar e, no entanto, querendo dizer tanta, mas tanta coisa e… sem conseguir dizê-lo.

Mas não sou John Cage: não consigo (ainda) criar um espetáculo no qual alguém senta e NADA toca por 14 minutos. Meu recorde foi em M.O.R.T.E. (Movimentos Obsessivos e Redundantes pra Tanta Estética) em que eu coloquei os atores em posição de total estática, rígidos como estátuas de sal e acendi as luzes da platéia, por 7 minutos. Mas isso foi em 1990. Quarenta anos depois de Cage.

Estou morto.

 Me perdoem, não tenho nada a declarar.

 

Gerald Thomas

 

 
 

(Na edição: O Vampiro de Curitiba)

 

 

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
11/05/2009 - 16:26

A GRANDE MENTIRA DA MÍDIA

Vocês acreditam na mídia? Juram? Sério?  Um amigo me liga do Brasil e desabafa. Ele é o Daniel Feingold, um pintor, ótimo, por sinal. Ele não agüenta mais o que lê nos jornais, o que ouve na televisão, o que ouve falar por aí, nos círculos por onde anda. E garanto a vocês, o Daniel, anda por vários círculos.

Ex-morador daqui, de NY, ex-fabricante de pranchas de surf no Rio, ele vive de sua arte, a pintura. Politizadíssimo, ele simplesmente não agüenta mais o lero-lero da midia: “estão todos com o rabo preso, cada um com a sua mentira!”.

A minha opinião não difere muito da dele, não. Quando leio (o pouco que leio) a imprensa brasileira, ela me deixa simplesmente PASMO.  Quer dizer, o simples fato de, religiosamente, ás Segundas-feiras, todos os jornais brasileiros estamparem ENORMES, uma foto do GOL do dia anterior, já é, em si, um atestado de… (ah, deixa, estou exausto). Juro, estou chegando no meu limite.

Blog já é um pouco diferente. Existe um pouco mais de autonomia. Mas a quantidade de merda que se escreve, que se twita ou tweeta, é simplesmente “amazing”. Não bastasse a idiotice de receber texto via celular, e a praga do iPhone, do iPod , do iFode, do não fode, agora ninguém mais sai do MYSPACE, ou do FACEBOOK, e realmente estamos em plena crise da idiotice dos idiotas!!!      

Bem, aqui nesse blog, estamos chegando perto de completar um ano de hospedagem pelo IG. Somando com o UOL, dá mais ou menos 5 anos e meio de papel-higiênico virtual. Nossa! Quanta coisa já foi escrita. Quanta coisa ainda não foi!

Será que me imagino escrevendo daqui a três meses?

JURO que não sei. Juro!

No estado mental, psicológico e físico em que me encontro, eu marcaria um enorme encontro com todos os amigos do Blog numa… pizzaria vegana. E daria um beijo em todos e partiria no Queen Mary pro Mediterrâneo pra Creta. Pra Eletra Com Creta, pra Carmem Com Filtro Com Creta, Pra Trilogia Kafka Com Creta, ou pra qualquer território teatral concreto, mas não mais pra esse espaço aqui que… sei lá, cabe mais aos comentaristas políticos que se disfarçam daquilo que não são e comentam aquilo que não sabem. Exemplo:

BRASÍLIA - “Aconteceu de novo. Juízes passaram um feriadão num hotel de luxo acompanhados de mulheres ou maridos. Desta vez, eram magistrados ligados à Justiça do Trabalho. A conta do Tivoli Ecoresort Praia do Forte, na Bahia, foi paga pela pela Febraban, a federação dos bancos brasileiros.
Os juízes sempre dão a mesma explicação para esse tipo de estripulia. É tudo legal, feito às claras.
Um magistrado não se venderia por um fim de semana num resort de luxo com todas as mordomias pagas. Para arrematar, é um “sacrifício” desfrutar uns dias diante do mar.
João Oreste Dalazen, vice-presidente do TST e membro do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), declarou ter sido “um sacrifício muito grande” passar o feriado de 21 de abril no hotel de luxo.
Em setembro de 2006, o então corregedor nacional do CNJ, Antonio de Pádua Ribeiro…”

CHEGA ! CHEGA! Eu berro antes mesmo de chegar no final (já próximo). Sim, o texto é válido. Aliás, super. Mas parece encomendado pelo GRANDE ESQUEMA. Ou seja, “eu erro e você comenta: certo? E não me acontece nada. E fica tudo por isso mesmo.”

