05/08/2008 - 11:13
Ai, ai… Se eu ainda bebesse, juro que pediria um Drurys. Que dureza, viu?! Seria tão mais fácil seguir o rebanho, seguir essa corrente-pra-frente e cantar as maravilhas desse Brasil varonil. Elogiar os nossos governantes, agradecer esse povão que vem aqui arrotar sua cafonice explícita, com seu linguajar chulo, seu mau gosto deslumbrado. E ainda receber uns trocados do Governo para isso. Mas, definitivamente, não é esse o meu estilo.
Quando do início do Blog, Gerald Thomas exigiu que não houvesse qualquer tipo de censura aos comentários, nenhum controle, nenhuma restrição, que as pessoas se manifestassem com total liberdade. Pensei comigo mesmo: “Coitado do Gerald, acha que está lidando com dinamarqueses, com noruegueses, suecos. Não conhece as delicadezas de nossos selvagens tupiniquins.” Pois bem: até entendo a manifestação raivosa contra o post que falava de Gilberto Gil. Afinal, Gil é do Governo, é popular, negro, revolucionou a cultura da Banânia difundindo a… capoeira! Como sabemos, é pecado falar em Governo, em quem é popular, negro, e quer salvar a cultura nacional ensinando capoeira às nossas crianças. O que me surpreendeu foi o descontrole dessa gente com relação ao último post, sobre a Amy Winehouse: Gerald não escreveu uma linha sequer, citando, mesmo que de passagem, alguma instituição da Banânia. Não se referiu a nenhum brasileiro, nada! A reação, por incrível que pareça, foi a mesma: “Elitista, arrogante, preconceituoso! Como ousa, esse branquelo, nos ignorar dessa maneira? Estamos aqui, exibindo nossas feridas, mostrando nossos pés inchados, nossas úlceras. Se esse cabeludo não quer nos dar uma esmola, que ao menos nos demonstre alguma compaixão.”
Tadinhos, estão carentes. Não suportam mais a mesmice politicamente-correta dos blogues dos companheiros. Querem vir aqui, em busca de atenção, de um contato com pessoas diferentes de suas laias. Quando se enfurecem com críticas ao analfabetismo de seus governantes, é por sentirem-se atingidos, por se reconhecerem naquelas metáforas pobres, naquelas idéias toscas. Mas não gostam de ouvir críticas que venham “de fora”. Eles têm o direito até de se matarem mutuamente. Literalmente, como no caso de Santo André e Campinas, ou politicamente, como no caso do Ministro que quer acabar com a lei de Anistia com o objetivo porco de atingir Ministros de seu próprio Governo que tiveram passados de seqüestradores, assaltantes de bancos e terroristas. Entre eles, não há meio que não seja justificável por algum fim.
Pois bem! Querem um blog democrático, onde todos possam se expressar livremente? Então, é o seguinte: Terão que aprender também a ouvir. Aqui tem os dois lados, não é só vir buscar o bolsa-esmola, tem de trabalhar também, vagabundos! Ou pensam que por estarem nos governos, nas faculdades, nos sindicatos, todos têm de rezar por suas cartilhas? Coitados, leram algumas páginas de Marx e Gramsci, mas não sacam nada de Foucault! O Vamp vai jogar um pouco de luz nessas trevas ideológicas: O poder não é algo que possa ser conquistado, simplesmente, ao se tomar o Estado. Não, não existe “um poder” que se conquista juntamente com aparelhos de Estado. Os poderes periféricos e moleculares se exercem em níveis variados e em pontos diferentes da rede social. Quem tem poder é quem cria valores. E os valores que estão sendo criados neste exato momento são os valores do Individualismo, da meritocracia, da liberdade de pensamento e expressão, enfim, tudo aquilo que vocês mais abominam.
Putz!, devo ter estragado o dia de muita gente, he, he… Agora que descobriram que Papai Noel não existe, vão entrar em depressão profunda, tadinhos… Vamos combinar assim: Cada um na sua! Nós fazemos o nosso papel, escrevemos sobre o que bem entendermos. Vocês continuam lambendo as botas dos seus líderes e recebendo como prêmio aquele sanduba de mortadela pago pelo partido. Cada um na sua? Lembrei daquele funk, verdadeira obra-prima da cultura popular. O Gilberto Gil deve amá-la:
“Ado, a-ado, cada um nu seu quadrado!
Ado, a-ado, cada um nu seu quadrado!
Petralhas nu seu quadrado nu seu quadrado!
Gilberto Gil nu seu quadrado nu seu quadrado!
Capoeira nu seu quadrado nu seu quadrado!”
O Vampiro de Curitiba
Autor: gthomas - Categoria(s): Colaboradores
Tags: blog, capoeira, cultura popular, dança do quadrado, Estado, Foucault, funk, Gerald Thomas, Gilberto Gil, governo, Gramsci, ideologia, imprensa, individualismo, Lei da Anistia, liberdade, liberdade de expressao, liberdade de pensamento, Marx, meritocracia, militares, O Vampiro de Curitiba, petralhas, poderes periféricos, povão, valores
02/07/2008 - 20:31
” A guerra entre a ortomolecular e a alopatia dentro do IML”
Dra. Paloma – Cadáver é cadáver. Morto é morto. Temos que ser práticos! Eu sou da bio, assim como o Ruben, que arranca corações! Morto é morto. Não existe “meio morto”. Ruben e Gustavo: vêm me ajudar a fazer a autópsia, vêm!
Ruben – Mas Paloma….
