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	<title>Gerald Thomas &#187; merda</title>
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		<title>Cinco Meses de Blog: De deus à merda</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Oct 2008 10:43:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gthomas</dc:creator>
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By: O VAMPIRO DE CURITIBA      
                              
O Blog
 
Ontem, dia 23, completamos cinco meses de blog aqui no IG. Neste curto espaço de tempo foram mais de 250.000 acessos. Se formos analisar por páginas acessadas, o número fica bem maior. Este blog, além de ser o mais democrático, onde, vejam só!, até os petralhas têm voz, também é o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt"> </p>
<h2 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt"><span style="font-size: 14pt;font-family:">By: O VAMPIRO DE CURITIBA      </span></h2>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt"><span style="font-size: 14pt;font-family:">                              </span></p>
<h1 style="text-align: center"><span style="font-size: 14pt;font-family:"><span style="color: #ff0000">O Blog</span></span></h1>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;text-align: center"> </p>
<h2 style="text-align: justify"><span style="font-size: 12pt;font-family:">Ontem, dia 23, completamos cinco meses de blog aqui no IG. Neste curto espaço de tempo foram mais de 250.000 acessos. Se formos analisar por páginas acessadas, o número fica bem maior. Este blog, além de ser o mais democrático, onde, vejam só!, até os petralhas têm voz, também é o mais transparente: É o único blog que disponibiliza o “sitemeter” para quem quiser saber o número de pessoas e a região do Mundo de onde o estão acessando. <span> </span>Pelo menos é o único que eu conheço. E se eu não conheço, não dever ser lá muito importante. O moderador? Bom, o Vamp pode não ser o mais eficiente, o mais ágil e tal&#8230; Mas, com certeza, é o mais belo da blogosfera mundial. <span> </span><span> </span><span> </span></span></h2>
<h2 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt"><span style="font-size: 12pt"><span>                           <img class="alignnone size-medium wp-image-8141" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2008/10/foto-blog.jpg" alt="" width="461" height="327" /></span></span></h2>
<h2 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt"><span style="font-size: 12pt"><span>                               </span><span>             </span></span></h2>
<h2 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;text-align: center"><span style="font-size: 14pt;font-family:"><span style="color: #ff0000">A Frase da Semana</span></span></h2>
<h2 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt"> </h2>
<h2 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;text-align: justify"><span style="font-size: 12pt;font-family:">Como presente aos cinco meses de existência, teremos de volta a temida, a odiada, a famigerada “Frase da Semana”. Bem que o Gerald resistiu à idéia, mas não suportou a pressão dos milhões de internautas raivosos que exigiram a volta da Frase. Milhares de pessoas se posicionaram em frente ao SESC da Paulista com suas faixas exigindo a volta da Frase. Centenas de donas de casas, batendo panelas em frente ao IG, ameaçavam não mais entrar no Balaio do velhinho amigo do Lula caso a Frase não fosse restabelecida. </span></h2>
<h2 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;text-align: justify"><span style="font-size: 12pt;font-family:">A Frase desta semana é do leitor “Aninomyous” (ou algo parecido) e foi uma sugestão da Sandra, a miss simpatia do Blog, mais conhecida como “Sandra Quântica”, ou simplesmente “Sandríssima”, para</span><span style="font-size: 12pt"> </span><span style="font-size: 12pt;font-family:">os mais íntimos</span><span style="font-size: 12pt">. <span> </span></span></h2>
<h2 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;text-align: justify"> </h2>
<h2 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;text-align: justify"><span style="font-size: 12pt;font-family:">Eis a pérola: </span></h2>
<h2 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;text-align: justify"> <a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2008/10/mulheres-defecando.jpg"><img class="size-medium wp-image-8171 alignright" style="float: right" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2008/10/mulheres-defecando.jpg" alt="" width="233" height="157" /></a></h2>
<p style="text-align: justify"><em><span style="font-size: 12pt">“</span>… mas às vezes na pressa as pessoas não chegam neste ponto, pois não tem sono profundo e a inspiração se perde diluída nos sonhos que continuam poluindo a mente que não consegue cagar…o espírito caga, a mente caga, o corpo caga…quanta merda.”</em></p>
<h3 style="text-align: right">Parabéns, Aninomyous!</h3>
<p> </p>
<h3 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;text-align: justify">Este comentário do inspiradíssimo leitor, como não poderia ser diferente, ensejou uma ampla discussão sobre a&#8230; merda.</h3>
<h3> </h3>
<h3> </h3>
<h3><span>                      </span><span>                  </span><span style="color: #ff0000">Em discussão, a merda</span></h3>
<h3 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt"><span style="color: #ff0000"> <a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2008/10/merda.gif"><img class="alignleft size-medium wp-image-8151" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2008/10/merda.gif" alt="" width="172" height="145" /></a></span></h3>
<h3 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;text-align: justify">Nestes cinco meses de Blog já dialogamos sobre praticamente tudo. E a proposta inicial, cinco meses atrás, era exatamente esta: De Lula a Mick Jagger, de açaí a deus, não pouparíamos nada nem ninguém. Tudo seria motivo para debates. Faltava o quê? A merda.</h3>
<h3 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;text-align: justify">Com o propósito de contribuir com o debate, achei este trecho do livro “A Insustentável Leveza do Ser”, do escritor Milan Kundera. O personagem principal, como vocês sabem, tem o sugestivo nome de “Tomas”. Sem “h”, que ninguém é perfeito.</h3>
<h3 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;text-align: justify">Dá-lhe Kundera: <em>“Sem o menor preparo teológico, a criança que eu era naquela época compreendia espontaneamente que existe uma incompatibilidade entre a merda e Deus, e, por dedução, percebia a fragilidade da tese fundamental da antropologia cristã, segundo a qual o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Das duas uma: ou o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus <span> </span>- e então Deus tem intestinos -, ou Deus não tem intestinos e o homem não se parece com ele.</em></h3>
<h3 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;text-align: justify"><em><span> </span>Os antigos gnósticos pensavam tão claro como eu aos cinco anos. Para resolver esse maldito problema, Valentino, Grão-Mestre da Gnose do século <a href="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2008/10/god-creation-01-a.jpg"><img class="size-medium wp-image-8161 alignright" style="float: right" src="http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/files/2008/10/god-creation-01-a.jpg" alt="" width="234" height="166" /></a>ll, afirmava que Jesus “comia, bebia, mas não defecava”.</em></h3>
<h3 style="text-align: justify"><em>A merda é um problema teológico mais penoso que o mal. Deus dá liberdade ao homem e podemos admitir que ele não seja o responsável pelos crimes da humanidade. Mas a responsabilidade pela merda cabe inteiramente àquele que criou o homem, somente a ele.” </em>(Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser)</h3>
<h2> </h2>
<h2> O VAMPIRO DE CURITIBA, cagando e andando para a crítica.</h2>
<h3 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;text-align: justify"><span style="font-size: 12pt;font-family:"> </span></h3>
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		<title>O que temos &#8220;aprontado&#8221; no SESC Av. Paulista e também vai virar a BlogNovela</title>
		<link>http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/2008/10/23/o-que-temos-aprontado-no-sesc-av-paulista-e-tambem-vai-virar-a-blognovela/</link>
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		<pubDate>Thu, 23 Oct 2008 11:33:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gthomas</dc:creator>
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KEPLER, O CÃO ATORDOADO
 
