26/06/2009 - 11:37
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New York – Caramba! Mal coloco os pés em casa e vem a BOMBA!!!! Michael Jackson está morto!
Na minha peça, “Circo de Rins e Fígados”, Marco Nanini dizia (numa entrevista fictícia sobre o astro Peter Pan que acaba de morrer): “Não é homem nem mulher, não é branco nem negro, não é adulto nem criança”. De fato, MJ transcendeu a figura humana. Poucos fizeram isso na nossa história recente.
Estávamos em 2005 e Jackson se encontrava em mais um desses escândalos de moléstia, mais crianças encontradas em seu LaLaLand e o ídolo escondido (guarda-chuvas, chapéu entrerrado na cara, lenço para se esconder) dançava no topo de uma limousine na frente do tribunal em Los Angeles. Imagino o que Greta Garbo acharia dessa cena.
Pode ser que a autópsia revele que ele tenha morrido por excesso de anti-depressivos, ou cocktail de “prescription drugs”, ou seja, drogas tarja preta. Na minha opinião, Michael Jackson já estava num processo de morrer há muito tempo, se isolando em bolhas de oxigênio, não querendo respirar o mesmo ar que o resto de nós.
Morreu por excesso de higiene!
Será?
O que se pode dizer dele? Genial? Certamente.
Eu o vi, junto com a minha ex-sogra, Sir. Fernanda Montenegro e toda a minha trupe em Lausanne, Suíça, em 1992. Surgia de um buraco feito no palco como se fosse um boneco inflado e parado ficava. O público ria de nervoso porque o impacto da subida era forte demais para um ser humano. Pois é! Forte demais para um ser humano. E por um minuto e meio ele não se mexia depois de “subido”, lá plantado.
De repente, ao leve som de um instrumento, move-se um braço. O povo delira, vai abaixo.
Bem, o resto é história.
Uma bela, triste história, como poucos, poucos verdadeiros ídolos mágicos do nosso imaginário podem provocar. Não importa a causa da morte, na verdade. Importa, sim, que morreu um poeta excêntrico, um menino do Jackson 5 que morria de medo do seu próprio império e que queria que o tempo parasse! E fazer o tempo parar é uma equação impossível, assim como é impossível achar a fonte da eternidade (“Fausto” de Goethe ou Marlowe), assim como é impossível se superar como Michael Jackson se superou virando monstros, bichos, virando um thriller ele mesmo. E ao virar isso tudo, ele acabou por dar a volta no Universo. Esse Universo tão grande e tão escuro em que ontem, uma estrela, Michael Jackson, se apagou, deixando legiões de planetas, satélites, asteróides, enfim, uma galáxia inteira totalmente desolada.
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Gerald Thomas
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(Vamp na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: Circo de Rins e Fígados, excêntrico, Excesso de Higiene, FAUSTO, Fernanda Montenegro, Goethe, Greta Garbo, Los Angeles, Lousanne, Marco Nanini, Marlowe, MICHAEL JACKSON, Peter Pan, Remédios de tarja preta, Suíça, Thriller
04/05/2009 - 23:18
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Por: O Vampiro de Curitiba


O post anterior, no qual Gerald Thomas comenta sobre o falecimento do teatrólogo Augusto Boal (ver abaixo), suscitou um debate aqui no Blog. Houve certa confusão sobre o que se habituou chamar de “Teatro do Oprimido”. Na realidade o próprio conceito de “oprimido” escapou daquilo que originariamente Boal tinha em seu ideário.
Tem muita gente misturando conceitos e realidades diversas. Uma coisa é a busca da conscientização e expressão de setores marginalizados da Sociedade. Outra, totalmente distinta, é achar que toda e qualquer pessoa possa ser ator ou diretor de teatro. Aliás, é preciso salientar algumas diferenças: Arte é Arte, panfleto é panfleto. Teatro é Teatro, circo é circo. Ator é ator, platéia é platéia. Confesso que me sinto constrangido quando vou assistir uma peça de teatro e o ingresso custa menos que o estacionamento. Acho que o ingresso deveria ter um valor muito maior do que se é cobrado. Agora, eu quero pagar um valor justo para ver um Nanini, uma Fabiana Gugli atuando. Mas não, atualmente todo mundo é ator. Tem mais gente no palco do que na platéia.
Essa questão de tornar tudo “popular” não é, infelizmente, algo que ocorre somente no meio artístico. Nas escolas, por exemplo, são os professores que são influenciados pelos alunos. Ao invés de o professor ensinar matemática, ele quer “entender” a realidade do aluno. Deu no que deu: a educação pública no Brasil é uma das piores do Mundo. A balbúrdia chegou até ao Supremo Tribunal Federal (STF). Dia desses, num total descontrole, o ministro Joaquim Barbosa começou um bate-boca com seus colegas numa sessão que chocou os telespectadores que assistiam a TV Justiça. Joaquinzão, ministro do Supremo escolhido por Lula, se ofendeu com o corretivo dado pelo presidente do Supremo e resolveu prolongar a baixaria. Disse que Gilmar Mendes deveria “ir ás ruas”. O que é isso, gente? Joaquinzão, pelamordedeus!, é o Supremo quem deve levar seus valores aos cidadãos, não o contrário. O povão quer mais é o linchamento, a pena de morte, o olho-por-olho, etc. Um ministro do Supremo deve aprender na Academia, não nas ruas!
Agora, a baixaria mesmo se dá é na Internet. É uma característica mundial a perda de leitores da mídia impressa para a Internet. O que faz com que todo mundo tenha blogs, twitter e o escambau. Jornalistas que levaram um pé-na-bunda da grande Imprensa têm na rede um local para publicar suas “opiniões” (na maioria das vezes opiniões do Governo de plantão), seus “serviços”. Os conceitos e valores mudam conforme seus negócios. A Privatização, por exemplo, que era demonizada por esses setores demagógicos, passa a ser vista como exemplar. Claro, isto com o devido patrocínio da empresa privatizada. E lá vai a manada de (e)leitores tentar se adequar ao novo “contexto”.