O Brasil é um pais blindado! O ser humano parece cada ver mais blindado também!

Um excelente dramaturgo baiano, Gil Vicente Tavares, ignorado pela imprensa de Salvador, ganha elogios da imprensa européia. Mas em sua própria cidade nao é notado. Eu lhe escrevo pra ignorar a ignorância porque a mídia esta viciada sempre nos mesmos nomes: peguem os cadernos culturais de um mês. Juntem esses cadernos. Façam uma lista dos nomes que saem. É uma vergonha. É sempre a mesmíssima coisa!

E por quê? Com os prêmios é também a mesma coisa. As pessoas gostam de se auto-celebrar. Acaba sendo uma maneira de se encontrarem, uma desculpa de segurarem uma taça de champagne na mão e um chacoalhozinho de mãos, um apertozinho no cinto, um “sinto muito pela perda” de alguém que morreu, um “parabéns pela tua obra” (sem saber direito se a pessoa é de cinema, teatro ou nenhuma das duas coisas!). Vocês deveriam ver! É patético, mas hilário. Tragicômico. Ou de vomitar! É Dercy Gonçalves puro. “Hoje, homenageio… (…..)… sussurros e mais sussurros (como é mesmo seu o nome?”)

Cerimônias esquizofrênicas que transformam em múmias canonizadas aqueles que morrem! CRUZES!

Agora que passou mais de mês e meio, posso contar. Ah, querem saber? Não vou contar, não. Ah, vou sim! Fica valendo a falsa manchete do O Globo: “Zé Celso lança DVDs em Nova York.”

Jura? Lançou? Onde? Me lembro de ter alugado um espaço, pago por MIM, onde foi PROJETADO as Bacantes para um número de pessoas… E o resto é pura invenção!!!! VIVA O MITO da mentira e GLÓRIA: Tancredo Neves estava morto antes de estar morto!

Ah a mídia… não é, Daniel?

 

Gerald Thomas

comentario do Feingold

 

  1. 12/05/2009 – 15:16Enviado por: Daniel FeingoldCaríssimo,Havia me esquecido que você é um homem extremamente público e que sendo assim, em algum momento mais adiante, caso o conteúdo corrosivo de nossas considerações de ontem perturbasse ainda mais a ineficácia de seus rivotrís, à revelia de minha proferida timidez que teima em esconder minha figura, meu nome também acabaria vindo à público. Como conversamos “quase que” longamente ontem e hoje vejo sua menção à nossa discussão, volto a te dizer do quanto minha dolorosa solidão encontra ressonância em suas reflexões diante da falta de ambição dos habitantes do Brasil. Chamo-nos habitantes porque soa mal essa idéia de “povo brasileiro.” Parece algo cunhado por antigos ditadores e que insiste em progredir por aqui. Aqui a construção moderna da idéia de “cidadão”caiu no domínio compassional e tem ficado a encargo de ONGs beneficentes em vez de estimular uma política pública educacional. Não conseguiremos construir cidadania por aqui enquanto não nos livrarmos do clientelismo, do assistencialismo, do poder retrógrado dos bunkers nordestinos. Cinicamente hoje, mais uma vez nos vemos controlados por um trio oligarca: Sarney, Calheiros, Collor. A perpetuação do retrocesso no poder por mais de 40 anos! Ainda uma terra extensa controlada por famílias dominantes. Repito, há de se temer também o Temer, o agente que aquadrada a figura triangular acima. Todos limpos demais, escovados, enternados cínicos e arrogantes atuam diante de 200 milhões de passivos ilhéus. Sim por que assim nos comportamos, como tal assim agimos. Amedrontados “cercados por todos os lados.” É o teu “lá fora” que, para um surfista como eu, significa_ depois da arrebentação. Trancados dentro de terra imensa, acreditando puramente na informação como agente transformador. Conhecer é enfrentar o risco do desconhecido, é o exercício moderno do espaço público e o enfrentamento das fobias dalí advindas e/ou alí projetadas, é ter que se atritar com a adversidade da vida, com o estranho sem obrigatorimente querer transformá-lo em unanimidade. A tecnologia por si não liberta, a ilusão agora é a de que todos estamos plugados no mundo mas não é assim que funciona. A vida online não é mais provocativa do que o áspero contato do conhecimento que nos obriga o passado como catapulta para o futuro. A tecnologia tem fornecido sem duvida mais informação mas isto sozinho não promove o conhecimento.

