29/12/2008 - 20:11

New York -“Segui o Che pela cordilheira Alpina atrás de queijo suíço . Só deu buraco!” Essa frase caía bem na boca do GRANDE (Maior) ATOR, Marco Nanini, na peça “Circo de Rins e Fígados” que eu tenho rodado aqui no Blog nessa última semana.
Ela deveria representar uma espécie de besteirol e deveria compilar (e compila!) a falta de compreensão total do homem moderno em relação ao tempo em que vive. Assim somos, não é? Quando observo essa ridícula e triste REPETICÃO em Gaza entre as mesmas “equipes” (não se trata mais de alianças: entendam meu ponto de vista: o jogo se entende como esporte, a multidão que o assiste se mata e acaba sendo assassinada e os esportistas, os estrategistas raramente ficam feridos. Mas berram. E como!)
Vejo o vergonhoso caso Madoff: 50 bilhões de dólares e como ele (e tantos outros que ainda não conhecemos!!!!!) conseguiram ROUBAR e ROUBAR e ROUBAR por ter sido mais um mestre nesse jogo: qual a natureza desse jogo?
Esse que vejo sendo jogado no dia a dia pela mídia. Existem diferenças, claro. Mas poucas. Não pensem nem por um segundo que o iReport da CNN é um veiculo democrático ou a “Minha Notícia” desse portal ou de outros são, igualmente, democráticos: ao contrário. São formas demoníacas de fazer com que o leitor, internauta ou participante se sinta “parte do time” por um dia, dois dias ou por alguns minutos. É Andy Warhol diluído. É o filme “Network” de Lumet sendo “pacificado” pra que a gente nao saia abrindo janelas berrando “this is bullshit and I’m not going to take it anymore!”
A Faixa de Gaza ou o West Bank que em português se chama Cisjordânia (tenho antipatia por essa palavra em português, e não me perguntem por quê): por quanto tempo? Por mais 5000 anos? Ou desde 48 e até…….2048 pra que 100 anos de sangue rimem com 100 anos de solidão, e RETIREM o Nobel de Garcia Márquez ou de Saramago….e de Harold Pinter (que aliás, apoiava Slobodan Milosovec, um tremendo carrasco e filho da puta…). Mas sou incurável mesmo. Nao tenho jeito: Pinter está morto e mesmo assim: no vídeo que roda aqui no Blog (de aceitação do prêmio Nobel) o “silenciador” explica a formula de como “monta” uma peca sua! Ora! Que piada. Pior que isso! Diz que dá nome ou letras aos seus personagens: A, B, C ou D. EXATAMENTE, ESCARRADAMENTE, cópia total de Beckett.
Sua devoção ao mestre Sam era tal que, já com câncer terminal – quase sem poder falar – em 2006, ele entra no palco como ator e faz um espetáculo de Beckett , “Krapp’s Last Tape”. Pra quê? Pra colocar sua estúpida fragilidade Slobodomiana à vista? Sei!
Invasão, guerras, Hamas, Hessbolah, Al Qaeda, terrorismo, Exércitos e armas…..desde que existimos aqui….desde que olhamos pro outro ou pra outra, ou o pé do outro da outra ou pro outra do outro, a guerra esta declarada:
“A agressividade não foi criada pela propriedade. Reinou quase sem limites nos tempos primitivos, quando a propriedade ainda era muito escassa, e já se apresenta no quarto das crianças, quase antes que a propriedade tenha abandonado sua forma anal e primária; constitui a base de toda relação de afeto e amor entre as pessoas. Se eliminamos os direitos pessoais sobre a riqueza material, ainda permanecem, no campo das relações sexuais, prerrogativas fadadas a se tornarem a fonte da mais intensa antipatia e da mais violenta hostilidade entre homens que, sob outros aspectos, se encontram em pé de igualdade”.
Seria isso uma citação de Freud? Parece que sim. Copiei dos comentários enviados ao Blog.
E tem mais: “O sentimento de culpa seria o mal-estar da cultura, o preço de vivermos em sociedade, reprimindo a sexualidade e a agressividade. Sob esta ótica, o mal-estar é estrutural, próprio dos processos de organização do psiquismo do homem, do fato de ele existir, de ser, pois ele só pode ser e existir como homem dentro da civilização. A existência humana é problematizada por não mais ser natural. Em relação a ela, as leis da natureza são substituidas pelas leis da cultura. Por esta razão, se – por um lado – a civilização em si, provoca um mal-estar, por outro lado, sem civilização não haveria humanidade, seríamos apenas outros primatas regidos pela natureza. A primeira e maior lei cultural, aquela que nos separa definitivamente dos outros animais, é o tabu do incesto, a regulamentação das relações sexuais, com a consequente organização das relações de parentesco, presentes em qualquer sociedade humana, mesmo naquelas ditas primitivas.” Obrigado, Nina, por ter enviado o Freud. Amo quando me enviam Freud. “Freude” em alemão é felicidade. Um mero “e” faz a diferença!