Pensa que essa vulgarização de tudo é privilégio da República das Bananas, caro leitor? Não, a imbecilização se dá no Mundo todo. Na Inglaterra chegou-se ao cúmulo de “enfeiar” uma cantora, Susan Boyle, para torná-la mais “popular” e assim conquistar o grande público. Sabe como é, né? É “gente como a gente”. Aqui o que difere é que a coisa fugiu do controle. Essa aberração chegou não apenas ao Teatro, à Escola, à Internet ou ao STF. Alcançou o Planalto. Óbvio, quem nada de braçada nesse mar de idiotice é o Grande Guia dos pobres e oprimidos, o Rei das Metáforas Pobres, o Bananão da Silva. A Saúde é um caos? A Educação é um lixo? Ah, não se apeguem a detalhes! Ele é “gente como a gente”. Ninguém sabe por que, mas amamos nosso presidente. Eu amo tanto que até lhe ofereço um sucesso bem, digamos, popular:
Povão oprimido:Você não vale nada,
Mas eu gosto de você!
Você não vale nada,
Mas eu gosto de você!
Tudo que eu queria
era saber por quê.
Tudo que eu queria
era saber por quê.
Você brincou comigo,
bagunçou a minha vida.
E esse meu sofrimento
não tem explicação.
Já fiz de quase tudo tentando te esquecer.
Vendo a hora morrer
não posso me acabar na mão.
Seu sangue é de barata,
a Boca é de vampiro.
Um dia eu lhe tiro
de vez meu coração.
Aí não mais te quero
Amor não dê ouvidos
Por favor, me perdoa
Tô morrendo de paixão…
Bananão da Silva: Eu quero ver você sofrer
Só pra deixar de ser ruim
Eu vou fazer você chorar, se humilhar
Ficar correndo atrás de mim…
Hare Bába!!!
É nóis na fita, mano!
O Vampiro de Curitiba
Autor: gthomas - Categoria(s): Colaboradores
Tags: arte, Augusto Boal, bananão da silva, blog, ditadura do oprimido, educação, escola, Fabiana Gugli, Gilmar Mendes, Internet, joaquim barbosa, Lula, Marco Nanini, midia, O Vampiro de Curitiba, planalto, popular, privatização, STF, susan boyle, teatro, Teatro do Oprimido, twitter, vale do rio doce, vulgarização da sociedade
29/12/2008 - 20:11

New York -“Segui o Che pela cordilheira Alpina atrás de queijo suíço . Só deu buraco!” Essa frase caía bem na boca do GRANDE (Maior) ATOR, Marco Nanini, na peça “Circo de Rins e Fígados” que eu tenho rodado aqui no Blog nessa última semana.
Ela deveria representar uma espécie de besteirol e deveria compilar (e compila!) a falta de compreensão total do homem moderno em relação ao tempo em que vive. Assim somos, não é? Quando observo essa ridícula e triste REPETICÃO em Gaza entre as mesmas “equipes” (não se trata mais de alianças: entendam meu ponto de vista: o jogo se entende como esporte, a multidão que o assiste se mata e acaba sendo assassinada e os esportistas, os estrategistas raramente ficam feridos. Mas berram. E como!)
Vejo o vergonhoso caso Madoff: 50 bilhões de dólares e como ele (e tantos outros que ainda não conhecemos!!!!!) conseguiram ROUBAR e ROUBAR e ROUBAR por ter sido mais um mestre nesse jogo: qual a natureza desse jogo?
Esse que vejo sendo jogado no dia a dia pela mídia. Existem diferenças, claro. Mas poucas. Não pensem nem por um segundo que o iReport da CNN é um veiculo democrático ou a “Minha Notícia” desse portal ou de outros são, igualmente, democráticos: ao contrário. São formas demoníacas de fazer com que o leitor, internauta ou participante se sinta “parte do time” por um dia, dois dias ou por alguns minutos. É Andy Warhol diluído. É o filme “Network” de Lumet sendo “pacificado” pra que a gente nao saia abrindo janelas berrando “this is bullshit and I’m not going to take it anymore!”
A Faixa de Gaza ou o West Bank que em português se chama Cisjordânia (tenho antipatia por essa palavra em português, e não me perguntem por quê): por quanto tempo? Por mais 5000 anos? Ou desde 48 e até…….2048 pra que 100 anos de sangue rimem com 100 anos de solidão, e RETIREM o Nobel de Garcia Márquez ou de Saramago….e de Harold Pinter (que aliás, apoiava Slobodan Milosovec, um tremendo carrasco e filho da puta…). Mas sou incurável mesmo. Nao tenho jeito: Pinter está morto e mesmo assim: no vídeo que roda aqui no Blog (de aceitação do prêmio Nobel) o “silenciador” explica a formula de como “monta” uma peca sua! Ora! Que piada. Pior que isso! Diz que dá nome ou letras aos seus personagens: A, B, C ou D. EXATAMENTE, ESCARRADAMENTE, cópia total de Beckett.
Sua devoção ao mestre Sam era tal que, já com câncer terminal – quase sem poder falar – em 2006, ele entra no palco como ator e faz um espetáculo de Beckett , “Krapp’s Last Tape”. Pra quê? Pra colocar sua estúpida fragilidade Slobodomiana à vista? Sei!
Invasão, guerras, Hamas, Hessbolah, Al Qaeda, terrorismo, Exércitos e armas…..desde que existimos aqui….desde que olhamos pro outro ou pra outra, ou o pé do outro da outra ou pro outra do outro, a guerra esta declarada:
“A agressividade não foi criada pela propriedade. Reinou quase sem limites nos tempos primitivos, quando a propriedade ainda era muito escassa, e já se apresenta no quarto das crianças, quase antes que a propriedade tenha abandonado sua forma anal e primária; constitui a base de toda relação de afeto e amor entre as pessoas. Se eliminamos os direitos pessoais sobre a riqueza material, ainda permanecem, no campo das relações sexuais, prerrogativas fadadas a se tornarem a fonte da mais intensa antipatia e da mais violenta hostilidade entre homens que, sob outros aspectos, se encontram em pé de igualdade”.
