13/04/2009 - 08:56
New York – Acordo no meio da madrugada. Agora é assim. Não consigo dormir mais que 3 horas. Deve ser a quantidade de coisas pela frente. O senso de urgência ou cobrança me sufoca. Então, caminho pelo apartamento e olho o East River, alguns poucos barcos passando (serão os piratas de Manhattan?), pego um copo de Rice Milk na geladeira, coloco açaí desidratado dentro e como o meu “mix antioxidante” (só revelo minha fórmula sob suborno!), e fico putíssimo com a perda de tempo em ter visto um filme sobre Francis Bacon, ou que eu achava ser sobre o meu pintor preferido e… nada. Era sobre o chato do amante dele, o George. All about George. Muito chato. Bacon gostava de levar uma surra, um cigarro queimado na pele. Mas isso já sabíamos das entrevistas com o David Sylvester.
Será que as mulheres do Afeganistão também gostam de serem estupradas? Não, acho que não. Pois o parlamento de Kabul aprovou uma lei em que o marido pode currá-las (mesmo que não queiram) quatro ou mais vezes por semana. Um grande amigo no Rio me sugere Frank Zappa, o mestre dos mestres. Imagine se estivesse vivo: “OUTRAGEOUS! RAPE YOUR OWN WIVES!!!!”. Viraria mais uma estoriazinha contada por Gregory Pegory, aquele porquinho que vivia entre o sul do Texas e o norte do Peru. Ah, Zappa! Você não sabe o que está perdendo nessa era da cartelização! Nos tapeiam, estapeiam, nos contam mentiras ROXAS e nós aqui, veados, putos e vagabundos que somos, defendemos os detritos, ou os ícones, que achamos que devemos defender.
Mantenho minha “Obama-memorabilia” visível de onde escrevo: daqui desse escritório, mesmo sendo meio da madrugada, dá pra ver os Tug Boats (rebocadores), flutuando levemente corrente acima (riverrun: Finnegan’s Wake) desse meu amado Thames de NY, o East River.
Aliás, o Bacon e David Sylvester são publicados pela Thames and Hudson. Sempre achei lindo esse nome para uma editora. Os dois rios das duas cidades que se amam e só não se casam por que… existe uma Los Angeles para atrapalhar!
Ando muito impaciente com a incompetência. Qual? Todas.
Ando tão impaciente como o Freeman Dyson! Esse, então… Não acredita em Aquecimento Global e ainda acredita que dióxido de carbono ajuda a qualquer tipo de planta crescer! O Dyson enfurece a comunidade científica, óbvio. Mas olhem suas credencias! É um dos “7 ases”, junto com Stephen Jay Gould, Steven Toulmin, Oliver Sacks e Rupert Sheldrake. Houve uma época em que eu não pensava em outra coisa senão nesses SEVEN ASSES, sorry, seven ases! Dyson é o mentor de Star Wars. Sim, aquilo que Lucas filmou. Oliver Sacks e Dyson são amigos e ambos ingleses morando aqui: casos de Thames e Hudson. Sacks defende Dyson dizendo que sua mente é extraordinariamente flexível, o que o torna muito mais que um mero “negador de mudanças climáticas”.
Calma. Deixa eu dar um gole no meu leite de arroz com baunilha e açaí. Ah… que loucura! Sinto-me como um desses piratas de sonos alheios. Insônia é uma coisa horrível. Pior ainda que jornalismo C passando por jornalismo A:
““A indústria brasileira perdeu R$ 24,7 bilhões de riqueza nos últimos seis meses em razão da crise, segundo projeções do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).
O carro que deixou de ser montado, a máquina de lavar que não foi fabricada, o alto-forno da siderúrgica desligado, por exemplo, provocaram uma contração da ordem de 15% no ritmo de produção e um recuo no Produto Interno Bruto (PIB) industrial.
O baque sofrido pela indústria em seis meses foi tão grande que, mesmo com a recuperação esboçada no ritmo das fábricas em janeiro e fevereiro, economistas preveem que a produção industrial encolha entre 4% e 5% este ano na comparação com 2008.”
Mas nem tudo está perdido! A Marinha americana resgatou ontem o capitão Richard Phillips, comandante de navio mercante mantido refém desde a última Quarta por piratas somalis em um barco salva-vidas, e matou três dos seus captores. Eu tenho verdadeiros gozos ecumênicos quando vejo isso na CNN, especialmente depois de um filme ruim como aquele que “não era sobre o Bacon” (que pela overacting performance do Derek Jacoby também poderia se chamar Hamm ou Rack of Lamb: canastra!).