Mas e a tristeza? E a Tristeza do Mundo, hein, Ekram? “Israelenses e Palestinos sabem disso e até poderiam chegar a um termo se não houvesse tantos “bem intencionados” aliados em ambos os lados. Os EUA, por exemplo, estão apoiando esse ataque massivo dos F-16 sobre Gaza. A Rússia e a França condenaram e jogaram a responsa para a ONU, que todos sabem que não significa nada. A ONU é o espantalho no milharal.” Pois é. Sou incurável mesmo e acho que a merda da ONU só serve mesmo pra congestionar o trânsito aqui na primeira avenida. Mas, Sandra, por exemplo, responde…”Quanto a comparar fanatismo religioso com narcotráfico, depende. Se alguém quiser jejuar durante um dia inteiro ajoelhado no milho, tudo bem. Mas terrorismo? Pior: funciona? Veja o que funcionou, e quem fez diferença: Martin Luther King, Ghandi,… O Hamas não fala em nome dos mulçumanos, assim como o narcotráfico não fala em nome dos morros. Você daria a guarda de seus filhos a alguém que convence crianças a amarrar explosivos no corpo? Acha que eles vão parar se Israel não responder aos ataques? Foi o que aconteceu com todas as outras organizações terroristas? Quando pararam de brigar com Israel, brigaram entre si, e tornaram um inferno a vida das pessoas que diziam proteger.
Nina, uma criança que mata um bicho não necessariamente o fará depois de adulto, mas, se o fizer, se, para ela, a crueldade continuar sendo uma coisa normal, ela deve deixar o convívio da sociedade. Não somos obrigados a sofrer nas mãos de pessoas assim.”
Ótimo. Todos os argumentos são ótimos. Justamente por isso, homens, mulheres e crianças brigam, lutam e se matam: o esporte que nao cessa nunca: OLIMPÍADA. A Tocha que não se apaga! Lindo nao é?
Não vamos fazer o jogo aqui dessa hipocrisia! “ai que horror! Ai que coisa triste! E tal” Sabemos exatamente o ser VIOLENTO que temos dentro de nós. Como? Não ouvi direito! Você não entendeu essa última frase? Então seja mais um tolo e pegue toda a sua fortuna e entre no coro dos imbecis e berre: “que horror! Que coisa de louco (silêncio –pausa de 5 segundos , coisa de Harold Pinter)…..e jogue seu dinheiro ou sua arma predileta nos patifes como Bernard Maddof.
E FELIZ ANO VELHO como já disse um amigo meu, que hoje está…
Gerald Thomas
Autor: gthomas - Categoria(s): Sem categoria
Tags: AL QAEDA, Andy Warhol, Beckett, Bernard Maddof, CNN, Faixa de Gaza, França, Freud, Garcia Marquez, Ghandi, Hamas, Harold Pinter, Hesbolah, Israel, José Saramago, Marco Nanini, Martin Luther King, Nobel, olimpíadas, ONU, Rússia, Slobodan Milosvec, terrorismo
25/06/2008 - 13:24
Cena 1 – Aeroporto Ben-Gurion, Israel — Um policial israelense, plantado num topo de um prédio a cem metros do presidente Sarkozy e do primeiro ministro Olmert, olha em volta, cospe no chão, limpa a sua arma pela última vez, dá uma olhada para o céu claro do oriente médio e acaba disparando um tiro em si mesmo. Digo, em sua própria cabeça. Os guarda-costas, rapidamente, se jogam pra cima de Sarkozy e, o que se vê, é Carla Bruni subindo rapidamente as escadas do avião presidencial, e Sarkozy, meio perdido, ainda querendo apertar as mãos de todos os guarda-costas, soldados, etc, porque, sim, à essas alturas, o Olmert e Simon Peres já tinham desaparecido. Levaram “os homem” em outra direção.
Estranho: num país tão preocupado com terrorismo, segurança, e ainda existe essa babaquice de cerimônia de despedida aberta em aeroporto: por quê os presidentes não embarcam em gates, ao invés de ao ar livre? Bem, Carla Bruni mostrou que deixaria seu marido pra trás na primeira ocasião.