Seria isso uma citação de Freud? Parece que sim. Copiei dos comentários enviados ao Blog.
E tem mais: “O sentimento de culpa seria o mal-estar da cultura, o preço de vivermos em sociedade, reprimindo a sexualidade e a agressividade. Sob esta ótica, o mal-estar é estrutural, próprio dos processos de organização do psiquismo do homem, do fato de ele existir, de ser, pois ele só pode ser e existir como homem dentro da civilização. A existência humana é problematizada por não mais ser natural. Em relação a ela, as leis da natureza são substituidas pelas leis da cultura. Por esta razão, se – por um lado – a civilização em si, provoca um mal-estar, por outro lado, sem civilização não haveria humanidade, seríamos apenas outros primatas regidos pela natureza. A primeira e maior lei cultural, aquela que nos separa definitivamente dos outros animais, é o tabu do incesto, a regulamentação das relações sexuais, com a consequente organização das relações de parentesco, presentes em qualquer sociedade humana, mesmo naquelas ditas primitivas.” Obrigado, Nina, por ter enviado o Freud. Amo quando me enviam Freud. “Freude” em alemão é felicidade. Um mero “e” faz a diferença!
Mas e a tristeza? E a Tristeza do Mundo, hein, Ekram? “Israelenses e Palestinos sabem disso e até poderiam chegar a um termo se não houvesse tantos “bem intencionados” aliados em ambos os lados. Os EUA, por exemplo, estão apoiando esse ataque massivo dos F-16 sobre Gaza. A Rússia e a França condenaram e jogaram a responsa para a ONU, que todos sabem que não significa nada. A ONU é o espantalho no milharal.” Pois é. Sou incurável mesmo e acho que a merda da ONU só serve mesmo pra congestionar o trânsito aqui na primeira avenida. Mas, Sandra, por exemplo, responde…”Quanto a comparar fanatismo religioso com narcotráfico, depende. Se alguém quiser jejuar durante um dia inteiro ajoelhado no milho, tudo bem. Mas terrorismo? Pior: funciona? Veja o que funcionou, e quem fez diferença: Martin Luther King, Ghandi,… O Hamas não fala em nome dos mulçumanos, assim como o narcotráfico não fala em nome dos morros. Você daria a guarda de seus filhos a alguém que convence crianças a amarrar explosivos no corpo? Acha que eles vão parar se Israel não responder aos ataques? Foi o que aconteceu com todas as outras organizações terroristas? Quando pararam de brigar com Israel, brigaram entre si, e tornaram um inferno a vida das pessoas que diziam proteger.
Nina, uma criança que mata um bicho não necessariamente o fará depois de adulto, mas, se o fizer, se, para ela, a crueldade continuar sendo uma coisa normal, ela deve deixar o convívio da sociedade. Não somos obrigados a sofrer nas mãos de pessoas assim.”
Ótimo. Todos os argumentos são ótimos. Justamente por isso, homens, mulheres e crianças brigam, lutam e se matam: o esporte que nao cessa nunca: OLIMPÍADA. A Tocha que não se apaga! Lindo nao é?
Não vamos fazer o jogo aqui dessa hipocrisia! “ai que horror! Ai que coisa triste! E tal” Sabemos exatamente o ser VIOLENTO que temos dentro de nós. Como? Não ouvi direito! Você não entendeu essa última frase? Então seja mais um tolo e pegue toda a sua fortuna e entre no coro dos imbecis e berre: “que horror! Que coisa de louco (silêncio –pausa de 5 segundos , coisa de Harold Pinter)…..e jogue seu dinheiro ou sua arma predileta nos patifes como Bernard Maddof.
E FELIZ ANO VELHO como já disse um amigo meu, que hoje está…
Gerald Thomas
Autor: gthomas - Categoria(s): Sem categoria
Tags: AL QAEDA, Andy Warhol, Beckett, Bernard Maddof, CNN, Faixa de Gaza, França, Freud, Garcia Marquez, Ghandi, Hamas, Harold Pinter, Hesbolah, Israel, José Saramago, Marco Nanini, Martin Luther King, Nobel, olimpíadas, ONU, Rússia, Slobodan Milosvec, terrorismo
18/12/2008 - 15:51
NADA PROVA NADA
Projeto “Gimmie Shelter” de Mick Jagger com Ben Affleck chama atenção sobre situação no Congo, Darfur e lugares de crise real: estupro, genocídio de milhões de pessoas. Mas, primeiro, a crítica do Macksen Luiz, do Jornal do Brasil, hoje, quinta.
“Texto pretensioso de Gerald Thomas expõe crueldade do nosso tempo”
Macksen Luiz, JB
RIO – Gerald Thomas propõe trocadilhos para além das palavras em seu Bate Man, em cartaz do Espaço Sesc, em Copacabana, como se a ação, ou inação, do homem submetido ao “banho de vinho tinto de sangue” fizesse parte do jogo das inevitabilidades do nosso tempo. O indivíduo, torturado pela banalidade da violência, transformado numa peça de carne pendurada numa exposição de atrocidades, se esvai pelas frestas de uma realidade de sentidos duplos e aparências enganosas, que o imobiliza e atrai a sua perplexidade.
O que resta a esse homem, bêbedo do real, mas que desconhece as razões para o que vive, encharcado de incoerência e de culpa. No teatro de meias verdades ou de mentiras cínicas, interpreta o papel do bufão ensangüentado que bebe vinhos de safras incontornáveis e participa de patético desfile de moda, numa antropofágica deglutição da imensa solidão do silêncio dos tempos.
Nas metáforas da existência na atualidade, Gerald Thomas não abandona as citações, a busca de representar o momento com fatos do passado, de reinterpretar significados e reverberar a imobilidade ruidosa. Muita pretensão na exigüidade de uma vinheta teatral? Sem dúvida, mas há nesse texto algo de circunstancial e abusadamente pretensioso no desejo de capturar traços do nosso tempo, de fazer um esboço de compreensão e de imprimir urgência para demonstrar.