Um dos bandidos, que negociava o resgate a bordo do destróier USS Bainbridge no momento da ofensiva, foi preso. A libertação de Phillips, 53, mobilizou aparato de guerra e envolveu uma delicada negociação, acompanhada atentamente pela população dos EUA.
Só faltou o Johnny Depp nessa hora, para entrar com seu “Piratas no Caribe”. Pois estamos na era cartelizada e pirateada e quem ainda me vier com globalização vai ter que me mandar caixas e caixas de Leite de Arroz da WholeFoods (365 é a marca), sabor baunilha, já que dormir é impossível.
Visto como herói nacional, o capitão veterano mandou que os homens sob seu comando se trancassem em uma cabine e se ofereceu como refém, segundo relatos de tripulantes. A coragem de Phillips é um modelo para os americanos, afirmou o presidente Barack Obama, que autorizou o resgate. O cargueiro Maersk Alabama tinha acabado de passar pelo golfo do Áden, o chamado “beco dos piratas”, quando foi atacado.
Os piratas somalis mantêm reféns cerca de 200 tripulantes de embarcações atacadas, a maioria cidadãos de países pobres, como Bangladesh, Paquistão e Filipinas.
Artistas são atacados por piratas o tempo todo. A indústria de Cds pirateada vindas da China e da Índia, Paraguai e México é inacreditável. A quantidade de fitas de filmes em camelôs que se pode comprar aqui em Union Square é simplesmente incrível.
Então, agora, ensaio alguns passos de volta para cozinha, ignoro os mais de mil e-mails pra responder, ignoro as dores no corpo e os poros de suor e lágrimas. Muitos se foram. Tantos jamais voltarão.
Nessa luta indomável pela vida, alguns índios náufragos pegaram um pedaço de gelo enorme, um iceberg, mas ele derreteu. E flutuando como uma canoa desgarrada, esse gelo já minguado atracou-se em Honduras. Mas isso é pra outro dia, outra coluna. Estou sendo pirata de mim mesmo porque me seqüestrei da cama, me trouxe aqui para o escritório e escrevi pros meus amigos do BLOG. Mas o que vocês não sabem é que atrás de mim tem três bandidos somalis com metrancas apontadas em minha direção, falando algo que não entendo.
Vou dar mais umas horinhas e ligar pro Oliver Sacks.
Gerald Thomas, 13/Abril/2009
(O Vampiro de Curitiba na edição)
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Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: Afeganistão, Aquecimento Global, Bangladesh, cargueiro Maersk Alabama, china, CNN, David Sylvester, Derek Jacoby, East River, Filipinas, Francis Bacon, Frank Zappa, Freeman Dyson, Gregory Pegory, Honduras, India, Johnny Depp, Kabul, Los Angeles, Manhattan, Mexico, Obama, Oliver Sacks, Paquistão, Paraguai, Peru, pirataria, Piratas do Caribe, piratas somalis, Richard Phillips, Rupert Sheldrake, Star Wars, Stephen Jay Gould, Steven Toulmin, Texas, Thames and Hudson
02/11/2008 - 01:19
“Stand up and fight my friends, defend your country, fight on, never stop fighting, fight for America, God Bless America!”
John McCain estava aos berros em Virginia nos últimos surros, urros e sussurros dessa campanha eleitoral. Mas “stand up and fight” de quem e do que, pergunta-se? Levantar e lutar contra si mesmo ou contra os números que o desfavorecem nas estatísticas?
A campanha do terror não está funcionando, obviamente. As malditas pesquisas estão sendo ignoradas por um zangado McCain cujo desespero agora está mais nítido que nunca. Seus discursos, hoje, o fizeram cair mais 4 pontos nas enquetes.
Bate-boca
Começando conversas com pessoas em diversas partes da cidade e até mesmo aqui, no prédio onde moro, uma delas foi enfática e procurei ouvi-la: “Vou votar nele, no McCain, porque tenho medo de mudanças. Não tivemos mais nenhum ataque doméstico desde o 11 de Setembro [2001]“.
“Mas o que o senhor me diz sobre o equívoco de invadir o Iraque e a morte de 100 mil civis iraquianos e mais de 4 mil soldados do nosso país?”, perguntei. “Acho que temos de tomar todas as precauções possíveis…” No meio de sua resposta, o saguão do prédio começou a se encher, e as pessoas se intrometeram na hora.
“Isso é um absurdo. Tenho vergonha de ser do mesmo país que você!!!”, berrava uma senhora de uns 60 , com um back up de adolescentes vestidos da festa de Halloween de ontem, ou de um concerto de rock.