Reflexões&#8230; (observações dos ensaios)
 
Por Ruy Filho
 
Tentar diagnosticar nossa identidade, já seria um desafio imensurável. Tratar o diagnóstico, então, pelo prisma da arte, associando esta ao poder, torna a abordagem ainda mais complexa.
 
Tudo inicia na exposição de corpos dependurados. Escolha anunciada do próprio criador. “Porque eu coloquei ali”. Mas há mais no que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<h2>KEPLER, O CÃO ATORDOADO</h2>
<h2> </h2>
<h2>Reflexões&#8230; (observações dos ensaios)</h2>
<p> </p>
<h2>Por Ruy Filho</h2>
<h2> </h2>
<h2 style="text-align: justify">Tentar diagnosticar nossa identidade, já seria um desafio imensurável. Tratar o diagnóstico, então, pelo prisma da arte, associando esta ao poder, torna a abordagem ainda mais complexa.</h2>
<h2 style="text-align: justify"> </h2>
<h2 style="text-align: justify">Tudo inicia na exposição de corpos dependurados. Escolha anunciada do próprio criador. “Porque eu coloquei ali”. Mas há mais no que aparenta ser apenas um início de espetáculo. Não são meramente atrizes de ponta-cabeça. Os corpos, expostos como estão, re-significam-se no que possuem de mais óbvio e, portanto, menos percebível ao primeiro olhar já viciado em traduções: são corpos, meramente. Como as figuras de Francis Bacon.</h2>
<h2 style="text-align: justify"> </h2>
<h2 style="text-align: justify">Bacon traduz não a mera perda da identidade contemporânea, pois esta seria facilmente confundida com o que há de superficial na maneira como agimos, pensamos e nos mostramos. O que apresenta é nosso interior degenerado, corpos sem pele, cuja estrutura horrível dá imagem, cor e berro a nossas neuroses e solidões desde de sempre, em contínuo.</h2>
<h2 style="text-align: justify"> </h2>
<h2 style="text-align: justify">Os dois corpos no fundo do palco são, como se mostram, então, os mesmos e seus próprios duplos espelhados; o corpo sem pele e a casca solta, a voz e o silêncio do próprio criador. E, ao se auto-arremessarem sobre a parede sem exigir qualquer dramaticidade que não o mero gesto, reafirmam sua condição de corpos.</h2>
<h2 style="text-align: justify"> </h2>
<h2 style="text-align: justify">Espelhados igualmente, dois outros assumem o palco. Kepler se funde ao seu cão e entrega a este sua reflexão. Tornam-se o mesmo e outro. Enquanto o cão representa a razão, o homem se mostra adestrado e submisso a dar rotina ao animal. Como se estivéssemos cada vez mais voltados a priorizar nossa sobrevivência instintiva ao invés da nossa capacidade em conduzir a outros caminhos, outras possibilidades.</h2>
<h2 style="text-align: justify"> </h2>
<h2 style="text-align: justify">A repetição do texto inicial sugere estarmos ainda na mesma cena. Uma reapresentação da primeira. Assim, o animal e seu dono são os mesmos. Tanto quanto os dois corpos dependurados são apenas um. Feito a criação que serve para representar o criador e este a si como própria criação&#8230;</h2>
<h2 style="text-align: justify"> </h2>
<h2 style="text-align: justify">À razão do cão, contradiz a expurgação descontrolada da merda. Dejeto limitado a existência de um desejo concreto. O corpo absorve o necessário e devolve o que há de mais impróprio pelo resto, pelo lixo. A merda traduzindo, assim, a vida. E, segundo Artaud, representando o divino em nós, pois lembra nossa capacidade em nos purificarmos, a tentativa de sermos melhores do que somos deixando para fora de nossos corpos o que se faz desagradável, e que há algo além. Ou alguém. A merda, portanto, serve de prova da existência de Deus. Deus, entendido aqui, como o maior ou primeiro criador.</h2>