A escrita cênica de Gerald Thomas capta a intensidade com que expõe as suas próprias dúvidas e inflexiona a arte contemporânea. A capacidade de criar identidade visual para suas montagens permite que o autor, diretor e cenógrafo deixe, a cada espetáculo, a sua marca também na ambientação. Em Bate Man, a semi-arena coberta de areia, com caixas de vinho espalhadas pelo chão e um simulacro de palco ao fundo, cuja cortina se abre para desvendar atrocidades, confirma a sua mão firme para o desenho da cena.
O ator Marcelo Olinto, que pela primeira vez é dirigido por Gerald Thomas, integrante que é da Cia dos Atores, demonstra nessa estréia ainda alguma hesitação a se integrar ao estilo interpretativo do encenador. Olinto se sai melhor quando sugere o humor e ilustra, corporalmente, imagens mais contundentes – a virulência e a ironia são menos sensíveis ao ator.
Macksen Luiz
Isso mesmo! Gostei, Macksen! Gostei!
NEW YORK -Diáspora Teatral ou “NADA PROVA NADA”
OU O JEITO IRISH DE SER. Inspirado pelas árvores e memórias londrinas de quando o meu carro pifava nas ruas de Putney (bairro no South West da cidade imensa) e a RAC ou a AA (Automobile Association) me salvava em questão de minutos. E por quê? Por um simples motivo: gorjeta! Sim, os carros da Royal Automobile Club ou da AA circulando pela cidade com seus mecânicos irlandeses loucos pra que nossos radiadores explodissem de frio, pois tínhamos que colocar um líquido marciano verde chamado de “anti-freeze”, uma gosma que não deixava a água congelar. Resultado: o primeiro a chegar atendia a urgência, mas depois nos oferecia a troca de qualquer outra parte do carro (“I have a brand new part for you here in my vehicle for only 5 pounds”…) e acabava-se por fazer uma reforma geral, ali na rua mesmo, em 30 minutos: CRIATIVIDADE E PROPINA
Mas por que digo isso? Porque foi assim que fui conhecendo a HISTÓRIA da Irlanda, sul e norte, dos católicos e protestantes, do amor e ódio contra os ingleses, minha paixão pela Guiness e pelo sotaque que depois me foi sussurrado por Beckett nos ouvidos.
Como começar? Quando eu tinha 16 anos e conheci Jill Frances Drower, uma bailarina seis anos mais velha que eu e nos casamos? Será aí?

Gerald Thomas com 15 anos (Foto de Marisa Alvarez Lima)
Essa foto acima foi tirada por Marisa Alvarez Lima -seu maravilhoso livro “Marginalia” cuja introdução é minha, que orgulho! 16 anos e sentei a bunda na British Museum Library…
Não… assim não!
Vou inventar uma maneira mais interessante.
Vou falar em “GIMMIE SHELTER”, o projeto do Jagger no CONGO. Mas falar o quê? Que nós artistas estamos ESGOTADOS E IMBECILIZADOS QUANDO FALAMOS DE NÓS MESMOS????
JAGGER E TODOS OS OUTROS que conseguem transformar a sua arte num projeto social são, de fato, geniais. Claro, o resto (nós), não passamos de ególatras, chatos e pretensiosos. Chatos e pretensiosos.
Nesse século 21, gente, voltamos ao século 17: guilhotina para os chatos e eu sou o primeiro a ir, mas a segunda é essa idiota da pichadora da Bienal. Os terceiros e quartos são os organizadores e participantes da Bienal: vá todo mundo pra puta que pariu!!!
Achem assunto, seus idiotas!
E assim eu fico. Por ora aqui escrevendo sobre o porquê dos irlandeses em Londres ou dos Turcos da Alemanha ou dos Porto-riquenhos em Nova York ou do processo migratório obrigatório: guerra, genocídio, etc ou “oportunismo: grana!” (Europa, Euros; USA, dólares. artigo de Caetano Vilela em seu blog, excelente)
Já que poucos falam sobre a ORIGEM das coisas e a ORIGEM dos fatos, e porque Sean McBride fez o que fez e porque Yehudi Menhuhin tocou o que tocou no dia em que tocou e porque DESTERRADO e EXILADO e Barra PESADA e que GULAG é barra pesada… Nada Prova Nada! Nanini dizia isso como ninguém jamais dirá, no meu “Circo de Rins e Fígados”. Conversei longamente com a minha eterna sogra, a Fernandona, no dia em que deixei o Rio, semana passada. “Nada Prova Nada”. Rimos, choramos, trocamos lembranças íntimas que só dois grandes companheiros de viagens e tempos podem trocar e “Flash and Crash Days” lá se vão e lá se foram. E lá me fui! Lá me vou e la Nave Va.
Boa sorte, todo mundo!
Aqui em New York não tenho de tomar cuidado com os loucos porque… todos falam com seus próprios botões: só que os botões RESPONDEM EM VOZ ALTA!
Gerald Thomas
PS: Este texto só tem algum sentido se for lido ou visto, ou ambos, junto com a entrevista da GNT, logo aqui embaixo.
Congo, Darfur e, portanto… miséria da natureza humana.
De resto? Pichadores? Teatro? M.E.R.D.A. Sobrou pra nós!
(Vamp na edição)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: "Bate Man", "Nada prova Nada", Automobile Association, Ben Affleck, Circo de Rins e Fígados, Congo, crueldade de nosso tempo, Darfur, Fernanda Montenegro, Gimmie Shelter, Irlanda, JB, Jill Frances Drower, Luiz Macksen, Marco Nanini, Marisa Alvarez Lima, Mick Jagger, Nova York
31/07/2008 - 11:08
Esquadrão Gilberto Gil da morte ao Teatro.
New York – “Nós somos do esquadrão Gilberto Gil da Morte ao Teatro e viemos aqui te prender pela ÚLTIMA vez.”
Essa frase, dita pelo personagem “Tenente Sylvia Colombo” para Marco Nanini em “Circo de Rins e Fígados” (que “autorei” e dirigí em 2005) fazia o público vir abaixo! Todos morriam de rir e aplaudiam. Era o auge do fracasso do MinC. Gil não falava com a imprensa, viajava pelo mundo dando shows, pegando carona no avião de Lula e cobrando uma fortuna (já que era o “Senhor” Ministro!) e apertava as mãos de presidentes, Primeiros Ministros, Rock Stars, etc.. E a tal chamada “Classe Teatral” estava furiosa com ele! E como!
