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05/11/2008 - 01:14

Barack Obama – O novo presidente dos Estados Unidos da América

MAIS FORTES SÃO OS PODERES DO POVO!

New York- Não sei se conseguirei chegar até o fim deste post. Me desculpem. Lutei muito. Muitos lutaram e levaram muitos insultos por suas convicções e muitos foram objetos de gozação!

EUA é lugar de racista“, daí pra baixo.

Mas aqui ainda estamos em 4 de novembro de 2008. Tenho 54 anos de idade e, se fiz algo de importante na minha vida, foi participar dessa campanha! Tenho amigos íntimos que não concordam comigo. Tudo bem.

Não vou continuar a escrever…

O espirito Republicano não poderia mesmo ganhar. Por quê? Porque agora mesmo há pouco estavam com os ollhos e ouvidos fechados ouvindo uma banda de country music, telas de TV  e seus iPhones apagados em estado de DENIAL, dançando e cantando em seus headquarters em Phoenix, AZ. Assim, como se o mundo não existisse ou como se a vitória fosse fato consumado. Assim tem sido a gestão Bush, e por isso se distanciou tanto de todos que até McCain pediu que não aparecesse. Mas o GOP está mesmo out of touch.

Essa também é a metáfora perfeita para administração Bush: OUT of TOUCH.

Temos que tomar cuidado para não cairmos em euforia. Cautela é a palavra, pois agora é o primeiro e não o último dia de uma longa, perigosa e árdua jornada para Obama e Biden! Vão herdar a pior economia já vista. Vão herdar uma guerra horrenda que ninguém quer: e o voto mostrou isso. Digo, o voto mostrou que ninguém mais quer a guerra no Iraque, ninguém mais quer essa brincadeira com o dinheiro e esse outsourcing desvairado. Sim, muita coisa vai mudar. Mas o quê? Confesso que assim como muitos no partido democrata, estou pra ver. Não sei. Mas os danos deixados pela administração Bush levarão anos para serem desfeitos. Muitas ruínas. Muito Beckett e Heiner Mueller para reerguer, assim de um momento para o outro!

Chega. Chega de preconceito racial. Temos um negro na Casa Branca! Agora o mundo segue o exemplo, espero. Não preciso dizer mais nada. Quero comemorar no silêncio da minha alegria silenciosa. Ainda não é momento de grandes explosões. Os EUA já tiveram grandes líderes negros, brancos, tortos, não tortos, de ascendência irlandesa, protestantes e católicos (JFK).

Só posso agradecer a todos que tiveram fé!

Agradeço a todos que tiveram fé! Aos detratores, a resposta desse país fala mais alto, mas mesmo assim meu muito obrigado àqueles que me trataram durante esse ano inteiro como se eu fosse uma criança que nada sabe, que não entende lhufas de política, como se eu não fosse um politcoholic. Sou. Obcecado, louco, quase um doente mental, confesso!

McCain, depois de uma campanha vergonhosa, a smear campaign (até hoje, dia da eleição) agora fala manso. Ele mesmo adotou o slogan “CHANGE”. Não adiantou. Claro. Agora fala até da avó de Obama que não viveu para ver esse dia e, sim, nos comove.

Aqui, nesse país, mesmo em guerra, somos civilizados. Temos a tradição de lutar com luvas e com a retórica mas, no final do dia, nos damos as mãos! Talvez no BR, como diz o Reinaldo, as pessoas não entendam isso. Eis a diferença enorme entre os dois paises.

Um enorme beijo para todos. Eu não poderia estar mais feliz. E não poderia estar mais preocupado.

O mundo não acaba aqui. Começa aqui. Hoje é o primeiro dia. Agora começa uma longa e interminável escada.

Do fundo do meu coração agradeço, sem mágoas. Não é uma revolução, não se trata disso. Mas uma tremenda evolução. Existem três léguas e quarenta anos de diferença entre uma coisa e outra e estou com um nó na garganta! Me perdoem, mas agora vou desligar.

LOVE

Gerald Thomas, nessa data histórica e, deus do céu!, como estou orgulhoso do meu país!

Update: O Presidente Obama falou: digno, lindo. De certa maneira não enfatizou o fato de ser negro. Enfatizou o enorme trabalho pela frente. Congratulou McCain e disse que iriam trabalhar juntos. Agradeceu a todos, o Axelrod, Howard  Dean, Michelle (sua mulher), Biden, todos.

Continuo: as multidões em Chicago, aqui em NY em todos os pontos dos EUA são sem precendentes! Entramos numa nova era.

O telefone aqui não pára de tocar, e-mails não param de entrar.