E o policial? Deu mesmo um tiro em si mesmo? Ali, naquele lugar? Suicídio? Tudo bem, a gente se acostumou a “comprar” o que a mídia nos vende mas……na boa! Um soldado israelense se suicida ao ser “detail” de segurança na patrulha de despedida de Sarkozy, depois do presidente da França passar 3 dias em solo israelense. Tá ótimo. Vamos nessa!
Óbvio que o porta voz da polícia, Micky Rosenfeld, negou que houvesse qualquer tentativa de assassinato, ou sequer plano de assassinar o Sarkozy (o que me faz pensar: tanta, mas tanta segurança é normal? Digo, os telhados repletos de policiais, a Mossad em tudo que é lugar, gente à paisana espalhada em tudo que é parte e, de repente, BUM! A banda toca alto, um soldado se mata e cai na pista do aeroporto, e um lençol o cobre).
Nelson Rodrigues? Vlacav Havel? “Clear and Present Danger?”
Um filme de Polanski? Não, genial demais pra isso. De John Frankenheimer? Não, esse era ótimo! Vamos ver…ah, deixa pra lá.
Na verdade eu não entendo bem o que Presidentes ocidentais vão fazer em Israel, fora o ôba-ôba e reforçar o tal “êpa, eu sou neutro: eu gosto de vocês, mas AMO os islâmicos, palestinos, os extremistas também, porque lá em casa tem uma caralhada deles e eles queimam meus carros, fazem uma zona ducaralho nos subúrbios de Paris”. Sim, ele foi fazer o que todos vão fazer. Falou no Knesset (parlamento), “advertiu seriamente” a política externa isralense (tem que fazer isso pelo número de islâmicos que habitam a França hoje). Ai meu santo. Dá um cansaço! De repente, vê-se a protocolar foto do presidente francês com o líder palestino Mahmoud Abbas (que não é nem de longe tão divertido quanto o exótico Arafat) (não se fazem mais líderes como antigamente: ah, o De Gaulle com aquele narigão… Esse sim escapou de Hitler (quase se rendeu) e do assassino Chacal). Ah, la belle époque. Sim, Sarkozy foi “apertar” os parafusos soltos entre a França e Israel, tudo bem. As visitas presidenciais devem mesmo servir pra isso. Enquanto isso, o povo baba olhando a Carla Bruni.
“Em nome da França, gostaria de dizer que nos Amamos Israel e Vive la France!”, disse um empolgado Sarkozy, que, as vezes parece um menino de ginásio que não cresceu direito.
Mas – pra que essa preocupação toda? Um policial se matou ali na frente dele e jamais saberemos porquê! O que terá sido?
Cena 2 – A Argentina está à beira de um colapso e eu amo aquele país. Amo. Não sou o Sarkozy e não preciso dizer em nome de ninguém que estou apavorado com uma (possível) nova crise argentina. Será que deveríamos mandar o Sarkozy pra lá, pra ele dizer que o povo da França também “verdadeiramente ama os argentinos?” Sarkozy é parcialmente judeu, por parte de pai e nada tem de argentino. Pena. Um dia ainda teremos um presidente Francês verdadeiramente argentino. Já é tempo! Os argentinos dominam a cena cultural de Paris há tempos. Não vou entrar em detalhes. Leiam um “Manual para Manuel”, de Cortázar. Não é sobre argentinos mas é de um argentino.
Cena 3 – O Hamas, ontem mesmo, quebrou com qualquer possibilidade de paz: mandou ver. Três mísseis mandados por eles foram cair na fronteira israelense.
Mas também, dias antes, a força aérea de Israel, voava a centímetros do espaço aéreo do Iran. Como vocês vêem, esse é um espetáculo que não tem fim. Ele começou bem antes de 1948 e vai continuar até que o último soldado de ambos os lados, plantados em telhados, se dêem um tiro na cabeça, perplexos com o que vêem.
E eu, perplexo com a morte de Da. Ruth Cardoso, continuo a afirmar, que 2008 está engolindo mais gente do que a década inteira de 1990.
Gerald Thomas
Autor: Ana - Categoria(s): artigos
Tags: Argentina, Carla Bruni, Cortázar, França, geopolítica, Hamas, Iran, Israel, Olmert, Palestina, Política, Ruth Cardoso, Sarkozy, Simon Peres, terrorismo