Eu ainda havia defendido o Gil contra Augusto Boal (numa época estranha em que esse GT aqui tinha uma coluna no JB e Gil sofreu ataques do autor do Teatro do Oprimido, sei lá… algo no estilo de “você sabe piar bem, mas….”). Eu, violentamente, defendi nosso hoje “ex”.
Mas Gilberto Gil ODEIA ser defendido assim como ODEIA ser atacado. Ou seja: o homem, inteligentíssimo (e cujo talento não precisa nem entrar em discussão), não gosta de ser julgado: sorry! A vida.
Lembro-me como se fosse ontem: eu estava na tenda especial montada na Rocinha onde Gil iria dar um show. Foi um fracasso. Caetano e Paulinha, Junior e eu, conversávamos sobre algo que não me lembro – quando Lula havia ameaçado anunciar a candidatura de Gil. Repórteres para todo lado se atropelando. Gil saindo de uma van como Greta Garbo: “Não sei de nada, me dêem óculos escuros (era de noite), não, não, não…” (e entrou correndo na tenda!).
Dias depois: No Jardim de América, subúrbio carioca, num show do Afro Reggae, indo de uma tenda pra outra, o próprio Caetano já dizia: “Gil está impossível! Virou ministro! Não fala mais com ninguém.” Mas Caetano dizia isso naquele tom macio, suave e carinhoso de sempre: minutos depois, os dois estavam se apresentando para uma multidão!
Ministério da Cultura? Nesse Brasil de hoje? No lo creo!
Depois que Paulo Autran e muitos ícones do teatro foram insultados pelo hoje ex-ministro por serem “elitistas” (como se ele, o compositor – cantor REI, como se considera,ao se apresentar em Tókio, Paris ou aqui no Carnegie Hall a 125 U$ não fosse!!! Ha ha!). Pergunto-me se o Brasil realmente precisa de um Ministério da Cultura! Acho que não! Pra quê? Pra empilhar projetos? Deixá-los na poeira? Ou favorecer os amiguinhos?
Sergio Mamberti está lá, do seu lado: se ele fosse nomeado seria o máximo! Taí um verdadeiro HOMEM da Cultura. Mas não será. Fica esse Juca. E nada muda! E tudo caduca!
Talvez seja o caso de se voltar mesmo para EDUCACÃO!!!!! Um ministério da ALFABETIZACÃO!!!!!
Andrzej Dudzinski, ilustrador, pintor e teatrólologo polonês, de Varsóvia, é meu amigo faz (uhhhh) quase 30 anos. Fazíamos parte do time que ilustrava a OpEd page do New York Times, dia sim, dia não. Hoje está de volta à Polônia e nos fins de semanas ele me previne: “vou estar fora do ar: estou indo para a colônia de artistas à uma hora e meia de Varsóvia, no meio do campo, árvores e tal….” Que luxo! Isso antes da Polônia se juntar à Europa Unidamente Desunida!
Fico pensando na história triste da Polônia e como o Andrzej fugiu da ditadura stalinista, pré-Jeruzelski, pré-Soldarienosk, pré-Lech Walesa (o Lula de lá, que deu certo) e….
“se dedicar a carreira de compositor e cantor”, como Gil afirma….
Assim como o resto poderia ser o Silêncio de Hamlet decretado por Fortinbras, a caminho da Polônia (olha, como tudo não é um acaso!).
E, como em alguns acasos, o negócio mesmo é ARRUINAR o que já não andava muito bem.
Gerald Thomas
Obrigado Vampiro na correcao e edicao do texto, as always!
PS: nao posso dizer que estou “isento de Gil” na minha vida. Minha cia de teatro foi produzida, em Salvador pela GG producoes artisticas em 1990. M.O.R.T.E. (Movimentos Obsessivos e Redundantes pra Tanta Estetica) era o espetaculo: nao vou entrar em detalhes.
PS 2: ele foi muito gentil comigo logo apos a estreia do show “Sorriso do Gato de Alice” que fiz pra Gal em 94 (muitas musicas de Gil). Ele, pela 1 e unica vez, me deixou um recado carinhoso naquelas secretarias eletronicas que haviam antigamente: com K7 e tudo.
PS 3: EDITORIAL da FOLHA de S Paulo de 1 de AGOSTO:
“POUCO PUBLICO”
Pouco público
INFELIZMENTE , a notícia de que Gilberto Gil deixa o Ministério da Cultura parece dizer mais respeito ao chamado “jornalismo de celebridades” do que aos assuntos de Estado. Grande parte desse efeito se deve, como não poderia deixar de ser, ao seu renome como artista e ao magnetismo de sua personalidade.
Ocorre que um dos principais méritos de Gilberto Gil foi justamente o de emprestar sua própria visibilidade midiática a um ministério cronicamente sem verbas e sem presença nas prioridades do governo.
A perene carência orçamentária não é a única justificativa para a inação do Ministério da Cultura. Em questões de grande importância, como a da Lei Rouanet e a dos direitos autorais, Gilberto Gil procurou movimentar o debate, sem poder traduzi-lo em propostas concretas de transformação.
São notórias, a esta altura, as distorções criadas pela atual legislação de incentivo à cultura. Apoiaram-se, com os recursos do contribuinte, projetos que teriam condições de se sustentar sem subsídios. A população carente de ofertas culturais e as instituições formadoras de talentos ficaram de lado.
É que as necessárias correções na Lei Rouanet -instrumento que tem a grande virtude de conter o aparelhamento político da cultura- esbarram tanto numa falta de real interesse político do governo para implementá-las, quanto no excesso de interesses, muito reais, dos setores que se beneficiam do sistema em vigor.
Refletem-se com isto, na verdade, as clássicas dificuldades em encarar o acesso à cultura, sua preservação e fomento, como uma questão de natureza pública, que transcende tanto as pressões corporativas quanto as tentações do dirigismo estatal.