Paloma – É, porque o pessoal de “humanas” coloca muita minhoca no meio. Leram muito Kafka, muito Marx, muito Sartre, muito Joyce. Na bio e na orto não têm dessas coisas. Não se é um “meio-morto”. Eles acham que pode-se ser um meio-morto assim como se pode ser um “meio-deprimido” ou um “meio-ambiental”, mas vida é vida, e morte é morte: vem, vamos à autópsia.
Ruben – PÁRA: voce não vê que….
Paloma – Tá duvidando de mim, Ruben? Na frente do Gerald e de todo mundo? (lágrimas). Como eu fico? (se aproxima de Ruben e sussurra) Os nossos problemas a gente….em casa, entende? Me ajuda na autópsia! Me ajuda com a faca!
Gustavo – O que é que tá rolando?
Ruben - É, Paloma! Tenta injetar esse morto com uma mega-injeção de GH mais Boro Chelado e Zinco Chelado e Saw Palmetto e Pictogenol e DMAE e DHEA e Ácido Fólico, Enzimas essenciais e Vitamina C de 3000mg, e Vitamina E de 800 Unidades, Internacionais e Nacionais. E Lactase e Lipase e Liver Support e Kyo-Dophilos e….
Paloma – PARA, RUBEN! Você está me humilhando. Vou ligar pro Drauzio Varella. Vou ligar pro Perricone. Vou ligar pro sei lá quem. Você sabe que injeção nenhuma levanta morto.
Ruben – É que voce não notou uma coisa ÓBVIA na boca da traveca.
Paloma – É ÓBVIO que notei, e já foi logo no início! Ela engoliu um BAFÔMETRO.
Guzik – Bem, gente, preciso sair. O meu elenco voltou de Cuba hoje, malnutrido. Só comeram uma única torrada, e um copo de leite contaminado, mas disseram que tudo foi lindo e que o povo é lindo, e que….
Mau- Acabo de engolir uma cartela inteira de Rivotril.
Guzik – Paloma…é verdade? Foi um Bafômetro?
Paloma – Claro, olha aqui! Olha a partezinha que o policial usa, olha, tá entalado aqui no início da garganta.
Gustavo pro Ruben – Olha, eu ia chamar a Cacá, mas ela sumiu: mas isso não te parece o tal vibrador católico?
Sandra- Ih meu deus!
Gerald – Rio Maynart querido, estou sem palavras. Estou absolutamente sem palavras. Até o Guzik está indo embora sem se despedir de mim.
Guzik – Jerry querido, eu jamais iria embora sem falar com você. Mas, me diga, onde anda o Jorge Schweitzer?
Rio Maynart – Outro dia peguei ele em movimento junto com a Valéria.
Paloma – Ninguém está prestando atenção a dissecação do cadáver! Digo, dessa cadáver.
Andrea N.- Nossa é enorme mesmo! Wow! Que gato, digo…
Rio Maynart e Lucio Jr (em uníssono) – “Uma mão sobre o sapato seria uma mão sobre uma mão sobre o cadáver”
Com essa frase de Rio e Lucio, o Vamp tem um repentino surto.
Com esse surto, Paloma larga a faca e Ruben desmaia.
Paloma – A FACA! A FACA! Ruben? Ruben? Chamem um cardiologista!
ELENCO em UNÍSSONO: O RUBEN é o CARDIOLOGISTA!
Paloma – Meu deus , que crise dramatúrgica! Preciso ligar pra campanha do Obama! Pro Partido democrático. Guzik, você ainda não foi?
Guzik – Não encontro portas. Por isso estou quieto aqui na minha, anotando “coisas” pro meu livro Um Crítico.
Paloma – Como voce pode ser tão, tão, tão, tão…
Guzik- Egocêntrico?
Paloma- Exatamente!
Guzik – Venho das humanas, querida.
Paloma – Alguém ajude o Ruben, SENÃO TEREMOS DOIS MORTOS.
Guzik – Estranha essa tua reação, Dra. Paloma! Você está se referindo somente a dois corpos. Somente DOIS, como se fosse somente um número. É assim com o pessoal da tal “bio”? O Ruben pra você não é mais do que isso? Se ele morrer …
Paloma – Você não tem o direito de me julgar!
Gerald – Alberto, deixa ela querido! Depois eu explico.
Fabio – Gentem! Enquanto vocês discutem quem vem das bio ou das humanas, ninguém faz nada? Nem a Odete?
PALOMA AOS PRANTOS,VAMPIRO NUM SURTO, MAU COMO UM ZUMBI, GERALD PERRRRRDIDO E ENTRA UMA TRILHA BOMBÁSTICA DE PATRICK GRANT QUE FECHA A CENA POR HOJE: Por hoje “Nada Prova Nada” – Marco Nanini faz uma breve aparição numa brecha de luz enquanto Ana Carolina Lima
Ana Peluso – Isso rima!
Carlos – Pra você tudo é lindo né, Gerald? Nesse espaço blogosférico vale tudo, até os ultraconservadores alopatas que só nos vendem e nos entopem de remédios que visam tapar os sintomas…
Gerald – sin-Thomas? Conheço os hema-Thomas!
Ellen Stewart – This is the strangest music you’ve ever used!
Gerald – I know Mama. But it’s appropriate. But Patrick is very good. Dramatic. Operatic. Theatrical. Bombastic.
Ruben pisca um olho, e Vampiro agarra alguém (na escuridão não se identifica quem)…enquanto Ana Carolina Lima puxa o pano que faz a luz cair em resistência e faz a companhia de blogueiros/atores entrar em total pânico momentâneo.
Aguardem a parte 6 da BlogNovela – a primeira novela pela Internet
Autor: Ana - Categoria(s): BlogNovela
Tags: autópsia, Bafômetro, cardiologia, Cuba, Drauzio Varella, Joyce, Kafka, Marco Nanini, Marx, Patrick Grant, Sartre, vibrador