“Guerra era uma palavra do passado e paz não era somente uma utopia, mas era a realidade. Temos que voltar a ter essa realidade” , a grande maioria do grupo de senhores e jovens berravam.
Existem grupos de negros que sequer admitem a possível derrota de Obama. Eles vivem, e com toda razão, o sonho quase impossível de Dr. Martin Luther King Jr.
Sábado foi somente o ensaio. Faltava ver o que a festa/protesto de ontem nos traria. Eu iria para Dumbo, um dos bairros de Brooklyn mais, digamos, “artísticos”.
Nesse pós-Halloween, eu queria ver qual seria a fantasia deles ou se simplesmente estariam olhando para o skyline de Manhattan com aquele famoso efeito de distanciamento brechtiano, chacoalhando as cabeças, o que, aliás, vem a ser muito saudável numa hora dessas.
Estamos em plena TPM da terça-feira que vem. Vai ser um deus-nos-acuda.
Gerald Thomas
(Vamp, na edição)
A ELEIÇÃO DO CRASH
BARACK OBAMA OU JOHN MCCAIN.
EM DOIS DIAS, UM DELES SERÁ ESCOLHIDO O SUCESSOR DE GEORGE W.BUSH, EM MEIO À MAIOR CRISE ECONÔMICA NOS EUA DESDE A GRANDE DEPRESSÃO DOS ANOS 30
O estouro da bolha de créditos podres, que invadiu a economia real, precipitou a radicalização da disputa política na superpotência. McCain, 72, começou a campanha como representante da ala moderada do governista Partido Republicano, mas vem adotando discurso mais conservador à medida que pesquisas apontam que a crise tende a favorecer o rival Obama, 47, do Partido Democrata, de oposição a Bush. Há décadas a eleição para o cargo mais poderoso do mundo não apresenta opções tão díspares nem ocorre em momento tão delicado. Este caderno apresenta os dilemas que serão enfrentados pelo próximo ocupante da Casa Branca, as posições programáticas que podem definir o futuro governo e a expectativa mundial em relação à eleição.
PS: Que DIA!!!! UFA! MARILSON GOMES DOS SANTOS VENCEU A NEW YORK CITY MARATHON
COMO SE AS EMOCÕES NÃO BASTASSEM NESSA TPM PRÉ-ELEIÇÃO, AINDA VEM UMA NOTICIA DESSAS AQUI DO CENTRAL PARK !!!! DIA LINDO AQUI, E NENHUM PORTAL BRASILEIRO PARECE GIVE A DAMN!
GERALD
A Maratona de Nova York é uma das competições mais importantes e tradicionais do atletismo. Mais de 38 mil pessoas participaram desta edição (38.377).
Marílson fez o tempo de 2h08min44, correndo pela primeira vez abaixo dos 2h09min58 que ele tinha obtido na Maratona de 2006 – ano do seu primeiro título.
“Hoje eu provei que em 2006 não foi sorte”. “Este circuito é muito favorável para mim. Me lembra a minha casa”, declarou Marílson, que fez muita festa quando cruzou a linha de chegada, vibrando muito com a bandeira do país e com a sua esposa Juliana.
O marroquino Abderrahim Goumri liderou durante grande parte da prova, com Marílson sempre correndo entre o pelotão de elite.
No fim, Goumri se desgarrou do pelotão, tendo Marílson em seu encalço. Mas nos minutos finais e a menos de 2km da chegada, em um belo “sprint”, o brasileiro não tomou conhecimento do rival e venceu a prova, com o marroquino em segundo com o tempo de 2h09min07. O queniano Daniel Rono terminou a prova em terceiro com 2h11min22.
“Nunca perdi as esperanças. Quando entrei no Central Park, os torcedores me inspiraram a continuar correndo e vencer a corrida”, disse Marílson.
Os outros dois campeões da Maratona de Nova York que disputaram a prova, o queniano Paul Tergat e o sul-africano Hendrick Ramaala, terminaram em 4º e 12º, respectivamente.
No feminino, a britânica Paula Radcliffe conquistou o bicampeonato da prova, ao vencer com o tempo de 2h23min56.
A russa Ludmila Petrova foi a segunda colocada com 2h25min43, seguida pela norte-americana Kara Goucher com 2h25min53.