Gilberto Gil pôde dar “publicidade” à pasta da Cultura. Não foi o suficiente, todavia, para colocá-la de fato como parte atuante do serviço público brasileiro.
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: a Falencia do MinC, Afro Reaggeae, Andrzej, Augusto Boal, Caetano Veloso, Dudzinski, elitismo, Falencia multipla da Cultura, Gilberto Gil, ilustrador, insultos a Paulo Autran, Junior, Lei Rouanet, Marco Nanini, Ministério da Cultura, Morte ao Teatro, OpEd Page, Rocinha
19/07/2008 - 19:14
Testemunho pessoal:
Morreu a maior de todas. Essa que teve a cara, coragem e o PEITO (nu) de enfrentar todos os preconceitos; a de enfrentar os piores insultos por ser uma absoluta pioneira no que fez.
Agüentou ser injustiçada até os últimos dias de sua vida. Inconformada com sua “falta de reconhecimento pelos intelectuais” como ela me confessou uma vez (em voz grave, triste) no camarim após um de seus shows no Canecão do Rio, Dercy era uma pessoa muitíssimo temperamental.
Quando encenei Gal Costa em “Sorriso do Gato de Alice”, em 1994, e tivemos aquela linda cena do “peito de fora” durante a música de Cazuza (Brasil, mostra a tua cara), ela foi ver o show e, depois nos visitou aos berros e abraços, e disse “me imitando né?, cambada de filhos da puta!!!!”
Morremos de rir. Morríamos de rir, nas pouquíssimas vezes em que nos vimos. Pouquíssimas mas riquíssimas!
Foi quando dirigi Marco Nanini na peça que escrevi pra ele, “Circo de Rins e Fígados” em 2005 que fiquei sabendo mais e mais sobre nossa grande diva. Foi com ela que Nanini aprendeu, “no sopapo” a arte de entrar em cena!
O resto ele conta melhor.
O que posso dizer é que A SENHORA Gonçalves era a NOSSA Grande Diva, nossa Jane Mansfield, uma boca pro mundo, sem reservas, o melhor que o Brasil tinha pra dizer. O Brasil eterno, aquele que se manifesta, aquele que ainda fazia passeatas, aquele politicamente incorretíssimo. Sendo ex-genro de Fernanda Montenegro, às vezes, morríamos de rir da coragem que ela tinha de ir direto ao ponto, de não ter medo de nada.
Quantas pessoas têm essa coragem? Digo, quantas pessoas no MUNDO tem essa coragem, a de dizer TUDO aquilo que merece e DEVE ser DITO sobre justiça e injustiça no momento exato, mesmo que depois pese profundamente sobre elas?
Poucas.
Morreu hoje um Bastião da CULTURA brasileira. Sim Dercy. Você conversava com nós todos porque o teatro, o cinema, a arte em geral deve muitíssimo a você.
O Brasil deve MUITISSIMO a você.
Talvez a sua presença só será notada agora, uma vez que você não esta mais entre nós. Mas você sabia disso desde o início. Continue amarga e nos xingando aí de cima. Estaremos te escutando, so que dessa vez, aos prantos.
LOVE
Gerald Thomas
Lindissimo comentario (publicado domingo 14;10h)
Enviado por: O Fantasma do Rio de Janeiro
Essa é a minha primeira aparição. Morri num urinol. Mas fui condenado a vagar até que os crimes cometidos em meus tempos de vida tenham sido purgados, se transformando em cinzas, ou fumaça. Meu menino Gerald Thomas a tua palavra e ação, bem como as de Dercy, narra os segredos das profundas, e, nos revela a nossa historia. A tua palavra sobre a vida e a arte arranca as raizes da nossa alma. E gela o sangue da nossa falsa juventude. A fetuoso Gerald Thomas a espontaneidade exige rigor, que Deus conserve essa tua caracteristica: afeto e rigor. Que Deus também te proteja desses que te apredejam. Desses, que lançam pedras, o que é mais importânte de observar não é o que as palavras dissem, mas sim o que elas ocultão. Até porque não têm nenhuma argumentação plausivel em suas respostas, apenas: agresividade gratuida, choro com raiva, inveja de pessoas que se escondem por atras de uma parede de humanos. O teu olhar é belo e acido permanentemente atual pela força com que trata de problemas fundamentais da nossa condição humana. A obsessão de uma vingança, desses anonimos, é porque a duvida e o desespero, aflorados pelas tuas palavras, expõe a impressionante dimensão tragica dessas pessoas. Você é importante, obrigado por existir e exigir.
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: Cazuza, Circo de Rins e Fígado, cultura, Dercy Gonçalves, Gal Costa, humor, Marco Nanini, Sorriso do Gato de Alice, teatro
02/07/2008 - 20:31
” A guerra entre a ortomolecular e a alopatia dentro do IML”
Dra. Paloma – Cadáver é cadáver. Morto é morto. Temos que ser práticos! Eu sou da bio, assim como o Ruben, que arranca corações! Morto é morto. Não existe “meio morto”. Ruben e Gustavo: vêm me ajudar a fazer a autópsia, vêm!
Ruben – Mas Paloma….
Paloma – É, porque o pessoal de “humanas” coloca muita minhoca no meio. Leram muito Kafka, muito Marx, muito Sartre, muito Joyce. Na bio e na orto não têm dessas coisas. Não se é um “meio-morto”. Eles acham que pode-se ser um meio-morto assim como se pode ser um “meio-deprimido” ou um “meio-ambiental”, mas vida é vida, e morte é morte: vem, vamos à autópsia.
Ruben – PÁRA: voce não vê que….
Paloma – Tá duvidando de mim, Ruben? Na frente do Gerald e de todo mundo? (lágrimas). Como eu fico? (se aproxima de Ruben e sussurra) Os nossos problemas a gente….em casa, entende? Me ajuda na autópsia! Me ajuda com a faca!
Gustavo – O que é que tá rolando?