    Como você aponta, nos jornais daqui, a primeira página de segunda-feira é o lugar da emoção do esporte. O atacante gordo que felizmente continua atacando nos traz felicidade. Outro atacante, de 27 anos, menos gordo porém emocionalmente invaginado, bebe, açoitado pela ausência do feijão, da farofa, da empada, do afeto dos antigos companheiros de infância. Êle quer voltar_ pede o colo da mãe e o afago do povo que penalizado o adota. O “clube X” da oficialidade nacional o adota. A oficialidade nacional é o retrocesso para qualquer luz do espírito. Mais ainda, luz do espírito soa evangélico demais mas, como poderia se dizer hoje no mundo e ao mundo, “espírito das luzes”? O brasileiro não desmama… A mídia copia a forma estrangeira e a classe mérdia, se apronta para consumir a casa a la Miami, o carro tecnológico que deveria ser vendido sem sinalizador lateral já que ninguém aprende a se comportar, pensa só em si, e não sinaliza manobras. As músicas em ingles banal vendem o produto: a casa, o carro, o remédio é tudo igual. Enquanto aberrantes escândalos nos circundam nos congresso e senado, enquanto acontece o retorno das mais desqualificantes figuras políticas deste país, daqueles que impunemente e coniventemente atravessaram uma ditadura criminosa que até hoje não nos permite observar seus arquivos, enquanto esta ópera bufa se desenrola em capítulos sem fim. Uma lei de imprensa, isto é, lei que controlava a imprensa, que punia aqueles que escreviam em desacordo com o status quo, dizem ter sido revogada, isto agora, 40 anos depois de ser instaurada pela ditadura. Daí pensar, à medida que teóricos, poetas, escritores, intelectuais em geral têm sido, na mídia, paulatinamente substituídos por jornalistas medianos, bem pagos, sempre mais suscetíveis ao agasalho do bom salário e à propenção ao acordo pacífico com as ordens das corporações. Não que clame por um chulo puritanismo abstinente ao dinheiro nem a apologia do intelectual ou scholar mas, aponto sim o descaso, o desinteresse, o medo de aprofundar discussões, de trazer à superfície conteúdos embasados nas dúvidas, nas desconfianças de todos, e até porque não, no pensamento mais abstrato, menos causal. Vejo muitos repórteres, basicamente entrevistadores, como são acovardados, instigadores da fofoca, da intriga somente. Talvez porque passaram todas essas décadas temendo ser expurgados e, acho, no fundo, assim acabaram sendo. Existem contudo alguns corajosos que me agradam como o Alberto Dines por exemplo.

    Caríssimo, vejo a ambição como uma virtude em oposição ao vazio inoperante da arrogância burra. Não sei o que fazer com esse meu ceticismo pois observo o contingente desta nação sem verdadeira ambição coletiva. Até o melhor de nossa história recente: o neo-concretismo, a bossa-nova, a arquitetura modernista, tem sido mais bem armazenado em registros em outras terras do que aqui. É certo que o armazém não substitui a experiência mas, se a memória escapa, por aí também vai nossa história culta.
    Além do nosso inerente judaísmo ateu, compartilhamos intestinos multifacetados que lembram, à distância, as incursões do cubismo analítico de Braque e Picasso, não poderíamos então nos eximir desta propensão crítica e deixar escapar das paletas deste cubismo aquilo que é sócio-político e nos diz respeito. Mas o que vejo, e que ainda instiga, é que acima de tudo continua pulsando o que mais estimamos, o desejo de liberdade. Beijos,

    Feingold

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , , , ,
04/05/2009 - 23:18

A Ditadura do Oprimido

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Por: O Vampiro de Curitiba

 

 

O post anterior, no qual Gerald Thomas comenta sobre o falecimento do teatrólogo Augusto Boal (ver abaixo), suscitou um debate aqui no Blog. Houve certa confusão sobre o que se habituou chamar de “Teatro do Oprimido”. Na realidade o próprio conceito de “oprimido” escapou daquilo que originariamente Boal tinha em seu ideário.