<h2 style="text-align: justify"> </h2>
<h2 style="text-align: justify">É disso que tratou Piero Manzoni ao expor seu próprio excremento como obra de arte, ou a Madonna de Chris Ofili, pintura ornamentada por fezes. O que esses artistas estão apresentando é a tese de que o sagrado não existe além e sim no próprio homem, na experiência concreta do corpo que traduz em si mesmo criação e criador. Pois somos o todo e o único, todos e ninguém.</h2>
<h2 style="text-align: justify"> </h2>
<h2 style="text-align: justify">Como responder, então, o paradoxo entre “a arte tem a cara do poder” e “o poder tem a cara da arte”? O que parece ser a mesma coisa, expõe uma problemática crucial para chegarmos a tal da identidade. Na primeira questão, a arte é colocada como artifício, instrumento de determinação de uma ordem pela subjetividade da estética; na segunda, o poder se fantasia de subjetividade para esconder sua manipulação. Mas nem tão distantes estão. Equilibram-se na existência do próprio homem como fruto responsável por ambas, já que tanto arte quanto o poder são atributos da necessidade humana de superar o meio, seja ele simbólico (e portanto cultural e natural, entendendo que a origem etimológica das duas palavras são a mesma) ou político.</h2>
<h2 style="text-align: justify"> </h2>
<h2 style="text-align: justify">E é esse homem, essa figura, transformada em mulher, que vemos surgir da figura do cão. Se deus é o criador de tudo e todos, então a mulher é responsável pela continuidade da vida. É ela igualmente criadora. A humanidade se configura, portanto, na existência da criação como instrumento de adoração do criador. Adoração exposta em desejo ao próprio corpo, como o streptease do ator (metáfora da necessidade de abdicarmos de nossas máscaras sociais para nos reencontrarmos puros e originais), como a idolatria ao inacessível, ao inquestionável, ao que cala, representado pelo Santo Graal (face existencial de criador supremo).</h2>
<h2 style="text-align: justify"> </h2>
<h2 style="text-align: justify">O Homem se afasta de seu duplo. Tem esquecido de compor sua humanidade pela junção do ser e do existir. E a individualidade solitária faz com que, ao nos afastarmos de nós mesmos, nos afastemos de nossa capacidade crítica em ouvir e comparar.</h2>
<h2 style="text-align: justify"> </h2>
<h2 style="text-align: justify">Não se trata de valorizar morais ou fundamentos éticos religiosos. Pelo contrário. A peça avança sobre a condição iconoclasta de maneira mais vertical, propondo o próprio homem (criador de si mesmo) como ícone a ser desconstruído ao reivindicar sua capacidade de se recriar e re-significar. Desconfigura a face sagrada e ri de sua face animalesca.</h2>
<h2 style="text-align: justify"> </h2>
<h2 style="text-align: justify">A questão, agora, é compreender onde nos reconhecemos então. O que resta deste homem transformado pela história em representação da própria história? Na solidão autodestrutiva, na surdez descomedida, como encontrar nossa identidade?</h2>
<h2 style="text-align: justify"> </h2>
<h2 style="text-align: justify">Estamos, como Kepler, isolados por e em nossos próprios discursos. Sem deuses, sem diálogos, sem respostas, pois perdemos a capacidade de fazemos perguntas. Silêncio e ausência. Se tivesse que resenhar sobre nossa identidade hoje, a partir do espetáculo, diria que estamos fadados a fracassar em sermos nós mesmos.</h2>
<p style="text-align: justify"> </p>
<p style="text-align: justify"> </p>
<p style="text-align: justify"> </p>
<h2 style="text-align: justify">Ruy Filho</h2>
<h2 style="text-align: justify"> </h2>
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