Ruben - É, Paloma! Tenta injetar esse morto com uma mega-injeção de GH mais Boro Chelado e Zinco Chelado e Saw Palmetto e Pictogenol e DMAE e DHEA e Ácido Fólico, Enzimas essenciais e Vitamina C de 3000mg, e Vitamina E de 800 Unidades, Internacionais e Nacionais. E Lactase e Lipase e Liver Support e Kyo-Dophilos e….
Paloma – PARA, RUBEN! Você está me humilhando. Vou ligar pro Drauzio Varella. Vou ligar pro Perricone. Vou ligar pro sei lá quem. Você sabe que injeção nenhuma levanta morto.
Ruben – É que voce não notou uma coisa ÓBVIA na boca da traveca.
Paloma – É ÓBVIO que notei, e já foi logo no início! Ela engoliu um BAFÔMETRO.
Guzik – Bem, gente, preciso sair. O meu elenco voltou de Cuba hoje, malnutrido. Só comeram uma única torrada, e um copo de leite contaminado, mas disseram que tudo foi lindo e que o povo é lindo, e que….
Mau- Acabo de engolir uma cartela inteira de Rivotril.
Guzik – Paloma…é verdade? Foi um Bafômetro?
Paloma – Claro, olha aqui! Olha a partezinha que o policial usa, olha, tá entalado aqui no início da garganta.
Gustavo pro Ruben – Olha, eu ia chamar a Cacá, mas ela sumiu: mas isso não te parece o tal vibrador católico?
Sandra- Ih meu deus!
Gerald – Rio Maynart querido, estou sem palavras. Estou absolutamente sem palavras. Até o Guzik está indo embora sem se despedir de mim.
Guzik – Jerry querido, eu jamais iria embora sem falar com você. Mas, me diga, onde anda o Jorge Schweitzer?
Rio Maynart – Outro dia peguei ele em movimento junto com a Valéria.
Paloma – Ninguém está prestando atenção a dissecação do cadáver! Digo, dessa cadáver.
Andrea N.- Nossa é enorme mesmo! Wow! Que gato, digo…
Rio Maynart e Lucio Jr (em uníssono) – “Uma mão sobre o sapato seria uma mão sobre uma mão sobre o cadáver”
Com essa frase de Rio e Lucio, o Vamp tem um repentino surto.
Com esse surto, Paloma larga a faca e Ruben desmaia.
Paloma – A FACA! A FACA! Ruben? Ruben? Chamem um cardiologista!
ELENCO em UNÍSSONO: O RUBEN é o CARDIOLOGISTA!
Paloma – Meu deus , que crise dramatúrgica! Preciso ligar pra campanha do Obama! Pro Partido democrático. Guzik, você ainda não foi?
Guzik – Não encontro portas. Por isso estou quieto aqui na minha, anotando “coisas” pro meu livro Um Crítico.
Paloma – Como voce pode ser tão, tão, tão, tão…
Guzik- Egocêntrico?
Paloma- Exatamente!
Guzik – Venho das humanas, querida.
Paloma – Alguém ajude o Ruben, SENÃO TEREMOS DOIS MORTOS.
Guzik – Estranha essa tua reação, Dra. Paloma! Você está se referindo somente a dois corpos. Somente DOIS, como se fosse somente um número. É assim com o pessoal da tal “bio”? O Ruben pra você não é mais do que isso? Se ele morrer …
Paloma – Você não tem o direito de me julgar!
Gerald – Alberto, deixa ela querido! Depois eu explico.
Fabio – Gentem! Enquanto vocês discutem quem vem das bio ou das humanas, ninguém faz nada? Nem a Odete?
PALOMA AOS PRANTOS,VAMPIRO NUM SURTO, MAU COMO UM ZUMBI, GERALD PERRRRRDIDO E ENTRA UMA TRILHA BOMBÁSTICA DE PATRICK GRANT QUE FECHA A CENA POR HOJE: Por hoje “Nada Prova Nada” – Marco Nanini faz uma breve aparição numa brecha de luz enquanto Ana Carolina Lima
Ana Peluso – Isso rima!
Carlos – Pra você tudo é lindo né, Gerald? Nesse espaço blogosférico vale tudo, até os ultraconservadores alopatas que só nos vendem e nos entopem de remédios que visam tapar os sintomas…
Gerald – sin-Thomas? Conheço os hema-Thomas!
Ellen Stewart – This is the strangest music you’ve ever used!
Gerald – I know Mama. But it’s appropriate. But Patrick is very good. Dramatic. Operatic. Theatrical. Bombastic.
Ruben pisca um olho, e Vampiro agarra alguém (na escuridão não se identifica quem)…enquanto Ana Carolina Lima puxa o pano que faz a luz cair em resistência e faz a companhia de blogueiros/atores entrar em total pânico momentâneo.
Aguardem a parte 6 da BlogNovela – a primeira novela pela Internet
Autor: Ana - Categoria(s): BlogNovela
Tags: autópsia, Bafômetro, cardiologia, Cuba, Drauzio Varella, Joyce, Kafka, Marco Nanini, Marx, Patrick Grant, Sartre, vibrador
01/07/2008 - 17:10
Pequeno resumo do final da parte 3.
Sandra: Existe vibrador católico?
Vamp: Ai… que imbecilidade
Andréa N. – Tudo isso porque vocês não comem uma dieta apropriada
Gerald: Quietos um segundo por favor… Estão me ligando da Torre de Pisa…peraí …um Segundo…. É o Nanini (OI, QUERIDO, você consegue me ouvir????) Gente, vou ter que fazer uma pausa: 20 minutos por favor!
Elenco: ele nos trata como animais mesmo…
Vamp: acho que vou fazer um teste lá no Felipe Hirsch.
Começo da parte 4
(Faz-se um silêncio sepulcral na sala. Escuridão total. Total. Ninguém tem lanterna ou vela. Ana perdeu seu isqueiro. Desespero).
(Por alguns instantes ninguem se move. Algo cheira mal. Cheiro de medo. Pavor. De repente uma voz bem conhecida se manifesta, ainda na escuridão)
Ellen Stewart: Gerald, baby! What the hell do you think you’re doing down here? I need you up there in New York!
Gerald: But Mama, I am in New York. This is just a virtual space and…
Ellen: Virtual space my ass. Shut this computer down right now.