Tem muita gente misturando conceitos e realidades diversas. Uma coisa é a busca da conscientização e expressão de setores marginalizados da Sociedade. Outra, totalmente distinta, é achar que toda e qualquer pessoa possa ser ator ou diretor de teatro. Aliás, é preciso salientar algumas diferenças: Arte é Arte, panfleto é panfleto.  Teatro é Teatro, circo é circo. Ator é ator, platéia é platéia. Confesso que me sinto constrangido quando vou assistir  uma peça de teatro e o ingresso custa menos que o estacionamento. Acho que o ingresso deveria ter um valor muito maior do que se é cobrado. Agora, eu quero pagar um valor justo para ver um Nanini, uma Fabiana Gugli atuando. Mas não, atualmente todo mundo é ator. Tem mais gente no palco do que na platéia.

Essa questão de tornar tudo “popular” não é, infelizmente, algo que ocorre somente no meio artístico. Nas escolas, por exemplo, são os professores que são influenciados pelos alunos. Ao invés de o professor ensinar matemática, ele quer “entender” a realidade do aluno. Deu no que deu: a educação pública no Brasil é uma das piores do Mundo. A balbúrdia chegou até ao Supremo Tribunal Federal (STF). Dia desses, num total descontrole, o ministro Joaquim Barbosa começou um bate-boca com seus colegas numa sessão que chocou os telespectadores que assistiam a TV Justiça. Joaquinzão, ministro do Supremo escolhido por Lula, se ofendeu com o corretivo dado pelo presidente do Supremo e resolveu prolongar a baixaria. Disse que Gilmar Mendes deveria “ir ás ruas”. O que é isso, gente? Joaquinzão, pelamordedeus!, é o Supremo quem deve levar seus valores aos cidadãos, não o contrário. O povão quer mais é o linchamento, a pena de morte, o olho-por-olho, etc. Um ministro do Supremo deve aprender na Academia, não nas ruas!

Agora, a baixaria mesmo se dá é na Internet. É uma característica mundial a perda de leitores da mídia impressa para a Internet. O que faz com que todo mundo tenha blogs, twitter e o escambau. Jornalistas que levaram um pé-na-bunda da grande Imprensa têm na rede um local para publicar suas “opiniões” (na maioria das vezes opiniões do Governo de plantão), seus “serviços”. Os conceitos e valores mudam conforme seus negócios. A Privatização, por exemplo, que era demonizada por esses setores demagógicos, passa a ser vista como exemplar. Claro, isto com o devido patrocínio da empresa privatizada. E lá vai a manada de (e)leitores tentar se adequar ao novo “contexto”.

Pensa que essa vulgarização de tudo é privilégio da República das Bananas, caro leitor? Não, a imbecilização se dá no Mundo todo. Na Inglaterra chegou-se ao cúmulo de “enfeiar” uma cantora, Susan Boyle, para torná-la mais “popular” e assim conquistar o grande público. Sabe como é, né? É “gente como a gente”. Aqui o que difere é que a coisa fugiu do controle. Essa aberração chegou não apenas ao Teatro, à Escola, à Internet ou ao STF. Alcançou o Planalto. Óbvio, quem nada de braçada nesse mar de idiotice é o Grande Guia dos pobres e oprimidos, o Rei das Metáforas Pobres, o Bananão da Silva. A Saúde é um caos? A Educação é um lixo? Ah, não se apeguem a detalhes! Ele é “gente como a gente”. Ninguém sabe por que, mas amamos nosso presidente.  Eu amo tanto que até lhe ofereço um sucesso bem, digamos, popular:

 

Povão oprimido:Você não vale nada,
Mas eu gosto de você!
Você não vale nada,
Mas eu gosto de você!
Tudo que eu queria
era saber por quê.
Tudo que eu queria
era saber por quê.

Você brincou comigo,
bagunçou a minha vida.
E esse meu sofrimento
não tem explicação.
Já fiz de quase tudo tentando te esquecer.
Vendo a hora morrer
não posso me acabar na mão.
Seu sangue é de barata,
a Boca é de vampiro.
Um dia eu lhe tiro
de vez meu coração.
Aí não mais te quero
Amor não dê ouvidos
Por favor, me perdoa
Tô morrendo de paixão…

Bananão da Silva: Eu quero ver você sofrer
Só pra deixar de ser ruim
Eu vou fazer você chorar, se humilhar
Ficar correndo atrás de mim…

 

Hare Bába!!!

É nóis na fita, mano!