1- A luta pelas liberdades civis da década de 60 chega aqui à fruição! As coisas não nascem do dia pra noite. Grassroots movements: Oprah e Jesse Jackson na platéia aos prantos é, de fato, contagiante. This is the best of the United States of América.

2- Não houve vaias quando ele mencionou McCain. Mas quando McCain mencionou Obama, houve vaias.

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição) 

 

 

Autor: gthomas - Categoria(s): artigos Tags: , , , , , , , , ,
29/07/2008 - 22:44

Vampiro de Curitiba: conseguimos viver em paz com nós mesmos em nossas estepes imaginárias

Obs.: Não leiam este texto sem antes terem lido o artigo anterior de Gerald Thomas.

“Harry compõe-se não de dois, mas de cem ou de mil seres. Sua vida (como a vida de cada um dos homens) não oscila simplesmente entre dois pólos, tais como o corpo e o espírito, o santo e o libertino, mas entre mil, entre inumeráveis pólos.”

(Hermann Hesse, Der Steppenwolf)

Coloquei este trecho de Hesse não apenas com o intuito de provocar aqueles que odeiam citações de escritores, mas também para demonstrar que, a exemplo de Gerald Thomas e sua Espanha interior, dividida em quatro, todos somos seres múltiplos. E confesso que aquele texto do Gerald mexeu comigo. O motivo de terem passados batidos alguns erros na edição não é outro senão o fato de meus olhos estarem lacrimejando enquanto o editava.

“Cada um de nós é um Universo”, já disse Raulzito. Vivemos eternamente numa batalha interior. Oras, se nem ao menos nós, os “Steppenwolf’s”, conseguimos viver em paz com nós mesmos em nossas estepes imaginárias, o que dizer, então, do mundo, considerado como um todo, com suas múltiplas culturas, suas diversas crenças, seus infinitos interesses irreconciliáveis? Muitas dessas diferenças jamais serão superadas sem o uso da força. A guerra sempre existiu. Para o nosso deleite, Homero não cansou em declamá-la. E, queiramos ou não, ela sempre existirá. Ela é a única síntese possível nesta dialética macabra que é a história.

A guerra ao Iraque, em particular, e ao Terror, generalizando, foi uma conseqüência do atentado de 11 de Setembro. Atentado, este, planejado ainda no Governo Clinton. O ódio ao modo de vida norte-americano e à civilização ocidental já existia, portanto, muito antes da invasão do Iraque.

Não, não somos, nós outros que não apoiamos Obama, cúmplices de Guantánamo, de assassinatos de inocentes e nem tão pouco desejamos ver o Estado se intrometendo na vida do cidadão, bisbilhotando conversas alheias ou seguindo nossos passos. Pelo contrário: Aqui no Brasil, ao menos, aqueles que defendem o indivíduo, a liberdade de expressão, a democracia, apóiam McCain. Enquanto que os adoradores do estado defendem fanaticamente Obama.

Obama X Obama

Não tenho nada de pessoal contra Obama. Acho-o extremamente carismático. Se afirmei que preferia vê-lo atuando em Hollywood, além do sarcasmo que me é peculiar, é porque vejo nele uma pessoa interessante. Pouco importa, também, quem seja seu adversário. A questão é: A guerra existe, é fato. Obama poderá trazer um mundo de paz e esperança contando apenas com sua boa intenção? Ele está sendo sincero quando afirma que vai retirar os soldados americanos do Iraque? Essa história de que uma sua vitória representaria o fim do reinado Bush, também não cola: Mesmo que McCain vença a eleição, Bush não terá mais poder. McCain não é Bush

Não sei, mas a diferença de apenas 6 pontos a favor de Obama nas pesquisas, tendo em vista o enorme destaque que ele tem na mídia, mundial inclusive, é muitíssima pequena. Assim como torci para que Lula vencesse aqui na Banânia sabendo que ele enterraria de vez a esquerda, tenho o pressentimento que a vitória de Obama enterrará de vez a inocência norte-americana.  Resta saber se a inocência será suficiente para elegê-lo. Parece-me que não.

Há duas formas de conviver com os conflitos, duas maneiras que podemos adotar para que possamos viver em harmonia. Uma é seguindo o exemplo deste blog e aceitando as divergências de modo civilizado, sem radicalismos e sem paixões. Outra é seguindo o exemplo de Simon, o sul-africano citado no texto de Gerald Thomas. Ele ajudava seus irmãos recolhendo produtos feitos naquele país e vendendo ao mundo. Que o capitalismo possa salvar a África do Sul, o Iraque, o Irã e… Os Estados Unidos da América!!!

O Vampiro de Curitiba

Autor: gthomas - Categoria(s): Colaboradores Tags: , , , , , , ,
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