Gerald: It’s dark in here and I can’t see a thing. Ellen, these are my friends….my friends from the Blog.
Ellen: Blog? Have you been at it again? I told you to….
(Alguém acende uma vela e percebe-se que Gerald está falando sozinho. Não havia Ellen Stewart nenhuma no lugar. Quem havia entrado no recinto era, na verdade, Amy Winehouse, completamente drogada. Mas Gerald tinha que disfarçar. Afinal, o Blackout era uma tática teatral também (pra fazer atores e atrizes entrarem ou sumirem do palco).
Cacá: Caralho! CARALHO!!!! TEM ALGUÉM MORTO AQUI. TEM ALGUÉM MORTO AQUI. TEM UM MORTO AQUI. TEM UM MORTO AQUI. GENTE!!!! PESSOAS, TEM UM MORTO AQUI!!!!! NINGUÉM REAGE???? TEM UM MORTO AQUI !
AIIIIII. É UMA MORTA.
SÃO DUAS MORTAS.
(Ninguém do elenco é visto. Sumiram todos)
Gustavo: We needed a body. Precisávamos de um corpo. Já estava ficando chato. Era só palavras palavras palavras. Ninguém prestou atenção no que o Vitor da Argentina falou. Aqui só se fala em vibrador, Deus e Açaí. Agora temos um assassino.
Cacá: Mas cadê o resto do elenco?
Elizabeth: Cadê o resto do elenco?
Zeca (chegando de Montreal): Cadê o resto do elenco?
Todos (os que restam): Quem é voce?
Zeca: Eu? Como assim, quem sou eu? Como assim? Querem que eu me apresente? Ja escrevi aqui nesse espaço, ora! Vão à merda. Sou das antigas.
Sandra (escondida, agachada atrás de um tambor de petróleo vazio; murmura baixinho): “fui eu. Fui eu. Não é uma morte propriamente. É uma morte quântica. Assim como o vibrador do Gerald, que é um liquidificador, algo que causa uma reação química. Sei que ali se escondem mistérios. Nao sei quem era essa penetra aí. Parecia a Amy Winehouse.
Cacá: Meu deus do Céu! Nunca vi gente morta antes, mesmo gente não-morta-morta. Se bem que a Amy…
Carlos: Putz, chato hein? Que mistureba, que viagem pra hum mil oitocentos e bolinhas…. Pô Cacá, fala sério, deu mesmo uma olhada pra ver se é a Amy Winehouse? Pode ser o Stockhousen, pode ser o Pierre Boulez. Pode ser o que sobrou do John Cage ou do Philip Glass.
Andréa N.- John Cage era macrobiótico, e já está morto há muito tempo, pergunta pro Merce Cunningham, seu parceiro.
Carlos: O que vale é o social, ir pra igreja, pra sinagoga, pra mesquita, rezar, ter fé em alguma coisa, fazer o sinal da cruz, pagar o dízimo, seguir todos os rituais, comer carne, não comer carne, jejuar, não jejuar, etc,etc, etc,etc….ninguém se lembra de Deus não, portanto não precisa ficar repetindo isso como se fosse algo revelador. Mas daí você tenta colocar Dostoevsky na parada, poxa, o Fabio tem razão, não precisa querer formular tese. Escreve só algumas linhas falando do populacho, isso você tem razão (!!!!), mas daí a diferenciar ópio e álcool
Andrea N. – Mas quem falou em deus? A Dra. Paloma falou em Deus? É, a Amy Winehouse gostava muito de ópio o álcool….
Gerald: CALA A BOCA TODO O MUNDO
CALA A BOCA TODO MUNDO
CALA A BOCA TODO MUNDO
CALA A BOCA TODO MUNDO
CALA A BOCA TODO MUNDO
CALA A BOCA TODO MUNDO
Ufa! Cansei. Eu ainda queria falar uns 10 desses. Mas não deu. Paloma, me ajuda! Aqui ninguém entende merda nenhuma de teatro, e está todo mundo palpitando. Essa não é nenhuma Amy porra nenhuma. É uma das travecas do Ronaldo. Não dá pra ver que tem um, olha só (levanta a saia e…)
Andréa N. entra em choque mas fica excitada.”É enorme!!!”
Cacá e Gustavo em uníssono: – Poxa, tínhamos um corpo morto, quer dizer, temos um corpo morto. Podia, no mínimo, ser uma celebridade! Agora é uma mera traveca!
Gerald: Respeito com as travecas. Elas valem mais que nós! Já havia previsto essa tragédia, está em Julio Cezar de Shakespeare. Estou só aguardando a chegada do Alberto Guzik pra explicar pra vocês o que representa ter um verdadeiro travesti trabalhando numa companhia. No caso dele, a Cia Satyros. Quer dizer, agora estão em Cuba, mas ele conhece bem a história, e vai contar como são as discussões internas.
(a luz treme, ameaca cair de novo. O que resta do elenco olha com medo)
Gerald: Tratem de ressucitar essa, esse….. antes do Alberto chegar! E RÁPIDO!
Cacá: mas como?
Gerald: Com a maioria das travecas só tem um jeito: boquete!
(todos notam que o celular estava “on” o tempo todo)
Gerald: Caramba: O Nanini ouviu tudo isso? Nanini, você ainda está aí? Nanini? Nanini? Onde está o resto dessa porra desse elenco?
Sandra: acho que com o Blackout deve ter dado um problema na internet de todo mundo, então….
Gerald: Ah… esse negócio de novela Virtual é foda mesmo! E o SEXO? E a deformação da auto imagem? Onde ficam? Cadê o PLOT dessa BlogNovela? Tenho que arrumar um lugar físico logo, porque essa coisa quântica não dignifica o homem, nem o hímem.
Alberto Guzik bate na porta.
Gerald: RÁPIDO! RÁPIDO, ele não pode ver o cadáver!!!
Amanhã, a parte 5 da primeira BlogNovela da internet.
Autor: Ana - Categoria(s): BlogNovela
Tags: Alberto Guzik, BlogNovela, Ellen Stewart, Marco Nanini, teatro
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