Com agências internacionais, atualizada às 16h23
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: 11 de Setembro, Bush, distanciamento brechtiano, eleições americanas, guerra do Iraque, Halloween, Manhattan, Martin Luther King, McCain, New York, Obama, paz, utopia
31/10/2008 - 20:09
Halloween é uma data onde se fantasia daquilo que você quer, ou daquilo que você mais odeia! Poderia se dizer que hoje, a cada 31 de outubro, a nação americana mostra de fato a sua cara (escondendo-a). Estranho. Mas o Carnaval brasileiro também não é assim? Ou o de New Orleans, quando não levam um Katrina na cara? Ou o de Veneza, em preto e branco. Se fôssemos ao pé da letra, racismo e tudo, esse Halloween deveria ser a cara do carnaval de Veneza. Preto e Branco.
Esse é o dia (ou a semana) onde se “expurga” as bruxas, ou os espantalhos, colocando máscaras, rufando tambores, sendo aquilo que se é, sendo aquilo que não se é.
Quem faz teatro sabe disso muito bem: fazemos isso todos os dias nos ensaios. Fazemos isso todas as noites durante as apresentações!
Andando agora por certos bairros de Manhattan vejo gente fantasiada segurando seus cachorros (também fantasiados – nem o osso é um osso!), esperando a parada, o desfile, assim como Didi e Estragon esperavam a aparição daquele “messias prometido” e que não chegava nunca: Godot. O desfile sai mais tarde no West Village e atravessa a cidade, como todos os anos. Essa eleição parece que não vem NUNCA e mexe com os nervos de TODOS. Deus me livre! Tá todo mundo doido.
Já vi McCains, Obamas, Super-homens, Sarah Palins e milhares de combinações entre uns e outros, até gente vestida de Wall Street, tinha. Ou seja, vestida de nota de Dollar queimada!!! A tradicional caveira – fantasia muito comum nesta data - está meio desaparecida. Ou será que ela virá mais tarde, depois da eleição, de forma realista? Ai meu deus! Pára de pensar bobagem, GT!
Em época de eleição as pessoas fazem questão de AFIRMAR aquilo que são, ou aquilo que NÃO são. Difícil dizer. Afinal, quando alguém se veste de caveira, ela seria o que durante o ano? E quando ela se veste de Super-homem? Ela seria o anti-herói durante os dias infelizes dos meses que nos conduzem até aqui?
Numa nota mais lógica e menos analítica (já encheu o saco isso) até o Larry Eagleburger, que trabalhou para a administração Bush (pai) disse que Sarah Palin não está preparada para ser vice-presidente. Ou seja, numericamente, agora só restam mesmo QUATRO Secretários de Estado do Partido Republicano que apóiam Palin! Os outros todos afirmam que essa mulher, enfim, não presta. Olha que loucura!
Colin Powell, cuja entrevista no Meet The Press ainda está disponível nesse blog, foi um dos primeiros a endossar Obama e dizer que ela não está preparada. Meu carteiro, o Salvatore, que ama Giuliani, acha que as pernas de Palin são mais sexy que as de Joe Biden.
Essas piadas são ótimas num dia como esse, onde os gheists estão soltos, onde Mephisto vai ter que procurar suas botas e Fausto estará reescrevendo seu papel – escondido atrás de uma máscara de, digamos, Idi Amin Dada! Esqueceram dele? Sim, tem muita gente morta ou morta viva endossando muita gente!
CUIDADO! Se você andar na Upper West Side de Manhattan, onde fica o museu de História Natural e muita carcaça de Dinossauro, ou o Dakota, o prédio onde morava John Lennon, Lauren Bacall e Leonard Bernstein e onde Polanski filmou o “Bebê de Rosemary”, uma mulher velha andava com um rádio sintonizada na National Public Radio a toda altura: “Eu não aguento mais: fico olhando as pesquisas de dez em dez minutos”.
Mas Nova York não é termômetro. Al Gore está na Florida fazendo campanha. Aliás, campanha aqui é invisível: não tem bandeiras nas ruas, não tem lambe-lambe. Clean. Clean.
Tão clean quanto “Esperando Godot”, de Beckett, que estréia com Patrick Stewart e Ian McKellen num teatro do West End Londrino, o Heymarket. Tá vendo? O mundo está perdido mesmo! Beckett na Broadway londrina. Pela lógica então…
Gerald Thomas, enfiado numa abóbora (Pumpkin)
(Na edição, O Vampiro de Curitiba)
Autor: gthomas - Categoria(s): artigos
Tags: "O bebê de Rosemary", Al Gore, Beckett, Broadway, Colin Powell, Esperando Godot, Flórida, Giuliani, Halloween, Ian McKellen, Joe Biden, John Lennon, Larry Eagleburger, Lauren Bacall, Leonardo Bernstein, Manhattan, McCain, Meet The Press, New York, Obama, Patrick Stewart, Polanski, Sarah Palin, Teatro Heymarket
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