O Vampiro de Curitiba

 

Autor: gthomas - Categoria(s): Colaboradores Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
23/01/2009 - 19:53

O Bem e o Mal ou Nem Tudo é o Que Parece

Por: O Vampiro de Curitiba 

Não é o que vocês estão pensando. De alguma forma, é o que vocês estão pensando. De alguma forma, o que vocês estão vendo é isto. O que vocês estão vendo confirma o que vocês estão pensando.” (Gerald Thomas, “O Cão Que Insultava Mulheres – Kepler, the Dog”)

Hoje, dia 23 de Janeiro de 2009, completamos oito meses de Blog aqui no Portal IG. Pouco? O suficiente para tirarmos algumas conclusões. A primeira delas, e também a mais expressiva, é a insana reação de grande parte dos leitores. Exemplifico: No texto “O Recalque do Brasileiro” percebemos a fúria dos leitores aos lerem um texto - sim, bastante crítico, mas sincero, honesto - em que Gerald “fala” um pouco sobre o caráter de alguns nativos ressentidos. Resultado: centenas de comentários ofensivos. Pouco tempo depois Gerald escreve “Carta à Mileny” observando a vitória de Obama, da democracia, da esperança. Qual a reação dos leitores, daqueles ressentidos raivosos?  Reagiram com surpresa, óbvio. Até com certa admiração. “Afinal esse mostro yanque tem um pouco de coração.” Julgam com a maior naturalidade pessoas que mal conhecem. Se apressam em estereotipar quem quer que seja pela cartilha ideológica: “Este é do Bem, aquele do Mal!”

A relevância deste assunto se dá pelo fato deste caso não ser exclusivo dos leitores deste Blog, pelo contrário: A discussão domina as páginas de blogs, de jornais, da Imprensa como um todo.  Em outras palavras, e resumindo com ligeireza, a questão que é posta é a seguinte: Quem está torcendo contra (contra qualquer coisa) e quem torce a favor (do Bem, do  Brasil, da pátria, dos oprimidos, etc., etc… ou, em uma palavra: do Governo Lula).

Nem tudo é o que parece! Vocês já descobriram quem é o nosso Harry Potter?

Não é o  caso, aqui, em entrar nas profundezas da “coisa em sí” e no seu “fenômeno” Kantiano. Mas jogar um pouco de luz nesta caverna platônica é necessário. Desvendar as coisas, as pessoas, enfim, o Mundo sem a visão deturpada pelo véu de Maia, importado da cultura indiana por Schopenhauer, é sempre útil. 

O importante disso tudo é saber identificar o que faz pessoas julgarem outras sem ao menos conhecer minimamente como esta pessoa pensa, faz, como age. Muitos leitores julgaram Gerald Thomas como “sionista” por textos criticando a violência do Hamas, por exemplo. Sabem eles sobre o ocorrido em Porto Alegre recentemente? Óbvio que não! Se Gerald criticou o terrorismo ele é “imperialista”, “direitista”. Ponto final. Isto já basta para julgarem seu caráter. Enquanto outros por aí passam por bonzinhos vendendo a alma ao senso comum, nós somos processados por judeus e odiados por árabes. Mas somos livres!

O ponto principal desta novela toda é a tal da “intenção”. Aqueles que pensam, que criticam, que divergem são os maus. Aqueles que abaixam a cabeça, que concordam, que elogiam são os mocinhos. Eles têm, afinal, a boa intenção. Humm… sei… sei… Mas vem cá, cretino: E qual é a intenção do jornalismo chapa-branca? Quem melhora o Brasil de fato: aquele que concorda, ou finge concordar, com a tese da “marolinha” de Lula ou aquele que analisa os fatos sobriamente e emite uma opinião realista sobre a crise?    

E nós, do Blog do Gerald, somos pautados por quem? Nós não somos pautados, nós causamos! Enquanto vocês discutiam sobre John Lennon e Paul McCartney, nós estávamos curtindo Rolling Stones! Afinal, o lema do IG é “O Mundo é de quem faz” ou “O Mundo é  de quem não faz, mas tem bom coração”? Ou melhor (ou pior, dependendo do posto de vista), “O Mundo é de quem puxa o saco de quem faz”?    

É, amigo leitor, nem tudo é o que parece ser. Enquanto vamos descobrindo quem são os mocinhos e quem são os demônios, fique com ”Simpathy for the devil”, Rolling Stones: 

 
O Vampiro de Curitiba

Autor: gthomas - Categoria(s): Colaboradores Tags: , , , , , , , , , ,
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